2.3 Yapı İçi Hava Kirleticilerinin Neden Olduğu Sağlık Sorunları
2.3.2 İç Hava Kirleticileri Nedeniyle Oluşan Kanser Dışındaki Hastalıklar
Para o desenvolvimento do trabalho foram realizadas entrevistas também com professores da escola. A escola é composta por um grupo de 13 professores, e nesse grupo 10 tem formação em licenciatura na área que atuam e dois são de outras áreas do conhecimento (Direito e Fisioterapia) e uma formação técnica na área financeira. Os trabalhos desenvolvidos pelos professores são voluntários e existe um reconhecimento e valorização da prática da escola em meio a categoria que predomina no espaço escolar.
No processo de planejamento da coleta de dados foram escolhidos dois professores, sendo um que atua na coordenação e outro não. O perfil dos dois é parecido, um é formado em Geografia e outro em História e as idades são 30 e 33 anos respectivamente. Os dois atuam como professores na Escola Pública e tem uma ligação com a luta por uma escola marcada pela qualidade e valorização do profissional de educação. O processo da entrevista foi tranquilo, todos os dois se mostraram disponíveis e o intuito era entender como os professores compreendem a escola e a sua prática nesse espaço. Para iniciar a entrevista fiz a seguinte pergunta: Qual o significado de atuar na escola popular? Essa pergunta teve a finalidade de entender o modo e o papel que cada sujeito coloca para si enquanto educador da escola popular. E o que se pode perceber pelas falas é que existe a ideia de um processo de modificação, de transformação que se liga ao trabalhador, este ponto é comum. Ao mesmo tempo existe de um lado a ideia de que existe a necessidade de passar conhecimento, conteúdo científico acumulado na história. O professor de história apresenta uma visão de certa forma que se aproxima mais as questões de classe e de transformação mais profunda da sociedade, e esses elementos se apresentam nas falas a seguir:
Atuar na escola popular para mim é participar de um processo de transformação (pausa) de passar é um pouco da ciência que a gente aprendeu, um pouco do que a gente aprendeu no ensino superior passar para as pessoas que não tiveram acesso. E acrescentar, aprender com eles também né, é acrescentar na minha visão a visão do trabalhador, a vivência deles. E é passar uma ideia transformadora para eles.” (Fala da professora de Geografia)
Pra mim atuar na escola popular significa participar de um processo de mudança. Porque eu vejo que todos que participam da escola popular, sejam educadores, educados, apoiadores tem uma visão de mundo. E qual
é essa visão? É a construção de uma nova sociedade, de uma sociedade melhor, mais justa, igualitária, sem exploração do homem pelo homem. Enquanto educador, eu posso atuar na área que eu me preparei né para que essa sociedade que nós desejamos ela aconteça realmente. (Fala do professor de História)
Percebe-se que a atuação como professor da escola tem relação com um engajamento pelas lutas dos trabalhadores. Existe a compreensão pelo corpo docente, não só os que foram entrevistados, mas os demais, que atuar na escola popular é se aproximar com maior profundidade da realidade do trabalhador e promover um processo em que estes tenham acesso ao conhecimento de uma maneira não formatada pelo Estado. Aliado essa visão existe o reconhecimento da posição que a escola defende, tanto do processo de modificação da sociedade como das formas de luta existentes. Nem todos concordam integralmente com as posições políticas da escola, mas todos compreendem que ela parte de um princípio democrático, e o central é a defesa do trabalhador. Esse caráter de defesa expressa uma posição da atuação na escola, pois os professores são voluntários, e não tem a escola como um trabalho essencial para sua sobrevivência, e esse fato não significa que exista uma prática de assistencialismo, onde o trabalhador é visto como o coitado, esse fato está expresso na fala de um dos professores entrevistados:
Vou começar respondendo que com certeza não é como assistencialismo, porque na maioria das vezes as pessoas têm essa ideia. De você tá fazendo uma coisa boa, de você tá fazendo caridade e eu atuo na escola popular, não por esse motivo, primeiro eu posso dizer que aqui realmente eu consigo colocar meu trabalho em prática, eu consigo discutir os temas propostos com os educados. Além disso, eu vejo que a educação deve ser levada aquelas pessoas que precisam dela. Quando eu digo educação eu não estou me referindo a conteúdos, eu to dizendo mais uma educação política, uma educação cidadã que possa discutir direitos, deveres, formas de atuar enquanto cidadão. (Professor de História)
Pela fala anterior percebe-se a compreensão de que é necessário uma educação diferenciada para o trabalhador adulto, que tenha a política como princípio. Fato que não ocorre em escolas públicas, que são compreendidas como um exemplo com vários problemas que vão desde a indisciplina a falta de democracia, na fala a seguir é perceptível que existem dois mundos com ideias diferentes quando se compara escola popular e escola pública:
Eu atuo na escola popular, primeiros eu, eu fui parar na escola popular eu achei que eu não tinha o perfil, porque tinha que ter um engajamento político, um conhecimento mais teórico, eu achei que eu não tinha o perfil
para a escola. Mas eu gostei da ideia de trabalhar com trabalhadores da construção civil, mexer com esse público, aprender um pouco com eles e quebrar um pouco do que eu tinha... Que eu tinha experiência da escola regular, e como a escola regular eu tava num processo de desistir da educação, de lecionar, apesar de gostar e acreditar muito na educação. E é um outro tipo de educação que acontece lá na escola popular. (Fala da professora de Geografia)
A partir da fala anterior podemos perceber que existe uma delimitação do público por parte dos professores, que se refere a dois componentes visíveis em todas as falas, que são: educados de uma escola que tem uma organização e um trabalho diferenciado dos estudantes da escola pública; educados adultos, que tem uma dinâmica diferenciada como estudante e um interesse maior que muitos jovens em aprender.
Aparece também os elementos do trabalho de gestão, pedagógico e político que são indissociáveis na prática escolar, mas que podem ser visualizados de forma mais clara nas falas dos professores, e esses elementos que de certa forma vai trazer o que se tem de diferencial nessa escola com relação à escola institucional que conhecemos como podemos perceber na seguinte fala:
Eu costumo falar que na escola popular a grande diferença que nós temos a escola popular não serve aos interesses da burguesia, aos interesses do Estado. Ou seja, nós temos autonomia para elaborar uma proposta pedagógica de acordo com os interesses dos trabalhadores, dos educados né. Além disso, há várias questões de organização, entre a escola que seria do Estado, a escola formal e a escola popular que seria a não formal, número de pessoas, no caso educando por sala, por turma, por classe, além disso, a pressão que os profissionais das redes estadual e municipal sofrem, para que haja um grande número de aprovação, mesmo. Independente se aqueles educados estão aprendendo ou não, se eles estão ali, é adquirindo um conhecimento necessário para sua vida em sociedade. (Fala de professor de História)
Essa análise se enquadra na discussão do papel político que a escola tem como na sua organização que é baseada no coletivo escolar. Existe no cotidiano da escola práticas de discussão sobre o currículo da escola e como este serve aos interesses de uma ou outra classe, além dos debates sobre quais metodologias devem ser desenvolvidas em uma escola popular, principalmente na alfabetização, mas não só nesta. Existe um ambiente aberto para debater a escola, com seus problemas e seus avanços fato que muitas vezes não é trabalhado nas escolas regulares organizadas pelo Estado, como é expresso pela professora de Geografia:
Tem uma discussão político-pedagógica do que a gente pretende passar, qual é o objetivo da escola, tudo isso a gente participa é construído. E já do ensino regular do Estado já vem imposto, vem um caderno, o que você tem que ensinar. Fora as questões de infraestrutura do Estado, as questões sociais, porque é diferente. Tem as questões sociais na escola popular também, mas só que são pessoas experientes que já aprenderam com aquilo, mas eu... Na escola regular tem a questão da indisciplina e na escola popular não tem né! Na escola regular a gente que aprender a lidar com a disciplina ou com a indisciplina né!? dos alunos. (Professora de Geografia)
Com relação a discussão sobre participação, das diferenças da escola popular e da escola do Estado, percebe-se o que mais se reforça é a ideia de coletivo, de construir em conjunto. Fato esse que se dá como apresentamos anteriormente pela própria discussão na escola do significado da coletividade do trabalhador, seja na escola, no sindicato, no trabalho e em outros espaços. Pode-se verificar esse posicionamento na fala a seguir:
Mas eu vejo a proposta da escola popular, como a questão mesmo do coletivo, de construir coletivamente, eu vejo isso na escola! Eu... Porque mesmo que se tenham algumas críticas a se fazer, na escola regular isso é muito difícil de acontecer. E na escola popular a gente constrói, a gente pode adequar com as questões da atualidade, a questões da luta de classes, a questão do trabalho. O que os educados passam no canteiro de obra, a gente pode adequar, é. O conteúdo com isso. (Fala da professora de Geografia)
Essa fala casa com a fala do professor de história sobre as questões do coletivo e da política:
Eu acho que é papel fundamental de qualquer escola, ou de qualquer educador que faz parte de um coletivo de uma escola ter um posicionamento político. E eu concordo com o posicionamento da escola, seja em relação às eleições, seja em relação a proposta a qual ela defende de mudança na sociedade. (Fala do professor de História)
Assim, discussão do coletivo, elemento de formação defendido por Makarenko é presente nas falas de todos os sujeitos da escola e a ela se junta a questão de unir a escola, o trabalho e a luta. No caso da EPOMG a luta envolve elementos referentes à luta classista, muitas vezes a luta econômica e também a defesa das ações de vários povos contra o atual sistema econômico e político. Esses pontos se aliam a noção de trabalho como um princípio educativo, pedagógico que constitui um poço do que é a escola. E fica claro a compreensão da indissociabilidade entre Escola, Trabalho e luta. Como é possível perceber na fala a seguir:
“Relação entre escola, trabalho e luta. Então, retomando então, como nós estamos falando ele faz parte de um todo é indissociável. Por quê? Aí nós podemos dar vários exemplos, da luta do trabalhador em voltar a estudar, do trabalho que é a construção de uma escola. No momento eu não tenho exemplos muito claros assim sobre isso não, mas eu acho que eles estão extremamente ligados.” (Professor de História)
O olhar sobre o trabalho na fala anterior se liga diretamente a luta cotidiana e da relação que a escola tem com esta, visto que ela faz uma defesa do trabalhador. Na fala da professora de geografia, percebe-se existe uma compreensão do trabalho no plano mais pedagógico onde se tem a aliança entre a teoria e prática e essa aliada com a política, que de certa forma se expressa na prática também.
“Eu vejo! Pra quem ta lá há mais tempo, tem que ter uma visão mais apurada assim e entender. Mas o exemplo da horta, por exemplo, é teve o trabalho da construção, todos os educados construíram, teve uma aula teórica, a prática. Então, primeiro foi trabalhado dentro de sala as questões da horta, depois foi trabalhado também questões sobre alimentação, de alimentos orgânicos que tudo isso envolve, porque a questão da alimentação não é só simplesmente comer, mas tem toda a questão da produção, dos monopólios dos produtos e tudo e isso foi trabalhado em sala, antes deles irem para prática de construir, construíram o canteiro, construíram a horta. Tudo isso ó: Escola (que é a parte teórica), Trabalho (que e eles colocaram a mão na massa, que eles construíram o canteiro, construíram a horta) e a Luta (porque também foi trabalhado as questões sociais disso, a questão da insuficiência alimentar brasileira, a questão da fome, a questão das monoculturas, tudo isso foi trabalhado é um exemplo que eu tenho pra dar.” (Professora de Geografia)
O que se pode perceber pelas falas dos professores é que a escola toma em vários momentos contornos diferentes da escola pública, seja pelo público, pela sua organização cotidiana, mas principalmente pela defesa da necessidade de uma formação política do trabalhador, onde não parte da ideia de dar consciência, mas sim de elevá-la. Ser uma escola de adultos também contribui, pois na compreensão dos professores existe nesse grupo, independente da escola que frequenta um maior interesse e vontade de estudar o que se diferencia do público crianças e jovens das escolas.