1.4. HZ MUHAMMED’İN İSLÂM’A YÖNELİK SALDIRILARLA
2.1.1. Hukukî Uygulamalar
em sua proposta de gramática funcional, Halliday (1985) põe em xeque a dicotomia entre coordenação e subordinação, a partir da ideia de que, na organização dos blocos enunciativos complexos, conjugam- -se dois eixos, definidores das realizações. nesta seção, será tomado o primeiro desses eixos, denominado de sistema tático ou sistema de inter-
dependência, caracterizado pela parataxe e hipotaxe e considerado geral
para todos os complexos – palavras, grupos, sintagmas e orações. a relação entre orações pode ser interpretada, segundo Halliday (1985, p.194-195) como de modificação, o mesmo conceito usado para explicar um aspecto da relação entre palavras em grupos verbais ou nominais. mas, para isso, o conceito de modificação precisa ser refina- do e enriquecido a fim de explicar relações dentro da oração complexa, considerando alternativas sistemáticas ao longo de duas dimensões: (i) o tipo de interdependência (taxe); e (ii) a relação lógico-semântica.1
a relação de modificação, em (i),
não é a única que pode ser obtida entre os membros de um complexo. onde um elemento modifica o outro, o estatuto dos dois é desigual: o elemento modificador é dependente do modificado. mas dois elementos podem ser unidos em uma colocação igual, na qual um não é dependen- te do outro. (Halliday, 1985, p.195 [tradução minha])2
1 a dimensão (ii) será tratada na seção seguinte.
2 Type of interdependecy. The relation of modifynd, whereby one element “modifies” another, is not the only relationship that may obtain between the members of a com- plex. Where one element modifies another, the status of the two is unequal; the modi- fying element is dependent on the modified. But two elements may be joined together on an equal footing, neither being dependent on the other.
assim, parataxe é a ligação de elementos de mesmo estatu- to, i.e., o elemento inicial e o seguinte são livres, no sentido de que cada um tem seu funcionamento pleno, e hipotaxe é a ligação de ele- mentos de estatutos desiguais. o elemento dominante é livre, mas o dependente não o é. as orações complexas envolvem relações de ambos os tipos, configurando uma mistura de sequências paratáticas e hipotáticas em que uma pode estar aninhada na outra (Halliday, 1985, p.195-198).
Levando em conta essas considerações, o autor se refere aos membros de um par de orações relacionadas, em parataxe ou hipota-
xe, como primárias e secundárias, em que a primária é a oração inicial
em uma estrutura paratática, e a oração dominante em uma estru - tura hipotática; a secundária é a oração de continuação em uma estrutura paratática, e a dependente em uma hipotática (p.195).3
PRIMÁRIA SECUNDÁRIA
PARATAXE 1 (inicial) 2 (de continuação) HIPOTAXE α (dominante) β (dependente) Quadro 3.1 orações relacionadas em parataxe e hipotaxe.
em hipotaxe as duas orações, primária e secundária, podem ocorrer em qualquer ordem, mas a oração secundária é sempre a de- pendente. Já em parataxe somente a ordem 1-2 é possível. a oração primária, na relação paratática, é simplesmente uma matéria que vem primeiro (Halliday, 1985, p.197).
além disso, como na parataxe não há dependência de um ele- mento a outro, não há outra ordenação além daquela representada pela sequência. assim, a ordem é importante e sua inversão repre- senta alterações semântico-formais profundas na estrutura e no significado do complexo. na hipotaxe, a ordenação é amplamente
3 apesar desse aparato para lidar com os membros de um par de orações relacionadas, é importante ter clareza de que o autor não trata os tipos de interdependência entre orações de forma discreta.
independente da sequência. por conseguinte, é possível ter a oração dependente: (i) seguindo a dominante; (ii) precedendo a dominante; (iii) cercada por ela; ou (iv) cercando-a (Halliday, 1985, p.199-200), também podendo gerar diferentes efeitos de sentido.
embora não seja foco de interesse neste trabalho, vale especifi- car que ficam fora desse eixo tático as relações de “encaixamento” (embedding), em que uma oração não compõe diretamente o enun- ciado do ato de fala, funcionando como constituinte estrutural de um sintagma que constitui, por sua vez, a frase. portanto, para o autor, o encaixamento não corresponde nem à hipotaxe nem à pa- rataxe, porque não corresponde a um mecanismo de “relação” entre orações, mas de “constituência” de uma oração que entra no eixo tático que formará a frase complexa.4
conjugando à abordagem das orações complexas de Halliday (1985), uma teoria proposta por Raible (2001, 1992 apud Kaba- tek, 2005a), segundo a qual junktion é uma dimensão universal da linguagem que permite a sistematização dos diferentes elementos e técnicas linguísticas usadas para juntar ou combinar elementos pro- posicionais, posso organizar as técnicas de junção que envolvem, de alguma forma, o item assim, classificando-as a partir de um esquema sintático e semântico.
sintaticamente, Raible descreve diferentes graus do que chama de integração e que aqui chamo de “graus de interdependência”, uma vez que a integração desse autor engloba as formas de (in)dependência de orações, propostas por Halliday, incluindo, portanto, a parataxe, a hipotaxe e o encaixamento, ou seja, incluindo desde a justaposição até formas extremas de interdependência, como a nominalização, passando por etapas de subordinação. os diferentes graus de inter- dependência expõem-se em um eixo sintático vertical, exemplificado a partir do quadro a seguir, que ilustra as possibilidades de junção distribuídas de acordo com um crescente de interdependência:
4 a oração hipotática não está estruturalmente integrada em outra oração como um constituinte, por isso, não perde identidade e se mantém como componente direto da estrutura complexa (Halliday; Hasan, 1976).
Padrões Tipo de interdependência
Exemplos
- (inter)
dependência I Junção por justaposição (sem juntor explícito) João está doente. Não come nada.
II Junção pronominal
(relações dêiticas com a frase anterior)
[...] Por isso não come nada.
III Junção por coordenação
(com juntor explícito)
[...] pois não come nada
IV Junção por subordinação
(hipotaxe e encaixamento)
[...] João está doente porque não come nada.
V Junção com gerúndios e particípios
[...] não comendo nada
VI Junção com sintagmas preposicionais
[...] Por causa de jejum, João está doente.
+ (inter)
dependência VII Junção com preposições Por fome, João está doente
Quadro 3.2 esquema adaptado do eixo vertical de junção (Kabatek, 2005a, p.167). Diversos estudiosos afirmam o caráter contínuo das diferenças que separam orações articuladas em texto. Destaco Hopper e Trau- gott (1993, p.170), que, combinando os traços dependência e encai-
xamento, propõem um continuum em que, de um lado, estão os casos
de relações táticas (- dependência e - encaixamento) e, de outro, os de subordinação (+ dependência e + encaixamento), passando pela hipotaxe (+ dependência e - encaixamento). a partir daí, parataxe caracteriza-se pela relativa independência e integração mínima entre as orações; hipotaxe, pela interdependência e por um grau interme- diário de integração; e subordinação, por dependência total e inte- gração máxima entre as orações (gonçalves et al., 2007, p.55).5
5 segundo Hopper e Traugott (1993), as orações complexas tendem a um gradual pro- cesso de gR em três etapas: (i) na parataxe, em que há uma independência relativa, o vínculo entre as orações depende de que a relação faça sentido e seja relevante; (ii) na hipotaxe, existe uma interdependência entre núcleo e margem; e, (iii) na subordina- ção, existe um encaixamento da margem em um constituinte do núcleo e, portanto, uma dependência completa entre núcleo e margem (neves, 2006, p.230).
Dessa forma, a organização proposta por Hopper e Traugott (1993) cruza duas tradições: (i) entre parataxe e hipotaxe, a partir do parâmetro dependência; (ii) entre coordenação e subordinação, a par- tir do parâmetro integração. Desses dois pares em cruzamento, ob- tém-se uma escala tripartida (parataxe > hipotaxe > subordinação) que não corresponde, simplesmente, a uma substituição da escala bipartida (coordenação > subordinação), já que ela não é composta de termos discretos.
os continua a seguir ilustram a proposta desses autores: PARATAXE HIPOTAXE SUBORDINAÇÃO
Dependência - + + Encaixamento - - + PARATAXE (independência) HIPOTAXE (interdependência) SUBORDINAÇÃO (dependência) núcleo margem integração mínima integração máxima ligação explícita máxima ligação explícita mínima Figura 3.1 Continua parataxe, hipotaxe e subordinação.
outro estudo relevante sobre esse assunto é o de Lehmann (1988). o autor representa, num continuum, a hierarquia existente, de um lado, nos estudos da sentença, i.e., da coordenação, e de ou- tro, nos estudos da dessentencialização, ou seja, da perda do estatuto de sentença, em que a oração deixa de ser uma sentença e passa a ser constituinte de outra oração, configurando o encaixamento. entre os dois polos extremos, encontram-se as orações adverbiais (hipotáticas e paratáticas com traço circunstancial de Halliday, e de Hopper e Traugott). assim, o continuum de Lehmann ilustra um rebaixamen- to, a partir da parataxe, em que se distribuem complexos que vão de um grau máximo de autonomia sentencial a um grau mínimo, e, inversamente, de um grau máximo de integração sentencial a um
mínimo. essas características se ligariam a uma representação icôni- ca dos enunciados: as conexões estruturalmente mais entrelaçadas, via reduções estruturais, corresponderiam a conexões semântico- -pragmáticas também mais entrelaçadas.6
Uma proposta diferenciada é a adotada por matthiessen e Thom p - son (1988). os autores integram um grupo funcionalista que propõe uma “teoria da estrutura retórica do texto”,7 relacionada à organiza-
ção textual, a partir da caracterização das relações que são estabele- cidas entre as partes do texto. além do conteúdo proposicional das orações, explícito, considera-se a existência de proposições implíci- tas, denominadas relacionais, que emergem da combinação entre as partes do texto (partes correspondentes a orações ou a porções maio- res, com estatuto tópico, por exemplo). existem, pois, em termos de interdependência, uma combinação paratática, em que nenhum dos membros é suporte para o outro; e uma combinação hipotática, em que há membros que realizam os objetivos centrais do locutor e ou- tros que constituem apenas suporte para esses objetivos, ou realizam objetivos complementares.
entretanto, diferentemente do que apresentei até aqui, matthies- sen e Thompson (1988) criticam a noção de continuum, cujo objetivo é ilustrar a fluidez das diferenças que separam as orações articuladas em textos, a partir da afirmação de que, na verdade, propostas desse tipo substituem a preocupação de determinar critérios de classifica- ção de orações em categorias pela preocupação de determinar o lugar do continuum que deve ser ocupado por uma oração. o que funda- menta o problema, segundo eles, é a falta de discussão em torno da função discursiva que emerge da combinação de orações.8
6 em consequência, quanto mais integradas as orações de um enunciado, mais avança- do o processo de gR.
7 cf. também Taboada (2006).
8 considero que as discussões que objetivam a melhor depreensão da função discursiva da combinação de orações, tal como proposta pelos autores, está na base da constitui- ção de um continuum que, a partir de sua conceituação básica, não deve ser confundi- do com uma recategorização, uma vez que seu propósito primeiro é exatamente o de mostrar, didaticamente, a fluidez categorial, i.e., a forma como traços constitutivos de categorias diversas se mesclam na articulação de enunciados em textos.