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Hükümdar’ın Başlıca Görev ve Sorumlulukları

3. NİZÂMÜLMÜLK’E GÖRE DEVLET İDARİ TEŞKİLATI VE YÖNETİM

3.1. DEVLET İDARİ TEŞKİLATI

3.1.1.3. Hükümdar’ın Başlıca Görev ve Sorumlulukları

De acordo com dados da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas de Juventude, da prefeitura de Fortaleza, mediante um mapeamento feito pelo projeto Juventude na Onda6, existem, atualmente, 15 escolinhas de surfe registradas, atendendo centenas de jovens de 15 a 29 anos, da Praia do Futuro à Barra do Ceará.

São escolinhas e projetos cadastrados nessa ação municipal, em funcionamento desde 2013, apresentando, como propósito, a integração social de jovens por meio de atividades esportivas sustentáveis. Com essa atuação, o projeto Juventude na Onda passa a fazer parte da rede de proteção social das crianças e dos adolescentes de Fortaleza.

Conforme Nogueira (2014), em relação especificamente à praia do Titanzinho, esta apresenta oficialmente três escolinhas de surfe, que atendem mais de 200 crianças e adolescentes da comunidade em situação de vulnerabilidade. Estas são: a Escola Beneficente

6 Projeto idealizado pela prefeitura de Fortaleza, desde 2013, para dar apoio às escolas de surfe gratuitas para alunos de baixa renda de bairros situados na orla da cidade, visando à realização de ações sustentáveis de inclusão social de jovens surfistas.

de Surf; Aloha Escola de Surfe; e Escola Boca do Golfinho, além de um projeto chamado de Vila do Mar, que, dentre as diversas atividades proporcionadas, uma delas é o ensino do surfe. Encontra-se, também nessa região, uma organização não governamental conhecida como Instituto Povo do Mar (IPOM), que tem como fundamentação de sua proposta pedagógica a cultura surfe, sendo, inclusive, nosso espaço de estudo do surfe como ferramenta educacional para a formação humana e inclusão socioeducacional dos jovens do Titanzinho.

O surfe, nessa região, é um elemento forte, que carrega histórias, acontecimentos e sentimentos de pertencimento, cotidianamente presente no dia a dia de seus moradores, que estão sempre interagindo com o mar e todas as forças naturais existentes neste espaço, seja por quase toda hora com a presença de meninos, meninas, homens e mulheres descendo as ondas do mar, seja pelos pescadores em busca de sua sobrevivência nele, seja pelo jogo de futebol na areia úmida pelas águas do mar, ou pelos moradores que passam por essa paisagem, orgulhosos por tamanha beleza em meio a toda aquela tristeza oriunda da desigualdade e injustiça social.

Esse pertencimento do Titanzinho com o surfe é tão forte, que até música foi feita inspirada nessa conexão, como podemos perceber na canção intitulada Nas ondas do Titanzinho, da banda de reggae brasileira Tribo de Jah. Vejamos alguns trechos:

Crianças, rapazes dropam ondas sem parar o surf explode em pelo gueto amenizando sofrimento e no refúgio do ar. [...] O vento mais irado da cidade abriga também a triste realidade mais tarde abrangentes nos barracos e vielas da vida dura e sofrida vivida na favela nas ondas do Titanzinho não faltará mais esperança e o vento drope e mova novas ondas e moinhos levando os jovens e crianças se apartarem do mal vencendo a injustiça social (vencendo, lutando) contra injustiça social vencendo a injustiça social. (BEYDOUN, 1997).

As marcas impressas na canção não são construções estéticas fictícias, mas sim a verdadeira realidade dessa comunidade, pois a praia do Titanzinho, localizada na comunidade do Seviluz, litoral leste de Fortaleza, é uma das mais perigosas favelas da cidade, marcada pela extrema desigualdade socioeconômica.

Existindo desde 1940, foi a partir do contexto de vilarejo de pescadores que se deu a origem dessa comunidade, marcando, assim, durante muito tempo, a história e memória do povoado (NOGUEIRA, 2016).

Ocupando uma faixa de praia de 400 metros de uma bacia artificial formada entre a Praia Mansa e o Paredão do Titanzinho, a relação desse povo com o mar é intensa. As crianças quase todas crescem na beira da praia, que se constitui como um espaço de moradia,

lazer e trabalho, configurando-se também como um dos melhores “picos” nordestinos para a prática do surfe.

Aprender a nadar, portanto, é uma das atividades sociais mais prementes e significativas para a vida destas crianças, pois, na escala de valores simbólicos do mundo social em que nasceram (a) surfar – em primeiro lugar – e (b) pescar, em segundo lugar, são ações coletivas da mais alta conta, constitutivas do modo de produção local do socius. Nadar é um desafio público percebido como inelutável, pois ninguém pode se tornar um surfista e pescador sem saber nadar. (SÁ, 2010, p. 230).

Conhecido internacionalmente por essa prática corporal, o surfe no Titanzinho chega a envolver muitas crianças, adolescentes e jovens moradores locais, destacando-se, nessa relação precoce, alguns campeões mundiais, brasileiros e regionais nos circuitos competitivos nacionais e internacionais, como, por exemplo, Tita Tavares, Fábio Silva e Pablo Paulino, dentre outros, que são renomados surfistas, marcando profundamente as relações desse povo com o surfe.

Assim, diante desse contexto, o surfe passa a se relacionar com as várias dimensões daquele espaço, construindo uma identidade e uma cultura local, apresentando um estilo de vida não hegemônico ligado ao surfe, à pesca artesanal e à vida marítima.

A partir dessa identidade local com a cultura do surfe e a ligação com o mar é que o Instituto Povo do Mar (IPOM), uma organização não governamental sem fins lucrativos da sociedade civil de interesse público, é sistematizado, oferecendo um completo ciclo de atividades formativas para e com a juventude do Titanzinho.

O IPOM presenta como missão uma proposta de educação socioambiental para a transformação dos padrões de desigualdade social no país e no mundo, resgatando a cidadania e fabricando um futuro sustentável, tendo como objetivo a oferta de atividades que possam contribuir com a inclusão social para auxiliar a comunidade na obtenção de soluções para a melhoria de suas condições de vida e trabalho, lutando pela defesa e a promoção dos direitos e deveres constitucionais de cidadania e dos direitos humanos reconhecidos.

Classificado como um instituto de desenvolvimento humano, principalmente através do surfe, mas também da arte e da articulação comunitária, fundado em outubro de 2010, o IPOM atende a meninos e meninas de 7 a 17 anos, no contraturno escolar. São sete projetos ofertados: Brasis, aulas de surfe, Favela sobre Favela, surfista digital, Wide open minds, grupos operativos e limpando o mundo. As atividades seguem uma agenda de segunda a sexta-feira, das 08h às 17h.

O aprofundamento sobre o Instituto Povo do Mar ocorre por se constituir, a partir dessa intervenção, nosso lócus de pesquisa, tendo sido através da minha experiência como

professora voluntária nesse projeto que nasceu a minha curiosidade epistemológica para estudar o fenômeno percebido neste contexto, interpolado por uma relação triangular dialógica dos elementos surfe, juventude e educação.

Investigar, diante desse espaço, desse contexto específico, como o surfe dialoga com as questões sociais, políticas, históricas, culturais, refletindo essa relação com a juventude local, dialogando com jovens surfistas que participam e participaram do projeto, para percebermos que dimensões são possibilitadas através dessa ação, é o ponto de partida desse estudo.

Compreendendo, de acordo com Carrano (2003), que existem espaços formativos para além do muro da escola, reconhecendo potenciais educativos nos espaços de lazer, nas práticas culturais dos jovens, assim fazemos o levantamento desse estudo, tendo o surfe como um potencial educativo, mediante essa relação.

Tendo como questão central desta pesquisa a relação da educação dos jovens com o surfe, o capítulo a seguir tem como pretensão descrever um panorama específico sobre essa categoria social, a juventude, conceituando, delimitando, esclarecendo pontos que são necessários para o desenvolvimento desse estudo.