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2.4. HZ MUHAMMED VE İKTİSADÎ HAYAT

2.4.2 Ekonomik Düzenlemeler

segundo a perspectiva pragmática, sob a qual recorto o conceito de linguagem utilizado neste trabalho, em que aspectos textuais e interacionais encontram-se imbricados, o produto linguisticamente materializado que surge desse imbricamento revela características do processo de interação. o texto apresentado, dessa forma, como um material que congrega aspectos textuais e interacionais, torna possível a realização de um estudo diacrônico fundamentado por essa perspectiva teórica.

no âmbito dessa definição de texto, o tópico discursivo é adotado como unidade analítica, definido a partir das propriedades de centra-

ção e organicidade. a primeira abrange os traços de: (i) concernência,

18 na dicotomização metodológica, as bases semióticas assumem papel de relevância para a constituição do contínuo de textos, embora atreladas a outros fatores (proximi- dade, distância comunicativa, por exemplo).

relação de interdependência semântica entre os enunciados de um segmento textual, pela qual se dá a integração desses enunciados em um conjunto específico de referentes; (ii) relevância, proeminência desse conjunto como decorrência da posição focal assumida por seus elementos; e (iii) pontualização, localização do conjunto focal em momento específico do texto. por sua vez, a organicidade manifesta- -se por relações de interdependência tópica (Jubran, 2006b). para a definição dos processos constitutivos do texto aqui focalizados, o parâmetro de caracterização é a propriedade da centração.

a partir dessa unidade de análise, os usos de assim e de suas formas correlatas no domínio da junção serão analisados segundo critérios: (a) formais:

(1) tipo de unidade articulada: palavra, sintagma, oração ou enunciado;

(2) coocorrência de outro juntor;

(3) posição do juntor: inicial, medial ou final; (4) incidência de advérbios;

(5) apresentação de formas reduzidas; (6) possibilidade de inversão da ordem;

(7) relação entre p e Q: dependência ou não dependência; (8) entrelaçamento: compartilhamento de estruturas (predica- dos, sujeitos, complementos etc.); e

(B) semânticos:

(9) relações de sentido.

a partir de Halliday (1985), considero que uma dimensão, na interpretação linguística, é o sistema de interdependência ou sistema “tático”, considerado geral para todos os complexos (cf. capítulo 3). assim, o critério (1) fundamenta-se na constatação do complexo es- pecífico articulado pelos juntores focalizados.

o critério (2) focaliza o item em seu contexto de ocorrência, le- vantando implicações referentes ao seu processo de mudança, uma vez que a coocorrência de outro juntor é significativa no que tan- ge à gR do item, apontando para sua não prototipicidade, naquele contexto, e a necessidade do emprego de outro item já prototípico

para a (cor)realização das funções pretendidas. além disso, ajuda a explicar os processos de reinterpretação induzida pelo contexto, de reanálise etc.

os critérios de (3) a (8) ajudam a depreender o grau de inter- dependência entre as orações articuladas pelos juntores e, assim, a caracterizar a construção no âmbito da parataxe ou da hipotaxe. es- pecificamente, os critérios (3) e (4), que colaboram para essa caracte- rização, relacionam-se, respectivamente, a especificidades da cons- trução no âmbito desses domínios, também no que diz respeito à prototipicidade ou não do funcionamento desse item na construção e à constituição de contextos importantes para o processo de mudan- ça experimentado pelo item analisado.

a justificativa para o grande número de critérios usados na iden- tificação de uma mesma característica, relacionada à sistemática de interdependência entre as orações articuladas pelos usos juntivos de assim, encontra-se no fato de que não estou lidando apenas com construções prototípicas da língua nos diferentes domínios depreen- didos, mas, principalmente, com construções não prototípicas que revelam grande fluidez de traços e não discretude de relações. Dian- te disso, um traço não refletido na constatação de um critério poderá refletir-se em outro.

por sua vez, o critério (9) procurará depreender as relações de sen- tido veiculadas pelos juntores focalizados em seus vários contextos.

a partir da análise das ocorrências de assim encontradas no cor-

pus, identifico alguns contextos de atuação desse item não caracte-

rizados no domínio da junção, mas no âmbito de sua função fóri- ca.19 esses contextos permitem um questionamento quanto à sua

tradicional classificação, como advérbio de modo, se entendo essa

19 segundo Halliday e Hasan (1976), os elementos fóricos subdividem-se em endofóricos e exofóricos, em que os primeiros desempenham movimento de sinalização anafórica ou catafórica no âmbito textual, enquanto os segundos realizam sinalização para além dos limites do texto, em direção ao contexto situacional. para facilitar a exposição, de- nominarei os elementos que realizam qualquer sinalização no âmbito do texto apenas de fóricos, ficando reservado o título de dêitico aos exofóricos, sem deixar de ter em mente, no entanto, essa classificação dos autores.

categoria como “modificador de verbo”, de acordo com a tradição gramatical. essas ocorrências de assim serão distribuídas em sete padrões de uso, a partir de critérios formais e semântico-funcionais, mediante os quais será atribuído o caráter de prototipicidade ou não prototipicidade/ambiguidade das ocorrências. a seguir, apresen- to esses padrões, seus respectivos critérios de análise e exemplos ilustrativos.20

Padrão (1) – Complemento Adverbial

(a) critérios formais:

(1) constituinte obrigatório;

(2) constituinte selecionado pelo verbo. (B) critérios semântico-funcionais:

(1) valor de modo (parafraseável por desse modo/dessa maneira); (2) função fórica ou dêitica.

os ricos trazem bôa casaca, bom|chapeo, memorias, de brilhan- tes, alfi-|netes de peito, & e &c; o pobre não póde|trajar assim [...] [LRXIX-389/67]

Padrão (2) – Adjunto a Sintagma Verbal

(a) critérios formais:

(1) constituinte facultativo;

(2) possibilidade de ocorrer em contextos de focalização ou de negação frásica.

(B) critérios semântico-formais:

(1) valor de modo (parafraseável por desse modo/dessa maneira); (2) função fórica.

[...] aqui me – | vejo joam Lenta aprezentar os despa – | xos que Vossaexcelencia foi servido mandarlhe | aoque naõ ponho duvi- da pois Vossaexcelencia asim | oordena entregue aRapariga [AI- XVIII-09/47]

Padrão (3) – Predicativo do Sujeito

(a) critérios formais:

(1) constituinte obrigatório;

(2) posição de predicadores adjetivais ou nominais, em esque- mas frásicos formados com verbos copulativos.

(B) critérios semântico-formais:

(1) valor de modo (parafraseável por desse modo/dessa maneira); (2) função fórica ou dêitica.

[...] e a felicidade de vocês seja eterna, assim será também a minha. [CPXIX-18/26]

Padrão (4) – Modificador de Sintagma Nominal

(a) critérios formais:

(1) constituinte facultativo;

(2) localizações possíveis: entre verbo e sn complemento; no interior de sV constituído por locução com verbo principal no particípio; e entre nome e complemento/modificador.

(B) critérios semântico-formais:

(1) valor de modo (parafraseável por desse modo/dessa maneira); (2) função fórica ou dêitica.

em logar da palavra – senão – escrevemos = e não =: e o motivo foi o vêrmos assim escripto em uma carta fidedigna, onde a lettra = s = ficára imperceptivel. [LRXIX-416/76]

Padrão (5) – Modificador de Sintagma Adjetival com função inten- sificadora

(a) critérios formais:

(1) constituinte facultativo;

(2) localização: anteposto a sadj ou sadv;

(3) contiguidade sintagmática possível com o intensificador tão. (B) critérios semântico-formais:

[...] ja cada-um poderia fazer juizo, e di- | zer = eu fui incluïdo = Fuão não foi = Bel- | trão seria ou não = e nas conversações te- | ria alguns dados para agitar esta questão. | mas assim tão gene- ricamente, senhor Redactor, | é o mesmo que não querer obrigar (obliger) | a ninguem. [LRXIX-391/70]

Padrão (6) – Sinalizador de Mudança da Instância Discursiva

(a) critérios formais:

(1) constituinte facultativo; (2) associação com o verbo;

(3) localização: posposto ou anteposto ao verbo. (B) critérios semântico-funcionais:

(1) valor de modo (parafraseável por desse modo/dessa maneira); (2) função fórica.

(3) sinalização de mudança da instância discursiva.

Tinhamos aceitado o terreno unico ferido pelo estado que assim se definiu: “não era folha official[...]”. [LRXIX-531/110]

Padrão (7) – Marcador Discursivo

(a) critérios formais:

(1) constituinte facultativo;

(2) localização: pós-elementos juntivos diversos ou em contex- tos sintáticos diversos (abertura contextual).

(B) critérios semântico-formais:

(1) indicador de expressividade do conteúdo apresentado, ou de referência ao metadiscurso, ou marcador de atenuação;

(2) esvaziamento do valor de modo. (3) função fórica.

[...] (você)... coloca... éh duas colheres de... acHocoLaTa- Do... uma lata de LeiTe conDensaDo e uma colher... de manteiga e faz... só que assim eu gosto de co/ aí eu gosto de comê(r) ele mole[...] [AC-056/RP407]

né? que agora fechô(u)... éh:: onde tinha:: umas meninas assim como (posso) dizê(r)? FÁceis né? ((risos))... [AC-049/NR003] [...] até essa (praia) (num) dá uns... cem metros assim de d/ despenhade(i)ro [AC-051/DE112]

[...] num esqueço aquele céu a/ aquele:: maR aZUL... cristaLi- no com aqueles pe(i)xinho assim... foi muito bonito[...]. [AC- 051/DE108]

as análises apresentarão, em cada padrão de uso do item assim, no domínio da junção e fora dele, ocorrências que contemplem os critérios formais e semântico-funcionais elencados, de forma a apre- sentar, num primeiro momento, exemplos prototípicos desses usos. a esses exemplos, seguirão as ocorrências que se afastam do centro de prototipicidade, revelando traços distintos e caracterizadores de contextos ambíguos, capazes de denotar a fluidez existente entre es- ses padrões e explicitar o caminho de mudança percorrido pelo item. Dessa forma, todo o percurso analítico-descritivo será pontuado por considerações acerca do desenvolvimento gramatical das funções desse item de acordo com os pressupostos da gR.

embora a frequência de emprego do item em relação aos padrões elencados não seja tomada como fator principal para a caracterização de seus usos como prototípicos ou não prototípicos, serão realizados apontamentos relacionados a ela para melhor fundamentar determi- nadas afirmações.

“Para onde olhar...”

a partir de um panorama que inviabiliza a visão dicotômica e estanque de língua falada versus escrita, ou que inviabiliza a visão de uma dicotomização ainda que metodológica acerca dessas con- cepções, por meio da adoção da noção de heterogeneidade consti- tutiva dos textos, foram destacadas as características de cada TD que compõe os corpora deste trabalho, especialmente seus aspectos linguístico-discursivos e suas condições de produção.

assim, a proposta deste capítulo foi direcionar o olhar sobre os textos constitutivos das amostras que serão analisadas, de modo a depreendê-los como caracterizados por aspectos distintos e tradicio- nais. mais do que isso, procurei apresentar o universo da pesquisa, mediante a aplicação do conceito de TD, abarcando, à sua luz, tanto o que se conhece como gêneros textuais, quanto o que é identificado como tipos textuais, da mesma forma como considerei a possibili- dade de uma TD, tal como a carta, por exemplo, abarcar outras TDs, conforme a organização proposta para esse conjunto de texto, exposta no Quadro 4.1.

neste capítulo, além das indicações sobre os procedimentos metodológicos básicos, destaco os textos como característicos de determinadas TDs, sem, para tanto, focar o olhar sobre diferentes modalidades, mas, imprescindivelmente, sobre diferentes modos de enunciação, que permitem, assim, a constatação do modo heterogê- neo de constituição da língua. É a partir dessa maneira específica de enxergar o material que a análise de assim e formas correlatas será realizada no capítulo seguinte.

ANÁLISE

DE

ASSIM

E

FORMAS