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Belgede Kredi kartı sözleşmeleri (sayfa 109-114)

B. Üye İşyerinin Yükümlülükleri

5. Harcama Belgesi ve Alacak Belgesi Düzenleme k

As transformações ocorridas na CUT na década de 1990 e consolidadas no início do século XXI determinaram grandemente sua forma de atuação e sua postura diante da contrarreforma do Estado e de diversos outros setores, inclusive determinaram o posicionamento da CUT no período das discussões para contrarreforma da Previdência Social.

Boito Jr. (2005, p. 145-146) chamou atenção para o fato de que

A apologia do mercado e da empresa privada, como espaços da eficiência e da iniciativa inovadora progressista, e a correspondente condenação do Estado e das empresas públicas, como o espaço do desperdício, do burocratismo e dos privilégios, são idéias que ganharam a condição de verdadeiro ‗senso comum‘ difundindo-se e penetrando, de modo desigual e às vezes contraditório, porém largamente, no conjunto da sociedade brasileira, inclusive, portanto, nas classes populares.

Ou seja, os setores mais subalternizados tem se convencido dessa falácia neoliberal difundida aos quatro cantos do país. Até mesmo o movimento sindical sofreu o impacto da ascensão político ideológica do neoliberalismo no Brasil. Porém, Boito Jr. (2005) ressaltou que esse impacto ocorreu de modo distinto no campo pelego e no campo combativo do sindicalismo brasileiro.

Segundo esse autor desde os anos 1930 o movimento sindical brasileiro esteve dividido em dois campos: o campo do peleguismo e o sindicalismo combativo. Os pelegos são resultantes da estrutura sindical corporativa de Estado, composto por dirigentes cuja prática é essencialmente governista. São politicamente conservadores e suas ações vão desde passividade completa até a ação reivindicativa localizada e moderada.

De outro lado, temos as correntes sindicais reformistas ou revolucionárias, com uma orientação reivindicativa mais combativa. ―Estão ou estiveram nele os comunistas, os nacionalistas e, mais recentemente, os cristãos de esquerda e os

petistas. O sindicalismo combativo é, em termos numéricos, minoritário, mas é hegemônico nos sindicatos mais importantes do país‖ (BOITO JR., 2005, p. 149).

A CUT desde sua criação em 1983 fez parte desse sindicalismo combativo. Tanto é que desde o seu congresso de fundação até o seu terceiro congresso em 1988 foi consolidando uma plataforma de transformações econômicas e sociais antagônica à política de desenvolvimento do Estado brasileiro, além de intervir de modo ativo na luta pela democracia.

Em todos os primeiros congressos da CUT, apesar dessa plataforma não ser levada inteiramente para a ação prática, foram se afirmando palavras de ordem, referentes à economia e à política social, tais como: ―não pagamento da dívida externa, estatização do sistema financeiro, estatização dos serviços de saúde, da educação e do transporte coletivo, reforma agrária sob controle dos trabalhadores, contra a privatização das estatais‖ (BOITO JR., 2005, p. 154).

Como identificamos no primeiro capítulo a CUT organizou nesse período campanhas nacionais e internacionais e também greves gerais de protesto contra a política econômica do governo. Desse modo, pode-se afirmar que a estratégia sindical da CUT no período anterior à ofensiva neoliberal foi baseada em constante oposição ao desenvolvimento do Estado brasileiro em bases neoliberais. Era nítido que a ação não se esgotava nas lutas por melhores salários e condições de trabalho, mas, apontava para a necessidade de alterar o próprio loco de poder que ocupava o Estado.

Entretanto, apesar dessas lutas relevantes, a estratégia sindical cutista ainda contava com muitas limitações.

No plano da ação, a CUT não rompeu com a estrutura sindical corporativa de Estado. A luta salarial nos anos 80 continuou segmentada, de acordo com as categorias profissionais estabelecidas em lei, dentro do calendário de datas-base e voltada, fundamentalmente, para Justiça do Trabalho. Os sindicatos, todos eles partem da estrutura sindical oficial, permaneceram entidades burocratizadas que, usufruindo vantagens aparentes da estrutura sindical (a arrecadação de fundos assegurada pelas taxas sindicais obrigatórias por força da lei e representatividade outorgada pela unicidade sindical), seguiram dispensando o enraizamento junto às bases. A dependência frente ao Estado inibiu a iniciativa da direção cutista (BOITO JR., 2005, p. 156-157).

Boito Jr. (2005) ressaltou que em nenhum momento o movimento sindical lutou pelo rompimento da estrutura sindical corporativa de Estado e isso fez com que

o sindicalismo brasileiro continuasse atrelado ao governo e tivesse suas ações reduzidas como foi o caso da CUT. Permanecendo, ainda, o espaço dos pelegos para minar as lutas dos trabalhadores.

Nesse sentido, a CUT durante alguns anos, pelo menos até a criação das CGTs, foi a única central no país. Entre os anos de 1980/1990 viu-se estruturar dentro das entranhas do governo uma nova central sindical: a Força Sindical45. Giannotti e Lopes Neto (1991) ressaltaram que desde 1985 a corrente sindical denominada ―Sindicalismo de resultados‖ ensaiou os seus passos para ser uma alternativa ideológica à CUT. Tanto no discurso quanto na ação prática a Força Sindical assumiu a defesa aberta das principais idéias e de boa parte das propostas políticas neoliberais, constituindo no que Boito Jr. (2005) denominou de neopeleguismo. Para esse autor

A Força Sindical é uma central pelega. O que a distingue do velho peleguismo varguista é que se trata de um peleguismo a serviço de governos neoliberais reacionários, e não de governos populistas, e numa época em que o movimento sindical brasileiro é mais forte. Por essa razão talvez convenha falar em neopeleguismo (BOITO JR., 2005, p. 149-150). É importante ressaltar que a adesão do campo pelego ao neoliberalismo atende um dos requisitos do neoliberalismo para obter sua hegemonia no Brasil. Isto é, o neoliberalismo ao mesmo tempo é contra as intervenções do Estado nas relações de trabalho porque limita a exploração capitalista, defende a estatização do sindicalismo, visto que limita e tutela a organização dos trabalhadores.

Desse modo, a adesão dos sindicatos ao neoliberalismo reforça a minimização dos direitos, tendo em vista que os sindicatos tendem a agir dentro das amarras do poder.

A CUT, por sua vez, em seus debates teve que preocupar-se com o crescimento dessa central sindical pelega, propondo formas de enfrentamento ao

45 Hoje o número de Centrais Sindicais existentes em nosso país em busca de legalização é grande.

―Algumas são antigas e conhecidas, como é o caso da CUT e da Força Sindical e outras mais recentes, como a União Geral dos Trabalhadores (UGT), que resultou de uma fusão da Social Democracia Sindical (SDS), Central Geral dos Trabalhadores (CGT), Central autônoma dos Trabalhadores (CAT) e parte da Força Sindical, a Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), que reúne parte das federações e confederações oficiais, que defendem a atual estrutura sindical, a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), ligada ao MR8, o Conlutas, ligado ao PSTU, (mas que não se apresenta enquanto central sindical) e mais recentemente, a Confederação dos Trabalhadores do Brasil (CTB) ligada ao PCdoB‖ (FREITAS, 2008, p. 01) Essas são apenas algumas das muitas existentes.

―Sindicalismo de resultados‖ pregado pela Força Sindical. Constituindo um verdadeiro antagonismo dentro do sindicalismo brasileiro.

Além do crescimento de uma central sindical pelega, a CUT, também, foi atingida pelas mudanças ocorridas na conjuntura do final dos anos 1980 e início da década de 1990, no cenário nacional e internacional. No plano internacional destacou-se a desintegração da União Soviética e do bloco dos países sob sua hegemonia, quebrando a divisão dos blocos (socialista e capitalista) que marcou a política internacional ao longo da maior parte do século XX.

Uma demonstração disso esteve presente no IV Congresso Nacional da CUT (CONCUT), realizado em São Paulo, em setembro de 1991, que foi o único congresso desde sua criação, no qual o hino da Internacional não foi cantado em nenhum momento. No período, como, ainda há hoje defensores disso, houve uma ampla proclamação do triunfo do capitalismo, vitória do ―Bem‖ sobre o ―Mal‖ (GIANNOTTI & LOPES NETO, 1991).

Por outro lado, a consagração eleitoral de uma plataforma neoliberal no Governo Collor fez com que a CUT implantasse uma estratégia nova, fazendo concessões à ideologia e à política neoliberal. Boito Jr. (2005) destacou que o período realmente requeria que o movimento sindical recuasse, porque se encontrava ameaçado, porém, isso não significava que o sindicalismo tivesse que abandonar as lutas combativas.

No geral, a intervenção prática do sindicalismo tinha de mudar para uma estratégia sindical defensiva. Era necessário resistir, ponto por ponto, à plataforma neoliberal e à política recessiva a ela associada: assumir, acima de tudo, a defesa dos direitos sociais ameaçados, a defesa do emprego, das empresas públicas e dos setores da economia nacional ameaçados pela desnacionalização. E nesse recuo o sindicalismo deveria procurar ampliar suas alianças, explorando as contradições que viessem a surgir no seio das classes dominantes (BOITO JR., 2005, p. 162).

Essas eram as ações esperadas do sindicalismo combativo, principalmente, da CUT. Contudo, nesse período a vertente majoritária da CUT a Articulação Sindical passou a defender o abandono do ―sindicalismo defensivo‖ dos anos 1980 e a adoção do ―sindicalismo propositivo‖, o qual consiste na proposição de alternativas para todos os problemas importantes da política de desenvolvimento. Essa estratégia saiu consolidada no IV CONCUT. Nesse congresso

A principal questão era se a CUT deveria marchar para ser uma Central de negociação, de contratação apenas ou se deveria combinar seu papel de negociar com sua característica inicial de Central do enfrentamento, do confronto com o projeto global da burguesia. Essa questão não era nada acadêmica, ela se traduzia em decisões concretas de efeito imediato: sentar ou não sentar nas reuniões do Entendimento Nacional, com Governo e patrões? (GIANNOTTI & LOPES NETO, 1991, p. 66-67).

E o sindicalismo propositivo e participativo saiu vencedor. Entretanto, contraditoriamente, o IV CONCUT manteve palavras de ordem típicas dos anos 1980, tais como: não pagamento da dívida externa, reforma agrária, luta contra privatizações, combate à política neoliberal de Collor (BOITO JR., 2005), bem como, a perspectiva de se alcançar o socialismo46.

A decisão da CUT de apresentar propostas de políticas, nos mais diversos setores, marcou a mudança na concepção e estratégia da CUT.

Baseado nessa nova estratégia foi que a CUT passou a produzir ao longo da década de 1990 e também no século XXI documentos com propostas de políticas setoriais – dentre eles para a Previdência Social – e passou a lutar, também, pela formação de fóruns tripartites – governos, associações patronais e sindicatos – e particularmente pela ampliação das câmaras setoriais47 – bloco particular e privilegiado do exercício do sindicalismo propositivo – que ensejaram governo, associações patronais e sindicatos

Em um processo de parceria e de colaboração na gestão de problemas pontuais do setor econômico ao qual a câmara se vincula. Discute soluções para os problemas do setor, dentro dos limites impostos pela política de desenvolvimento (neoliberal) definida e implementada, unilateralmente, pelos monopólios e pelo Estado. Os sindicatos assumem a responsabilidade de contribuir para a resolução dos problemas de varejo das empresas, problemas decorrentes da política neoliberal sobre a qual os sindicatos não foram consultados. Trata-se, portanto de parceria e colaboração entre desiguais (BOITO JR., 2005, p. 230).

Assim, a luta sindical de massa, como aquela das greves nacionais de

46 Essa contradição diz respeito, principalmente, devido há luta de duas vertentes no interior da CUT.

A partir de 1991 a estratégia propositiva foi dominante. Porém, outra ala resistiu a ela. Isso explica, de modo geral, a permanência de um discurso de oposição ao modelo econômico, contradizendo-se ao caráter participativo (BOITO JR., 2005).

47 As câmaras setoriais foram encaradas como alternativas estratégicas pelo sindicalismo brasileiro

dos anos 1990, contudo, ―das 26 câmaras projetadas, a CUT obteve participação em cerca de 14. No final do processo, três lograram estabelecer acordos – a da construção naval, a do setor de máquinas e equipamentos agrícolas e a do setor automotivo. Hoje todas elas estão esvaziadas‖ (BOITO JR., 2005, p. 230).

protesto ou das campanhas contra a política econômica do governo, foi substituída pelo participacionismo (BOITO JR., 2005).

Esse autor ressaltou que até mesmo a concepção e linguagem da CUT mudaram. Nos anos 1980 a oposição era entre as classes trabalhadoras e o bloco formado por governo e empresários. Enquanto que os documentos dos anos 1990 estão centrados numa suposta oposição entre sociedade civil48 e o governo e não mais entre capitalistas e trabalhadores. Essa visão neoliberal na relação entre sociedade e Estado dominou os discursos da Central, a partir de então.

A CUT que durante anos após sua criação tinha sido referência em movimento combativo cedeu espaço para a aprovação de políticas neoliberais. Boito Jr. (2005) destacou o exemplo de uma proposta de política educacional lançada pela Executiva nacional em agosto de 1996, na qual a CUT não somente, não defendeu o ensino público e gratuito como solução para a educação brasileira, como também, afirmou que a rede privada de ensino deveria continuar integrando o sistema nacional de educação, assumindo, assim, uma das práticas mercantilistas do neoliberalismo. Essas propostas mostram o impacto das concepções neoliberais no interior dessa Central.

Esse posicionamento da CUT contribuiu para um arrefecimento das lutas e não foi suficientemente forte para vetar a aprovação das duas contrarreformas da Previdência Social, as quais tiveram amplas consequências para os direitos dos trabalhadores.

Veremos nesse momento quais direitos previdenciários, conquistados pelas lutas históricas das classes trabalhadoras foram restringidos e/ou minimizados, atingindo trabalhadores tanto do setor privado, quanto do setor público.

3.5 AS CONTRARREFORMAS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL: DESMONTE DOS

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