B. Dürzî Davetinin İlanı ve Kurucu Dailer
3. Hamza b Ali b Ahmed ez-Zûzenî
Conforme expõe Chimni, subjazem à emergência do Estado Global diver- sas redes de autoridades subnacionais e de espaços que representam, ao lado das ONGs, sua faceta descentralizada; auxiliam estas na superação de questões atinentes à soberania estatal, com o intuito de estender e apro- fundar o processo de globalização.67
O crescimento dessas redes é crucial na eventual substituição de Estados soberanos por um conjunto de autoridades desagregadas que podem ser mais facilmente influenciadas e reguladas pelo Estado Global Emergente. Nesse sentido, os Estados ao redor do mundo, descentralizados e descon- centrados funcionalmente em diferentes entidades e órgãos, passam a dele- gar a estes o encargo de representá-los em diferentes redes internacionais das quais fazem parte as diversas entidades encarregadas pelas mesmas determinadas funções, o que, por sua vez, constitui uma nova ordem trans- governamental não controlada, diretamente pelo Chefe do Poder Executivo Nacional. Atualmente, questões internacionais relevantes como a degrada- ção do meio ambiente, o crime organizado, fraudes securitárias, a lavagem de dinheiro, crises econômicas etc., fundamentam a criação e a sustentação dessas novas relações.68
O Estado, do mesmo modo, não é mais o exclusivo partícipe nos processos legislativos internacionais, apesar de continuar a ser a principal arena para a criação de leis. Assim, o processo de globalização vem criando uma série de processos legislativos internacionais descentralizados em vários setores da sociedade civil, independentemente da atuação de Estados. Amparado em Teubner,69 Chimni aponta ser a Lex Mercatoria, o direito transnacional das
transações econômicas, o exemplo mais bem-sucedido de um direito global sem Estado. Os trabalhos desenvolvidos pelo Comitê de Supervisão Bancária de Basileia representam mais um bom exemplo da característica exposta neste tópico, uma vez que esses, ressalta Chimni, têm sido cruciais na regu- lação da liquidez e solvência de bancos em jurisdições individuais nos EUA e na União Europeia. O que preocupa Chimni, nesses casos, é a ausência de transparência e a falta de participação popular no surgimento desse direito sem Estado.70
Por fim, anuncia Chimni que o surgimento de um Estado Global encon- tra-se embasado por uma rede de cidades que estão passando a desempenhar papéis crucias no processo de globalização em curso. Dessa feita, destaca Chimni que uma metageografia alternativa está sendo formada. Nesta, con- centra-se o controle, a propriedade e a apropriação dos lucros nas cidades do Norte, enquanto que às cidades do Sul, colocadas em posição de inferioridade hierárquica, é delegada a função de reciclagem de ideias e procedimentos,
disponíveis na forma de companhias subsidiárias e um conjunto de serviços oferecidos para a operação do capital transnacional, reproduzindo e incor- porando a cultura da classe capitalista transnacional.71
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C
OnCluSãOApesar de o Produto Interno Bruto brasileiro haver atingido, no ano de 2011, a marca histórica de 4,1 trilhões de reais,72ultrapassando o Reino Unido no ranking das maiores economias do mundo (passando a ocupar a 6ª coloca- ção73), permanece a economia nacional a caracterizar-se como periférica,
subdesenvolvida e dependente no cenário global.
De fato, uma importante peculiaridade da economia brasileira é a forma por meio da qual ela se insere na economia mundial: como periferia da mesma, “produtora de bens e serviços com demanda internacional pouco dinâmica, importadora de bens e serviços com demanda doméstica em rápida expansão e absorvedora de padrões de consumo e tecnologias ade- quadas ao centro mas frequentemente inadequadas à disponibilidade de recursos e ao nível de renda da periferia”74 (destaques do autor).
Esta particular estrutura socioeconômica da periferia determina um modo próprio (distinto do que ocorre nos países centrais) de industrializar, intro- duzir progresso técnico, absorver força de trabalho, distribuir renda e, por fim, de se desenvolver. Nesse contexto, o fenômeno do subdesenvolvimento contemporâneo configura-se como uma consequência específica das rela- ções entre sociedades centrais e periféricas, estabelecidas com a expansão da economia industrial europeia, americana e japonesa em direção às regiões já ocupadas e localizadas além de suas fronteiras.75Com isso, “não se trata
de comparar o subdesenvolvimento periférico com a história pretérita das economias centrais”,76 posto que o subdesenvolvimento não se constitui
como uma etapa necessária ao processo de formação das economias capita- listas que já alcançaram grau superior de desenvolvimento.77É, na realidade,
um processo singular e inédito que ocorre concomitantemente ao processo de desenvolvimento das economias centrais,78interagindo de tal modo que
produz na periferia desdobramentos históricos particulares à especificidade de suas experiências, que culminam em “sequências e resultados distintos aos que ocorreram no desenvolvimento cêntrico”.79
Nesse sentido, por ser o Brasil um país periférico, subdesenvolvido e dependente, aplicam-se aos interesses da população brasileira todos os pon- tos abordados neste trabalho. De modo que o Estado Global emergente, como resultado do processo de globalização que tem por escopo a expansão e aprofundamento do capital transnacional e tende a excluir os interesses da população brasileira, deve ser analisado de forma mais aprofundada, para que possamos identificar meios capazes de proteger esses interesses, promovendo uma diferente inserção do Brasil na economia, política e sociedade globais e o desenvolvimento nacional, enquanto um processo de maximização da fruição dos direitos fundamentais inscritos em nossa Cons- tituição pela população brasileira.
A busca por mudanças na atual estrutura mundial demanda a coalizão global dos setores marginais do Brasil com os demais países de terceiro mundo e com seus aliados no primeiro mundo, de modo a contestar e per- seguir a modificação do direito internacional vigente e das políticas imple- mentadas pelos países mais poderosos e por instituições internacionais, tendo em vista a concreta e material expansão da causa democrática e dos direitos humanos, notadamente aqueles de segunda (“sociais”) e terceira (“transindividuais” ou “difusos”) gerações.
Nesse ponto, Chimni defende a urgente necessidade de que partidos polí- ticos e sindicatos laborais formem alianças com novos movimentos sociais, associações de consumidores, iniciativas comunitárias e até resistências espontâneas, tanto no contexto nacional como regional e internacional.80
Esse movimento global dissidente, continua o autor, deve buscar esta- belecer a integração entre diferentes redes de autoridades subnacionais e de cidades integrantes da nova metageografia global com o objetivo de criar valores e espaços contra-hegemônicos.81 Desse modo, por serem
essas cidades o principal locus onde é produzida e reproduzida a cultura capitalista transnacional, é nesses mesmos espaços que os movimentos devem buscar promover uma consciência crítica sobre as formas por meio das quais a globalização está sendo conduzida e em favor da CCT, de modo a perseguir a defesa das causas democráticas e dos direitos humanos.
Criar-se-á, assim, um entendimento crítico contrário à vigente ordem trans- governamental, elevando o debate acerca das corretas formas de inserção
dos países hoje periféricos, subdesenvolvidos e dependentes no corrente pro- cesso de globalização e no emergente Estado Global, tendo sempre em vista a proteção dos interesses das populações desprivilegiadas e o desenvolvi- mento das nações com grandes desigualdades sociais, como o Brasil.
nOTAS
Capítulo 3 – Cooptação e Resistência: Duas Faces do Direito Administrativo Global, 1
por B. S. Chimni.
Capítulo 3 – Cooptação e Resistência: Duas Faces do Direito Administrativo Global, 2
por B. S. Chimni.
Capítulo 3 – Cooptação e Resistência: Duas Faces do Direito Administrativo Global, 3
por B. S. Chimni.
Capítulo 3 – Cooptação e Resistência: Duas Faces do Direito Administrativo Global, 4
por B. S. Chimni.
Capítulo 3 – Cooptação e Resistência: Duas Faces do Direito Administrativo Global, 5
por B. S. Chimni.
Capítulo 1 – A Emergência do Direito Administrativo Global, por Benedict 6
Kingsbury; Nico Krisch e Richard B. Steward.
CHIMNI, B. S. Marxism and International Law: A Contemporary Analysis. Economic 7
and Political Weekly, 06 de Fevereiro, p. 337-359, 1999, p. 337.
CHIMNI, B. S. Marxism and International Law: A Contemporary Analysis. Economic 8
and Political Weekly, 06 de Fevereiro, p. 337-359, 1999, p. 337.
Neste trabalho, os termos “países subdesenvolvidos”, “países em desenvolvimento”, 9
“países de terceiro mundo” e “países do Sul” serão tratados como sinônimos.
CHIMNI, B. S. International Institutions Today: An Imperial Global State in the 10
Making. European Journal of International Law, v. 15, n. 1, p. 1-37, 2004, p. 1-2.
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and Political Weekly, 06 de Fevereiro, p. 337-359, 1999, p. 338.
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and Political Weekly, 06 de Fevereiro, p. 337-359, 1999, p. 339-340.
CHIMNI, B. S. Marxism and International Law: A Contemporary Analysis. Economic 14
and Political Weekly, 06 de Fevereiro, p. 337-359, 1999, p. 341.
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and Political Weekly, 06 de Fevereiro, p. 337-359, 1999, p. 343.
CHIMNI, B. S. Marxism and International Law: A Contemporary Analysis. Economic 22
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