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II. KÖRFEZ SAVAŞLARI

2. İkinci Körfez Savaşı

2.1. İkinci Körfez Savaşının Nedenleri

Cabe aqui fazer algumas considerações sobre as políticas direcionadas à Amazônia, visto ser essa a maior região do país e ser uma região de grande expressão internacional, principalmente ligada a sua biodiversidade e sua extensa bacia hidrográfica, cortada pelo grande rio Amazonas. Teoricamente um expressivo destino turístico, mas que devido a incipiente infraestrutura e elevados custos de transporte ainda não é o principal destino de turistas internacionais no Brasil. Desde o período do governo militar que a Amazônia é vista como um “lugar das possibilidades”, de exploração, de riqueza e de lucro. Os Planos de Desenvolvimento da Amazônia tinha como orientação a integração desse espaço à economia nacional, por meio da instalação de polos de desenvolvimento que irradiariam o desenvolvimento para toda a região. Baseada em incentivos fiscais e financeiros para as empresas, pouco valor deu aos impactos ambientais que poderiam advir com a abertura e pavimentação de estradas e infraestruturas dentro da floresta. Ao mesmo tempo, os militares lançaram o I Plano de Turismo da Amazônia, no mesmo sentido, priorizando a implantação de uma infraestrutura pela iniciativa privada para o turismo. Andrade e Tavares (2011), ao criticar esse modelo, afirmam que a imagem da região ficará mais marcada pela degradação ambiental provocada pela abertura de estradas na floresta que por seus atrativos turísticos. São categóricas em afirmar que a política de integração amazônica da década de 1970 pode ser pensada como um “vetor de estímulo ao turismo na região, mas também como o vetor de uma imagem Amazônica vitrine da degradação ambiental”. As autoras caracterizam dois tipos de públicos desse processo: um primeiro atraído pelos negócios da Zona Franca de Manaus de forma majoritária e o segundo, motivada pela descoberta do exotismo da Amazônia. Por conta disso, o modelo de turismo implementado até então, caracteriza-se por uma turistificação totalmente dissociada da presença das populações locais. Da mesma forma, ainda hoje, percebe-se que os lugares turísticos da região ainda funcionam de maneira “mal integrada e

principalmente que eles dinamizam pouco um espaço bastante limitado da maior floresta brasileira” (ANDRADE; TAVARES, 2011).

Já na década de 1980, a implantação do PNMT na Amazônia, como já vimos, não correspondeu ao desejado pelo governo federal, visto as dificuldades dos municípios para sua implementação.

Um projeto específico para a região, como já foi apontado por outros autores, deve estar ligado ao seu potencial ecológico e a força que tem o apelo à natureza e a sua conservação, principalmente. Desde o começo do século XX já vem se discutindo os impactos que a ação do homem vem provocando aos recursos naturais e os reflexos dessa ação na qualidade de vida da sociedade. Nos anos 1960, movimentos ecológicos preservacionistas apontam a necessidade de se coibir a avanço da sociedade industrial sobre o meio ambiente através de reservas ambientais. Essas reservas estariam longe da ação humana e abertas à contemplação daqueles que quisessem sentir a natureza na sua totalidade. Apesar de aceito por alguns estados, a criação de reservas criou um conflito em uma sociedade que depende, e cada vez mais, dos recursos naturais para a produção e o consumo. Em torno dessa discussão chega-se, em 1972, à I Conferência Mundial sobre Meio Ambiente da ONU, realizada em Estocolmo, onde o documento de referência, produzido pelo Grupo de Roma, denominado Limites do Crescimento, apresentava severamente a necessidade de se encontrar o ponto ótimo para a exploração dos recursos finitos da natureza, sem o qual os danos oriundo dessa ação poderia comprometer a vida no planeta. Estavam colocadas as bases para a crescente discussão sobre os rumos da humanidade sobre esse planeta na sua relação com os grandes ecossistemas e os fragmentos ainda existentes dos recursos naturais. A água saudável já estava atingindo seu limite de oferta e já existem problemas de abastecimento e sede em várias partes do mundo. Fala-se inclusive em mudança de paradigma por conta dessa calorosa discussão. Outros eventos se sucederam como a Rio-92, a II Conferencia Mundial sobre meio ambiente e Desenvolvimento, que abre a discussão sobre um “desenvolvimento sustentável”, conceito esse carregado de ideologia para o lado que o defende sem, contudo, atingir os efeitos desejados nos países e comunidades locais que mais sofrem com os problemas de pobreza e degradação ambiental.

Envolvido nessa atmosfera, o governo brasileiro cria nos anos 1980 a Política Nacional do Meio Ambiente e cria ainda, com a ajuda da sociedade brasileira, um parágrafo todo dedicado ao meio ambiente na Constituição Federal de 1988.

No tocante ao turismo, o destaque é criado em torno de um turismo ecológico, um turismo sustentável ou um ecoturismo. Tanto é, que em 1994 foram estabelecidas as Diretrizes para uma Política Nacional de Ecoturismo, coordenada pela Embratur. No documento o ecoturismo é tratado como um segmento da atividade turística, capaz de atuar de modo sustentável sobre o patrimônio natural e cultural, inclusive incentivando sua conservação e buscando a formação de uma consciência ambientalista por meio da interpretação do ambiente, levando em consideração o bem estar das populações envolvidas. O governo acreditava que o momento era propício para a implementação do ecoturismo como alternativa sustentável de desenvolvimento, tendo em vista o aproveitamento racional do potencial ambiental dos seus recursos. Os grandes ecossistemas citados no documento são a Amazônia, o Pantanal, o Cerrado, a Caatinga, a Mata Atlântica entre outros.

Dentro do PNMT foi criado um programa destinado exclusivamente a atender o turismo na Amazônia, o PROECOTUR (Programa de Desenvolvimento do Ecoturismo na Amazônia) com o objetivo de desenvolver o ecoturismo de forma sistemática na região. A criação de polos ecoturísticos é um dos mecanismos para viabilizar esse programa, associado a outras ações do PNMT já citadas.

Diferentemente da costa litorânea, onde se explora o turismo “sol e praia”, na Amazônia o PROECOTUR tentou viabilizar o ecoturismo, resultando na instalação e dos hotéis de selva. A crítica a esse modelo de turismo está no confinamento dos turistas ao território controlado pelo empreendimento, totalmente distinto da essência do conceito de ecoturismo.

Segundo Cruz (2003), o turismo planejado para a Amazônia, via PROECOTUR, considerando os aspectos peculiares da região, como a extensa rede hidrográfica que lhe serve como via de transporte e a falta de infraestrutura para atender um turismo mais adensado para viabilizar um turismo de massa, faz-se necessário “envolver cidades como nós de uma rede de distribuição dos fluxos turísticos” (p.97).

Cruz (2003) percebe que o ecoturismo na Amazônia tem muito a ver com a valorização do setor turístico dada pelas políticas públicas, com o crescimento do segmento turístico de natureza, com a permanente necessidade de expansão territorial e diversidade do mercado de destinos turísticos, tendo, portanto, muito pouco de natural. Sem falar que o turismo se efetivará na zona rural, o que preocupa a autora pelo contato, muitas vezes “pernicioso” dessas comunidades com uma cultura trazida pelo turista.

Importante considerar as afirmações de Cruz quando assevera que essa estratégia de desenvolvimento regional criada pelo PROECOTUR

(...) promove a concentração espacial de estruturas e de fluxos de visitantes, aparece não apenas como uma opção do planejamento físico-territorial do turismo; ela é a opção política, orientadora de um planejamento espacial segregador de turistas e residentes (2003, p. 97).

Apesar de passados vários anos depois do lançamento do PNMT e outras ações com vista à melhoria do turismo na região, ainda hoje a atividade carece de maior atenção e de um aprofundamento da discussão sobre o turismo enquanto uma prática social e isso quer dizer um envolvimento da sociedade local nos destinos e gestão do turismo, pois afeta ou afetará a todos onde o turismo se dá. Assim, o planejamento do turismo tem que levar em conta a participação de todos os segmentos envolvidos: poder público, agentes do turismo, empresário, entidades civis organizadas, ONGs e, principalmente, a comunidade interessada.