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3. NİZÂMÜLMÜLK’E GÖRE DEVLET İDARİ TEŞKİLATI VE YÖNETİM

3.2. DEVLET YÖNETİM ANLAYIŞI

3.2.1. Devlet İşlerini Tanzim Şekli

O presente trabalho baseia-se nos parâmetros da pesquisa social qualitativa, que, conforme Minayo (2003), tem a realidade social como próprio dinamismo da vida individual e coletiva, com toda a riqueza e significado dela. Caracteriza-se, assim, como um estudo exploratório-descritivo de abordagem qualitativa.

O enfoque desta pesquisa é qualitativo, tendo em vista a pertinência do mesmo para a realização do trabalho de verificação e aprofundamento sobre o fenômeno aqui estudado. A escolha pela pesquisa qualitativa se deu por esta ser uma abordagem desenvolvida com base nas interpretações das realidades sociais de uma forma mais ampla.

Essa prática favorece o desenvolvimento de um trabalho subjetivo, evidenciando desdobramentos importantes que nos possibilitam uma compreensão ampliada de um

fenômeno e o seu contexto. A compreensão dos sentidos tomada nesta pesquisa parte do entendimento de que o ser humano se constrói numa relação dialética com o social e com sua história.

Entende-se pesquisa qualitativa como a que trabalha com o universo de significados, motivações, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis.

[...] O método qualitativo é o que se aplica ao estudo da história, das relações das representações, das crenças, das percepções e das opiniões, produtos das interpretações que os humanos fazem a respeito de como vivem, constroem seus artefatos e a si mesmos, sentem e pensam. (MINAYO, 2007, p. 57).

Nessa investigação, o pesquisador faz uma interpretação dos dados, incluindo a descrição de pessoas ou de um cenário, para identificar temas ou categorias e, finalmente, fazer uma interpretação ou tirar conclusões sobre seu significado pessoal e teórico, mencionado as lições aprendidas, acabando por oferecer mais perguntas a serem feitas (WOLCOTT, 1994) .

Segundo Anadon (2005), a pesquisa qualitativa, partindo dessa raiz, designa-se pelo processo que visa estudar a consciência humana, sendo essencialmente descritiva e compreensiva, colocando a tônica sobre a experiência subjetiva, valorizando a descrição detalhada dos dados e o lugar da subjetividade na interpretação.

O percurso investigativo deste trabalho seguiu os princípios da pesquisa qualitativa, com base nas orientações de Bogdan e Biklen (1994), primeiro porque a fonte de dados é o ambiente natural, onde passamos grandes quantidades de tempo em um contexto específico para tentarmos elucidar questões.

No caso deste estudo, uma quantidade de tempo considerável foi empregada no mundo empírico pesquisado, neste caso, o lócus foi o bairro Serviluz, a praia do Titanzinho e o Instituto Povo do Mar, onde se estabeleceu uma aproximação central com os jovens participantes desse projeto, mas também com os educadores sociais que compõem o quadro pedagógico dessa instituição, sem esquecer-se dos moradores da comunidade que, igualmente, fazem parte desse cenário investigativo, sendo colaboradores com esse estudo, ajudando-nos a refletir o contexto aqui estudado, através de uma compreensão mais consistente sobre as relações e as experiências formativas presentes nele.

Assim, entendemos que as ações são compreendidas quando estudamo-las no seu ambiente habitual, pois, se divorciamos a palavra, o gesto e o ato do seu contexto, perdemos

de vista o seu significado, pois o comportamento humano é significativamente influenciado pelo contexto em que ocorre.

Durante a pesquisa, principalmente na fase inicial, equivalente à entrada ao campo, tivemos cuidados redobrados na tentativa de diminuir possíveis desconfortos e desconfianças que pudessem ser gerados pela pesquisa.

Como os investigadores qualitativos estão interessados no modo como as pessoas normalmente se comportam e pensam nos seus ambientes naturais, tentam agir de modo a que as atividades que ocorrem na sua presença não difiram significativamente daquilo que se passa na sua ausência. De modo semelhante, como os investigadores neste tipo de investigação se interessam pelo modo como as pessoas pensam sobre as suas vidas, experiências e situações particulares, as entrevistas que efectuam são mais semelhantes a conversas entre dois confidentes do que a uma sessão formal de perguntas e respostas entre um investigador e um sujeito. Esta é a única maneira de captar aquilo que é verdadeiramente importante do

ponto de vista do sujeito. (BOGDAN; BIKLEN 1994, p. 69).

Com relação à pesquisa de campo, tivemos a consciência de que não foi possível eliminar todos os efeitos que a nossa presença investigativa pode ter produzido na dinâmica do lugar pesquisado. Contudo, mediante um conhecimento aprofundado desse contexto, foi possível perceber as implicações provocadas por nossa presença na dinâmica do espaço e nas pessoas envolvidas nesse processo de investigação.

O segundo preceito que caracteriza este estudo de forma qualitativa está no fato de que esta é uma pesquisa descritiva, por coletar os dados em forma de palavras e imagens e não de números, através de transcrições de entrevistas, notas de campo, fotografias, vídeos, documentos e outros registro oficiais, instrumentos esses usados para a construção do entendimento, estabelecendo uma compreensão mais esclarecedora do fenômeno em questão. Assim, nada é trivial, os elementos do lócus da pesquisa são visto como pistas em potencial. O interesse colocado aqui em questão é muito mais pelo processo do que simplesmente pelos resultados ou produtos, pois está na compreensão do significado que os atores sociais dão a suas experiências, valorizando a subjetividade na interpretação, reconstruindo analiticamente e de forma interpretativa as formas e as estruturas sociais do grupo estudado. No nosso caso específico, são as vozes dos jovens surfistas que participam ou participaram do IPOM, sendo estes os atores sociais deste estudo. Essa ênfase no processo vai de encontro ao terceiro princípio da pesquisa qualitativa (ANADON, 2005).

Os dados foram inter-relacionados, com a consciência de que não estávamos montando um quebra cabeça cuja forma final já era conhecida. A lógica que prevaleceu durante esse estudo era de que, a cada passo dado, íamos encaixando peças que formavam um desenho.

No momento inicial da pesquisa de campo, os elementos estavam soltos, “espalhados no espaço” do contexto, mas, na medida em que íamos vivendo o lugar pesquisado (o projeto IPOM, a praia do Titanzinho e o bairro Serviluz), alguns elementos eram filtrados por uma espécie de funil e o nosso olhar se evidenciava para informações específicas, correspondendo esta a quarta característica da pesquisa qualitativa.

As vozes dos jovens surfistas sobre os significados e os sentidos que eles apresentavam em suas falas e o modo como eles interpretavam as suas experiências e como eles estruturavam o mundo social que viviam foram de suma importância para essa pesquisa, pois procuramos, a todo instante, certificar-nos de que suas perspectivas estavam sendo apreendidas de forma coerente. Configurando essa a última característica da pesquisa qualitativa elencada por Bogdan e Biklen (1994) que foi seguida nesse estudo.

Com base no objetivo proposto por esse estudo, estudar o surfe como ferramenta educacional para a formação humana e a inclusão socioeducativa dos jovens de um projeto social no Titanzinho, Fortaleza – CE, a orientação metodológica utilizada para o desenvolvimento dessa pesquisa e para melhor definição dos instrumentos de investigação se deu nos moldes da pesquisa etnográfica em educação.

A pesquisa orientada pela vertente etnográfica trata-se de uma abordagem inicialmente usada por antropólogos e, posteriormente, pelos pesquisadores das outras áreas das ciências humanas, inclusive da educação, cujo surgimento é datado na década de 70 (MATOS; VIEIRA, 2002).

Essa é uma prática de investigação usada nos trabalhos antropológicos para descrever a cultura de tribos, tendo Malinowski, com sua obra Os argonautas, de 1922, como o marco da primeira sistematização dessa abordagem, onde o antropólogo compartilhou regras do fazer etnográfico. Como exemplo dessas orientações, destacamos o princípio escrito na obra sobre o fato de que o pesquisador deveria viver quase que integralmente imerso no campo de pesquisa, deveria aprender a língua local e ser capaz de se sentir como um nativo, alternadamente, como poderia sentir como um membro de sua própria cultura, concluindo a pesquisa apenas quando o significado de alguns conceitos-chaves nativos pudessem ser determinados (PEIRANO, 1992).

Segundo Chizzotti (2006), a palavra etnografia significa descrição de um grupo social, pois essa abordagem de pesquisa caracteriza-se pela descrição de grupos com vistas a construir um registro detalhado de fenômenos singulares, para recriar crenças, descrever práticas, revelar comportamentos e interpretar significados. O pesquisador dispende de uma

quantidade de tempo considerável no cotidiano do contexto estudado, partilhando de suas práticas, hábitos, rituais e concepções, sem pré-julgamentos ou preconceitos.

O pesquisador deve entrar no grupo de forma natural como um membro, a fim de colher os significados, captar a realidade, aprender o ponto de vistas dos membros desse grupo, sem esquecer, em nenhum momento, dos aspectos éticos nessa relação.

As técnicas para a coleta de dados são diversas, a partir de observação participante, anotações de campo descritivas, entrevistas, narrativas de vida, prática interacionistas de coleta de dados e quaisquer outros meios que venham trazer informações. “Equipamento como lápis e papel, gravadores, filmadoras, laptops, computadores, banco de dados etc. são usados para registrar, coligir e sistematizar informações documentais” (CHIZZOTTI, 2006, p. 72).

De acordo com Geertz (1989), a pesquisa etnográfica faz uma interpretação de fatos simples de um contexto para que estes sirvam na formação de conclusões importantes. Praticar etnografia é estabelecer relações; é preciso também ter sensibilidade para saber distinguir que ações podem ter variados significados, por isso, o pesquisador precisa fazer múltiplas relações do contexto em que ocorre a ação.

Fazer etnografia é como tentar ler (no sentido de ‘construir uma leitura de’) um manuscrito estranho, desbotado, cheio de elipses, incoerência, emendas suspeitas e comentários tendenciosos, escrito não com sinais convencionais do som, mas com exemplos transitórios de comportamento modelado. (GEERTZ, 1989, p. 20). A pesquisa etnográfica em educação não deve centrar-se apenas em descrever um cenário de uma determinada prática educativa, mas buscar desenvolver um estudo que, além de descrever, se preocupa em pensar o ensino e a aprendizagem, relacionando com um campo macro, focalizando para um olhar com a sociedade.

O trabalho deve ser feito pessoalmente pelo pesquisador, indo frequentemente a campo, por, pelo menos, um ano. O texto final da pesquisa etnográfica, além da descrição do contexto estudado, deve compartilhar materiais produzidos pelos sujeitos investigados, como, por exemplo, história, canções, frases, desenhos, vídeos, imagens etc. (WOLCOTT, 1975 apud LÜDKE; ANDRÉ, 1986).

O interesse neste tipo de pesquisa centra-se nos significados atribuídos pelos atores sociais escolhidos para o estudo do fenômeno que pretende conhecer, mediante a compreensão revelada através dos relatos da descrição que as pessoas entrevistadas fazem de sua experiência sobre o tema.

Constituindo este percurso metodológico destaca-se a própria relação, fundamentalmente, pelo todo social histórico, em que se reconhece a ciência como um produto de construção da sociedade, contendo um conjunto de crenças e de sentimentos em relação ao mundo e ao modo como este deveria ser estudado.

“Os pesquisadores qualitativos ressaltam a natureza socialmente construída da realidade, a íntima relação entre o pesquisado e o que é estudado, e as limitações situacionais que influenciam a investigação” (DENZIN; LINCOLN, 2006, p. 22).

A posição metodológica deste estudo supera as postulações positivistas (modelos biomédicos e físicos), através de leis gerais para a explicação de fenômenos, que, por muito tempo, predominaram nas pesquisas científicas, inclusive nas chamadas “softs” (humanas e sociais), predicações prevalecentes tanto nos fenômenos naturais quanto sociais, negando a compreensão subjetiva dos fenômenos (SILVA, 1998).

Ao recolher dados descritivos, os investigadores qualitativos abordam o mundo de forma minuciosa [...]. A abordagem da investigação qualitativa exige que o mundo seja examinado com a ideia de que nada é trivial, que tudo tem potencial para construir uma pista que nos permita estabelecer uma compreensão mais esclarecedora do nosso objeto de estudo. (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 49). A intenção deste estudo é compreender o contexto, considerando as realidades e as lógicas sociais, desamarrando-se de visões superficiais, resistindo à naturalização, às predições e à generalização do mundo social, assumindo uma visão compreensivista e interpretativista.

Durante a pesquisa, rompeu-se com o processo de generalizações, nesse sentido, tivemos uma preocupação em descrever com detalhes os fatos postos, dando devida importância aos fatos simples da vida cotidiana. Suas nuances foram vistas como cenas inéditas, que carregam um significado único e particular, gerando uma importância peculiar, tanto na concepção dos dados, quanto em sua análise.