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2. KUSURSUZ BİR YÖNETİM İÇİN HALKLA İLİŞKİLER

3.2. Halkla İlişkilerin Yalnızca İletişim Olgusu Olarak Görülmesi

Buscamos planificar os encontros com nossas colaboradoras de maneira a estimular falas espontâneas. Para tanto, como guia, consideramos questões estritamente ligadas aos objetivos de pesquisa e de maneira a valorizar e fazer emergirem as impressões de Bárbara e Lucy sobre o Projeto UCA e as práticas associadas até o ano de 2011. Dessa maneira, reiteramos que nossa intervenção junto às professoras foi pouco diretiva.

Com as devidas autorizações e em diferentes tempos e espaços de lugar, procedemos às entrevistas, que nos elucidaram sobre os dados fornecidos para a composição dos perfis e trouxeram valiosos esclarecimentos acerca das condições

materiais e pedagógicas no Projeto UCA em Tiradentes/MG, além do processo de formação dos professores e impactos culturais por eles vivenciados.

Para auxiliar na continuação da elucidação de nossos objetivos específicos (Seção 1.2), recorremos mais uma vez ao uso do software Atlas.ti. De posse das entrevistas gravadas, procedemos às suas transcrições e migrações para o ambiente de trabalho virtual. No software, seguimos dois caminhos complementares na estruturação/composição de nossa análise: a definição e a criação de categorias (ou códigos36) a priori e a posteriori37 (FRANCO, 2008). No primeiro caso, foram definidos seis códigos que estruturaram a Análise de Conteúdo das entrevistas de nossas colaboradoras. Dessa forma, levando em conta os objetivos específicos (D, E, F e G – Seção 1.2, p. 24) de nosso trabalho, definimos os códigos de acordo com o Quadro 2.

Quadro 2 – Códigos criados no Atlas.ti seguindo os objetivos de pesquisa (análise a priori) Objetivo

Específico (Seção 1.2)

Código utilizado Descrição

D Condições materiais do Proj_UCA

Código associado aos registros das impressões docentes sobre a infraestrutura tecnológica relacionada ao Projeto UCA.

E Formação para o Proj_UCA

Código destinado a identificar como se deu o processo de formação dos professores para o Projeto UCA e experiências associadas.

F Impacto cultural Código para o registro dos desdobramentos do Projeto UCA na atitude pedagógica dos docentes. G Prática pedagógica com TDIC Código para a catalogação das experiências de

trabalho com TDIC. G Reconfiguração da prática

pedagógica

Código que identifica as reconfigurações do trabalho pedagógico enfatizando o uso do laptop educacional conectado e associado à produção discente. Reflete experiências que transcenderam o paradigma tradicional de ensino.

D+E+F+G Desenvolvimento da cultura digital na escola

Código destinado a identificar desdobramentos do Projeto UCA na escola, indiciando a formação de uma cultura digital no âmbito escolar.

Fonte: elaborado pelo autor.

É importante registrar que, no software utilizado, são os códigos (ou categorias) que permitem marcar segmentos na transcrição – numerados em turnos de fala –, os quais identificam as unidades de interesse confluentes aos objetivos da pesquisa. É exatamente esse procedimento que estrutura/viabiliza a Análise de

36 O ATLAS.ti trata as categorias como códigos (codes). Em nosso texto, assumimos a tradução código

como sinônimo de categoria.

Conteúdo dos dados. Em outras palavras, podemos afirmar que a definição de códigos e suas associações a fragmentos de interesse na transcrição constitui a base de trabalho no Atlas.ti.

Isso feito, com os códigos definidos a priori, procedemos à categorização dos trechos das entrevistas. A Figura 15 exibe uma tela do software na qual está presente parte da codificação do discurso da professora Bárbara. A primeira coluna com o número “10” identifica um turno de sua fala. Um processo idêntico foi realizado com a contribuição da professora Lucy.

Figura 15 – Associação de códigos aos fragmentos de interesse (caso brasileiro)

Fonte: captura de tela do software Atlas.ti

Nossa primeira constatação foi o número de ocorrências entre as marcações realizadas. Essa totalização é exibida na Figura 16.

Figura 16 – Ocorrência dos códigos marcados nas entrevistas de Bárbara e Lucy (codificação a priori)

Fonte: captura de tela do software Atlas.ti

A Figura 16 mostra os seis códigos criados a priori e as marcações individuais (Grouded), totalizando 113 associações às falas de Bárbara e Lucy. O recurso Density merece atenção, pois é ele que revela as relações que estabelecemos intencionalmente38 (Figura 17) entre os códigos, para configurar uma rede semântica,

a qual é apresentada na Figura 18.

Figura 17 – Estabelecimento de um relacionamento entre códigos no Atlas.ti no recurso Network View Manager

Fonte: captura de tela do software Atlas.ti

38 A escolha em questão levou em conta nosso referencial teórico e a forma como consideramos a

Na rede da Figura 18, optamos por dois tipos de relacionamento entre os códigos: de associação (is associated with) e de pertinência (is par of).

Figura 18 – Rede de relações semânticas estabelecidas entre os códigos definidos a priori

Fonte: elaborado por Marcio Roberto de Lima com o Atlas.ti

A Figura 16 e a Figura 18 são muito significativas em nossa análise, em especial na etapa de codificação do documento, levando em consideração a criação a

priori dos códigos. Na sequência, tecemos considerações sobre as Figuras em questão.

Chamamos a atenção, primeiramente, para a densidade (Figura 16) do código “Desenvolvimento da cultura digital na escola” avaliado em grau cinco. Essa ocorrência diz respeito às relações de associação do referido código aos demais (Figura 18). Considerando que o Projeto UCA era uma política de inclusão digital pelo viés escolar (BRASIL, 2007a), compreendemos que a cultura digital na escola seria desenvolvida e refletida nas suas condições materiais (infraestrutura) e, fundamentalmente, nas práticas pedagógicas, o que se relacionava com a formação do professor e com os impactos culturais docentes vivenciados. Consideramos que os impactos culturais (também de densidade cinco, Figura 16) podem exercer influências nas ações pedagógicas com TDIC – sejam nas iniciais ou nas reconfiguradas –, sendo decisivos na orientação da adesão docente às propostas de trabalho com TDIC.

Entretanto, ao observarmos a Figura 16, notamos um paradoxo: o código “Desenvolvimento da cultura digital na escola” não foi referenciado nas falas das professoras Bárbara e Lucy. Complementando essa evidência, o quadro de densidade indica apenas três marcações individuais para os códigos “Reconfiguração da

prática pedagógica”. O que poderia justificar essas evidências?

Para buscar compreender o panorama indicado pela codificação no Atlas.ti quanto ao não desenvolvimento da cultura digital na EMMD – o que contradiz os objetivos do Projeto UCA (BRASIL, 2007a) –, recorremos aos demais códigos.

Para tanto, vale lembrar que, apesar de estruturar/isolar grupos de fragmentos, os códigos estão intrinsecamente relacionados, conforme proposto na rede semântica da Figura 18. Assim, ao tratar de “Prática pedagógica com TDIC”, inevitavelmente, as questões de infraestrutura surgirão como condicionantes, entre outras.

No software, o trabalho de codificação acaba por reunir os trechos discursivos em agrupamentos, ficando todos os fragmentos codizados em uma janela – “Quotations for Code” – que funciona como um índice (Figura 19). Esse índice viabiliza o acesso aos fragmentos de maneira muito eficiente, bastando clicar no item desejado na janela de marcações.

Figura 19 – Ocorrências do código “Condições materiais do Proj_UCA”

A seguir, apresentamos nossa discussão analítica e elencamos trechos dos discursos de Bárbara e Lucy, que, imbricados à nossa rede teórica, favorecem a compreensão das experiências das professoras segundo nossos objetivos de pesquisa (Seção 1.2, p. 24).