1.5. ĀYURVEDA VE TARİHSEL GELİŞİMİ
2.1.6. Hekim Yemini (Śapathā)
O cuidar é algo intrínseco aos seres vivos. Desde que surge a vida, o “tomar de conta”, o instinto de conservação faz com que os seres busquem a manutenção da existência. Os homens, seres vivos racionais, não são diferentes. Pelo contrário, a sua capacidade intelectual busca incessantemente essa conservação.
Collière (1989, p. 28 e 29) afirma que “cuidar é, pois, manter a vida garantindo a satisfação de um conjunto de necessidades indispensáveis à vida, mas que são diversificadas na sua manifestação”. Através desse conceito, a autora citada revela a necessidade de desenvolver ações para garantir a existência dos seres vivos e que estas são realizadas das mais diferentes formas. Ela afirma ainda que:
Cuidar é um ato individual que prestamos a nós própios, desde que adquirimos autonomia mas é, igualmente, um ato de reciprocidade que somos levados a prestar a toda pessoa que, temporária ou definitivamente, tem necessidade de ajuda para assumir as suas necessidades vitais (...) (p.235-236)
Sabe-se que a enfermagem tem papel importante na atenção à saúde dos indivíduos, fato este plausível de ocorrer por ela ter como objeto de estudo e prática o cuidado humano. De acordo com Waldow, Lopes e Meyef (1995) o cuidado humano envolve valores que priorizam aspectos como amor, paz, respeito e liberdade entre o assistente e o assistido, e que deve considerar as particularidades e a realidade da prática, principalmente no Brasil. Ela afirma ainda que não é o sujeito e o objeto do cuidar/cuidado o diferencial entre as profissões de saúde, mas a forma como cada ser expressa o cuidar/cuidado. A relação entre a enfermagem e o cuidar/cuidado vem sendo estabelecida antes mesmo desta ciência ser considerada profissão.
Segundo Rossi (1991), o cuidado é algo que faz parte do ser humano,e que ao longo da história, devido as desigualdades de sexo, era uma atribuição predominantemente feminina, tendo em vista as condições culturais estabelecidas pelos valores da sociedade quanto à divisão de tarefas. Até o século XVII, o cuidar era uma prática domiciliar. Quando era necessário isolar o doente, excluindo-o da sociedade esta prática era remetida aos hospitais, e quem desenvolvia essa assistência eram as irmãs de caridade ou mulheres marginalizadas pela sociedade, como se fosse uma representação do trabalho doméstico e com um caráter de filantrópico e de caridade.
Após esse período, com o advento das idéias modernas, desenvolve-se a ciência e juntamente com ela o curar. Este curar surge como uma intervenção na doença do indivíduo, através do saber médico, e juntamente a este processo emerge o ambiente hospitalar como espaço de vigilância atrelado a necessidade de um cuidar controlado pelo curar.
Collière (1989, p.32) refere que frente ao problema da vida e da morte, o cuidar torna- se tratar de doença, e para isso é necessário pessoas para assegurar a investigação e o tratamento da doença. A partir disso, a enfermagem inicia sua construção enquanto ciência e profissão. Surge inicialmente muito ligada ao papel mulher-enfermeira, auxiliar do médico, que lentamente foi se distanciando do desenvolvimento das ações ligadas a valores morais e religiosos e adaptando-se ao modelo biomédico. Nessa perspectiva, focaliza-se na doença, separando de relações como corpo e espírito, homem e meio, deixando de lado fatores como condições de vida e os anseios dos indivíduos.
Mas ao longo dessa caminhada, a enfermagem passou a buscar sua identidade, a interrogar-se quanto à natureza dos seus cuidados para compreender o seu processo de
trabalho, suas atribuições e competências. A busca pela formação, pelo conhecimento científico, faz com que esses profissionais passem a construir seu corpo de conhecimento e campo de atuação independente da prática de outros profissionais de saúde.
Nesta construção, percebeu-se a necessidade de agregar elementos que no passado foram deixados de lado, para assim fortalecer o processo de cuidados de enfermagem. Esses elementos seriam o conhecimento, a tecnologia e as crenças e valores (COLLIÈRE, 1989).
O conhecimento enquanto necessidade de se adquirir informações tanto do indivíduo a ser cuidado como dos meios para o exercício desse cuidado. O indivíduo não é unicamente o corpo, mas o meio que o rodeia, o seu grupo familiar, a sua condição de vida, a sua linguagem, a sua cultura. Para prestar um cuidado adequado, o enfermeiro precisa deter o conhecimento científico sobre o problema ou a situação que envolve o indivíduo, para isso é necessário fazer leituras científicas e organizar suas ações na realização do cuidado de forma sistematizada.
A tecnologia é a aplicação dos conhecimentos através de instrumentos aplicados pelos profissionais nos indivíduos envolvidos no cuidado. Esses instrumentos vão desde o uso do próprio corpo do indivíduo, a forma de falar do profissional e o modo de resolver as situações, até os equipamentos de última geração.
As crenças e os valores dos indivíduos assistidos são elementos importantes que por muito tempo foram deixados de lado. Eles são subsídios importantes para fortalecer o conhecimento do profissional e promover o desenvolvimento dos cuidados de forma adequada, levando o necessário ao enfermeiro para compreender esses elementos, pois caso isso não ocorra a linguagem entre profissional e o indivíduo não será realizada e a mensagem não será transmitida. Ainda sobre o processo de cuidar pelo enfermeiro, Collière (1989) complementa afirmando que,
Os hábitos de vida e as crenças constituem elementos de pemanência, de estabilidade do grupo. São um referente de segurança, garantindo o sentimento de pertença, permitindo constituir uma identidade através de maneiras de proceder, que determinam maneiras de se situar, de se identificar. (p.274)
Hoje se sabe que a o cuidar de enfermagem é muito mais que auxiliar no tratamento de uma doença e sua prática ultrapassa algo fechado ou rígido. Os cuidados de enfermagem são parte de ações maiores e mais complexas que atende o indivíduo em sua integralidade, evitando uma visão fragmentada do mesmo. Esses cuidados aplicam-se e estão presentes em várias áreas, seja na saúde pública, seja em domicílio ou no hospital, e tem como alvo a vigilância em saúde das pessoas, valorizando as suas relações interpessoais, seus hábitos,
condições de vida e suas situações de saúde. E o cuidar de enfermagem realizado no ambiente natural dos indivíduos, ou seja, em seu contexto diário, no seu domicílio, tem sido cada vez mais valorizado.