3. KAR AMAÇSIZ İŞLETMELERDE HİLE KAVRAMI VE DENETİMİ
3.2. KAR AMAÇSIZ İŞLETMELERDE GÖRÜLEN HİLE TÜRLERİ
3.2.1 İÇ HİLELER
O conceito de participação agrega diversas formas que tem e aplica a população em geral, e em particular os integrantes das organizações, os beneficiários de projetos e das Organizações da Sociedade Civil (OSC), para intervir em ações ou decisões que determinam o futuro socioeconômico na sua comunidade ou território. Na prática, a participação vem assumindo formas de maior compromisso individual e organizacional, num ato que começa por estar simplesmente informado até desenhar ações, individuais ou coletivas e tomar decisões estratégicas. Por outro lado, para os setores sociais historicamente isolados, sua possibilidade e potencialidade de participação dependem em boa medida da decisão pública e privada para permitir-la e impulsionar-la (MANZANAL: 2004; pp. 20-21). E neste sentido, interessa-nos:
a) A participação que se dá desde os grupos de interesse organizados, não a participação que pode se operar de forma individual ou isolada;
b) O modelo de promoção da participação social operado desde as ações públicas (distritais, provinciais e nacionais) e desde as organizações da sociedade civil.
Em Moçambique, a instituição principal de diálogo entre os Órgãos Locais do Estado e a Sociedade Civil nos distritos, incluindo as comunidades locais são os Conselhos Locais. O Conselho Consultivo do Distrito (CCD) é a instituição máxima de consulta no distrito. No entanto, há outras instâncias consultivas abaixo dessa no nível territorial (MOÇAMBIQUE: 2003; pp. 11).
Os Conselhos Locais em Moçambique
Os Conselhos Locais (CLs) foram estabelecidos em todos os 130 distritos em Moçambique. O processo iniciou na Província de Nampula em 1999, mas antes destes, vários programas e projetos com enfoque na planificação distrital participativa tiveram início nesta
98 mesma província desde 1996, financiados e facilitados por agências doadoras internacionais e ONGs em colaboração com os governos locais.
Em Nampula, os CLs desenvolveram‐se em mais de uma década através de séries de ajustamentos e recomposições seguindo cada nova orientação e regulamentação conforme decretado pelo governo central (LOLE, Guião das Orientações IPCC 2003, Regulamentos) o Programa de Planificação e Finanças Descentralizadas do Norte (PPFD‐Norte) facilitou o processo de desenvolvimento consistentemente, desde 2004 em parceria com a rede de ONGs e Parceiros nacionais e internacionais. Com efeito, os membros do Conselho Local nos vários níveis administrativos em geral cumprem com os requisitos legais em termos numéricos. O equilíbrio entre os membros do CL e os convidados e entre o governo e os representantes da sociedade civil (SC) altera‐se de distrito para distrito, e entre os níveis dos CLs. A inclusão dos representantes do governo e das autoridades comunitárias como membros plenos dos CLs é administrada de forma diferente. Em alguns distritos, estas duas categorias são plenamente membros em todos os níveis, noutros eles são meramente convidados, sem direitos de voto49.
O equilíbrio de género dos CLs melhorou como um todo desde a formação dos primeiros CLs em 1999 quando alguns Conselhos Locais do Distrito (CLDs) e Conselhos Locais do Posto Administrativo (CLPAs) na Província de Nampula tinham menos que 10% de membros femininos50. Há vários constrangimentos em relação à participação das mulheres, incluindo a linguagem (poucas falam português, alto índice de analfabetismo, e fatores culturais que implicam uma sobreposição das responsabilidades do agregado familiar e, mais importante, o sistema patriarcal). Fora os constragimentos observa-se que, as mulheres estão cada vez mais envolvidas no diálogo de desenvolvimento a todos os níveis, e estão sendo implementados cursos de alfabetização especialmente para membros dos CLs em todos os distritos. Assim, os cidadãos tornaram‐se cada vez mais conscientes do seu papel no desenvolvimento local, e cada vez mais capazes de análises críticas do processo. As comunidades ficaram sem dúvida satisfeitas com essa inclusão, e em geral os entrevistados estão mais do que dispostos a participar no desenvolvimento da sua circunscrição, participando na construção de escolas, unidades de saúde e estradas.
49 Participação Comunitária e Consulta na Planificação Distrital em Moçambique: Relatório Final 03, 2009. 50Ibid. pp. 9.
99 Apesar de muitos desafios e o não cumprimento com os 30% de contingente obrigatório de acordo com a lei, , as mulheres gradualmente estão a tornar‐se mais activas nos CLs. Desta forma, os Conselhos Locais podem ser embriões para o fortalecimento da democracia local na medida em que, estes contribuem ativamente na discussão de políticas.
Para Manzanal (op. cit.), a participação organizada avança e se fortalece em sua prática concreta. Desde a ação, a população se capacita para ir superando níveis de participação que implicam maiores graus de compromisso com seu próprio destino e o de sua comunidade. Estes níveis começam com a informação, continuam com consulta, seguem com a intervenção na tomada de decisões até alcançar a autogestão. Isto quer dizer que, o primeiro grau neste processo é ―estar informado‖ das questões públicas que lhes atenham e afeta, o seguinte é ―ser consultado‖ pelas decisões que se tomam a respeito, logo é ―ser parte da tomada de decisões‖ e o paradigmático é integrar o ―corpo de decisão‖ que dirige a coisa pública respectiva.
Ir passando por estes ―estados‖ exige capacitação e ―praxis‖ de participação em um exercício continuado e ascendente. De acordo com Manzanal (2004: pp. 21), este é um processo contraditório e flutuante que se vai elaborando com o apóio de múltiplos determinantes. Tais como:
i) A vontade da população participante, suas características pessoais e identidade, sua formação e inserção laboral e seu nível socioeconômico;
ii) A história, cultura e identidade delas ou as organizações que lhes representam;
iii) O nível de desenvolvimento socioeconômico e institucional, a cultura e história política do âmbito territorial onde vive e trabalha;
iv) As ações no âmbito local de OSC, organizações da sociedade civil – de apóio, de interesse e econômicas, nacionais, regionais e internacionais que, de forma pontual ou continuada atuam no território em questão;
v) A decisão política do setor público nacional, provincial ou distrital para constituir-se em facilitadores e promotores destes processos de participação;
100 vi) A disponibilidade de financiamento nacional e internacional para sustentar processos
locais de transformação socioeconômica e institucional.
Ademais, em matéria de participação se requer uma investigação minuciosa que distinga e exclua as formas pseudoparticipativas (―fazer o que o outro quer ou espera que eu faça‖). Estas formas estão presentes, hoje em dia, em todos os âmbitos de promoção do desenvolvimento socioeconômico e são funcionais ao modelo clientelista. São uma consequência do acento e do condicionamento imposto pelos organismos de financiamento internacional ou local para que a participação esteja presente em ―todo‖ projeto de desenvolvimento social que se gere. Deste modo, é comum que tanto os governos como os programas e as ONG‘s – façam da ―participação‖ uma meta para alcançar seus próprios interesses mais do que os interesses ―reais‖ da organização ou do grupo de beneficiários respectivos. Esta é uma matéria complexa, que requer uma depuração em todas as análises sobre o tema (Ibid.).
Por outro lado, o modelo da política democrática clientelista promove a participação porque se alimenta dos setores marginalizados ―dando-lhes‖ o que a população marginalizada e mais pobre ―supostamente‖ solicita, em geral através de projetos desenhados por baixo de uma ―manipulada‖ forma participativa. Deste modo, a população permanece ―atada‖ a ―pedir participativamente‖ o que os programas, os organismos ou os estados nos seus diversos escalões estão dispostos a dar. E isso, se advoga por baixo da falácia que o que se pede é o que os grupos de beneficiários decidiram por sí mesmos (Idem). Estas observações apresentam uma conotação muito forte com os conflitos registrados no âmbito do OIIL reportados no capítulo 1.
E, além disso, há que ter em conta, que tudo isso acontece enquanto o modelo macroeconômico continua expulsando a população do processo produtivo e polarizando a sociedade, aumentando a massa dos desocupados e marginalizados. Assim, enquanto as ações pontuais em desenvolvimento local dão cifras pequenas para os pobres rurais e seu ―desenvolvimento‖, a política econômica global e nacional continua os marginalizando e expulsando do processo produtivo. Ao qual se acrescenta que, a falta de recursos justifica as políticas focalizadas (para os mais pobres entre os pobres) que também são fonte de sustento do aparato clientelista. Quer dizer, se opera um círculo vicioso (e a favor de maior clientelismo) de
101 aumento da marginalização de expulsão do processo produtivo e de participação para inclusão marginal (Ibid; pp. 22).
Em definitivo o tipo de participação que postulamos é aquela que busca que os setores marginalizados se integrem a partir de politicas universais donde não haja decisões discricionais dos setores políticos sobre quem são os incluídos e quem não ou em que temas sim e em que não; por exemplo, o governo central ou provincial/local estaria disposto a seguir e apoiar uma alocação não discricional do OIIL, atendendo a demanda crescente e necessidade dos distritos?
Tomando-se por base as IPCC, a participação é feita através de reuniões abertas onde as comunidades expões seus problemas aos dirigentes através dos Conselhos Locais. Esses problemas são analisados pelo governo e toma-se uma decisão. Os problemas das comunidades raramente chegam a níveis de políticas. Desta forma, de 1990 a 2005 houve uma grande mudança. Existem vários grupos comunitários organizados e em 2003 foi aprovado um guião que facilita a organização das comunidades em Conselhos Consultivos Locais já mencionados. Esses CCL são eleitos a partir da base que é o distrito e tem representantes não só em nível geográfico, mas, de todos os grupos sociais. Pelo menos teoricamente é assim que é definido. Isto permite que as sensibilidades e os problemas de cada grupo e cada região sejam trazidos para o Conselho Local e discutidos. O Conselho Local propõe (e não decide como veiculado politicamente) para que o governo tome decisão. A participação das comunidades é feita nesses moldes, através dos Conselhos Locais.