2. İngiloylar`da İslâm
2.1. İngiloylar`ın İslâm`la Tanışması
A argumentação retórica elaborada pelo pesquisador britânico Stephen Toulmin é composta por seis fatores, sendo quatro deles adicionais e dois complementares. Conforme o próprio pesquisador, tem-se uma conclusão (Conclusion), advinda de um dado (Data) que tem uma garantia (Warrant), podendo apresentar uma recusa (Rebuttal). A garantia (W) pode ter um apoio (Backing) e a conclusão pode ter um qualificador (Qualifier).
Em seu livro Os usos do argumento, Toulmin (2006:136) compara os argumentos aos organismos: assim como os organismos não podem ser concebidos apenas pela manutenção das funções dos principais órgãos em que ocorrem, o mesmo procedimento acontece com os argumentos, uma vez que os microargumentos devem ser estabelecidos tendo como base os macroargumentos. Recorrendo a Aristóteles, Toulmin retoma o modo simples pelo qual o filósofo grego sustentou seu raciocínio lógico: “premissa menor, premissa maior portanto conclusão”, questionando sua praticidade e sua validade. Para justificar por que essa forma não é capaz de sustentar todos os argumentos possíveis, o pesquisador se baseia em um padrão argumentativo fundamentado entre dados e garantias. Esquematizando essa representação, temos: D então C
Já que W
Exemplificando, Toulmin (2006:143):
Harry nasceu das Bermudas então Harry é súdito britânico já que um homem nascido nas Bermudas é súdito britânico
Explicando o esquema acima, Toulmin afirma que o argumento advém da alegação (C) para os dados (D), cabendo à garantia (W) a certificação, a legitimidade de determinado dado. Fazendo distinção entre as garantias e os dados, o pesquisador britânico diz ainda que os dados ocorrem de modo explícito, enquanto as garantias de modo implícito. Outra diferença é que as garantias são gerais, já os dados, específicos. Dando continuidade ao seu modelo, Toulmin classifica os qualificadores modais e as condições de exceção ou refutação de modo diferente, cabendo a cada um deles uma
função, sendo configurados de outra forma no modelo proposto: os qualificadores indicam a força dada à garantia, já as condições de recusa indicam circunstâncias nas quais se tem de deixar de lado a autoridade geral da garantia. Ao criar o modelo, o qualificador encontra-se ao lado da conclusão que o qualifica e as condições de recusa, que podem invalidar ou refutar a conclusão garantida, abaixo do qualificador. Exemplificando a partir do mesmo enunciado, Toulmin faz o seguinte esquema:
D assim, Q, C
Já que W a menos que R Traduzindo, tem-se:
a) O dado: Harry nasceu nas Bermudas
b) Sua garantia: Já que um homem que nasceu nas Bermudas será, em geral, súdito britânico
c) O qualificador e sua conclusão: Assim, presumivelmente, Harry nas Bermudas é um súdito britânico
d) A recusa: A menos que seu pai e sua mãe sejam estrangeiros/ele tenha adotado a cidadania americana
Explicando o enunciado acima, Toulmin diz que estão estabelecidas aí duas diferenças: a primeira é a afirmação da garantia e afirmações sobre a aplicabilidade dessa garantia, ou seja, no momento em que um homem nasce nas Bermudas sabe-se que ele será britânico desde que seus pais não sejam estrangeiros. Essa diferença é essencial para a compreensão das leis científicas. Tem-se ainda outra diferença dada pelos fatos adicionais: eles podem refutar ou confirmar a aplicabilidade de uma garantia. Ao garantir o dado de que Harry nasceu nas Bermudas e de que seus pais não são estrangeiros, duas questões referentes à sua nacionalidade são postas: 1) suposição da nacionalidade britânica e 2) a confirmação da suposição criada. Vimos até aqui que os padrões dos argumentos do pesquisador estão baseados nos dados e nas garantias. Para Toulmin, argumentos consistentes se estabelecem a partir do apoio das garantias e, às vezes, torna-se necessário o uso da variabilidade ou do campo-dependência para sustentá-la, apresentando seu apoio (backing), completando o modelo de argumentação:
D assim Q, C Já que W a menos que R Por conta de B
Assim, temos:
a) O dado: Harry nasceu nas Bermudas
b) Sua garantia: Já que um homem que nasceu nas Bermudas será, em geral, súdito britânico
c) Seu apoio: Por conta de os seguintes estatutos e outros dispositivos legais
d) O qualificador e sua conclusão: Assim, presumivelmente, Harry nas Bermudas é um súdito britânico
e) A recusa: A menos que seu pai e sua mãe sejam estrangeiros/ele tenha adotado a cidadania americana
Ao elucidar seu modelo de argumento a partir de seis pontos, Toulmin aponta a diferença existente entre a garantia e seu apoio: enquanto aquela é uma afirmação hipotética, funcionando como uma ponte, esse é uma afirmação categórica como os dados que direcionam a conclusão. Podemos apreciar a partir do modelo de argumento de Toulmin que todo e qualquer argumento tem três pilares centrais: o dado e a conclusão ancorados por uma garantia, podendo essa garantia ter um apoio ou uma recusa. Vemos, com esse esquema, que a argumentação de Toulmin é baseada em justificativas, precisando validá-las para torná-las críveis. Conforme o modelo apresentado, percebemos que a argumentação está baseada na passagem do argumento para a conclusão e que seus fundamentos estão enraizados na realidade. Se relacionássemos a retórica de Toulmin com nosso estudo, poderíamos afirmar que a Teoria dos Topoi também está ancorada na passagem do argumento para a conclusão, desprovida de todo caráter intralinguístico como propõe a ANL. Ao tentar validar informações, os topoi se distanciam das hipóteses externas da Teoria da Argumentação na Língua, cabendo à TBS resgatá-las.
Figura 36: Modelo de Argumentação - Toulmin
Fonte: Figura elaborada pela autora
O modelo de argumentação de Toulmin é constituído por cinco fatores: o dado, a garantia, o apoio, o qualificador e sua conclusão e a recusa. A partir deles, a argumentação é formulada, podendo ser ratificada ou enfraquecida de acordo com o argumento exposto.
Ao abordarmos as argumentações retóricas de Aristóteles, Perelman e Toulmin, verificamos que os três estudiosos buscam em suas argumentações uma lógica baseada na realidade e que traçam um caminho de passagem do argumento para a conclusão. Vimos ainda que a fundamentação aristotélica acabou sendo uma forma norteadora para o desenvolvimento das pesquisas de Perelman e Toulmin. Logo, vamos explicar por que realizamos esse percurso que aborda a retórica de três formas distintas. Se olharmos com atenção os estudos de Aristóteles, Perelman e Toulmin, perceberemos que suas propostas de argumentação estão ancoradas na persuasão. Assim sendo, argumentar é persuadir, é fazer com que o público-alvo acredite naquilo que está sendo dito. Essa arte
de argumentar tem bases na realidade, cabendo ao orador se servir de recursos mais estilísticos do que linguísticos para chegar ao seu objetivo.
Na Teoria da Argumentação na Língua, a argumentação não busca persuadir seu público-alvo, mas mostrar que, para argumentar, torna-se necessário produzir sentido. Ao abordarmos as retóricas de Aristóteles, Perelman e Toulmin, estávamos tentando evidenciar o quanto a língua é um acessório, e não a principal ferramenta para o orador ou o locutor, como propõe Ducrot. Além disso, nas retóricas tradicionais cabe ao público-alvo aceitar ou recusar o que está sendo dito, na ANL o alocutário tem uma função ativa perante o locutor, uma vez que responde a ele, ambos exercendo uma troca de papéis. Podemos verificar, então que tanto na retórica tradicional quanto na ANL, o público-alvo faz parte da constituição do sentido.
Retomando brevemente as retóricas de Aristóteles, Perelman e Toulmin, podemos fazer as seguintes afirmações. A retórica do filósofo grego é um aprimoramento dos meios de persuasão, sendo uma continuidade da retórica apresentada por Platão, na obra Fedro, e procura apresentar provas com a finalidade de persuadir. Já Perelman atribui à retórica e, especificamente, à argumentação, o estatuto de tratado, sendo o objetivo principal do orador se adaptar ao público e persuadi-lo, utilizando-se de ferramentas estilísticas e linguísticas. Assim, a tríade da argumentação retórica de Perelman é o orador, o público e a linguagem. Por sua vez, a retórica de Toulmin não adquire estatuto de tratado, mas de modelo. Esse modelo tem uma estrutura fechada, composta por dado, conclusão, garantia, qualificador e recusa. Considerando a argumentação como uma estrutura fechada, Toulmin evidencia que ela é como uma fórmula matemática, em que o uso dos recursos disponibilizados levará a uma argumentação persuasiva. Como Ducrot se posiciona em relação a essas três formas de argumentação retórica? Acreditamos que a resposta está na própria ANL: para Ducrot, argumentar é utilizar os recursos da língua para a constituição de sentido, para Aristóteles, argumentar é persuadir, não importando quais recursos são utilizados para esse fim. A retórica de Perelman, concebida como um tratado, mostra como a argumentação está centrada no público, cabendo ao orador ser flexível a ele. Na ANL, o locutor e o alocutário têm papéis diferentes para que o sentido seja alcançado, não cabendo a hierarquização. Toulmin, por sua vez, vê a argumentação como um modelo a ser seguido, apresentando meios para uma argumentação efetiva e realmente persuasiva. Contrapondo-se a essa forma de argumentar, Ducrot mostra em seus vários estudos que
argumentar é semantizar utilizando a língua e seu uso, sendo o locutor e o alocutário aqueles que tornam visível o posicionamento adotado.
A partir desse cotejamento, podemos perceber que a argumentação proposta pela ANL não busca a persuasão do público-alvo, mas elucidar que é na língua que o sentido é constituído, não fora dela. Para desfazer quaisquer incompreensões teóricas, Ducrot (2009) mostra quais são as diferenças entre a argumentação linguística e a argumentação retórica. Ao apresentá-las a partir de pontos de vista distintos, evidencia que a argumentação retórica vê o argumento como uma formalização da lógica, enquanto a argumentação linguística mostra o sentido em sua natureza genuína, interior. São essas duas formas de argumentação que vamos mostrar na seção a seguir, destacando a argumentação linguística defendida por Oswald Ducrot.