XII. Dönem Konya Milletvekilleri
1.10. Fakih Özlen’in Biyografisi
Para definir argumentação, Ducrot e seus colaboradores o fazem, opondo-se radicalmente à concepção que chamam de argumentação retórica, que se relaciona às teorias que remetem à Retórica Clássica de Aristóteles. Essas teorias têm como definição básica de argumentação “a atividade verbal que visa fazer alguém crer em alguma coisa” (DUCROT, 2009, p. 20).
Essa oposição marca o posicionamento dos autores da ANL/TBS, no desejo de suprimir um mal entendido dos que leem suas pesquisas linguísticas, e confundem o conceito dado por eles, com aquele de inspiração aristotélica. Com base em sua defesa de que a argumentação está na língua, Ducrot e colaboradores chamam a argumentação de linguística, para distinguir do conceito clássico que chamam de argumentação retórica.
A primeira crítica à argumentação retórica diz respeito ao modo como ela é definida pelos clássicos: argumentar é persuadir um auditório da verdade de uma tese; para a adesão de um ouvinte é suficiente que esse creia em uma tese, independente de essa crença levá-lo a fazer alguma coisa. Sobre isso Reboul diz: “a nosso ver a persuasão retórica consiste em levar a crer sem redundar necessariamente ao levar a fazer. Se, ao contrário, ela levar a fazer sem crer, não é
retórica.” (REBOUL, 2004 p. XV)
Essa é uma estratégia considerada ingênua por Ducrot (2009) e colaboradores, pela fragilidade do princípio, uma vez que o objetivo da argumentação deve ser, segundo esses autores, fazer o interlocutor encontrar o sentido do discurso do locutor e não fazê-lo acreditar na verdade ou falsidade do que diz esse locutor.
A segunda crítica se relaciona às formas utilizadas pela argumentação retórica, que passa pela palavra, mas também por outras formas de fazer crer, de conseguir a persuasão e que são consideradas extralinguísticas, ou seja, na abordagem retórica, a persuasão de um interlocutor pode ser alcançada também por outros fatores como crenças, ideologias e representações sociais que devem ser partilhadas pelo orador/ouvinte.
Para Ducrot, ao contrário, nenhum fator externo à língua deve participar da argumentação; essa está na própria língua. A orientação (cuja definição apresentaremos mais adiante), dada pela palavra, já garante, já oferece os indícios de uma continuação que constrói o sentido do discurso. Partindo dessas considerações, a argumentação linguística é definida na ANL, como “os segmentos de discursos constituídos pelo encadeamento de duas proposições A e C, ligados implícita ou explicitamente, por um conector do tipo donc (portanto)” 2 (DUCROT, 2009, p. 21). A representação dessa definição se constitui em A, portanto C, em que A foi denominado inicialmente na teoria argumento e C conclusão. O autor estende o conceito de argumentação linguística “aos encadeamentos que ligam, não duas proposições sintáticas, mas duas sequências de proposições, por exemplo, dois parágrafos de um artigo”. (DUCROT, 2009, p. 21).
Vale ressaltarmos que a verdade ou falsidade do argumento não está em jogo nessa concepção, mas o sentido argumentativo que é construído pelo argumento e pela conclusão.
Essa proposta de definição de argumentação, segundo Ducrot, sofre interpretações equivocadas de gramáticos e outros linguistas, comparando-a com a interpretação retórica, no que diz respeito ao fato de que o segmento A portanto C (ou A donc C em francês) apresentaria A justificando C, tornando-o verdadeiro. Ele rebate a crítica, afirmando que essa interpretação pode até parecer inevitável, mas é
2
Nesse momento da Teoria, Ducrot ainda não considerava o conector em PT (no entanto), incorporado à ANL, a partir do trabalho de Marion Carel na TBS.
uma consideração banal e, principalmente, insuficiente e ilusória, uma vez que encadeamentos conclusivos não se tornam meios diretos de persuasão, como declara:
Vou tentar mostrar, com argumentos de linguista, que ela (a concepção de que A justifica C) é não somente insuficiente, mas totalmente ilusória, e que os encadeamentos conclusivos dos discursos não constituem, como tais, meios diretos de persuasão, nem mesmo meios parciais. (DUCROT, 2009, p. 21)
Ducrot e seus colaboradores radicalizam as críticas afirmando que a argumentação retórica e mesmo as críticas tradicionais a ela se sustentam na necessidade de se lançar mão de fatores externos à língua, para exercer o papel persuasivo. O ethos, o pathos e o logos estão sempre acompanhando um discurso em sua função de convencer um interlocutor. Nesse sentido, Ducrot e colaboradores propõem uma argumentação fundamentada na própria língua, sem recursos a aspectos não linguísticos.
Enquanto as críticas tradicionais não dispensam a existência de um logos, uma justificação na passagem de um argumento à conclusão que garantam a persuasão, Ducrot rechaça essa ideia, afirmando que na argumentação linguística não existe esse logos, pois é ela, a própria argumentação, que constrói o sentido uma vez que “o sentido do argumento A contém em si mesmo as indicações de que ele deve ser completado pela conclusão C”. (DUCROT, 2009, p. 22).
Argumentar, para Ducrot, é construir sentido; não é informar, nem influenciar, nem fazer crer, nem é a busca da verdade proposicional. Sua teoria está embasada na concepção de relação, resgatada da noção de valor construída por Saussure. Dessa forma, o sentido de um enunciado só existe em relação a outro enunciado. Estabelecer uma lei de passagem entre argumento e conclusão destrói o fundamento filosófico da teoria ducrotiana, pois essa se sustenta na noção de relação, de valor, que, por sua vez, remete à noção de alteridade de Platão, que veremos mais adiante.
Ao deixar clara a noção de argumentação de Ducrot e seus colaboradores, radicalmente diferente da noção clássica, trataremos na próxima seção do estudo mais detalhado da Teoria da Argumentação na Língua (ANL) e da Teoria dos Blocos Semânticos (TBS), a qual representa um aprofundamento e uma radicalização da ANL.