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1. KAR AMAÇSIZ İŞLETMELER

1.1. KAR AMAÇSIZ İŞLETME KAVRAMI VE TÜRLERİ

1.1.1. DERNEK KAVRAMI

Para alguns, a descentralização potencia um maior equilíbrio na mobilização e distribuição de recursos. Os desequilíbrios regionais e intra-regionais existentes em Moçambique não só limitam um desenvolvimento econômico, social e político mais igual e equilibrado, como são também potenciais fontes de conflito, de incremento dos regionalismos e de descrédito do papel do Estado (FARIA & CHICHAVA: 1999; pp. 4).

Os dados do INE (2007) indicam que, dos moçambicanos que vivem em condições de pobreza absoluta, aproximadamente 70% habitam nas áreas rurais, onde a oferta de serviços públicos descentralizados ainda é insuficiente em termos quantitativos e qualitativos. Este fato constitui um problema central ao desenvolvimento socioeconômico sustentável do país. Por esta razão a descentralização representa uma prioridade no Plano de Ação para a Redução da Pobreza Absoluta (PARPA) do Governo Moçambicano.

36 A redução da pobreza absoluta tem sido um dos principais objetivos nos programas de governação, em Moçambique. Contudo, a definição do conceito de pobreza continua em debate. Para efeitos de definição de políticas, a pobreza foi inicialmente relacionada com a falta de rendimentos – dinheiro ou espécie – necessários para a satisfação das necessidades básicas. Porque esta definição monetarista não cobria todas as vertentes da pobreza, foi-se alargando o conceito para abarcar aspectos como falta de acesso à educação, saúde, água e saneamento, entre outros. Neste momento, o conceito de pobreza também inclui aspectos como o isolamento, exclusão social, falta de poder, vulnerabilidade entre outros (MOÇAMBIQUE: 2006; pp. 8).

De acordo com Soiri (1999, pp. 16), o impacto da descentralização e a criação de órgãos locais autônomos não foram tratados no debate sobre alívio à pobreza, quer por fontes oficiais quer pelos seus críticos. A autora secunda ainda que, os estudos realizados por Weeks e Cramer mencionam o papel das comunidades locais apenas em conexão com a orientação dos programas de alívio à pobreza para indivíduos e/ou grupos. Referem nomeadamente que um dos objetivos do alívio à pobreza deve ser minimizar os fatores de competição geradores de tensão. Numa sociedade dividida como Moçambique, intervenções com vista ao alívio à pobreza junto de determinadas parcelas da população podem facilmente levar a um indesejável aumento de tensão. Em vez disso, as limitadas medidas de ajuda deveriam ser implementadas com a participação das comunidades, ao mesmo tempo em que deveriam promover a sociedade civil. Tão pouco há alguma referência neste debate aos níveis provincial, distrital e local da administração e ao seu papel na redução ou alívio à pobreza. O alívio à pobreza também não aparece como um objetivo deliberado da política de descentralização. A ligação é apenas indireta. Quando o processo de descentralização permite uma maior participação da população local, deveria resultar numa mobilização e definição de recursos mais efetiva de acordo com as necessidades identificadas pelas comunidades locais.

Sem embargo, Soiri (1999)24 descreve que em entrevistas no terreno, representantes de vários ministérios que se ocupavam de questões relacionadas com a descentralização ou com o alívio à pobreza, notaram a existência de uma ligação entre a devolução de poder para níveis locais de governo e a melhoria das medidas de redução da pobreza. Conforme referido por um funcionário, o governo moçambicano promove iniciativas conducentes ao desenvolvimento

37 econômico e social. Nesse sentido, a redução da pobreza não é um objetivo em si da política do governo; o propósito do governo é criar condições para o desenvolvimento em geral e, consequentemente, para o alívio à pobreza. A necessidade de alargar a participação das comunidades locais na definição das suas necessidades e objetivos, na elaboração, planificação e implementação das políticas e ações locais é, desta forma, considerada como um objetivo importante da descentralização.

Para desfazer os equívocos contidos no texto de Soiri, a leitura que se faz é de que a redução da pobreza constituiu parte dos programas de desenvolvimento definidos pela FRELIMO durante a Luta de Libertação e logo após a independência. A redução da pobreza não pode ser um objetivo da descentralização como descreveu Soiri por uma razão evidente, ambos são resultado dos programas de desenvolvimento do país. O texto de Samora Machel (1974) citado por Abrahamsson & Nilson (1998) ajuda-nos a perceber conferindo que:

A luta do povo moçambicano, no seu estado atual, tem três aspectos: é uma luta anti-colonial (...); antiimperialista (...) e finalmente, é uma luta com o objetivo de destruir a exploração do homem pelo homem e de substituí-lo por uma nova ordem social ao serviço das massas populares trabalhadoras [...], (pp. 40)25.

Mercê aos ideais de Samora e usando as experiências da Luta Armada de Libertação Nacional, a estratégia de desenvolvimento da FRELIMO foi formulada explicitamente no III Congresso realizado em 1977 mediante o Plano Prospectivo e Indicativo (PPI), cujo objetivo específico era acabar com o subdesenvolvimento num período de 10 anos (ABRAHAMSSON & NILSON: 1998; pp. 37). Estas afirmações servem de reforço e estímulo, para validar a crença de nossa afirmação segundo a qual, a redução da pobreza esteve sempre nos planos de desenvolvimento definidos no país – não se pode combater o subdesenvolvimento sem que antes se reduza os níveis de pobreza e dependência. Por outro lado, a socialização das zonas rurais visava tornar produtiva a população e com isso reduzir os níveis de pobreza e impulsionar a base de indústria nacional. Outra evidência que mostra a ligação dos objetivos do governo em relação à redução da pobreza foi o recebimento do primeiro crédito para reabilitação econômica da

25 MACHEL, Samora Moisés. The People’s Democratic Process in Mozambique – Mozambican Revolution in the World Revolution. De acordo com Abrahamsson & Nilson (1998), o texto foi escrito em 1974 a pedido da academia soviética de ciências e foi publicado em Moscovo em 1975. O texto está publicado na sua totalidade em Munslow (1985, pp. 35 e segts.)

38 Associação para o Desenvolvimento Internacional (IDA)26 a 23 de Julho de 1985, respondendo as deliberações do IV Congresso da FRELIMO realizado de 26 a 30 de Abril de 1983 em Maputo. A luta pelo desenvolvimento implica diretamente o combate à pobreza e redução dos desequilíbrios regionais.

Atualmente, os programas de desenvolvimento e redução da pobreza foram definidos no PARPA I de 2001-2005 e PARPA II de 2006-2009. O primeiro tinha como prioridades desenvolver as áreas do desenvolvimento do capital humano na educação e saúde, da melhoria na governação, do desenvolvimento das infra-estruturas básicas e da agricultura, do desenvolvimento rural, e de melhoria na gestão macro-econômica e financeira; o segundo, para além de dispor dos pilares contidos no primeiro, tem em vista alcançar o objetivo de diminuir a incidência da pobreza de 54% em 2003 para 45% em 2009.