3. NİZÂMÜLMÜLK’E GÖRE DEVLET İDARİ TEŞKİLATI VE YÖNETİM
3.2. DEVLET YÖNETİM ANLAYIŞI
3.2.10. Devlet Yöneticilerine Unvan Verilmesi ve Unvanların Önemi
Para sistematizar com cautela o período de investigação, descreveremos os passos de intervenção e instrumentalização adotada em cada fase da pesquisa em campo.
A pesquisa de campo teve duração de um ano, tendo seu início em Fevereiro de 2016, indo até Fevereiro de 2017. Durante esse trabalho de campo, delimitamos três etapas da pesquisa: acompanhamento do projeto e seu entorno; observação das aulas de surfe; e as entrevistas com os jovens. Essas etapas não apresentam uma ordem cronológica delimitada, pois, ao longo da pesquisa, principalmente a primeira etapa, aconteceu quase por todo o período; apenas a fase das entrevistas pode ser delimitada cronologicamente de forma pontual, já que elas ocorreram nos últimos momentos da pesquisa de campo.
5.5.1 Acompanhamento do projeto (IPOM) e seu entorno
Esta etapa corresponde à fase de observações e dos registros dos diários de campo sobre projeto em um âmbito geral. Ela aconteceu entre Fevereiro de 2016 e Fevereiro de 2017. Os horários e os dias de visita foram escolhidos de acordo com o cronograma das aulas de surfe e o tempo disponível para a pesquisa.
Essa fase da pesquisa foi vivenciada tendo como foco a compreensão e o detalhamento da realidade por uma aproximação macro, resultando na descrição desta realidade. Nesse sentido, o IPOM, a praia do Titanzinho e o bairro Serviluz foram sendo descritos a partir das diversas reflexões intrínsecas a essa vivência, emergindo particularidades que focalizam o projeto, mas indo além deste, compreendendo também o seu entorno.
O objetivo, nesta fase, foi descrever as características do lugar, com destaque para as ações do projeto. Portanto, neste período, o acompanhamento se dava principalmente ao funcionamento do projeto, estabelecendo diálogos informais com os participantes da instituição (professores, coordenadores, funcionários, crianças e adolescentes) e consulta ao projeto político pedagógico.
Nesta fase, também, ampliamos o olhar para a compreensão dos processos que estavam presentes no entorno do projeto, no cotidiano do bairro, acompanhados através das observações, mas também por momentos de conversas informais com as pessoas da comunidade que ali vivem e que colaboraram com a realização deste estudo.
A nossa atenção foi colocada para tentar extrair ao máximo as lógicas que estavam neste contexto macro, assim, a ida a campo foi vivenciada também com um olhar ampliado para compreender a lógica daquela realidade de forma macro, por saber que o espaço social é constituído por todos os elementos ali existentes.
Esse período da pesquisa buscava perceber como o instituto era organizado, sua dinâmica de funcionamento, sua estrutura física, o perfil do público atendido, quais atividades eram desenvolvidas nos seus espaços, quem eram os funcionários do projeto e como participavam do mesmo. Essas observações focavam nas relações e nas dinâmicas das crianças, dos jovens e também dos funcionários do projeto, bem como o que estes faziam e o que diziam sobre o projeto, o surfe e a comunidade.
Esta fase de aproximação com o campo de pesquisa foi vivenciada mediante a produção de anotações de campo, que deram origem a um diário sistematizado, integrando registros ampliados do lugar em um âmbito geral.
Durante todo o processo de aproximação com o campo, mesmo tendo sido destacada para a realização desse estudo a importância desse olhar mais macro, teve-se o cuidado, ao longo deste trabalho, de não perder de vista os elementos centrais que constituem o fenômeno aqui estudado, no caso o surfe, a juventude e as práticas educativas, interpolados nessa tríade relacional.
Nesta fase, buscamos compreender o projeto, levantando suas características, reconhecendo o seu papel, visões, concepções e como acontecem suas sistematizações. Essa etapa foi constituída também a partir das caminhadas e conversas informais com os moradores da comunidade, que possibilitaram uma melhor compreensão daquela realidade.
Esse momento foi importante para poder compreender os cenários que se encontram presentes no campo de pesquisa, entendendo sua lógica e rotina, além de
possibilitar a identificação das características dos espaços e dos sujeitos, bem como os elementos e os caminhos norteadores para o desenvolvimento deste estudo.
Primeiro, teve-se o cuidado de conversar com a gestão do projeto, ou seja, do IPOM, antes de iniciar a pesquisa em campo, seguindo o cumprimento das questões éticas, transparecendo os objetivos da pesquisa, deixando claro o compromisso social do trabalho, que visa tanto benefícios aos jovens moradores da comunidade como também a contribuição para com o próprio projeto.
Portanto, a primeira visita consistiu em uma conversa com o núcleo gestor do instituto, explicando sobre a pesquisa e solicitando a autorização dele. Com o consentimento do núcleo gestor do projeto, as visitas a campo ocorreram semanalmente, duas vezes por semana, em um dos turnos. Geralmente, essas visitas ocorriam às terças e às quintas-feiras, durante o turno da tarde, mas existiram momentos em que o contraturno também foi acompanhando, mas não com a mesma frequência.
Esse acompanhamento buscou compreender o projeto no seu âmbito geral. Nesse sentido, ele foi construído pelas conversas com o núcleo gestor e funcionários do projeto, participação dos momentos de formação dos professores, eventos gerais, aulas de outras atividades do projeto, diálogo com moradores locais e os percursos para conhecer a comunidade e a realidade do bairro, vivências essas essenciais, por trazerem subsídios importantes para esta compreensão.
Os momentos de diálogo com a gestão, o acompanhamento da formação dos educadores, os eventos, as outras aulas do projeto, a leitura de documentos oficiais da instituição foram importantes para entender a dinâmica do projeto, conseguir informações básicas (número de alunos, faixa etária, ações etc.), compreender as perspectivas e os objetivos propostos, bem como a missão e os desafios do instituto.
5.5.2 Acompanhamento das aulas de surfe
O trabalho nessa parte da pesquisa ocorreu entre Fevereiro de 2016 e Fevereiro de 2017. Durante esse período, buscamos responder às questões que norteiam esse estudo: como o surfe é trabalhado naquele contexto?; qual seu papel formativo?; o surfe pode ser uma prática emancipadora?; quais saberes estão presentes nessa experiência?.
Nesse percurso, o olhar investigativo foi centrado nas aulas de surfe, para a compreensão dessa prática educativa. Os instrumentos de pesquisa utilizados nesse momento foram as observações e os diários de campo.
As observações feitas nesta fase da pesquisa sobre o projeto buscavam perceber como o instituto era organizado, sua dinâmica de funcionamento, sua estrutura física, o perfil do público atendido, quais atividades eram desenvolvidas nos seus espaços, quem eram os funcionários do projeto e como participavam do mesmo. Procuramos compreender as relações e as dinâmicas das crianças, dos jovens e também dos funcionários, o que faziam e o que diziam sobre o projeto, o surfe e a comunidade.
Os diários de campo desenvolvidos nessa fase da pesquisa pautaram-se em registrar como ocorriam as aulas, quais eram os conteúdos, quais instrumentos e dinâmicas foram usadas, como se dava a relação dos professores com os jovens, quais emoções eram transparecidas durante e depois das aulas, qual era a postura dos professores e dos jovens.
5.5.3 Entrevistas
Esta etapa da pesquisa ocorreu entre Dezembro de 2016 e Fevereiro de 201. A ida a campo teve como objetivo o diálogo com os autores sociais desse estudo, feito através das entrevistas semiestruturadas, realizadas individualmente, para descobrirmos os significados, os sentidos e os objetivos deles com o surfe, bem como os saberes compartilhados desses jovens frente ao surfe como prática educativa.
Os jovens foram escolhidos a partir de indicações dos educadores do projeto, mas também através de conversas informais que tínhamos com eles, para saber idade, há quanto tempo estavam no projeto e se tinham interesse em participar da pesquisa.
À medida que eles iam aceitando participar, marcávamos o dia, o horário e o local, de acordo com a disponibilidade deles. No início, conseguimos a colaboração de 6 participantes, porém, no decorrer do processo, dois não puderam mais participar, por problemas com o horário disponível para a pesquisa, pois, além das atividades do projeto, eles não tinham muito tempo livre, porque ainda tinham o horário da escola no contraturno. Essa dificuldade de eles conseguirem um horário livre para a realização das entrevistas foi um problema vivenciado nessa etapa da pesquisa.
Todas as entrevistas foram realizadas em uma sala disponibilizada pelo próprio instituto e foram gravadas por um gravador de áudio e depois eram transcritas no computador. Após a transcrição, fazíamos uma apuração das respostas, momento esse muito importante, pois era quando percebíamos se aquelas perguntas estavam contemplando a pesquisa. Com esse processo, foi sentida a necessidade de novas perguntas. Assim, essa etapa teve vários retornos, tanto por essa condição quanto pelo tempo disponível dos jovens.
As entrevistas foram realizadas mediante um roteiro de perguntas com quatro blocos: um criado para como os jovens aprenderam a surfar; outro para saber os significados, sentidos e objetivos dos jovens com o surfe; um terceiro para identificar os saberes mais gerais; e um quarto para os específicos, sobre os saberes compartilhados aos jovens frente ao surfe como instrumento formativo (ver Apêndice C).