BÖLÜM AB ÜLKELER�NDE VE TÜRK�YE’DE
3.2. Türkiye’de ��sizlik Sigortas�
3.2.3. Türkiye’de ��sizlik Sigortas� Uygulamas�
3.2.3.4. Hak Dü�ürücü Nedenler ve Yapt�r�mlar
Na pesquisa foram identificadas várias formas de comercialização do leite, as quais resultaram em diferentes valores de venda do produto, gerando rendas diferenciadas para as diferentes famílias nessa atividade econômica.
Dentre as formas de venda (Tabela 12), o leite resfriado ocorria tanto em Guiricema quanto em Ubá, mas somente nas localidades “longe” das cidades-sede. O resfriamento do leite nesses locais distantes seria importante para manter a qualidade do leite, uma vez que o tempo de deslocamento comprometeria a qualidade do leite vendido em latão. A venda “porta-em-porta” ocorria somente nas comunidades rurais “perto” de Ubá, o que parece se justificar pela facilidade e rapidez no deslocamento da propriedade até o mercado consumidor próximo e grande. O leite processado ocorria nos dois municípios, tanto “perto” como “longe” das cidades-sede.
Tabela 12. Formas de comercialização do leite.
Guiricema Ubá Total “Perto” “Longe” Total
Em latão 9 6 15 7 8 15 Resfriado 6 2 8 0 8 8 Porta-em-porta 0 3 3 3 0 3 Leite processado na propriedade 2 2 4 2 2 4 Em latão de manhã e resfriado à tarde 0 2 2 0 2 2 Total 17 15 32 12 20 32
Fonte: Dados dessa pesquisa.
O preço do leite recebido pelo produtor na época da pesquisa12 não apresentou diferença estatística entre os municípios13. Ou seja, não houve diferença de preço de venda do leite entre os produtores de Guiricema (R$ 0,59/litro) e os de Ubá (R$ 0,60/litro). Quando se analisa o preço do leite apenas em função da distância entre a propriedade e a cidade-sede dos dois municípios (sem separar os municípios), verifica-se que houve diferença nos preços entre produtores que residem “perto” daqueles que residem “longe”14. Os produtores de “perto” recebem R$ 0,69 por um litro de leite, valor estatisticamente maior que aquele recebido pelos produtores de “longe”, R$ 0,54 por litro. A Tabela 13 ressalta a maior frequência dos produtores de “perto” nas maiores faixas de preço e a maior frequência dos produtores de “longe” nas menores faixas de preço.
12
A pesquisa foi realizada entre os dias 22 de novembro e 17 de dezembro de 2008.
13
(t(30) = -0,264; p = 0,794).
14
Tabela 13. Preço recebido (R$/litro de leite) pelos produtores. Preço Guiricema Ubá Total “Perto” “Longe” Total
0,47 0 1 1 0 1 1 0,50 2 2 4 0 4 4 0,51 3 1 4 0 4 4 0,53 1 2 3 1 2 3 0,54 0 2 2 0 2 2 0,55 4 0 4 1 3 4 0,57 1 0 1 1 0 1 0,58 2 0 2 2 0 2 0,60 0 4 4 1 3 4 0,67 1 0 1 0 1 1 0,68 2 0 2 2 0 2 0,70 0 1 1 1 0 1 0,90 0 2 2 2 0 2 1,00 1 0 1 1 0 1 Total 17 15 32 12 20 32
Fonte: Dados desta pesquisa.
Além da comparação de preços de venda do leite entre municípios e entre localidades, comparamos os preços em função do tipo de comercialização (Tabela 14). Os preços médios por litro de leite de acordo com o tipo de venda foram de R$ 0,55 para o leite em latão (15 produtores), R$ 0,54 para o leite resfriado (oito produtores), R$ 0,83 para o leite “porta-em-porta” (três produtores), R$ 0,70 para o leite processado (quatro produtores) e R$ 0,55 para o leite vendido em latão pela manhã e resfriado à tarde (dois produtores). Como alternativa ao modo mais comum de venda do leite (em latão ou resfriado vendido às indústrias de laticínios), seis produtores comercializavam o leite de duas outras formas: entregando de ‘porta-em- porta’ na casa dos consumidores e processando o leite na propriedade. Estas duas formas alternativas de venda tinham tendência a maiores preços, conforme a Tabela 14.
Tabela 14. Preço do leite (R$/litro) recebido pelo produtor em função do tipo de comercialização. Em latão Resfriado Porta- em- porta Leite processado na propriedade Em latão de manhã e resfriado à tarde Total 0,47 1 0 0 0 0 1 0,50 1 2 0 0 1 4 0,51 2 2 0 0 0 4 0,53 3 0 0 0 0 3 0,54 0 1 0 1 0 2 0,55 2 2 0 0 0 4 0,57 1 0 0 0 0 1 0,58 2 0 0 0 0 2 0,60 2 0 0 1 1 4 0,67 0 1 0 0 0 1 0,68 1 0 0 1 0 2 0,70 0 0 1 0 0 1 0,90 0 0 2 0 0 2 1,00 0 0 0 1 0 1 Total 15 8 3 4 2 32
Fonte: Dados desta pesquisa.
É importante aqui discorrer sobre algumas particularidades da comercialização, cujos reflexos recaem sobre o preço do leite. O produtor recebia pelo leite resfriado R$ 0,04 a mais por litro que o leite vendido em latão, mas esta diferença ficava por conta das despesas fixas do tanque comunitário de resfriamento, tais como energia elétrica, material de limpeza e salário do responsável pela recepção do leite e limpeza do equipamento. Considerando estas despesas, o preço final do leite resfriado era praticamente semelhante ao leite vendido em latão.
O leite vendido como processado tinha um preparo artesanal, na forma de queijo caseiro (dois produtores – um de Guiricema “perto” e um de Ubá “longe”), ou industrial, na forma de queijo, iogurte e outros derivados lácteos (dois produtores). Nesta última modalidade, as pequenas indústrias eram instaladas nas propriedades (uma em Guiricema “perto” e uma em Ubá “longe”), e consumiam o próprio leite produzido e ainda o leite das propriedades vizinhas.
A venda do leite “porta-em-porta” é facilitada pela proximidade do mercado consumidor das cidades. Nesse caso, as propriedades que ficam próximas à cidade- sede dos municípios parecem ser mais propícias para esta forma de comercialização. Nas propriedades “longe”, onde é restrito o mercado para venda “porta-em-porta”, a
venda do leite processado parece ser alternativa à comercialização em latão ou resfriado. Assim, o produtor deixa de vender a R$ 0,55 o litro de leite ‘em latão’ para vender a R$ 0,70 o litro de leite processado, ganhando R$ 0,15 a mais por litro de leite.
Apesar da legislação específica que regulamenta a produção, a coleta e o transporte do leite no país – Instrução Normativa no 51 de 18/09/2002 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (BRASIL, 2009a) –, a maioria dos produtores participantes da pesquisa ainda comercializava o leite em latões (17 produtores no total: 15 que vendiam em latão – nove de Guiricema e seis de Ubá –, mais dois produtores de Ubá que vendiam em latão pela manhã e resfriado à tarde). Com base nas respostas dos produtores, a dificuldade para comercializar o leite resfriado tinha três causas principais: a falta de compensação financeira pela venda do leite da forma resfriada, o alto custo do equipamento e o aumento da mão-de-obra para levar o leite da propriedade até o tanque de resfriamento coletivo. Dentre os fatores relacionados à implantação desta norma (IN/51) parece ser necessário treinar o produtor para melhorar a qualidade do leite (e com isso negociar junto às indústrias maior preço) e pensar alternativas de transporte do leite entre as propriedades e o tanque comunitário de resfriamento.
Outra questão refere-se ao comércio de leite vendido “porta-em-porta” que pertence ao status de “leite informal”, o que incorpora duas particularidades. A primeira é relacionada à saúde pública em função de problemas de contaminação (nas fases de produção, acondicionamento, transporte e comercialização) e da falta de pasteurização do leite. A segunda particularidade, consequência da primeira, é pautada na ilegalidade deste tipo de comercialização.
Este subitem sugere que a proximidade da cidade-sede motiva a existência de modalidades diferentes de comercialização do leite pelo produtor rural, que se expressa no segundo maior fator limitante da atividade: a baixa remuneração (atrás apenas da ‘falta de mão-de-obra’, descrito no item 5.2). Propiciando maior renda, a proximidade e o tipo de venda podem justificar a maior disposição de produtores de “perto” em continuar na atividade leiteira, aspecto também evidenciado no item 5.2. Estas motivações poderiam estar influenciando, em última instância, a permanência da família na atividade agropecuária e no meio rural. Outro aspecto retratado aqui se refere a algumas causas que limitam a venda de leite resfriado pelos produtores, de acordo com a IN/51 do Mapa. Para a efetivação desta norma entre estes produtores se
faz necessário, dentre outras coisas, adequar o transporte, a qualidade e o equipamento de resfriamento. Apesar da importância da indústria no cumprimento dos parâmetros de aceitação do leite, há sinais de que algumas ações desse processo estão na esfera da extensão rural.
5.4 A falta de mão-de-obra nas propriedades e as implicações na sucessão da