BÖLÜM 2: İNOVASYON VE KÜMELENME
2.4. İnovasyon ve Kümelenme İlişkisi
água; a chuva acabou e o rio está baixo e a represa está seca.
2.5- CONSIDERAÇÒES FINAIS
As comunidades locais têm demonstrado um “universo”de conhecimento, práticas de manejo e valores éticos que podem contribuir muito para a implementação do manejo de recursos naturais. Os pescadores do Alto-Médio Rio São Francisco possuem uma compreensão própria dos comportamentos ecológicos reprodutivos, migratórios e alimentares dos peixes, que muitas vezes supera o detalhamento científico sobre tais comportamentos. Ainda, os pescadores discernem com acuidade os habitats aquáticos dos peixes, tanto em ambientes lênticos como lóticos. Compreendem o funcionamento do ciclo hidrológico do rio, ao qual relacionam as variadas técnicas de pesca e os períodos de maior produtividade.
Reportando-se às suas próprias histórias de vida e de experiência na pesca, os pescadores são capazes de apontar as mudanças necessárias no seu próprio comportamento, nas políticas de desenvolvimento agrícola e de produção de energia através da construção de barragens, e na legislação e fiscalização, visando o desenvolvimento sustentável da pesca e dos recursos.
Todo este conjunto de conhecimento, práticas e crenças acumulado pelos pescadores do Alto-Médio São Francisco, vem questionar a manutenção do modelo de gestão dos recursos naturais no Brasil, centralizado nas mãos do Estado, com pouca ou nenhuma participação das comunidades locais nos planos de manejo dos recursos.
Entretanto, através do estudo de alguns exemplos em co-manejo (KRUSE et al, 1998; WEITZNER e MANSEAU, 2001, STRIPLEN e DEWEERDT, 2002; BERKES et al, 2001), pode-se concluir que a integração do conhecimento ecológico local (CEL) aos processos de co-manejo dependem: primeiro, de uma mudança na visão da ciência ocidental sobre o que é conhecimento válido, com consequente mudança na postura etnocêntrica; segundo, da auto- organização, auto-regulação e auto-governância das comunidades para que garantam seus interesses nas tomadas de decisão no processo de co-manejo; terceiro, da disposição dos representantes das demais instuições participantes em compartilhar o mesmo poder nas mesas de negociações, permitinto a equidade nas decisões tomadas; e por último, a disposição em encontrar interesses e objetivos comuns no manejo dos recursos entre as comunidades, outros usuários e as instituições privadas e governamentais envolvidas no processo. Permitindo a ocorrência de todas estas mudanças e elementos necessários descritos acima, a experiência
entre a ciência local informal e a ciência formal de manejo, permitirá o desenvolvimento de um melhor uso dos recursos naturais para esta e para as próximas gerações.
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