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3. NİZÂMÜLMÜLK’E GÖRE DEVLET İDARİ TEŞKİLATI VE YÖNETİM

3.2. DEVLET YÖNETİM ANLAYIŞI

3.2.9. İktisadi Yapı ve Üretim

A pesquisa foi desenvolvida com a utilização dos seguintes instrumentos de coleta: observação, análise de documentos oficiais e entrevistas individuais semiestruturadas. Esses instrumentos foram escolhidos a partir dos objetivos propostos na pesquisa, tendo como base também os autores sociais elencados para este estudo. Abaixo, cada instrumento será retratado, mediante as experiências de campo desse estudo.

5.4.1 Observação

A observação é empregada para compreender os fatos de forma direta, não consiste apenas em ver e ouvir, mas também em analisar fatos ou fenômenos, visando conseguir informações e utiliza os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade (MARCONI; LAKATOS, 2003; GIL, 1999).

Esse instrumento foi usado para observarmos a dinâmica do projeto em um âmbito geral, as aulas de surfe e também o contexto da comunidade. Com a observação, pudemos compreender o fenômeno com um todo, olhando as dinâmicas do macro e do micro campo.

A observação acontecia mediante o direcionamento do olhar e da escuta atenta aos fatos, às atividades e às relações que aconteciam nos espaços indicados para a pesquisa. Independente do momento e das pessoas que estavam ali presentes, tudo era registrado em um bloco de notas.

No uso desse instrumento, busquei naturalizar minha presença ao máximo, para que ela não atrapalhasse a pesquisa, assim como também procurei respeitar as questões éticas, iniciando o uso desse instrumento apenas quando consegui autorização da gestão do instituto, bem como, também, busquei me apresentar a todos, evitando possíveis inconveniências.

Para o uso desse instrumento, fiz uma sistematização por espaços e aspectos que deviam ser respondidos. Assim, a observação era divida em três fases: uma primeira, para as observações feitas para o projeto; uma segunda, para as aulas de surfe; e uma terceira, para a comunidade.

As observações feitas sobre o projeto buscavam perceber como o instituto era organizado, sua dinâmica de funcionamento, sua estrutura física, o perfil do público atendido, quais atividades eram desenvolvidas nos seus espaços, quem eram os funcionários do projeto e como participavam do mesmo.

Essas observações focavam nas relações e nas dinâmicas das crianças, dos jovens e também dos funcionários do projeto, o que faziam e o que diziam sobre o projeto, o surfe e a comunidade.

Elas aconteciam durante os intervalos do projeto, no início dos turnos, durante a acolhida, quando tinha alguma atividade diferenciada fora dos momentos de aula (eventos) e, algumas vezes, essas observações aconteciam durante as outras aulas do projeto que não eram o surfe.

Sobre as aulas de surfe, observei quais assuntos eram abordados, como aconteciam as aulas, que instrumentos eram usados, quais eram as posturas dos professores e dos jovens, como se dava a relação deles, quais sentimentos estavam presentes nas aulas, quais as caraterísticas e competências foram trabalhadas.

As observações sobre a comunidade buscaram perceber os aspectos históricos, culturais, sociais e econômicos do bairro e das pessoas que moram no entorno da praia do Titanzinho.

Toda a trajetória que fazia parte do dia de visita a campo, desde a entrada na comunidade, quando descia do ônibus, o percurso feito até chegar ao projeto, as caminhadas pelo o bairro, a visita a espaços importantes, como exemplo, o farol, os movimentos sociais do Serviluz a que era apresentada, os períodos em que ficava sentada nas pedras observando todo aquele lugar, do momento de ir embora até a espera do ônibus na parada, o que se observava, o que se escutava e o que se conversava, tudo era percebido, registrado e refletido.

Ao longo do processo de observação foram sendo escritos os diário de campo de campo da pesquisa que consistiu em um caderno de anotações contendo relatos pontuais,

registros de observações, comentários e reflexões descritos como um breve relato sobre a realidade em campo, envolvendo o cotidiano da pesquisa. Para garantir a maior sistematização e detalhamento possível de todas as situações ocorridas em um dia de convivência em campo, deixando registrado de forma específica as datas, os locais e a hora, seguimos uma lógica de organização sistematizada por três partes: 1) descrição; 2) interpretação do observado, conceituando e explicando; e 3) registro das conclusões preliminares identificando possíveis imprevistos (FALKEMBAC, 1987).

O diário de campo foi utilizado para o registro e a descrição das atividades que eram vivenciadas a cada dia em campo. Esse instrumento foi usado durante toda a pesquisa de campo, do primeiro dia até o último dia. Deste modo, desde a chegada à comunidade até o momento de ir embora, as ações consideradas importantes eram registras em um bloco de anotações.

A dinâmica do instituto, das aulas de surfe, da comunidade, era registrada, totalizando a escrita de 23 diários de campo. Com um bloco de notas, eram feitos registros rápidos no momento presente dos acontecimentos; depois, essas anotações eram organizadas em um documento no computador, em que esses registros passavam a ter mais detalhes e reflexões.

Assim, os diários de campo foram desenvolvidos através de registros no momento presente e também após, quando se construíram textos no formato narrativo, detalhando as atividades ocorridas em cada dia de visita ao campo de estudo, correspondendo ao diário de campo.

Sobre o projeto, eram feitos registros das atividades que aconteciam em cada dia, quem participava, qual assunto era tratado, o que era a ação, como era a rotina do projeto, como se davam as relações naquele espaço. As conversas tidas com funcionários do projeto também eram registradas no diário de campo, tanto as que aconteciam dentro do instituto como as que ocorriam em outros momentos externos ao projeto, mas que nos proporcionavam informações sobre a dinâmica do IPOM.

O diário de campo foi usado também para registrar as aulas de surfe observadas durante a pesquisa. Era descrito todo o momento da aula, o conteúdo, como acontecia, quais instrumentos e dinâmicas foram utilizados, como se dava a relação dos professores com os jovens, quais emoções eram transparecidas durante e depois da aula, qual era a postura dos professores e dos jovens.

Nas caminhadas pela comunidade, o diário de campo foi usado para anotar também esses momentos, portanto, as experiências para além do projeto estiveram presentes

na pesquisa. Assim, nesses períodos, busquei fazer o registro das impressões do lugar, pontuando os aspectos históricos, políticos, sociais e culturais da região. Com isso, as conversas nas calçadas com moradores antigos, o papo no farol com os jovens dos movimentos sociais do bairro e os diálogos com os surfistas dentro do mar, todos os momentos na comunidade eram aproveitados para serem registrados.

5.4.2 Análise documental

Esse instrumento é elencado para complementar as outras técnicas, possibilitando- nos mais informações do contexto estudado. Segundo Ludke e André (1986), os documentos reconhecidos para as pesquisas podem ser diversos materiais escritos que sirvam como fonte de informação, podendo ser leis, regulamentos, normas, pareceres, cartas, memorandos, diários pessoais, autobiografias, jornais, revistas, discursos, roteiros, arquivos institucionais.

Todo esse material configura-se como fontes usadas para complementar o estudo, onde podemos retirar evidências que fundamentam ações e afirmações do pesquisador, porém, é preciso estar bastante atento a essa fonte, pois o material pode ser pouco representativo do que se passa na realidade do contexto estudado.

No caso dessa pesquisa, o documento usado para analisarmos o instituto foi o Projeto Político Pedagógico da instituição. O intuito da análise feita desse documento serviu para compreendermos as características, as concepções educativas, os princípios, os objetivos, as atividades e as práticas educativas que o projeto elenca para coordenar e desenvolver suas ações.

Além desses pontos, a análise feita sobre o Projeto Político Pedagógico da instituição serviu para que identificássemos também os aspectos metodológicos, burocráticos e históricos da mesma.

5.4.3 Entrevista

A entrevista destaca-se como uma das técnicas mais importantes para o trabalho de campo, por ser um instrumento potencialmente revelador de aspectos profundos para a reflexão e compreensão do fenômeno e que dificilmente seriam alcançadas com o uso de outros recursos. Ou seja, a entrevista apresenta uma virtude raramente encontrada em outros instrumentos de coleta de dados (MINAYO, 2000).

As entrevistas ocorreram nos últimos meses da pesquisa de campo. Primeiro, foi feita uma seleção de quais jovens poderiam participar desse momento, seguindo os critérios estabelecidos neste trabalho com relação ao perfil dos participantes. Essa escolha ocorreu conversando com alguns professores do projeto, pedindo indicação de nomes, como também foi feita mediante meu próprio olhar, através das observações feitas. Assim, uma lista com nomes possíveis para a entrevista foi criada.

Seguimos Duarte (2004), ao afirmar que o pesquisador precisa conhecer bem o seu campo de pesquisa, pois esse conhecimento vai permitir, inclusive, que ele saiba quais serão os interlocutores que poderão melhor colaborar com o estudo.

Depois dessa seleção, conversamos com os jovens selecionados para saber se os mesmos aceitavam e tinham disponibilidade para participar da pesquisa. Aqueles que aceitaram o convite receberam dois termos de autorização da pesquisa, um para ser assinado pelo responsável e outro para ser assinado por eles.

Ao todo, foram 4 jovens entrevistados. As entrevistas duraram cerca de uma hora, todas seguiram um roteiro. O local e horário para a realização das mesmas eram escolhidos pelos participantes. Antes de iniciar as entrevistas, deixava-se claro que eles ficassem à vontade e livres para responder ou não, assim como foi esclarecido o sigilo das informações e a preservação de suas identidades.

Para a elaboração do roteiro de perguntas, foi levado em consideração o contexto da pesquisa, os objetivos e as informações pertinentes conseguidas pela revisão bibliográfica. Tivemos com base as orientações de Duarte (2004), que orienta que o pesquisador precisa ter feito leituras precedentes e uma cuidadosa revisão bibliográfica para esse momento da pesquisa de campo.

Antes das entrevistas oficiais, foi feita uma entrevista piloto, como um treino para ganhar experiência e para constarmos falhas e perguntas confusas. Como nos orienta Duarte (2004), ao afirmar que o pesquisador precisa estar seguro e claro do roteiro da entrevista, evitando dúvidas, confusões no momento de realização das entrevistas, situação essa evitada a partir de um bom planejamento, sistematização e pequenas simulações.

A realização das entrevistas não ocorreu de forma simples, pois existiam tanto os meus limites enquanto pesquisadora, como os anseios dos jovens, configurados pela timidez e pelo cansaço com as perguntas extensas. Durante esse período de entrevistas, o roteiro passou por ajustes, pois foram percebidas nas transcrições informações confusas que precisaram ser reformuladas.

Através das entrevistas, buscamos mapear práticas, crenças e valores desse universo social específico dos jovens em relação ao surfe e à sua formação, pois esse instrumento possibilitou uma espécie de mergulho em profundidade.

Privilegiaram-se, na análise das entrevistas, os achados que respondiam os objetivos da pesquisa. Assim, atentamo-nos para as referências que nos ofereciam indicativos sobre os modos como cada jovem percebia e explicava a sua relação com o surfe e também sobre as informações que nos possibilitavam descrever, compreender e identificar os saberes dos jovens frente ao processo de ensino e aprendizagem do surfe.