A- Beylik ve Ağalık (Aşiret):
I- Arazi Sorunu
No ano de 1842, a vida política e os movimentos nacionalistas ficam praticamente estagnados quando a Irlanda enfrenta a Grande Fome, que muitos historiadores rotulam de “pior crise humanitária do país”, “Holocausto Irlandês” ou “Cataclisma nacional”. A Fome deixou marcas profundas em quase todos os aspectos da vida irlandesa.
Para que possamos entender os bastidores políticos que antecederam a Grande Fome, devemos nos voltar para as palavras de Kinealy (2007):
Durante a época da Fome, a Irlanda foi governada a partir de Westminster. Como resultado do Ato de União de 1801, a Irlanda tinha perdido seu próprio parlamento em Dublin, membros do seu parlamento sendo enviados para Westminster. Como consequência do Ato, o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda foi criado, mas como a Fome demonstrou, a união política estava longe de ser unificada. A rebelião de 1798, que havia sido um dos principais gatilhos para que ocorresse a União, continuou a moldar a política na Irlanda, mais notavelmente entre a Juventude Irlandesa, mas também entre radicais na Grã-Bretanha como um exemplo do potencial de um levante popular e da capacidade do governo britânico em responder a isso brutalmente. Para as autoridades britânicas, a revolta de 1798 foi uma ilustração desconfortável do perigo interposto quando católicos e protestantes se unem contra a autoridade.48 (KINEALY, 2007, p. 18).
Segundo Woodhann-Smith (1995), com o Ato de União, a imprensa e a política inglesa foram tomadas por assuntos irlandeses. Um dos motivos apontados para o crescimento de notícias sobre a Irlanda eram os problemas com o tamanho da população irlandesa, que representava 1/3 dos habitantes do Reino Unido.
Enquanto os ingleses avançavam com a industrialização, os irlandeses continuavam a depender da agricultura, em sistema de conacre49, no qual trocavam seu
48 At the time of the Famine, Ireland was governed from Westminster. As a result of the Act of Union of
1801, Ireland had lost her own parliament in Dublin and instead sent a number of MPs to Westminster. As a consequence of the Act, a United Kingdom of Great Britain and Ireland had been created but, as the Famine demonstrated, the political union was far from being united. The 1798 rebellion, which had been a major trigger for the Union to take place, continued to shape politics in Ireland, most notably amongst the Young Irelanders, but also amongst radicals in Britain as an example of the potential of a popular uprising and the capacity of the British government to respond brutally. For the British authorities, the 1798 uprising was an uncomfortable illustration of the danger posed when Catholics and Protestants combined against their authority. (KINEALY, 2007, p. 18).
49De acordo com Connolly (2011), conacre pode ser entendido como: “land rented for the taking of a
single crop, most commonly of potatoes. Conacre was taken by tradesmen, by small farmers, and most commonly by agricultural laborers, who invested all or most of their earnings in potato ground from
trabalho por um pequeno pedaço de terra. Na época, as batatas eram principal produto agrícola irlandês, pois, cresciam maciçamente até mesmo em solo pobre ou rochoso, sendo, dessa forma, o principal alimento para cerca de 50% da população pobre.
Martin (2001) completa o relato sobre a situação irlandesa dizendo:
Havia sinais de indignação que poderiam ter sido percebidos e superados, não fosse a distorção da economia irlandesa causada pela grande guerra com a França, uma guerra que durou mais de vinte anos. O preço do grão subiu rapidamente em tempo de guerra e mais e mais pastagens irlandesas eram destruídas. A mudança de agricultura pastoril para a de lavoura criou uma demanda por mais trabalho também. Era uma situação que poderia ter sido explorada em seu próprio benefício por arrendatários, agricultores e trabalhadores, não fosse o fato de que a necessidade de terra era muito grande em um país com uma população em crescimento acelerado. A Irlanda tinha sido pouco povoada no início do século XVIII, porém condições favoreceram um aumento nos números. Para começar, os exércitos já não estavam matando pessoas ou destruindo as suas plantações. Mais importante de tudo, o povo irlandês havia se assegurado de abundantes, comidas saudáveis ao adotar uma dieta de batata. Não só a batata é um alimento ideal, especialmente se complementado por leite, como a produção de batatas em uma dada área de terra era muito maior do que para qualquer outra safra de grãos (p. 219).50
Durante o apogeu da Grande Fome, a Inglaterra assistia ao desenrolar dos fatos sem esboçar reações enérgicas para contornar a crise humanitária. O governo britânico, através de Charles Trevelyan, secretário do tesouro do império, defendia que os acontecimentos na Irlanda eram consequência da providência divina e que, por isso, não deveriam interferir.
which to feed their families. The practice thus illustrates the limited role of retail markets in pre-Famine rural Ireland. Conacre rents were a frequent cause of agrarian violence, as population pressure increased and as farmers, encouraged by price trends to move into livestock, no longer found in such lettings a profitable means of providing for crop rotation.” (p. 114)
50
There were signals of indignation which might have been perceived and overcome but for the distortion of the Irish economy caused by the great war with France, a war which lasted over twenty years. The price of grain rose rapidly in time of war and more and more Irish grassland was broken up. A shift from pastoral to tillage farming created a demand for more labour as well. It was a situation which might have been exploited to their own advantage by tenant, farmers and labourers but for the fact that the need for land was so great in a country with a rapidly increasing population. Ireland had been sparsely populated at the beginning of the eighteenth century, but conditions favoured a rise in numbers. To begin with, armies were no longer killing people or destroying their crops. Most important of all, the Irish people had assured themselves of abundant, healthy food by adopting a potato diet. Not only is the potato an ideal food, especially if supplemented by milk, but the produce in potatoes of a given area of ground is much greater than that for any grain crop (MARTIN, 2001, p. 219).
Mesmo com sinais de que o país estava entrando em uma crise alimentícia, a Irlanda vinha exportando milho suficiente para alimentar cerca de dois milhões de pessoas. Os políticos irlandeses mantiveram o fluxo comercial com a Inglaterra para cumprir os contratos comerciais.
Martin (2001) revela que a queda na produção da safra da batata nos anos de 1844-1847 foi motivada também por um forte inverno, “não um inverno normal, porém o mais severo e o mais longo em memória” 51 (p. 223). Woodham-Smith (1995) diz que a Irlanda já havia enfrentado anos antes problemas com a batata, isso teria acontecido nos seguintes períodos: 1740, 1766, 1784-1785, 1795-1796, 1800-1801, 1818-1819, 1822, porém, eram problemas pontuais que não duravam mais que uma temporada agrícola. O governo acreditava, dessa maneira, que a safra ruim logo passaria.
Nos anos seguintes, porém, segundo Weiand (S/A), um fungo, chamado
Phytophthora Infestans, atingiria as lavouras irlandesas destruindo boa parte do
tubérculo. Os problemas nas plantações da batata começaram a aparecer em 1843 nos Estados Unidos, sendo depois notificadas em diversas partes da Europa: primeiro na Bélgica, depois na Alemanha, na Suíça, na Inglaterra, na Escócia e, por fim, na Irlanda.
Com a destruição mais frequente das lavouras pelos fungos, os políticos irlandeses ficaram alarmados com o futuro do país e começaram a encarar o problema mais seriamente. Ademais, não só a economia dependia das batatas. Dois terços da população consumia o tubérculo como principal fonte de alimento.
Ainda de acordo com Martin (2001), apesar da estagnação econômica, a população quase dobrou de tamanho em quarenta anos: em 1800 havia cerca de 5 milhões de habitantes na Irlanda; em 1821, o número era de 6,5 milhões; na década da Grande Fome, já se contava 8 milhões de pessoas. Com o crescimento da população, crescia também a dependência por batata. Na tabela abaixo apresentamos o resultado da colheita da batata durante a Grande Fome:
Ano Produção total
1844 15 mil toneladas
1845 10 mil toneladas
1846 3 mil toneladas
1847 2 mil toneladas
Tabela 1: Redução da Produção de Batatas (1844-1847). Tabela elaborada baseada a partir de dados levantados por Martin (2001).
A produção do tubérculo vinha caindo ano após ano, mas 1847 começou com um alerta: em relação à produção de 1844, cerca de 88% da batata estava destruída. Além disso, a produção de milho, que vinha amenizando a crise, também despencou. A importação do cereal não estava suprindo a necessidade irlandesa. Havia um claro indício de uma vindoura calamidade social. As pessoas começaram a ficar doentes, especialmente de febre, e algumas mortes foram notificadas.
O que as pessoas chamavam de ‘febre da fome’ era, na verdade, duas doenças distintas, tifo e febre reincidente. Nem era esse o único flagelo. Disenteria era de se esperar entre as pessoas que estavam comendo nabos crus ou algas ou refeições indianas meio cozidas, e isso também, demasiadas vezes, levou à disenteria bacilar fatal, o ‘fluxo de sangue’, que agora tornara- se epidêmico. [...] ‘Fome sonolenta’, ou edema da fome, para dar-lhe seu nome apropriado, foi generalizada, e era resultado de fome pura e simples. (MARTIN, 2001, p. 224)52
Em 1847, de acordo com Woodham-Smith (1995), três milhões de pessoas estavam recebendo alimentação gratuita distribuída pelo governo. Essa ajuda se restringia, porém, a uma sopa sem nutrientes, apenas uma vez ao dia. Em 1849, boa parte da população começava a deixar o país, mas não se tratava de um trajeto fácil até o lugar planejado. Muitas embarcações passavam por demoradas quarentenas ao
52 “What people called ‘famine fever’ was in fact two separate diseases, typhus and relapsing fever. Nor
was this the only scourge. Dysentery was to be expected among people who had been eating raw turnips or seaweed or half cooked Indian meal, and it too often led to the fatal bacillary dysentery, the ‘bloody flux’ which now became epidemic. […] ‘Famine drowsy’, or hunger oedema, to give it its proper name, was widespread, and resulted from starvation pure and simple.” (MARTIN, 2001, p. 224)
chegarem aos seus destinos. Outros navios ficavam parados nos portos por problemas de preconceito racial envolvendo os irlandeses. Segundo Kinealy (2007), em alguns países, ser irlandês passou a significar ser pobre, doente e violento.
Figura 3 - Emigrantes deixando Cork indo para Liverpool. Martin (2001, p. 225)
O jornal Irish Cathlolic Directory mostrou em 1920 os países para quais os irlandeses mais se destinaram, cerca de 275 mil foram para os Estados Unidos, 25 mil para o Canadá; Inglaterra e País de Gales: 23 mil, Escócia 14,5 mil; Austrália: 5 mil. Isso em apenas poucos anos.
Na Irlanda, porém, com a emigração dos mais ricos, restava no país apenas os pobres, doentes e famintos. O jornal Irish Cathlolic Diretory53 fez um levantamento mostrando o número de emigrantes do país ao longo de cinquenta anos a partir da época da Grande Fome:
Figura 4 - Números de imigrantes por ano na Irlanda de 1851 à 1911. Fonte: http://www.irishfaminememorial.org/en/history/
Algumas regiões da Irlanda chegaram a perder quase 30% de sua população. Connaught perdeu 29%; Munster, 23%; Ulster, 16%; Leinster, 15%. Não há números oficiais para o total de mortes ao final da Grande Fome. Estima-se que dois milhões de pessoas morreram e que, nos anos do pós-fome, outras 950 mil pessoas tenham sucumbido em decorrência da subnutrição. Por volta de 1851 a população era de 6 milhões, 2 milhões a menos do que a população estimada em 1845, segundo dados vistos em censos.
Segundo Fegan (2011), os jornalistas do Nation denunciavam que os corpos dos famintos estavam espalhados e as mães choravam, carregando seus filhos já mortos nos braços:
Eu encontrei os corpos nus de mulheres à beira da estrada ... Eu conheci mães carregando crianças mortas nos seus braços até que elas estivessem pútridas, recusando-se a enterrá-las, na esperança de que a visão ofensiva pudesse arrancar das insensíveis pessoas da cidade caridade suficiente para prolongar por um tempo a vida dos outros filhos em casa (p. 61).54
As consequências da Fome atingiram vários setores da economia. Com o avanço da praga da batata durante a Grande Fome, houve aumentos nos preços dos alimentos e os pobres não tinham como comprar o que comer. Martin (2001) mostra que, em 1846, o número de pessoas desempregadas aumentou em 1.500% entre os meses de setembro e dezembro. Algumas cidades, como Ballina, em Country May, chegaram a ter 79% da
54 “I have found the naked bodies of women on the roadside… I have met mothers carrying about dead
infants in their arms until they were putrid, refusing to bury them, in the hope that the offensive sight might wring charity from the callous townspeople sufficient to protract for a while the lives of the other children at home.” (FEAGAN, 2011, p. 61)
sua população necessitando de ajuda do governo para ter o que comer. Entre 1849 e 1850, os irlandeses que recebiam alguma ajuda do governo chegou a 50% da população.
Outra consequência foi o aumento do número de presos acusados de saques, roubos e violência em geral. Em 1841, havia na Irlanda cerca de 21 mil presidiários; em 1848, o número chegou a 38 mil. Outro dado importante lembrado por Kinealy (2007) é a quantidade de pessoas que passaram a vagar pelo país sozinhas, sem casa: em 1847 eram quase 50 mil.
O governo, diante dos problemas apresentados, instaurou a Poor Law. Segundo Connolly (2011), essa medida foi decretada para garantir uma ajuda mínima à população, baseando-se nos modelos ingleses. Um programa como esse havia sido instalado na Inglaterra em períodos de crise, como um amparo destinado a pequenos agricultores. Em 1847, o governo reconheceu a necessidade das pessoas carentes em ter um auxílio pelas calamidades que afetavam o país.
O aumento do poder e da influência da Igreja Católica, que “governava” cerca de 80% da população irlandesa, de acordo com Kinealy (2007), também foi marcante na Grande Fome. Nesse período, os protestantes e católicos firmaram parceria visando a arrecadação de donativos e a melhor distribuição dos alimentos ao povo. Contudo, em 1850, os católicos começaram a acusar os protestantes de fazerem uma “Segunda Reforma” ou “Segunda Cruzada”. A maioria da população protestante se concentrava, de acordo com Martin (2001), em cidades como Belfast, de onde partiam em caravanas com o intuito de evangelizar especialmente a região oeste do país, área em que a Grande Fome tinha feito mais vítimas.
Os protestantes, intentando buscar novos fiéis, passaram a falar o idioma gaélico. Os moradores das áreas mais a oeste da Irlanda acreditavam, segundo Kinealy (2007), que a língua gaélica era “uma língua usada por Adão e Eva no Paraíso, e que era uma língua falada pelos santos no Céu” 55. (p. 158).
A pobreza da Irlanda passou a ser um dos assuntos mais recorrentes em livros e jornais da Inglaterra. Porém, era comum mostrar o país como um lugar exótico, que poderia ser presenciado em apenas uma viagem de 24 horas, partindo de Londres:
55 The language used by Adam and Eve in Paradise, and that it is the language spoken by the saints in
Estereótipos eram brutalmente reforçados: o camponês irlandês era apresentado como uma criatura unidimensional, resolutamente honesto e hospitaleiro mesmo se estupidamente violento, irremediavelmente supersticioso embora admiravelmente piedoso, moradores de um casebre de barro com uma pilha de esterco à porta e um porco brincando com as numerosas crianças em uma fossa (FEGAN, 2002, p. 87).56
As descrições das viagens dos ingleses também serviam de comparação para mostrar que, mesmo perto de um país rico, poderoso e protestante, poderia haver outro pobre, dependente e católico. Os relatos deixam transparecer principalmente o preconceito com os irlandeses. À Irlanda eram atribuídos diversos adjetivos pejorativos, sendo constantemente apresentada como suja, feia e pobre. A Inglaterra, por outro lado, era limpa, industrializada e bonita. O choque cultural dos ingleses ao chegarem ao território irlandês era imenso e alguns se recusavam a acreditar no que viam, buscando diversas alternativas para explicar o que ocorria.
Burritt (S/A), viajando pela Irlanda, relatou a situação vivida por algumas crianças famintas:
[...] Três esqueletos respirando, variando de dois a três metros de altura e completamente nus. E esses seres humanos estavam vivos! Se eles estivessem mortos, eles não poderiam ter sido um espetáculo tão terrível, eles estavam vivos, e mirabile dictu, eles podem ficar de pé e até mesmo andar; mas era horrível vê-los fazer isso (p. 105, [itálico no original]).57
A cena na Irlanda, segundo os relatos, era de terror. As pessoas eram figuras das trevas, a situação era de um horror completo. Durante o fim da década de 1840, a fome era um tópico recorrente nos jornais Nation, The Irishman e United Irishman, sob a forma de crônicas, poemas e narrativas folhetinescas. Ademais, muitos escritores temiam levar para a Inglaterra os assuntos irlandeses com medo de serem censurados. Foi, porém, através da literatura que tivemos acesso a boa parte dos problemas do país. Fegan (2002) afirma que:
O valor dessa literatura encontra-se em seu próprio desapego: estas testemunhas, muitas vezes estranhos e estrangeiros, assistiram a uma sociedade se desintegrar, e, em suas tentativas de serem objetivos, provaram que não havia escapatória da subjetividade no meio da fome. Os historiadores
56 “Stereotypes were ruthlessly reinforced: the Irish peasant was presented as a one-dimensional creature,
resolutely honest and hospitable if mindlessly violent, irretrievably superstitious though admirably pious, the inhabitant of a mud hut with a dung-heap at the door and a pig playing with the numerous children in a cesspool” (FEGAN, 2002, p. 87)
57 “[…] three breathing skeletons, ranging from two to three feet in height and entirely naked. And these
human beings were alive! If they had been dead, they could not have been such frightful spectacles, they were alive, and mirabile dictu, they could stand upon their feet and even walk; but it was awful to see them do it” (BURRITT, p. 105, [itálico no original])
desejavam a emoção da ficção, os escritores procuraram a clareza da história; jornalistas de extremos opostos do espectro político trocaram de posições; viajantes, voyeurs autoproclamados, imploravam pelo poder de não ver; poetas assumiram posições antagônicas à sua condição social e tornaram-se homens e mulheres de ação, os reconhecidos - mesmo frequentemente ilegítimos - legisladores de seu mundo (p. 239)58.
Trabalhos literários foram publicados na época como, por exemplo, Castle
Richmond (1860), de Anthony Trollope, que trata do período da fome entre 1846 até
1847. Outros romances passaram a fazer uma ligação dos acontecimentos com a Revolução Francesa, porém, muitos deles passaram a ser censurados. A Inglaterra era o único centro de língua inglesa que tinha condições de imprimir livros. Com isso, era comum o uso de eufemismos para não culpar diretamente os ingleses pelas atrocidades, prática que já era comumente usada pelos jornalistas. Havia ainda um receio de que as histórias pudessem trazer uma visão exagerada da fome, aumentando a gravidade dos fatos e causando comoção entre os ingleses.
A Grande Fome não foi apenas um período de devastação social na Irlanda. Foi uma marca forte que mudou hábitos, costumes, língua, densidade populacional, etc. O país que saiu da Fome era outra Irlanda. A literatura que emergiu dessa fase passou a denunciar e lutar contra a força colonial inglesa no país.