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2. TÜRK MÜLKİ İDARESİNDE HALKLA İLİŞKİLER

2.4. VALİ VE KAYMAKAMLARIN HALKLA İLİŞKİLER ARAÇ VE

2.4.2. Görsel ve İşitsel Araçlar

2.4.3.4. Halk Ziyaretleri

Art. 27. As liquidações amigáveis de sinistros não obrigarão o Instituto, desde que não hajam sido acordadas entre este, o segurador e o segurado ou beneficiário.

Art. 28. O Instituto deverá ser citado em todos os processos judiciais de que lhe possam advir obrigações como ressegurador, sob pena de nulidade.

Do exposto, em primeiro lugar, cabe ressaltar que o termo “liquidação de sinistro” empregado pela regra destacada foi utilizado em sua acepção ampla, aplicável ao

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GRAU, Eros Roberto. A Ordem Econômica na Constituição de 1988: Interpretação e Crítica. São Paulo: Malheiros, 2005. p. 97.

conjunto (regulação e liquidação stricto sensu de sinistro), conforme salientado alhures por Carlos Barbosa Bessa251.

Em segundo lugar, nota-se que o artigo 27 do aludido Decreto-lei estabelecia a regra (ou cláusula) de regulação de sinistro que deveria reger os contratos de resseguros celebrados entre o recém-criado IRB e os seguradores que operavam no país, posto que determinava a participação do Instituto nos procedimentos realizados por segurador e segurado para a identificação do sinistro e, conforme o caso, para o pagamento da indenização securitária, sendo que a não participação do ressegurador nestes procedimentos o desincumbia do cumprimento da obrigação indenizatória firmada no contrato de resseguros. Nesse sentido, não é demais ressaltar que a intervenção do IRB nas regulações de sinistros correspondia à atribuição que se restringia aos casos em que existisse cessão ressecuritária sobre os riscos a serem regulados; por isso também referia-se à regra como cláusula do contrato de resseguros.

Com o advento desta norma, mesmo tendo o segurador firmado contrato de resseguros com o IRB, a regulação de sinistro não deixava de ser instrumento para o cumprimento e, ao mesmo tempo, parte integrante do cumprimento das obrigações que assumiu mediante a celebração do contrato de seguros, sendo que esse procedimento, conforme revela o artigo em comento, deve ser efetuado em comum acordo com o segurado e o ressegurador, já que é inegável que nesse convergem tanto os interesses do segurador, quanto do segurado e do ressegurador. Ressalta-se, neste ponto, que o IRB devia atuar nesses procedimentos de regulação de sinistro, tendo em vista se tratar de órgão estatal fiscalizador das operações de resseguro, buscando salvaguardar, ao mesmo tempo, os interesses da massa de segurados que compunham o fundo comum securitário e o do segurado (parte vulnerável na relação contratual de seguros), não podendo perseguir interesses mesquinhos de garantia de seus lucros a todo o custo.

Desse modo, a cláusula de regulação de sinistros trazida pelo artigo 27, acima transcrito, estabelecia uma específica forma de cooperação na regulação do sinistro, posto que estabelecia o empenho, lado a lado, do segurado, do segurador e do IRB na condução das atividades que tinham por escopo a revelação, quantificação e cumprimento de eventual

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obrigação indenizatória que decorria das obrigações de garantia a cargo do segurador perante o segurado e do ressegurador perante o segurador/ressegurado.

Por fim, grifa-se que, como dispunha o artigo 28 registrado acima, na ausência de um acordo a respeito da regulação do sinistro e impetrada ação judicial no escopo de dirimir as controvérsias, devia também o IRB ser citado a participar do processo, sempre que da sentença pudessem lhe advir obrigações como ressegurador, sob pena de nulidade. Tratava-se de litisconsórcio passivo necessário (art. 70, III do atual Código de Processo Civil), pois, em razão de determinação legal, devia o IRB integrar o pólo passivo da relação jurídica de direito processual, considerado nulo o processo que deixasse de cumprir essa exigência.

A propalada lógica geral de gestão estado-novista, de seus órgãos de controle e fiscalização da economia – identificando-os como fora destinado à mediação das diversas questões formuladas pela sociedade brasileira – pode ser nitidamente observada na regra imposta por este dispositivo, posto que, por meio do procedimento de regulação de sinistro, o IRB intervinha, em nome da sociedade e com a intenção de prover guarida aos interesses transindividuais da massa de segurados e aos interesses individuais do consumidor de seguros, na relação contratual entre segurado e segurador. Assim, este órgão integra o acordo a ser firmado acerca da qualificação jurídica do fato noticiado e do pagamento ou não da indenização securitária à qual, configurado o sinistro, faz jus o segurado, além de participar das lides judiciais que evolvessem questões das quais pudessem lhe advir obrigações enquanto ressegurador.

1.5. Conclusões parciais

Logo após alguns anos de atividade, o mercado segurador já identificava o IRB como um sustentáculo do desenvolvimento desse segmento da economia brasileira. A

Revista de Seguros não poupou elogios ao Instituto em fascículo de 1942, classificando-o

como marco da redefinição dos rumos do mercado segurador. Esta mesma revista ainda afirmou, na mesma edição, já ser o IRB merecedor de gratidão daqueles que se dedicam ao seguro privado no Brasil252.

252

Revista de Seguros (252):308, 1942. Apud SARMENTO, Carlos Eduardo. Nacionalização e Expansão: O

Mercado Segurador Brasileiro entre 1939 e 1963. In. ALBERTI, Verena (coord). Entre a Solidariedade e o

A criação do Instituto de Resseguros do Brasil por meio do Decreto-Lei nº 1.186/39 somente foi possível, como visto, em virtude do que chamou Bresser Pereira de Revolução Nacional, ocorrida no início desta mesma década, e do modelo de desenvolvimento adotado por aqueles que assumiram a gestão do Estado brasileiro. Assim, perpetrou-se uma guinada importante no papel desempenhado pelo Estado: antes, cabia a este, eminentemente liberal, tão-somente reproduzir e levar adiante a ordem vigente, mantendo o modo de acumulação primitivo das oligarquias burguesas agrícolas; por outro lado, após o movimento que marcou a ascensão da burguesia industrial ao poder (ao lado da remanescente burguesia agrário-mercantil), o Estado assumiu a função de promotor do desenvolvimento do país, sendo que o modelo elaborado para atingir este fim foi a industrialização pautada na substituição de importações.

Os principais instrumentos do Estado observados para cumprir esta nova função foram: (a) o investimento direto em infra-estrutura e setores estratégicos da economia (como o petróleo, o sistema de transportes e comunicação, a energia elétrica e a indústria siderúrgica); e (b) o controle da política econômica, intervindo e regulando o mercado.

Nesse período pós-revolucionário, houve, ainda, a propagação de um ideal nacionalista, que penetrou em todos os setores do mercado no Brasil e foi reforçado pelo clima de tensão e incerteza provocado pelo iminente conflito mundial. Este pregou o desenvolvimento de um autêntico mercado brasileiro, construído por meio da substituição de importações e da prática, pelo Estado, de uma política protecionista em relação às empresas estrangeiras, de modo a fazer com que as mudanças na economia, sociedade e política pudessem levar ao tão esperado desenvolvimento nacional.

Foi, portanto, no claro intuito de diminuir a influência das companhias seguradoras estrangeiras sobre o mercado nacional, e no esforço de criação de um autêntico mercado de seguros brasileiro, que as mudanças no mercado securitário descritas até aqui, incluindo a criação do IRB, foram implantadas. Em outras palavras, foi em virtude deste afã nacionalista, em que o Estado intervém na economia para garantir o crescimento de sociedades empresárias brasileiras, substituindo importações e dirigindo o desenvolvimento do país, é que as medidas descritas até aqui foram tomadas. A criação do IRB, destarte, se justifica neste contexto e não ocorreria se este ambiente institucional não tivesse sido criado. Ademais, a criação do instituto veio sanar problemas bem específicos ligados à

relação existente entre mercado segurador brasileiro e o mercado ressegurador internacional, como a evasão de divisas que desequilibrava a balança de pagamentos, dava poucas garantias ao segurado brasileiro e prejudicava o desenvolvimento tanto da atividade securitária quanto de qualquer outra.

Nesse contexto, a regulamentação da regulação de sinistros imposta pelo Decreto-lei n° 1.186/39, que determinou a participação do IRB em todas as liquidações (amigáveis ou judiciais) de sinistro, criou mais um instrumento de intervenção deste órgão na atividade econômica securitária, tendo em vista o novo papel de árbitro dos conflitos sociais entre classes em nome dos interesses nacionais delegados ao poder executivo estatal pelos eventos que marcaram a Revolução de 1930 e pelas normas reguladoras da ordem econômica contidas nas Constituições Federais de 1934 e 1937.

CAPÍTULO 2. O SISTEMA NACIONAL DE SEGUROS PRIVADO, A