XII. Dönem Konya Milletvekilleri
1.14. İhsan Kabadayı’nın Biyografisi
Quando Ducrot se propôs a descrever o fenômeno da enunciação que ele chama de “acontecimento singular que consiste em produzir fonicamente uma sequência de palavras” (DUCROT, 1984, p. 368), ele expressou sua preocupação com o fato de não existir, no âmbito do estudo da linguagem, um quadro terminológico definido para denominar e caracterizar o que ele chama de “produção fônica de uma sequência de palavras” (enunciação) ou, mais especificamente, aquele momento singular e único em que alguém, fazendo uso da língua, expressa o que, em nosso cotidiano, chamamos de frase. Ducrot constata que, na língua comum, não existe terminologia específica, nem regras estabelecidas que sejam de
conhecimento geral, para serem empregadas na descrição da enunciação. Ele compartilha essa preocupação logo no início de um artigo em que, sem pretensões de universalidade, decide nomear esse fenômeno.
Ducrot (1984) parte da noção de material linguístico, considerado como uma sequência de palavras que segue uma ordem bem definida, segundo normas gramaticais estabelecidas. Esse material linguístico, ao ser enunciado por alguém – por exemplo, Eu não quero mais comer - é constituído por duas dimensões indissociáveis: uma abstrata, representada pela sequência de palavras e outra concreta representada pelas inúmeras “manifestações” ou “realizações” que ela permitirá.
Cada uma dessas realizações será única e diferente das demais, pois a cada vez ela será dita por um sujeito, em um espaço e em um tempo determinados. Isso significa que, cada vez que realizamos uma enunciação, somos outro sujeito, estaremos em um novo tempo e muitas vezes, em outro lugar; por isso será sempre uma nova enunciação. Nesse sentido, para Ducrot, a enunciação, enquanto o aparecimento do enunciado, é irrepetível.
Para resolver o problema, causado pela possibilidade de se dar diferentes interpretações ao termo “realização”, Ducrot limita a três os sentidos que devemos buscar ao falar de realização de uma entidade linguística: ele chama de sentido 1 de uma realização ao objeto produzido, aquilo que efetivamente é falado ou escrito; o sentido 2 se refere ao fato mesmo de produzirmos algo; e o sentido 3 representa o processo que culmina com a produção de um objeto linguístico. Nesse sentido, o autor o define realização como “a atividade psicofisiológica que conduziu o locutor a dizer aquilo que disse, e cujo produto são as palavras, pronunciadas ou escritas”. (DUCROT, 1984, p. 369).
Retomando a concepção de material linguístico constituído de seus aspectos abstrato e concreto, Ducrot cria outros conceitos para dar conta da caracterização da enunciação. Em uma clara alusão a Saussure, a respeito da oposição língua/fala, (a primeira sendo o sistema e a segunda, o uso), Ducrot estabelece frase/texto e enunciado/discurso. Os primeiros como representantes do que é abstrato, teórico, portanto o sistema; e os seguintes significando o uso da língua, o concreto, portanto a fala.
A frase nesse contexto é a entidade abstrata, elementar, de que um locutor lança mão para se expressar. Nesse momento, o material linguístico deixa de ser
frase e se torna enunciado, ou seja, a frase se realiza no enunciado. Uma sequência de frases é chamada por Ducrot de texto, ainda no nível abstrato. Quando o texto se realiza, em uma sucessão de enunciados ligados entre si, ele passa a se chamar discurso.
O “acontecimento histórico, isto é, o fato de uma frase ter sido objeto de um enunciado (ou de um discurso), empregaremos a palavra enunciação”. (DUCROT, 1984, p. 369). Já os mecanismos de produção da enunciação de um enunciado ou de um discurso são chamados de atividade linguística.
Diferente de Benveniste, que denomina enunciação como o ato de um locutor se apropriar da língua e produzir discursos, Ducrot define enunciação como o aparecimento de um enunciado, o momento histórico, singular, em que um enunciado é efetivamente realizado. Nesse sentido, podemos inferir que a enunciação possui um aspecto repetível que é o seu processo, o mecanismo que a produz, que ele chama de atividade linguística; e um aspecto único, irrepetível, o instante mesmo da enunciação, que é constituído de uma pessoa - um locutor - que enuncia, em um lugar e um tempo determinados.
Frase e enunciado se distinguem também por serem de naturezas diferentes, no que diz respeito ao valor semântico de cada um: a frase não realiza a função referencial, ao contrário do enunciado. Esse é que faz alusão à realidade, ao mundo real, segundo Ducrot.
Para o autor, a frase pode se referir a algo da realidade, mas não pode
precisar o referente. Só na situação de enunciação é que se pode determinar
efetivamente aquilo a que se faz referência. Mais especificamente, só no instante da enunciação, aquele momento em que um enunciado é realizado, é que se demonstra a referência a que diz respeito o enunciado.
É só na enunciação que se marca o tempo verbal designado por ela. O presente, que é o momento em que um locutor enuncia, o passado ou um futuro que só podem ser qualificados naquele instante mesmo da enunciação; além disso, a enunciação marca as presenças de um locutor (eu) falando para um destinatário (tu), em um lugar e um tempo determinados.
Reafirmando, só o enunciado pode realizar a referência. Por ser um material abstrato, a frase só “fornece instruções que permitem descobrir, numa situação de enunciação particular, aquilo a que se referem os seus enunciados”. (DUCROT, 1984, p. 370).
Semanticamente falando, a diferença entre o material abstrato (frase/texto) e suas realizações (enunciado/discurso) é qualitativa, visto que, por pertencer à esfera do abstrato/teórico, frase/texto não definem o referente. Só no material concreto, realizado pelo enunciado/discurso, só na situação de enunciação é que podemos encontrar o sentido do que foi dito. Dessa forma, Ducrot distingue o valor semântico da frase/texto chamando-o de significação e o valor semântico do enunciado/discurso chamando-o de sentido.
Ducrot afirma que o sentido de um enunciado/discurso possui como parte constitutiva referências à própria enunciação do locutor, ou seja, não se “pode falar sem se falar de sua própria fala”. (DUCROT, 1984, p. 379). É interessante essa afirmação, pois mostra que, ao enunciarmos, também nos enunciamos; o locutor, de uma forma ou de outra, sempre se marca, através da linguagem, em sua fala; a marca do “eu”, da subjetividade benvenistiana. Uma questão interessante formulamos a partir dessas considerações: haverá neutralidade no discurso?
Após a explanação resumida de conceitos definidos por Ducrot em sua teoria como frase, enunciado e sentido, passaremos à descrição da fase atual de sua Teoria da Argumentação na Língua (ANL), desenvolvida por ele e Marion Carel, chamada de Teoria dos Blocos Semânticos (TBS).