Por meio do mapa de declividade (Figura 25) é possível, dentre outras coisas, visualizar a inclinação das encostas da área de estudo. Foram consideradas cinco classes de declividade, descritas na Tabela 13.
Tabela 13 – Classes de declividade.
Classe de Declividade Risco Área (Km2) Área (%)
A (0% - 3%) Plano/praticamente plano Muito baixo 210,30 14,70
B (3% - 8%) Suavemente ondulado Baixo 778,04 54,37
C (8% - 12%) Ondulado Moderado 280,84 19,62
D (12% - 20%) Fortemente ondulado Alto 118,56 8,28
E (>20%) Montanhoso Muito alto 43,30 3,03
Como apresentado na Tabela 13, verifica-se que a maior parte da bacia apresenta declividades entre 3% - 8% (suavemente ondulado), que correspondem a 54,37% da área da bacia; em grau de abrangência menor, encontram-se declividades de 8% - 12%, em 19,62%, e as declividades de 0% - 3%, em 14,70% da área da bacia. As áreas mais declivosas encontram-se nas proximidades do Monte Dómué (12% – 20%) e as maiores que 20% podem ser encontradas no centro e no norte da bacia hidrográfica do Rio Lifidzi. Segundo Lepsch et al. (1991), as áreas com declividades acima de 8% apresentam problemas significativos de erosão laminar.
As classes de declividades D e E estão associadas às áreas locais de relevo fortemente ondulado a dissecado do norte da bacia. São altamente vulneráveis à erosão e inadequadas para qualquer utilização agrícola, com excecão de silvicultura e de áreas de proteção. Se essas áreas forem associadas a quaisquer outros tipos de uso da terra, podem ocorrer grandes danos relacionados à erosão nas vertentes e, consequentemente, à bacia como um todo, devido ao seu elevado grau de vulnerabilidade aos processos erosivos.
No que diz respeito ao relevo da bacia do Rio Lifidzi (Figura 26) pode-se destacar as formas de relevo representadas na Tabela 14.
Tabela 14 – Relevo na Bacia do Rio Lifidzi.
Tipo de Relevo Risco Área (km2) Área (%)
Relevos suaves e compartimentados Muito baixo 409,14 28,30 Fundo e vertentes dos vales sem aluviões típicos Baixo 124,65 8,62 Relevos estruturais altos e compartimentados Moderado 550,25 38,06
Maciços erosivo-desnudados Alto 275,97 19,09
Relevos sieníticos Muito alto 85,82 5,94
Figura 26 – Relevo da Bacia Hidrográfica do Rio Lifidzi.
Nesta bacia hidrográfica, baseando-se na interpretação do mapa geomorfológico produzido por Bondyrev (1983), em função da litologia das rochas, são apresentadas as seguintes formas de relevo: 1) superfícies dos cumes e das cristas; 2) vertentes e vales dos
rios; 3) vulções e coberturas de lavas.
1) Superficies dos cumes e das cristas – neste grupo de morfoestrutura estão incluídos dois tipos genéticos principais: intrusivo-tectônico e erosivo-desnudados. Podem-se destacar:
a) os relevos básicos que são as serras e os maciços intrusivos, que se encontram
no norte e nordeste da bacia hidrográfica e são compostos majoritariamente por gabros, doleritos e raramente por monzonitos. São exemplos o maciço de Domué (2.096 m), as vertentes ocidentais do monte Chirobué (2.021 m), os maciços de Mpepeti (1.795 m) e Camangombué (1.610 m);
b) maciços erosivos-desnudados são compostos na sua maioria de gnaisses,
granito-gnaisses e raramente por xistos. Todas as rochas foram afetadas, em grau elevado, por processos de erosão fluvial e de desnudação (BONDYREV, 1983). O fato das altitudes serem relativamente baixas em relação à média de 1.200 a 1.300 m mostra a influência elevada dos processos de alteração e erosão sobre esta morfoestrutura, o que pode ser explicado pela composição litológica e a textura das rochas. Estes relevos ocorrem na parte norte e noroeste da bacia, próximo do Monte Domué;
c) relevos estruturais altos e compartimentados – este grupo de morfoestrutura está amplamente representado na bacia hidrografica do Rio Lifidzi (38,06%) e são constituídos, essencialmente, de granitos gneissicos, quartzitos e migmatitos. Esses últimos podem ser encontrados nas mais variadas combinações. Os relevos estruturais altos e compartimentados encontram-se na parte central da bacia na direção Leste-Oeste. Estes relevos representam blocos isolados, de volume variável, compostos por rochas compridas e dobradas sem nenhuma direção preferencial, o que torna difícil a sua caracterização;
d) relevos suaves e compartimentados – esta morfoestrutura é a segunda mais
representativa da bacia, com 28,30%, e está localizada no sul da bacia, nas zonas periféricas dos sistemas montanhosos mais altos. A litologia desta morfoestrutura está geralmente representada por gnaisses e granito-gnaisses, embora possam ser encontrados biotitos. As altitudes médias oscilam entre
1.100 e 1.200 m.
2) Vertentes e vales dos rios – estas morfoestruturas estão representadas pelos fundos e vertentes dos vales sem aluviões tipícos (8,62%) e estão localizadas no sul da bacia, próximo da confluência do Rio Lifidzi com o Rio Maue. Este tipo de relevo é caracterizado pela existência de rios de zonas montanhosas tectonicamente ativas e de rios de regiões não montanhosas que não tenham uma grande caudal e que corram sob-rochas sólidas pouco sujeitas à alteração química. De maneira geral, não existem aluviões, porém, podem ser encontrados alguns aluviões atípicos, com ausências de conglomerados, cascalhos e areia e de difícil representação em mapas geomorfológicos de pequena escala. Este fato pode estar relacionado com a elevada declividade (20 a 45%), o que não permite acumulação dos aluviões, apesar dos leitos dos rios serem suficientemente grandes (50 – 250 m).
3) Vulcões e coberturas de lavas – nesta morfoestrutura estão representados os relevos sieníticos (5,94%) muito dissecados pelos agentes ativos da erosão. Nas suas vertentes nascem numerosos rios, entre os quais, o próprio Rio Lifidzi, Licange, Save, Nambiriri e Zeze. Esta forma de relevo está mais representada no norte da bacia, no Monte Domué, com altitudes acima de 1.500 m. Esta morfoestrutura é constituída de rochas constituidas de sienitos e por granitos alcalinos (BONDYREV, 1983).
De uma maneira geral, as áreas com altitudes até 1.000 m têm solos pobres a moderadamente férteis, com florestas nativas abertas e localizadas no sul da bacia. Nestas áreas, as culturas de sequeiros mais importantes são o milho, o amendoim e o feijão. Nas áreas altiplanálticas, os solos são pobres a moderadamente férteis, mas, devido ao clima, adaptados a uma variedade de culturas tropicais. A floresta de média densidade corresponde à vegetação natural nativa. Os topos das montanhas que atingem mais de 1.500 m de altitude, como a região do monte Domué, devido à pequena espessura do solo e à declividade do terreno > 45%, não são favoráveis à prática das atividades agrícolas, com exceção para projetos de reflorestamento. As culturas tradicionais de subsistência mais importantes são o milho, a mandioca, o feijão e o amendoim. As culturas com importância econômica são tabaco, batata reno, alho, hortaliças e criação gado (boi, cabra e porco).