• Sonuç bulunamadı

C. MEKKE ŞEHİR-DEVLETİNİN UNSURLARI

3. İktidar Unsuru

O Ensino Básico organiza seus componentes curriculares em quatro grandes áreas, quais sejam: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas. Dentro da área de Linguagens encontramos o componente curricular Arte. Este subdivide-se em quatro subcomponentes: Artes Visuais, Dança, Teatro e Música.

Em maio de 2016, como já citado neste texto, passou a vigorar a Lei de nº 13.278/2016. Esta alterou o §6º do art. 26 da Lei nº 9.394, o qual passou a ter a seguinte redação: “Art. 1º: O § 6º do art. 26 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: § 6º As artes visuais, a dança, a música e o teatro são as linguagens que constituirão o componente curricular de que trata o § 2º deste artigo.” (BRASIL, 2016b, p. 1). Portanto, a partir daí, conclui-se que as quatro linguagens artísticas devem ser abordadas nas escolas. A referida lei ainda versa sobre os profissionais que abarcarão esta demanda, ao afirmar que os sistemas de ensino devem prover “[...] a

necessária e adequada formação dos respectivos professores em número suficiente para atuar na educação básica” (Ibidem, p. 1 – grifos nossos). Com essa nova perspectiva, a

necessidade de formação específica nas diferentes áreas começa a ganhar força, na certeza de que, no que se refere ao ensino de Arte nas escolas: “A formação específica nas universidades é fato amparado pela legislação vigente, que não contempla mais a formação polivalente.” (FIGUEIREDO; SOARES, SCHAMBECK, 2014, p. 60).

Apesar disto, sabemos que é corrente no Brasil a premissa de que o professor de Arte nas escolas deve ser capaz de transitar pelas diferentes vertentes da Arte. Portanto, um professor de Arte, na Educação Básica, precisaria abordar em suas aulas conteúdos de Teatro, de Música, da Dança e das Artes Visuais. Isso é uma realidade e não há como negá-la.

É comum, por exemplo, ao serem realizados os concursos para professor de Arte, os candidatos concorrerem ao certame com o título de licenciado em uma das quatro linguagens artísticas, ou seja, são professores especialistas em apenas um desses subcomponentes, mas, ao assumirem seus postos, terem que abordar as demais linguagens artísticas. Essa situação se expressa muito bem no depoimento de Gustavo: “Eu posso concorrer a uma vaga de professor de Arte sendo formado em Música, mas que, chegando lá, terei que ensinar todas as áreas da Arte, e não apenas música” (Gustavo).

Esse foi tema bastante recorrente ao longo desta pesquisa. Volta e meia, ele voltava à tona. Por isso me permiti trazer várias falas dos participantes em relação a esse assunto:

Você é contratado pelo governo ou pelo diretor da escola pra dar aula de Arte. Como a lei não obriga somente o ensino de música, não é específico o ensino de música. É o ensino de música dentro da disciplina de Arte. Então você tem que interdisciplinar com as outras artes. Tem que saber um pouquinho de dança, tem que saber um pouquinho de teatro, de Artes Visuais e assim por diante. Você tem que ser multi- professor de música, infelizmente. (Cecília).

Tendo em vista que o curso de Música não forma apenas professores de Música, mas também professores de Arte-educação, no elenco de disciplinas, talvez até optativas, poderiam constar disciplinas artísticas de outras áreas, como iniciação ao teatro, a dança, o que também tem relação com música, servindo como um complemento, na formação do artista-educador. (Gustavo).

Quando a gente chega na sala de aula nós não temos que dar música apenas. Tem que dar Teatro, Dança, Artes Plásticas. E como eu fiz a faculdade de Música eu senti uma certa necessidade de ter tipo uma cadeira, uma coisa nesse sentido. Porque quando a gente chega na sala de aula a gente se depara com essa realidade. Eu tenho que ministrar uma outra disciplina que eu não tenho segurança, que eu vou ter que correr atrás de um conteúdo, aprender. (Augusto).

É necessário contemplar outras áreas do conhecimento ligadas à música e arte. O ensino básico hoje não fala só de música. Ele exige que você conheça as outras áreas. O teatro, a dança, as artes plásticas, o cinema, artesanato... O curso de música só engloba uma área de conhecimento (obviamente), mas seria muito bom se englobasse outras áreas, que podem ser relacionadas e ter elo com a música. (William).

No fundamental II eu tinha aula de Arte apenas. Era uma coisa mais abrangente e realmente minha preparação é pra dar aula de música então para dar aula muito abrangente fica meio complicado. (Fernando).

Percebe-se, pelas falas dos professores, uma necessidade de conhecimento referente às outras três áreas artísticas, as quais, com certeza, não estão presentes em nenhuma das proposições do curso de Música da UFCA. O que esses cinco professores sugeriam é que o curso de Música oferecesse disciplinas das outras três linguagens artísticas. Os mesmos assim se posicionavam devido à pressão sofrida por eles em seus locais de trabalho no sentido de que fossem detentores de conhecimentos que não eram de sua competência.

Na verdade, essa situação decorre de um grande equívoco, gerado, primordialmente, pelos gestores da área de educação. Segundo Figueiredo, Soares e Schambeck: “[...] diversos sistemas educacionais ainda insistem na contratação de professores para atuação polivalente nas escolas [...] tal situação precisa ser revista.” (2014, p. 60 – grifos nossos). Realmente, ainda é bastante comum nas escolas a percepção de que o professor de Arte deva dar conta de todas as quatro linguagens artísticas e isso se torna bem visível na forma como hoje o sistema se organiza: nas escolas, geralmente, há apenas um professor de Arte em exercício.

Claro que não há como negar a importância, e até necessidade, de que o professor de Música detenha conhecimentos referentes às outras três linguagens artísticas. Como afirmam Pereira e Subtil: “É inaceitável que o professor denominado na escola como Professor de Arte desconheça a totalidade do campo de conhecimento e não dialogue com as demais linguagens artísticas” (2012, p. 11). Porém, o fato de ter certos conhecimentos sobre uma área não autoriza, de forma alguma, determinada pessoa a se denominar professor de tal conteúdo. Destarte, a capacidade de dialogar com determinado conteúdo fica bem distante, de fato, do exercício da docência daqueles saberes.

A verdade é que temos ainda um longo caminho a percorrer na busca da efetivação da Lei nº 13.278/2016. Isto implica modificações, diria até que de grande porte, no atual modo como os sistemas educacionais se apresentam. Figueiredo, Soares e Schambeck afirmam que isto envolve:

A mudança de concepção sobre o ensino de arte no currículo escolar – da

polivalência para o ensino de cada linguagem artística com professor específico

– e a contratação de mais profissionais específicos nas áreas de artes – de um professor polivalente para professores das 4 áreas artísticas indicadas nos PCN. (2014, p. 61 – grifos nossos).

Aqui estão alterações que envolvem questões conceituais e principalmente econômicas, as

quais precisam ser tratadas. Afinal, é preciso refletir como essa nova situação será efetivada de fato. Faz-se imprescindível que ocorra amplo debate entre os diferentes setores envolvidos,

na busca por formas de garantir a atuação do professor de Arte em sua área específica. Com certeza, uma agenda de trabalho deve ser estabelecida entre Universidades e os sistemas de ensino que recebem os egressos dos diferentes cursos, a fim de buscar formas de gerir, da melhor forma, estas disposições.