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I. BÖLÜM

1.2. Germiyanoğulları Döneminde Kurulan Vakıflar

CRIMINAL

2.1. Autonomia orgânica e hierárquica

A criminalidade dos nossos dias deve fazer-nos reflectir numa tripla vertente, nomeadamente aprofundar os conhecimentos teóricos e teórico-práticos das técnicas e tácticas de investigação criminal; actualizar esses conhecimentos quanto á especificidade e a complexidade dos crimes organizados e fazer aprofundamento desses conhecimentos para olharmos para o crime de forma mais ampla204.

Segundo FIGUEIREDO DIAS, as polícias “…tendo por missão lutarem contra a criminalidade e na medida em que a tenham, podem certos órgãos policiais – por razões evidentes de prática de actos que (máxime como actos instrutórios) alcançarem eficácia e validade, directa ou indirectamente, como actos de um processo penal; de tal sorte que a actividade das polícias ganhará, por esta via, foros de actividade auxiliar de administração da justiça…”205. Isto é, prevenir e reprimir a criminalidade eficazmente.

Em termos filosóficos, o conceito de autonomia parece confundir-se com a liberdade, consistindo na qualidade de um individuo de tomar suas próprias decisões com base na razão. Autonomia é um conceito que pode ser encontrado e enquadrado em diversas vertentes, desde na moral, na política e na filosofia. Trata-se de um termo de origem grega cujo significado está relacionado com independência, liberdade ou auto- suficiência, embora o dicionário da língua portuguesa espelha essa realidade de outra forma, considerando-a de uma aptidão ou competência para gerir sua própria vida,

valendo-se de seus próprios meios, vontades e/ou princípios.

Na presente investigação, a autonomia a que é referida insere-se na autodeterminação da própria organização policial, em particular a PIC que constitui parte do objecto do presente estudo, a qual se traduz na observância dos princípios constitucionais, do processo penal e na vinculação das directrizes legais como limite, na medida que a organização policial como tal, possui poderes de decidir o quando, o onde e como deve realizar uma certa actividade solicitada em directivas pelas autoridades judiciarias.

Seguindo esta óptica de ideias, na perspectiva de MANUEL VALENTE esta autonomia da polícia deve ser entendida como “uma medida limitada de auto

204 Cfr.MANUEL MONTEIRO GUEDES VALENTE, Do Ministério Público …, 2013.

52 determinação de certa instituição ou de um responsável por uma determinada incumbência, tarefa ou função (…) ”206. Como é evidenciado, o Estado de Direito Democrático não surge de qualquer acaso sendo antes, e na perspectiva de ANTÓNIO UCAMA, “o resultado da constante luta que o homem faz na busca da melhor forma de organização do poder político. Por conseguinte, pode afirmar-se que o Estado de Direito Democrático se revela como a forma comumente aceite de limitação e controlo de poder político”207. Por fim, e atento agora o prisma processual, seguimos F

IGUEIREDO DIAS ao defender que “como todo o verdadeiro direito público, tem o direito processual penal na sua base o problema fulcral das relações entre o Estado e o Público e a pessoa

individual e da posição desta na comunidade…”208.

Segundo MANUEL VALENTE “o legislador procurou evitar que a AJ decidisse que elemento policial é que vai investigar este ou aquele caso ao determinar que os funcionários que investigam ou praticam os actos delegados pelas AJ são designados pela OPC a quem entrega o processo para investigação”, determinando que essa autonomia basear-se-á na autonomia técnica e táctica, a qual tem que ser necessária e eficaz para o exercício dessa atribuição209.

2.2. Autonomia técnica e táctica

A designação do funcionário, não foi de mera posição tomada pelo legislador, mas, porém, obedece à “autonomia técnica e táctica” que na sua plenitude consagra “o princípio da separação de funções e de respeito pela autonomia técnica e táctica, tendo em conta ao princípio da indivisibilidade do MP…”210. Para F

ERNANDO UACHE a “a faculdade de delegar poderes de instrução de processos crimes aos agentes policiais é condicionada pelas qualidades que esses agentes policiais possuem. É necessário que os agentes policiais tenham competências indispensáveis para a realização das diligências a efectuar”211. É o que distingue a designação de delegar.

206 Cfr. MANUEL MONTEIRO GUEDES VALENTE, Teoria geral do direito policial. Reimpressão 3ª.ed.

Fevereiro 2012, Almedina, Lisboa, 2014, p. 408.

207 Cfr. ANTÓNIO COSTA DAVIDE UCAMA, A Independência do Poder Judicial..., 2013.p.19. 208 Cfr. JORGE DE FIGUEIREDO DIAS, Direito processual penal, I volume, Coimbra, 1981, p. 58 209 Cfr.MANUEL MONTEIRO GUEDES VALENTE, Teoria Geral…, reimpressão 3ªEd., 2014, 405.

210 Que «impõe a unidade de acção», não sendo legítimas quaisquer «directivas ou instruções

diferenciadas segundo o corpo policial a que se dirigem ou os agentes que as têm de executar» - e da estrutura hierárquica …, salvaguardando-a «como meio de assegurar as suas coesão e disciplina internas». Cfr.MANUEL MONTEIRO GUEDES VALENTE, Teoria Geral…, reimpressão da 3ªEd., 2014, pp. 405-406

53 Segundo MANUEL VALENTE “o legislador não consagrou que os OPC têm independência ou liberdade técnica e táctica, mas sim, autonomia, ou seja, uma medida

limitada de autodeterminação táctica e técnica do OPC na prossecução da investigação criminal sob a direcção e dependência funcional da AJ”212. A independência pretende dar uma protecção absoluta a auto-organização e auto decisão, apenas limitada pela função ou interesse que visa prosseguir, o que difere da liberdade que é um direito das pessoas, por si ou agregado em instituição, que exprime a determinalidade ética pelo modo de prosseguir os próprios fins, onde o legislador substitui-se pela doutrina e pela jurisprudência213.

Nesta perspectiva “a autonomia de que estão dotadas as polícias não pode ser interpretada no sentido de alterar as coordenadas, quer constitucionais, quer legais…., mas há-de pressupor que a autoridade judiciária exercer efectivamente a direcção da fase processual e correspondentemente da investigação que nela se integra” ou seja, está autonomia obedece os princípios de actuação ”legalidade, proporcionalidade lato sensu, interesse público, respeito do interesse particular, justiça, boa-fé, igualdade democrático e da lealdade e da cooperação”, não significando, de modo algum ”liberdade, mas vinculação às directrizes, coordenadas legais emitidas pela AJ na prossecução dos fins do processo penal em geral e do processo-crime em concreto214.

Na opinião de JOSÉ DA CUNHA, “naturalmente que a questão da autonomia técnica ou táctica dos Órgãos de Polícia Criminal, se refere, em regra, à sua actuação por via de encargo expresso ou implícito”215. Esse encargo reflecte-se sobretudo no CPP e nas leis orgânicas de OPC. Na ideia de MANUEL VALENTE “deve-se entender por autonomia técnica a «utilização de um conjunto de conhecimentos e de métodos de agir

(adequado)», ou seja, a fruição de conhecimentos e métodos adequados à investigação criminal em curso face à natureza objectiva e subjectiva do processo”216. Todavia, esclarece que, “O conhecimento e/ou método empírico ou científico não podem ser desadequados, porque num Estado de direito democrático, não se pode absolutizar a verdade material como fim único e um ídolo de adoração”217.

212 Cfr.MANUEL MONTEIRO GUEDES VALENTE, Teoria Geral…, reimpressão da 3ªEd., 2014, 408.

213 Cfr. VALENTE, MANUEL MONTEIRO GUEDES, Teoria geral do direito policial, 4ª Ed. Coimbra:

Almedina, 2014.

214 Cfr.MANUEL MONTEIRO GUEDES VALENTE, Teoria…, 3ª Ed., 2014, 411.

215 Cfr.JOSÉ MANUEL DAMIÃO DA CUNHA, Dos meios de obtenção …, Maio, 2006, pp. 61- 80. 216 Cfr.MANUEL MONTEIRO GUEDES VALENTE, Teoria Geral…, reimpressão 3ª Ed., 2014, 409. 217 Cfr.MANUEL MONTEIRO GUEDES VALENTE, Teoria Geral…, reimpressão 3ª Ed., 2014, 409.

54 A autonomia técnica é materializada numa série de diligências entendidas como oportunas no tempo, no espaço e com os meios considerados apropriados na gestão e inspecção do local do crime, na recolha de vestígios e na cadeia da custódia da prova. Ainda MANUEL VALENTE exemplifica a questão da autonomia técnica e táctica quanto a busca domiciliária218.

Para ANABELA RODRIGUES “esta autonomia tem por finalidade reservar para os órgãos de polícia criminal a realização das tarefas de investigação criminal que exigem técnicas, estratégias e meios logísticos e operacionais próprios das polícias”219.

Na autonomia táctica “cumpre aos OPC escolher que estratégia, que meios materiais, que meios logísticos e operacionais se apresentam como os melhores para que seja capaz de cumprir as coordenadas das autoridades jurídicas”, no entanto, “sempre que o meio empregar ponha em causa direitos e liberdades do cidadão, deve constar da devida autorização judicial”220. Para M

ANUEL VALENTE, a autonomia táctica “consiste na escolha do tempo, lugar e modo adequado à prática dos actos correspondentes ao exercício das atribuições legais dos órgãos de polícia criminal”221.