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İç Hava Kirleticileri Nedeniyle Oluşan Kanserler

2.3 Yapı İçi Hava Kirleticilerinin Neden Olduğu Sağlık Sorunları

2.3.1 İç Hava Kirleticileri Nedeniyle Oluşan Kanserler

A Escola Popular enquanto organização inicia-se de uma experiência realizada no Estado de Rondônia no município de Machadinho do Oeste, na Escola da Barragem no ano de 1998 como é relatado por Souza (2010):

As famílias camponesas que tomaram as terras da Fazenda Santa Bárbara iniciaram juntamente com professores, estudantes e apoiadores, a construção de uma nova escola, escola de politização, trabalho e luta, chamada de Escola Família Camponesa. Funcionou por cerca de três anos com cursos de ensino fundamental, médio, alfabetização de adultos e cursos técnicos de saúde e técnicas agrícolas. A escola foi construída também em Corumbiara, com a participação das famílias que haviam lutado pela terra nas áreas Verde Seringal, Adriana e Santa Elina. A Escola Popular formou dezenas de ativistas do movimento camponês combativo, desenvolveu a produção com, por exemplo, granjas cooperadas (criação de galinhas e porcos), lavouras, etc. Além disso, desenvolvia atividades culturais, com vídeos e teatros, atividades esportivas e de lazer, como festas e encontros. [...] Decidiu-se, então, partir de um trabalho de educação popular, mais simples, em estruturas possíveis, e a alfabetização passou, então, a ser a prioridade da escola junto aos camponeses nas áreas revolucionárias. As experiências da Escola Família Camponesa foram a prova concreta de que os camponeses podem se organizar e dirigir sua

própria vida, na produção, na educação, etc. Aconteciam várias reuniões, nas quais os camponeses discutiam o caráter de classe da nova escola, ou seja, que ela pertencia aos camponeses pobres. Por três anos os camponeses, em aliança com estudantes urbanos, com professores do campo e da cidade, construíram física e ideologicamente uma escola camponesa. Edificaram uma escola onde as relações se pautaram pelo companheirismo e pela estreita ligação entre teoria e prática. O lema da escola era Estudo-Trabalho-Luta. (SOUZA, 2010, p.335)

Essa experiência que se iniciou no Estado de Rondônia nas áreas da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) 21 que tinha como princípios “caminhar com as próprias pernas”, “servir ao povo” e “lutar por uma sociedade justa” e com os anos se expandiu para várias regiões do país, como regiões do norte de Minas, no nordeste do país, todas essas em áreas de acampamento e assentamento. Essa expansão alcançou a cidade, no caso Belo Horizonte que teve especificidades por se encontrar numa área onde o predomínio é de operários.

É importante a partir do conhecimento da origem prática dessa organização expor a concepção de Escola Popular enquanto organização política com seus princípios e finalidades gerais. Estes foram organizados e sistematizados pela coordenação de Escolas Populares em vários documentos, mas centraremos em dois, que são o texto de apoio da Escola Popular produzido em fevereiro de 2005 e outro que se encontra em produção que trata de princípios, finalidades e tarefas da Escola Popular22. Assim sendo, Escola Popular é:

Uma organização que conta com a participação de educadores e ativistas populares que reconhecem na tarefa de educar, um papel destacado para a transformação da sociedade. A iniciativa visando a construção da Escola Popular, objetiva agregar educadores, estudantes universitários e membro da comunidade que compreendam ser a luta pela destruição do latifúndio a fundamental para a transformação da sociedade e a construção de uma Nova Democracia. E entendendo qual o papel da educação em uma sociedade de classes como a nossa propõe quais as ações educativas que no momento mais contribuiriam para a transformação da nossa sociedade e libertação do nosso povo. (ESCOLA POPULAR, 2005, p. 6)

21 ”. É importante saber que a LCP é resultado de um processo de depuração do movimento

camponês da região de Corumbiara, onde ocorreu em 1995 o conhecido “Massacre de Corumbiara” onde camponeses que ocuparam a Fazenda Santa Elina foram barbaramente assassinado pelas mãos do Estado. Sua origem é desse processo e a partir de então, essa organização se expande para vários estados brasileiros. A LCP, defende um plano diferente no que se refere à conquista da terra no Brasil, rechaçando a Reforma Agrária e propondo e implantando como relata em seus documentos um processo chamado Revolução Agrária. Na Revolução Agrária, o camponês toma a terra do latifúndio, corta organiza a produção e a resistência.

22 É um texto de apoio interno das escolas não foi publicado em nenhum meio de comunicação da

Essa definição aqui apresentada coloca em princípio um elemento que é central nas escolas populares que é seu caráter de classe, tendo como finalidade ser uma escola de politização. Quem ela representa? Quais os conteúdos a serem ensinados? Que princípios ela deve ter? São perguntas a serem feitas e a resposta que se tem a partir do que foi exposto é que os seus princípios, seu ensino se voltam para classe trabalhadora e os camponeses pobres do país. É papel da Escola Popular, ser primeiro um espaço que por excelência é de ensino, formação técnico-científica do operário ou camponês, mas também ser nesse caso mais específico um instrumento da luta democrática revolucionária e da politização das massas populares, ou seja, dos camponeses, classe trabalhadora. Outra definição encontra-se no Jornal O Novo Tempo da Escola Popular Orocílio Martins Gonçalves, que ao definir essa instituição toca nos pontos essenciais para compreendermos nosso objeto de estudo, assim:

A Escola Popular Orocílio Martins Gonçalves é uma escola do povo e a serviço da luta do povo. Ela funciona integrada a outros movimentos sociais que se identificam com o princípio de que não basta conhecer o mundo, o que importa é transformá-lo. Entre seus objetivos estão à alfabetização, o desenvolvimento da aprendizagem, a capacitação técnica e a elevação da consciência política dos trabalhadores. (JORNAL O NOVO TEMPO, 2004, Editorial, p. 2).

]

Essa definição se reforça na fala de uma das coordenadoras quando perguntada, o que é a escola popular e qual sua concepção,

Então, a concepção de escola popular, ela parte de uma vontade de ter uma escola que tenha como objetivo principal colocar a ciência e a técnica a serviço do povo. Então é uma escola que vai servir à luta do povo, uma escola que vai se ligar a essa luta em primeiro lugar e também que vai auxiliar, e que a luta do povo ela possa cada vez mais elevar suas condições. A escola popular a concepção do movimento é que a escola popular possa ser um suporte, que a escola popular possa ser um tripé na politização, na alfabetização dos trabalhadores. (Fala de coordenadora política da EPOMG)

Os princípios apresentados pela Escola Popular se alicerçam na teoria marxista e no entendimento que tudo que existe no mundo, ou seja, a história é fruto do trabalho dos homens e os trabalhadores são construtores da história. Essa compreensão de base marxista traz consigo a questão da organização e do papel que a Escola com essa concepção desempenha que é:

1. A Escola Popular serve para apoiar, calçar e dar suporte a todas as atividades da frente única revolucionária na solução de seus problemas, sejam os da luta de classes, da luta pela produção ou do estudo, bem como das ações nas áreas de saúde, da técnica e da arte, nas quais deve jogar papel chave.

2. Não há como falar em escola popular desvinculada de organizações de massas de novo tipo, engajadas na luta pela revolução de nova democracia, em particular pela revolução agrária. No campo, as escolas populares devem estar ligadas às organizações camponesas de novo tipo, como as ligas de camponeses pobres, e nas cidades, às organizações sindicais classistas e combativas, ao movimento estudantil popular revolucionário, às organizações de bairros pobres, vilas, favelas e de luta pela moradia, que se integrem nas Frentes de Defesa dos Direito do Povo. (SOUZA, 2010, p. 339)

Essa ideia da escola se ligar às lutas do povo se dá pelo princípio de servir ao povo em sua luta pela transformação social, e a partir disso tem-se que são tarefas gerais da Escola Popular: Divulgar, defender e incentivar a luta de classes já que esta é que gera o desenvolvimento da humanidade; Fazer crescer a convicção de que as massas é que fazem a história e de que é justo rebelar-se; Desmascarar as instituições burguesas denunciando seu caráter opressor de classe; Essas ações se ligam as ações pedagógicas e de ensino, os conteúdos trabalhados não deixam de colocar esses pontos, principalmente quando se trata de História. A Escola Popular parte da concepção que o espaço de ensino de trabalhadores e camponeses deve ser um instrumento para que por meio deste seja valorizada a história dos trabalhadores em luta e que estes tenham uma preparação ideológica e consequentemente o desenvolvimento e elevação da consciência deste. Sobre a questão do papel dessa instituição escolar, um ponto importante é colocado no documento síntese da Escola Popular como podemos observar:

O presidente Mao afirmava que “devemos formar os operários e camponeses em trabalhadores instruídos com uma consciência socialista”.

Para isto é necessário elevar o nível cultural das massas trabalhadoras em geral, com o aprofundamento do estudo das letras, da história, da geografia, da natureza, das técnicas de produção, bem como a caracterização da sociedade brasileira, fortalecendo a ideologia revolucionária destas massas. (DOCUMENTO INTERNO DA ESCOLA).

Essa citação afirma a necessidade do povo ter uma formação científica aprofundada que fortaleça os ideais classistas e socialistas para o desenvolvimento de uma nova sociedade. Essa base de fundo classista parte de uma linha marxista baseada em experiências da União soviética e da China, elementos que

apresentamos nos eixos teóricos dessa dissertação. A compreensão que se tem sobre uma escola de educação popular para a classe operária é que esta tem como papel de “contribuir com a luta revolucionária e pela tomada do poder, por isso é uma escola que busca os referenciais da educação marxista- leninista-maoísta” (SOUZA, 2010, p38.).

Para o desenvolvimento de práticas escolares a partir desse referencial um princípio que se coloca como essencial é a independência do Estado. Essa não dependência se reflete no princípio de “sustentar-se com as próprias forças”. A escola popular deve trabalhar para se sustentar materialmente desatrelada do Estado, com a ajuda dos apoiadores que acreditam em uma educação de novo tipo. Esse princípio permite que a posição política da Escola não seja controlada pelos desejos e determinações do Estado no campo político e burocrático e também na determinação de conteúdos, habilidades e competências a serem desenvolvidas nesse espaço.

7.2 Escola Popular Orocílio Martins Gonçalves, a experiência de alfabetização