2.1.1. Halkla Đlişkiler Tanımı
2.1.1.1. Halkla Đlişkiler Tanımlarının Ortak Unsurları
O texto não é um produto pronto e acabado quando se considera a ação de autor e leitor. Isso significa que para ser produzido e para ser entendido, o texto precisa ser processado na produção e na recepção. Marcuschi (2008, p. 72) afirma que o ―texto pode ser tido como um tecido estruturado, uma entidade significativa, uma entidade de comunicação e um artefato sociohistórico.‖ Ainda para este autor, o texto é uma espécie de ―(re)construção do mundo e não uma simples refração ou reflexo‖. Nesse processo, a atuação de autor e de leitor é marcada pelas influências, pelas experiências que constituem sociohistoricamente esses sujeitos. Nesse sentido, evoca-se o conceito de texto, que foi assumido neste trabalho, postulado por Beaugrande (1997, p. 10) ―O texto é um evento linguístico em que convergem ações linguísticas, sociais e cognitivas‖. Esse conceito necessita de uma explicação sobre o
12
Usamos o PISA como referência neste trabalho por entendermos que é um exame que apresenta, confiabilidade internacional, além de uma atualizada concepção de leitura, parâmetros desejáveis para a proficiência em leitura.
que se considera ―evento‖ para que não sejam confundidos produto e processo. Uma explicação, com a qual compartilhamos, é a fornecida por Marcuschi (2005, p. 198) que afirma:
Na realidade, o evento designa, em primeiro lugar, dois processos interligados: produção e compreensão. Mas esses processos se manifestam em um artefato chamado texto que não é apenas um construto empírico e, sim, um evento cultural, social, cognitivo e linguístico. Portanto, a expressão evento tem aqui o objetivo de designar o aspecto tipicamente dinâmico do fenômeno texto e sua forma de atuação (MARCUSCHI, 2008,p. 199) (Grifos do autor).
Isso significa que o texto tem sua materialidade, mas que se relaciona com o autor quando este o produz e com o leitor, quando ele o lê. Marcuschi (2008) continua sua discussão esclarecendo que a definição proposta por Beaugrande (1997) sugere que o texto não é uma simples sequência de palavras escritas ou faladas, mas um evento como foi definido. Essa definição defendida pelo autor envolve uma riqueza de aspectos, que podem trazer as implicações diretas que ele destaca:
1. o texto é visto como um sistema de conexões entre vários elementos, tais como sons, palavras, enunciados, significações, participantes, contextos, discursos, ações etc.;
2. o texto é construído numa orientação de multi-sistemas, ou seja, envolve tanto aspectos linguísticos quanto não-linguísticos no seu processamento (no hipertexto isso é ainda mais acentuado);
3. o texto é um evento interativo e vai além de um simples artefato, sendo também um processo numa co-produção (do ponto de vista do sentido na leitura, que por vezes, leva a estruturas diversas);
4. o texto compõe-se de elementos que são multifuncionais: um som pode ser um fonema, mas também, uma entoação; uma palavra pode ser um item lexical, mas um ato de fala (MARCUSCHI, 2008, p.199) (Grifos do autor).
Dessa maneira, ao se agir na e pela linguagem, lida-se mais do que com um conjunto de regras, lida-se com um conjunto de sistemas e subsistemas que permitem a interação oral ou por escrito, escolhendo e especificando sentidos mediante ações com escolhas linguísticas. Uma questão que se coloca diante dessa entidade significativa, desse evento linguístico chamado texto é como ele deve ser analisado. Para responder a esse questionamento, é interessante a proposta elaborada por Antunes (2010). De acordo com a autora, analisar pressupõe ‗separar elementos‘ de um conjunto, mas, em um texto, ―nada é separável totalmente‖. Tudo está interligado, entrelaçado e de forma interdependente. Ainda que o texto permita um tipo de análise focalizada em um ou outro aspecto particular, o foco da compreensão, do entendimento deve se dar na dimensão global do texto. Afinal, para ela, no
texto, nada é absolutamente particular, porque cada unidade constitui um elo do sentido amplo expresso no todo.
A autora justifica a análise de um texto ao dizer que nele é preciso garantir uma sequência da qual resulte a unidade, a coerência, linguística e pragmática, pretendida. Por vezes, uma palavra que está no início do primeiro parágrafo dá mostras da direção argumentativa assumida e, dessa forma, condiciona o sentido de outra que é usada posteriormente no texto (ANTUNES, 2010, p. 47).
Na perspectiva de Antunes (2010), analisar um texto
...é procurar descobrir, entre outros pontos, seu esquema de composição; sua orientação temática, seu propósito comunicativo; é procurar identificar suas partes constituintes; as funções pretendidas para cada uma delas, as relações que guardam entre si e com elementos da situação, os efeitos de sentido decorrentes de escolhas lexicais e de recursos sintáticos. (...) Além disso, é ―procurar descobrir o conjunto de suas irregularidades, daquilo que costuma ocorrer na sua produção e circulação apesar da imensa diversidade de gêneros, propósitos, formatos, suportes em que eles podem acontecer (ANTUNES, 2010, p. 49).
A autora acrescenta que analisar tais regularidades pressupõe levantamento de expectativas e estabelecimento de parâmetros sobre a construção e funcionamento dos textos. O conhecimento de modelos, ou gêneros é indispensável para isso. Conhecer essas regularidades propostas por Antunes (2010) é ir além de perguntar sobre ―o que diz o outro‖. ―É, além disso, perguntar como é dito o que é dito, com que recursos lexicais e gramaticais, com que estratégias discursivas, quando e por que é dito, para quem e para provocar que efeitos, implícita e explicitamente‖ (p. 49).
A análise de textos, de acordo com Antunes(2010), é feita com vistas a desenvolver a capacidade de perceber as propriedades, as estratégias, os meios, os recursos, os efeitos, enfim as regularidades implícitas no funcionamento da língua em processos comunicativos de sociedades concretas, o que envolve a produção e a circulação de todos os tipos de ―textos- em-função‖ (p.51). Ainda, na visão dela, todos os textos devem ser analisados sem exceção. Considera-se para a análise tanto os recursos que se materializam linguisticamente, quanto os outros responsáveis por sua funcionalidade sociointerativa. Nessas análises, deve ser lembrado que o texto é foco, é o objeto de estudo, o ponto de partida e o ponto de chegada. Essa análise pode se dar pela observação: a) do texto como um todo; ou b) de uma ou outra de suas partes, em outras palavras, de sua dimensão global e de seus aspectos pontuais.
Antunes (2010) estabelece como critérios de análise com o foco na dimensão global do texto, que representa o eixo de sua coerência: o universo de referência, a unidade semântica, a progressão do tema, o propósito comunicativo, os esquemas de composição: tipo e gênero, as relações com outros textos.
Sobre o universo de referência, Antunes (2010) afirma que, um texto tem como enquadramento ―cognitivo seres, relações, características de um mundo real ou de um mundo fictício. Isso pode ser visto por meio de pistas apresentadas pelo próprio texto que conduzirão ao universo em que deve ser empreendida, uma dessas pistas é o próprio título‖. É importante nesse universo identificar o campo social-discursivo, no qual está inserido o texto, quer seja literário, científico, didático, religioso, político, entre outros. Afinal, a escolha desse campo discursivo vai influenciar no nível de linguagem, na forma, no suporte, em que o evento comunicativo se insere e vai circular.
Em relação ao aspecto semântico, a autora observa que um texto se desenvolve a partir de um tema ou de um tópico ou ainda de uma ideia central. Essa unidade funciona como um fio condutor, um eixo, que leva cada parte a convergir para o centro. É também esse segmento que vai levar o leitor ao propósito, à finalidade pela qual ele foi construído, além de lhe dar unidade.
Além disso, há a progressão do tema na medida em que são acrescentadas novas ações, fatos de forma coerente e coesa constituindo o todo do texto. É relevante identificar o plano de progressão do tema, ou o esquema sobre o qual está fundamentado. É necessário manter as expectativas do leitor dentro do tema. Para isso, a conexão entre as partes do texto deve existir num contínuo formado com começo, meio e fim. A unidade justifica a existência do texto.
Todo texto tem uma finalidade, um objetivo, ou seja, um propósito comunicativo. De acordo com Antunes (2010), esse propósito é parte de qualquer atividade de linguagem, por exemplo, expor, convencer, persuadir, relatar um fato, dar notícia etc. Para que haja entendimento do texto, é preciso que esse propósito seja identificado. Nenhum texto é isento de intenções que podem ser explícitas ou não. Há, portanto, no texto, pistas como elementos ―verbais e não verbais‖ que são usados para marcar tais intenções. Quando o leitor as reconhece, o trabalho da compreensão é facilitado.
Em relação aos esquemas de composição: tipos e gêneros, os textos obedecem a padrões regulares de organização, em virtude do tipo e, principalmente, do gênero que materializam.
As ações de linguagem obedecem a modelos estabelecidos linguística e socialmente. De acordo com Marcuschi (2008, p. 155) tipo textual caracteriza-se muito mais como sequências linguísticas (sequências retóricas) do que como textos materializados; a rigor seriam modos textuais. Em geral, abrangem cerca de meia dúzia de categorias conhecidas como: narração, argumentação, exposição, descrição, injunção. Por outro lado, os gêneros são entidades empíricas em situações comunicativas e se expressam em designações diversas, como telefonema, sermão, carta pessoal, reportagem, editorial, receita culinária, horóscopo, entrevista etc. Sem, contudo, esquecer-se de que eles não são formas rígidas, modelos estanques, mas formas culturais e cognitivas de ação social materializadas na linguagem. Ao dominar um gênero, domina-se uma forma de realizar linguisticamente objetivos específicos em situações sociais particulares.
O aspecto da relevância informativa refere-se ao grau de novas informações que são acrescentadas e articuladas em sua composição, ou pela forma, ou pelo conteúdo. Quanto mais novidade apresentar, mais relevante será. Quanto mais previsível for a interpretação de um texto, ele será menos informativo, exigirá menos uso de habilidades interpretativas e, assim, despertará menos o seu interesse. Interferem diretamente no grau de informatividade as razões contextuais e a situação sociodiscursiva. De acordo com Antunes (2010), para ser considerado bom, o texto deve adequar o grau de informatividade às suas circunstâncias de circulação.
A relação entre os textos ou de intertextualidade está intrinsecamente presente em cada evento de linguagem. Ou seja, é a partir do já dito que se constrói o dizer. Antunes (2010) situa a intertextualidade de duas formas: a intertextualidade ampla em que tudo o que se expressa pelas diferentes linguagens, implicitamente, remete a toda a experiência humana da interação verbal, faz parte, portanto, de uma grande corrente de discursos construídos ao longo do tempo. A outra forma é a intertextualidade explícita é aquela que aparece expressa na superfície textual. Nela, pode-se destacar as alusões, as remissões, mais ou menos diretas, e as mais óbvias como as paráfrases e as citações; sobretudo, as que trazem a indicação do discurso fonte.
O outro critério de análise proposto por Antunes (2010) tem o foco nos aspectos mais pontuais envolvidos na construção do texto, são fundamentais, principalmente, os que se relacionam diretamente com a construção do texto, como, por exemplo, as retomadas de expressão referencial; os segmentos em relação de sinonímia, antonímia, hiperonímia, e
paronímia; o uso de dêiticos pessoais, espaciais e temporais e a relação dessas expressões com elementos do contexto; as marcas de envolvimento do autor frente ao que é dito; os comentários do enunciador sobre seu próprio discurso; efeitos de sentido pretendidos pela escolha de determinada palavra ou por certos recursos morfossintáticos gráficos; marcas de ironia; os diferentes usos e correlações dos tempos e modos verbais; as marcas de oralidade ou da escrita; o nível de formalidade da linguagem entre outros.
São muitos os procedimentos de análise e eles podem variar de acordo com a situação, dependendo de muitos fatores, como a própria finalidade da análise. Neste trabalho, procuramos usar os critérios sugeridos, com o cuidado de não transformá-los em uma fórmula como a própria autora chama a atenção.