ÜÇÜNCÜ BÖLÜM TÜRKİYE MEDYASINDA STRUMA GEMİSİ OLAYI’NIN TEMSİLİ
3.3. Struma Gemisi Olayı’nın Haber Söylem Analiz
3.3.4. Hürriyet Gazetesinin 25 Şubat 2012 Tarihli Struma Gemisi Olayı Haberinin Çözümlenmes
Foram entrevistados quatro representantes do poder público46, sendo eles dois vereadores e os secretários de desenvolvimento urbano e desenvolvimento social do município. As tentativas de contato e agendamento de entrevistas com o prefeito e o vice-prefeito não foram atendidas. Na data da visita de campo a Araçuaí, o primeiro estava de férias e o segundo não respondeu às chamadas realizadas. Também não houve retorno o contato feito com vereadores que representam o PMDB e o PSDB no município. Por restrição da tecnologia disponível na data, as entrevistas não puderam ser gravadas e as informações disponibilizadas foram anotadas pelo entrevistador, razão pela qual estão registradas na forma de relatos.
Observa-se nesse grupo uma polarização radical nas opiniões emitidas, tendo essas caráter mais personalista, ou seja, direcionadas ao CPCD ou à pessoa do Tião Rocha, que propriamente às iniciativas implementadas na região e ao impacto que possam ter em contribuição ao desenvolvimento do município. Essa constatação marca a posição política dos entrevistados em relação à história recente da cidade, marcada por uma ruptura entre a gestão da Prefeitura no período 1997– 2004, e a atual gestão, responsável pela administração no quatriênio 2005–2008: o atual prefeito, atuou como vice-prefeito nos dois mandatos anteriores, elegendo-se com o apoio da então prefeita e com o compromisso de dar continuidade às estratégias e iniciativas que visavam à inclusão social e ao desenvolvimento de Araçuaí. Entendia-se que esse compromisso incluía a parceria entre o poder público e o CPCD que, em um procedimento inédito no Brasil, foi a primeira organização
46 Bruno Murta Gaspar Oliveira, Secretário Municipal de Desenvolvimento Urbano; Maria Helena
Cardoso, Secretária de Desenvolvimento Social; Jaqueline Neiva, vereadora pelo PT; e Carlindo, vereador pelo PP.
não-governamental a responder por uma secretaria pública, no caso, a de educação. O acordo, no entanto, foi rompido e o prefeito eleito buscou, segundo os relatos, desvencilhar-se de todos os projetos que traziam a marca, ou eram referência, para a população, à ex-prefeita. Essa movimentação ratifica a opinião dos entrevistados do Grupo 1 em relação aos desafios para a implementação de ações ou projetos intersetoriais com participação do poder público, ou seja: a falta de continuidade de ações com as mudanças administrativas, a visão política restrita a um mandato e o vício existente dentre representantes do poder público em apropriar-se da autoria de projetos que possam ser convertidos em resultado eleitoral positivo.
Observa-se que, nesse grupo, o conhecimento da existência do Programa Araçuaí Sustentável também é baixo, embora o conhecimento da organização local, o CPCD, seja um fato. Apenas um dos entrevistados, que participou ativamente da gestão anterior, declarou conhecer o Programa; os demais entrevistados, embora conheçam, mesmo que de maneira superficial, o CPCD e algumas de suas iniciativas, não têm conhecimento dessa iniciativa específica. As manifestações abaixo registradas ilustram a disputa política e a complexidade envolvida no relacionamento entre terceiro setor e poder público. Um entrevistado posiciona-se favorável e defensor da atuação da organização e seus projetos, incluindo o Araçuaí Sustentável; um entrevistado questiona a atuação da organização anfitriã; e outros dois entrevistados têm conhecimento e opinião superficial sobre a iniciativa. A saber:
y o entrevistado 1 conhece o CPCD, mas desconhece o Programa Araçuaí Sustentável. Sabe apenas que essa organização está montando um cinema no centro da cidade, o Cinema Meninos de Araçuaí, e que tem algumas atividades de agricultura acontecendo na área rural;
y o entrevistado 2 declara conhecer o programa e lamenta que seja tão pouco divulgado no município. Acredita que, para ter mais participação da população, tem que ter mais divulgação também. Considera que a visão do governo anterior era mais social, voltada para a inclusão de muita gente que estava sem opção de vida e afirma que o trabalho de Tião Rocha veio agregar, qualificando o que foi realizado como excelente. Na sua percepção, o governo atual, por
picuinha interna do partido, acabou se afastando do CPCD e de suas iniciativas. A política do partido era diferente, acreditava que se tem gente de fora que quer atuar e contribuir no município era ótimo. Cita a percepção de que as crianças que participavam dos projetos antes, agora estão na rua. A entrevistada enfatiza ainda que várias mães estão revoltadas, pois seus filhos estão fora do projeto e agora estão na rua, sem apoio, nas drogas, na prostituição. Informa que, na sua percepção, um dos problemas foi a interpretação, pela Prefeitura, de que a organização (o CPCD) queria apenas ganhar dinheiro e aproveitar-se para promover-se em cima do município;
y o entrevistado 3 também declara não conhecer o programa Araçuaí Sustentável, embora já tenha ouvido falar do CPCD. O grau de conhecimento declarado inicialmente pelo entrevistado, sobre essa organização, no entanto, pode ser questionado com as colocações que se seguiram. Ele questiona a idoneidade da organização ao citar a existência de um convênio entre o CPCD e a Prefeitura cujas cláusulas, na sua percepção, eram estranhas. Ilustra a sua fala com a informação de que, segundo o convênio firmado entre essas instâncias, o projeto, na íntegra, só poderia ser conhecido 10 anos depois de implementado, o que, segundo ele, indica falta de transparência. Outro ponto levantado pelo entrevistado é o que tange à propriedade dos bens adquiridos com recursos dos projetos virem a ser pertencentes ao CPCD, complementando que há um recurso junto ao Ministério Público solicitando revisão na prestação de contas do projeto. Outra iniciativa citada pelo entrevistado, e categorizada como polêmica, é o Projeto UTI Educacional, que tem por princípio desenvolver com pessoas da comunidade, contratando cidadãos comuns, independente da titulação para desenvolver o aluno na sala de aula. O fato de serem pessoas sem educação formal ou experiência compatível com o magistério, em muitos casos com escolaridade restrita ao segundo ano primário, para ajudar o professor e conduzir atividades, o que gerou, segundo ele, muita pressão e falatório;
y o entrevistado 4 declara conhecer o CPCD, embora desconheça o