TERMAL TURİZM İŞLETMELERİNDE MÜŞTERİ SADAKATİNE ETKİ EDEN FAKTÖRLER
2.1 TERMAL TURİZM İŞLETMELERİNDE MÜŞTERİ SADAKATİNE ETKİ EDEN İŞLETME İÇİ FAKTÖRLER
2.1.2 Hizmet Kalites
2.1.2.5 Hizmet Kalitesini Belirleyen Faktörler
2.1.2.5.2 Hizmet Operasyonları
O presente capítulo tem como objetivo apresentar as transformações espaciais e os projetos urbanos, implementados ao longo da década de 1970 até os primeiros anos de 1980, pautados sob o discurso e a ideia de “humanização” da cidade, os quais consolidaram Curitiba como “modelo” e “vanguarda” em planejamento urbano.
O capítulo está organizado em três momentos históricos conjuntamente articulados: primeiro, O futuro da Metrópole em discussão; em sequência, O Instituto de Pesquisa e
Planejamento Urbano de Curitiba – IPPPUC; e, por fim, O plano urbano (in) viabiliza a humanização da cidade.
A primeira parte, O futuro da Metrópole em discussão, contextualiza os debates ocorridos na década de 1960 e centralizados em temáticas pertinentes ao desenvolvimento urbano de Curitiba, as limitações do Plano Agache (1943) para o referido período, a elaboração do plano preliminar de urbanismo para Curitiba e a realização do evento Seminário
Curitiba de Amanhã (1965). O objetivo é destacar os interesses envolvidos nos debates sobre
o novo plano diretor, os posicionamentos dos participantes sobre a cidade naquele momento, as expectativas quanto às oportunidades futuras e a influência na definição das diretrizes, particularmente, no que se refere ao desenvolvimento imobiliário e urbano.
Em seguida, sob o título O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba – IPPPUC, será dedicada à história da formação do IPPUC, enfatizando sua importância
enquanto instituição centralizadora das decisões e das propostas no âmbito dos projetos, bem como pelo detalhamento e implementação do plano diretor.
Por fim, a terceira parte, O plano urbano (in) viabiliza a humanização da cidade, busca identificar, localizar e caracterizar os principais projetos desenvolvidos sob o discurso da “humanização da cidade” e implantados ao longo das décadas de 1970 e 1980. Objetiva-se também compreender a importância do imaginário da “cidade humanizada” e as implicações ideológicas no sentido de legitimar as intervenções frente aos interesses coletivos. A discussão articula-se em torno de dois questionamentos centrais: existiria um modelo de cidade idealizado ou como referência? O IPPUC seria parte desse projeto como instrumento de “humanização” ou de instrumentalização do espaço?
Para o desenvolvimento do capítulo foram utilizadas diversas fontes: jornais de circulação diária, documentos da Prefeitura Municipal de Curitiba, do Governo do Estado e projetos desenvolvidos pelo próprio IPPUC.
70 Em relação aos jornais, sobressaem os periódicos de circulação local, Diário da Tarde,
Gazeta do Povo e O Estado do Paraná; e também aqueles de abrangência nacional, como O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, examinados, aqui, justamente por representarem
o principal veículo de comunicação e por acompanharem as discussões sobre a cidade ao longo do período estudado.
Entre os documentos pertencentes à Prefeitura Municipal de Curitiba destacam-se Decretos Municipais, publicações da administração pública e os cadernos denominados
Curitiba uma experiência em planejamento urbano (PREFEITURA MUNICIPAL DE
CURITIBA, 1975), publicados com o objetivo de divulgar à sociedade o que foi definido como a “filosofia de planejamento da cidade” (GAZETA DO POVO, 03/21/1975). Já no âmbito da administração estadual, destaca-se o Plano de Desenvolvimento do Paraná. (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 1963).
Em relação às fontes de pesquisa relacionadas planejamento urbano de Curitiba, ressalta-se a série de cadernos publicadas sob o título Memória de Curitiba Urbana (IPPUC, 1989-1992), contendo depoimentos de técnicos envolvidos com o planejamento da capital, além dos planos e projetos desenvolvidos no período: Plano Diretor de Curitiba 1966 (IPPUC, 1966), Plano de Revitalização do Setor Histórico de Curitiba (IPPUC, 1970), Plano de
Recreação (IPPUC, 1974) e Plano Diretor do Parque do Iguaçu (IPPUC e SERETE, 1973), Política Habitacional de Interesse Social: Plano de Desfavelamento. (IPPUC, 1976), Plano Preliminar de Urbanismo de Curitiba (SERETE e WILHEIM, 1965), Estudo de viabilidade econômica de saneamento e urbanização dos parques Barigui e São Lourenço (SERETE,
1972), entre outros.
Colaboram com a análise autores de trabalhos que abordaram especificamente o tema do planejamento urbano de Curitiba como Faraco (2002), Dudeque (2005), Dennison de Oliveira (2000), Elda Rizzo de Oliveira (1994), Silva (2000), Moura (1994, 2009 e 2014), Firkowski (2001 e 2014), Polucha (2010), Albuquerque (2007), Pilotto (2010), Menezes (1996), Namur (1992) e Sanchez (1993, 1997, 2009 e 2010).
71 2.1 O FUTURO DA METRÓPOLE EM DISCUSSÃO
A década de 1960 foi significativa na história do planejamento urbano da capital paranaense, contexto particularmente marcante em razão de acontecimentos como a elaboração do Plano Preliminar de Urbanismo (1965), a apresentação pública do novo plano no Seminário Curitiba de Amanhã (1965) e a criação do Instituto de Pesquisa e Planejamento
Urbano de Curitiba – IPPUC (1965), através da Lei Ordinária n° 2660/1965.
Na perspectiva de muitos técnicos, planejadores, autoridades municipais e estaduais, além da prefeitura e do próprio IPPUC, o histórico Plano Agache de 19431, apesar de seus avanços e contribuições à época - notabilizado pelas propostas de zoneamento, padrões construtivos, orientações sanitaristas e higiênicas, definição de área administrativa, industrial, militar, esportiva e universitária (IPPUC, 2004, p.20) - não mais correspondia, seja em termos conceituais e práticos, com a realidade da capital; então marcada pelo crescimento populacional, aumento vertiginoso do número de novas construções e das atividades econômicas locais, entretanto, contanto com limitada infraestrutura no que se refere ao saneamento, rede de abastecimento de água, transporte, indústria, habitação e lazer:
A Capital cresce rápido, mas sem estrutura
O processo de urbanização, um dos aspectos econômicos mais profundos deste século, associado ao próprio desenvolvimento do Paraná, foi o fenômeno de maior importância para o rápido crescimento de Curitiba. A deficiência, durante um longo período, da rede de energia elétrica, de ligações rodoviárias e de telecomunicações e a integração econômica insuficiente com o Norte do Estado são alguns dos motivos que explicam essa defasagem.
Tornava-se imprescindível adequar a cidade à sua expansão. Era necessário rever o Plano Agache, que previa um desenvolvimento para Curitiba semelhante àquele ocorrido nas cidades europeias.
O planejamento integrado da Capital não podia mais ser adiado. (IPPUC, 1985, p.07).
Entre os aspectos que realçavam o antagonismo e mesmo a “incompatibilidade” entre a parte conceitual do Plano Agache (1943) e a realidade de Curitiba de 1965, destacavam-se aqueles relacionados aos limites estabelecidos para a expansão e o desenvolvimento da própria urbe. Em 1940, época em que foi elaborado o plano, a capital apresentava população de 140.656 habitantes, passando, posteriormente, para 361.309 habitantes no ano de 1960. (IPPUC, 2009, p. 39). Segundo estudos divulgados através da imprensa no ano de 1965, estimava-se um crescimento significativamente acentuado para as próximas décadas, mencionando-se, de forma não menos alarmista, que em 1990 Curitiba "terá mais de 2.200.000 habitantes" (DIÁRIO DA TARDE, 07/07/1965, p.08; GAZETA DO POVO, 07/07/1965, p.04). Tal conjectura, ao prever o crescimento populacional, urbano e econômico
72 em uma cidade com limitada infraestrutura e com uma legislação que inviabilizada a sua expansão, contribuiu, efetivamente, para que o referido plano fosse percebido como “inadequado” e “infuncional”:
A enorme taxa de crescimento anual de Curitiba - típica de cidade latino americana - tornou infuncional o Plano Agache, que previa uma organização concêntrica, ao estilo europeu, dentro de um esquema de radiais e perimetrais. O Plano Agache, razoável na época em que foi elaborado... tornou-se inadequado, surgindo daí a necessidade de se traçarem novas diretrizes. (DIÁRIO DA TARDE, 07/07/1965, p.08).
Nesse sentido, Dudeque (2005, p.98) destaca que “o Plano Agache era centrípeto: fechava a urbe sobre si-mesma, numa área pré-determinada, e adensava os edifícios e as pessoas à medida que se aproximava do centro”. Enquanto a cidade estava envolvida pela monumental Avenida Perimetral AP-3, o núcleo central, por sua vez, considerado a área mais importante, apresentava seus limites precisos de expansão na Avenida Perimetral Zero (Figura 00), definindo, assim, uma área fixa para o crescimento da cidade:
...a delimitação territorial restringia a área urbana ao interior de uma avenida perimetral (a AP-3)... o centro urbano era estático, restrito no interior de outra Avenida Perimetral Zero (AP-0), e equivalia, em termos gerais, ao que havia sido desde os primórdios de Curitiba... (DUDEQUE, 2005, p.100).
O Plano Agache ou Plano de Urbanização de Curitiba (Figura 01 e Figura 02), apresentado oficialmente em 1943 e que perdurou de certa forma até início da década de 60, tinha como objetivo orientar o desenvolvimento urbano, o que refletia interesses em ampliar as possibilidades de investimentos na produção imobiliária. (SILVA, 2000, p. 62). Contudo, o plano demonstrara-se incapaz de mudar a tendência de concentração espacial, o adensamento em áreas com ruas estreitas e o deslocamento da população, notadamente a classe-média, para áreas distantes do centro, o que “exigia maiores investimentos em infraestrutura, e implicava em elevação constante dos custos de implantação de melhorias e de conservação do capital social existente” (SILVA, 2000, p. 125).
O plano também apresentava dificuldades para garantir e proporcionar uma ocupação mais “racional” do espaço nas décadas posteriores a 1940:
Não existia uma relação entre as políticas urbanas e a habitação que equilibrasse a ocupação das áreas com infraestrutura antes de expandir as construções para as áreas desequipadas. Os adensamentos estavam espalhados e entre eles se formavam muitos vazios urbanos. As reclamações dos moradores declaradas na imprensa, baseavam-se em dois pontos que denotam a especulação imobiliária. O primeiro era a falta de manutenção da infraestrutura nos bairros onde o valor dos imóveis era baixo e o segundo era a denúncia dos terrenos baldios que serviam como depósitos de lixo e abrigo de pessoas sem moradia. A situação da cidade em 1943, descrita pelo Plano de Urbanização de Curitiba, era a mesma, só que na década de 1960, a população tinha dobrado e os problemas continuavam recebendo tratamento paliativo. (SILVA, 2000, p. 135).
73 FIGURA 01
Plano Agache (1943): destaque para o conjunto de avenidas perimetrais. Fontes: PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA, 1943;
http://curitibaemdados.ippuc.org.br/Curitiba_em_dados_Pesquisa.htm Dados editados pelo autor
FIGURA 02
Esquema do Plano das Avenidas da Cidade - Plano Agache (1943) Fonte: http://curitibaemdados.ippuc.org.br/Curitiba_em_dados_Pesquisa.htm
74 Estas delimitações relacionadas a um plano urbano elaborado a mais de vinte anos atrás, época em que o país ainda estava sob o regime político do Estado Novo, representaram inconvenientes ao desenvolvimento urbano no contexto da década de 1960, justamente por não oferecer uma perspectiva convincente ou uma alternativa para a expansão da cidade e para a apropriação de novos espaços de forma racional e funcional. Era como se o plano não mais apresentasse capacidade “adequada” em compatibilizar produção imobiliária, expansão urbana e infraestrutura em um contexto onde a cidade crescia rapidamente ao longo da década de 60 e, num futuro próximo, despontava como metrópole. Tais preocupações, somadas com a crescente insatisfação da parte da própria população pelos serviços públicos defasados, contribuíram para estimular e acirrar o clima de discussões que fervilhava na imprensa local a respeito dos “problemas urbanos”, os quais aludiam à falta de áreas verdes e espaços de lazer, ao limitado sistema de esgotos e rede de água potável, estrangulamento do sistema de transporte e de circulação, proliferação de loteamentos “clandestinos” entre outras questões:
Não é possível admitir o crescimento desordenado da cidade, possibilitando, ainda, que os reclames da população não sejam atendidos pelos poderes públicos. A verdade é que, sem a disciplina de um plano urbanístico, a cidade sofre, até hoje, o crescimento sem os necessários requisitos de urbanismo, não só dos seus principais bairros, como do próprio centro da cidade. A ausência de disciplina do crescimento da urbe incentivou uma série de irregularidades, cujas consequências ainda hoje sofre a Capital paranaense: ruas abandonadas, pela ausência de calçamento, ou asfalto, água, iluminação elétrica e tantos outros reclames, além da falta de alinhamento. (GAZETA DO POVO, 07/07/1965, p.03).
Em 1964, período marcado pelas discussões sobre o futuro da cidade, a Prefeitura Municipal, através do Departamento de Urbanismo e com a garantia de financiamento pela
Companhia de Desenvolvimento do Paraná - CODEPAR, lançou concurso para propostas
destinadas à elaboração de diretrizes de um novo plano urbano, o Plano Preliminar de
Urbanismo da Cidade de Curitiba. Para a realização do concurso, o “Departamento de
Urbanismo expediu cartas-convite a firmas escolhidas dentre as que prestam serviços à CODEPAR e outras, todas elas especializadas em planejamento" (IPPUC, 1966, p. 15), para o qual inscreveram-se para a seleção as seguintes empresas: Assessoria em Planejamento – ASPLAN, M.M.M. Roberto Arquitetos, Sociedade para Análises Gráficas e Mecanográficas
Aplicadas aos Complexos Sociais - SAGMACS, Urbanismo e Planejamento – URPLAN, Sociedade Serete de Estudos e Projetos Ltda. e Jorge Wilheim Arquitetos Associados, e Companhia de Urbanização e Saneamento de Curitiba - URBS. Em dezembro de 1964, a
75 espírito e dos propósitos da solicitação do edital de concorrência (carta convite) é a firma SOCIEDADE SERETE DE ESTUDOS E PROJETOS LTDA" (IPPUC, 1966, p. 22).
Dois meses mais tarde, em 09 de fevereiro de 1965, "foi firmado contrato entre" SERETE e CODEPAR, com vista a "definitiva elaboração do Plano Preliminar de Urbanismo" (IPPUC, 1966, p.25). Em seguida iniciaram-se os trabalhos voltados à elaboração do plano, realizado conjuntamente entre “SERETE e o grupo de acompanhamento da Prefeitura Municipal de Curitiba, através de seminários quinzenais" (IPPUC, 1966, p.29). Em julho de 1965 a imprensa noticiava os resultados dos intensos trabalhos desenvolvidos:
ENTREGUE A PREFEITURA O PLANO PRELIMINAR DE URBANISMO - CURITIBA ATÉ 1990
Quatro meses de trabalho intenso, cerca de trinta profissionais, de Curitiba e de S. Paulo, diretamente envolvidos, 60 pranchas gráficas, 250 fotografias, um relatório de 400 páginas abrangendo desde a análise da situação até a minuta do texto de lei, tudo isso é o significado do plano preliminar urbanístico ora entregue
O trabalho foi elaborado pela Sociedade Serete de Estudos e Projetos Ltda.... Este importante estudo foi contratado pela Codepar em decorrência de uma concorrência pública para a qual foram convidadas 6 (seis) equipes dentre os mais renomados profissionais brasileiros. Com este investimento a Codepar objetivava ao mesmo tempo fornecer a Capital do Paraná um instrumento indispensável ao planejamento de seu futuro e obter para seus investimentos locais uma garantia de se localizarem adequadamente. Por adequação entendia-se propiciar a fixação de número crescente de indústrias de molde a oferecer empregos, sem piorar as condições de transporte, de habitação e de vida em geral. (O ESTADO DE SÃO PAULO, 04/07/1965, p.27).
O plano elaborado pela SERETE estava organizado em quatro capítulos principais, ricamente detalhados e documentados: Análise da Situação, Propostas do Plano Preliminar,
Estrutura Proposta para a elaboração do Plano Diretor e, por fim, Programa de Ação. Em
relação às novas diretrizes propostas para Curitiba, destacavam-se:
crescimento linear de um centro servido por vias tangenciais de circulação rápida, hierarquia de vias, desenvolvimento preferencial da cidade no eixo nordeste-sudoeste conforme tendências históricas e espontâneas, policentrismo, adensamento, extensão e adequação das áreas verdes, caracterização de áreas de domínio de pedestres, criação de uma paisagem urbana própria. (SERETE, 1965).
Dentre as propostas inovadoras, destacava-se a ideia de crescimento linear a partir de vias dispostas tangencialmente ao centro, a Via Estrutural Norte e a Via Estrutura Sul, possibilitando a expansão da cidade (Figura 03), diferenciando-se do “modelo tradicional de crescimento radiocêntrico” (IPPUC, 2004, p.24) proposto pelo Plano Agache de 1943.
76 FIGURA 03
Esquema do sistema viário proposto pelo Plano Preliminar de Urbanismo (1965) Fonte: http://curitibaemdados.ippuc.org.br/Curitiba_em_dados_Pesquisa.htm
As propostas foram apresentadas ao público e discutidas através do Seminário Curitiba
de Amanhã, evento organizado pela Prefeitura Municipal ao longo do mês de julho de 1965,
período denominado também como Mês do Urbanismo. Logo em seguida, através do Decreto 1000/65, o prefeito também abriu inscrição para que outros planos preliminares fossem apresentados em algum momento do evento, tendo como objetivo promover um caráter "ainda mais democrático aos debates em torno da implantação de um Plano Diretor em Curitiba" (IPPUC, 1966, p.37); permitindo aos demais técnicos interessados, também apresentassem suas contribuições e pareceres ao novo plano urbano.
De acordo com o cronograma estabelecido no regulamento do Seminário Curitiba de
Amanhã, as sessões iniciavam-se às 20hs nas seguintes datas e locais: dia 09 no Instituto de
Engenharia do Paraná, dia 13 na Associação Comercial do Paraná, dia 16 na Sociedade Operária Beneficente D. Pedro II, dia 20 na Sociedade Cultural Ahú e nos dias 23, 27 e 30 de julho na Reitoria da Universidade do Paraná. (IPPUC, 1966).
77 A realização de um seminário público para debater o novo plano urbano representou um evento sem precedentes na história de Curitiba. A imprensa, de modo geral, registrou elogios e comentários positivos em relação à iniciativa da prefeitura, salientando, ainda, a importância do evento em reunir diversos segmentos sociais, como técnicos, autoridade, instituições, entidades de classe e a própria população, para discutir as propostas que alterariam o futuro da cidade:
O Plano Urbanístico da cidade, mandado elaborar pela Prefeitura, será motivo de vários debates por parte de várias classes, inclusive dos associados do Instituto de Engenharia do Paraná. Trata-se, sem dúvida de uma iniciativa louvável, porque proporcionará, numa fórmula democrática, o exame da situação urbanística da Capital, sem reexame, depois da implantação do Plano Agache. Assim, não só as entidades científicas, como as de classe, terão oportunidade de se manifestar sobre os planos que pretende o Governo da Capital introduzir na futura metrópole paranaense. Não se pode negar a importância dessa iniciativa, tendo em vista que reclama a cidade, pelo seu desenvolvimento, de um plano que atenda ao seu surto de crescimento. (GAZETA DO POVO, 07/07/1965, p.03).
Na primeira sessão, dia 09 de julho, participaram as seguintes instituições: Instituto de Arquitetos do Brasil, Instituto de Engenharia, Escola de Engenharia, Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, Sindicato dos Engenheiros, Sindicado da Indústria da Construção Civil, Associação dos Engenheiros Agrônomos, Associação dos Engenheiros Químicos, Associação dos Engenheiros da Rede de Viação Paraná Santa Catarina e a imprensa. A segunda sessão, dia 13, contou com a participação da Federação do Comércio, Associação Comercial do Paraná, Federação do Comércio Varejista, Federação das Indústrias e a imprensa.
As sessões dos dias 16 e 20 de julho estavam voltadas, respectivamente, às sociedades beneficentes da Zona Sul e Norte, sindicatos dos trabalhadores e para a imprensa. Na sessão do dia 23, participaram as seguintes entidades: Associação Cristã Feminina, Magistério, profissionais liberais, entidades desportivas e culturas, diretórios acadêmicos, clubes de serviço, associações cívicas e imprensa. No dia 27 participaram órgãos públicos, autarquias, sociedades de economia mista, empresas concessionárias de serviços públicos e imprensa. Por fim, a última sessão do seminário, realizada no dia 30, envolveu setores institucionais como Governo do Estado, Magistratura e Ministério Público, Corporações Militares, Entidades Religiosas e Imprensa. (IPPUC, 1966).
Ao final do seminário, a imprensa divulgou o sucesso e a importância das conferências e das atividades no sentido de “esclarecer o povo” e as diversas categorias sociais, políticas e econômicas presentes sobre a urgência de um novo plano urbano para a capital. (GAZETA DO POVO, 03/08/1965, p.03). Para as autoridades participantes, bem como para parte considerável dos técnicos, o evento possibilitou debater “democraticamente” as propostas
78 para a cidade, demonstrando, na visão da prefeitura e dos grupos envolvidos, o apoio unânime aos futuros trabalhos de intervenção.
Contudo, o Plano Preliminar de Urbanismo (1965) não deixou de receber oposição por parte de técnicos que participavam do evento. Um dos autores do denominado Plano
alternativo (MONTEIRO, 1991, p.72), uma outra proposta de plano urbano elaborada à cidade
e que também foi exposta no início do Seminário Curitiba de Amanhã, questionou, durante a realização do evento, as propostas da SERETE:
SESSÃO DE ABERTURA
Em obediência ao roteiro estabelecido para apresentação, divulgação e debates do Plano Preliminar de Urbanismo, o Instituto de Engenharia do Paraná serviu de palco a primeira sessão.
Naquela oportunidade, um dos pontos mais abordados foi aquele referente à rigidez do Plano em exposição, surgindo, daí, debates de grande valia para a elaboração do Plano definitivo.
Perguntou, na ocasião, o Dr. Onaldo Pinto de Oliveira:
- "Todo zoneamento que ilha parte da superfície urbana cria zonas típicas, a cidade não é homogênea, possibilitando ainda o privilégio e a estratificação social; julgamos o procedimento proposto tendenciosamente anti- democrático". (IPPUC, 1966, p. 39).
Em resposta ao referido questionamento, exposto durante a sessão de abertura, um dos defensores da proposta da SERETE destacou que "o plano é preliminar; não é um plano rígido... e não nós parece que o simples fato de uma zona ter menor ou maior densidade, vai ter menor ou maior conforto; dependendo da maneira como ela será equipada" (IPPUC, 1966, p. 39).
Sobre a diversidade de opiniões sobre as opções para o desenvolvimento urbano e as divergências conceituais presentes durante o evento, Monteiro (1991) relata que:
Quando ocorreu a apresentação dos trabalhos no Clube de Engenharia, coube a nós expor em primeiro lugar. Havia uns 500 engenheiros. Em nenhum momento do debate houve confronto entre as ideias, o que nos foi gratificante. No dia seguinte foi a apresentação do plano Serete. Logo no início, quando se justificavam as primeiras ideias, Onaldo se levantou e fez severas críticas, criando uma situação muito incômoda e desgastante para a