1.2. Teorik Temeller: Politika Ekonomi Đlişkilerini Açıklayan Görüşler
1.2.5. Geleneksel yaklaşım
O resgate de memória ocorreu com o auxílio da dinâmica dos cartões, onde os mesmos continham os nomes de algumas Oficinas de Aprendizagem realizadas ao longo de três anos de Ensino Médio que os alunos já haviam participado. Certamente, os alunos tiveram a oportunidade de frequentar algumas delas durante o período e, assim, ao escolhê-las, poderiam resgatar algumas lembranças.
Como já apresentamos, para Paiva (2006) existem vários parâmetros que caracterizam a autonomia dos alunos. Nessa primeira etapa do Grupo focal 1, verificamos a indicação dos seguintes parâmetros:
- Parâmetro 2: a autonomia, a autoconfiança e motivação; - Parâmetro 8: estratégias metacognitivas;
- Parâmetro 9: as dimensões sociais e individuais;
- Parâmetro 12: dimensões psicológicas, técnicas, sociais e políticas.
Sintetizando nossos dados na tabela 1, selecionamos e classificamos turnos de fala onde encontramos evidências de autonomia coletados a partir de relatos que envolvem lembranças dos alunos, obtidos através de perguntas que provocaram o resgate de memória. Parâmetros de autonomia 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Alunos/ Turnos de Fala A32(19) A33(23) A36(43) A37(48) A38(54),(56) A35 (36) A31(9)(13) A34(25)(29)(34) Tabela 1. Parâmetros de Autonomia - Grupo focal 1: Resgate de memória.
Verificamos quando fazíamos o resgate das memórias dos alunos, 12 turnos de fala em que estes aspectos são destacados. Para melhor compreensão da nossa análise, descrevemos a seguir com maior detalhamento os parâmetros encontrados.
O trecho a seguir foi extraído do relato dos alunos A32 e A33, após a mediadora sugerir a escolha de uma Oficina de Aprendizagem. Imediatamente, o aluno A32 optou por falar sobre a Oficina “Caçadores de Mitos e Lendas”, uma oficina que teve o intuito de buscar informações sobre os mitos e lendas presentes na sociedade.
(19) A32: Ahh! Gostei muito da oficina, da minha equipe também. Eu gosto
muito de mitologia essas coisas de Grécia. Eu também me envolvi bastante nas aulas de História. Gostei bastante!
Quando feita a mesma pergunta à aluna A33, ela escolheu a oficina SOS Vida, com temática na atuação da medicina:
(23) A33: Por que foi uma oficina mais voltada para medicina que a gente
teve. Também é... uma... tipo uma... Comunicação com... uma médica cubana... a gente teve a oportunidade de conversar com ela.. ah é isso!
Nos depoimentos relacionados aos turnos (19) e (23), percebemos a satisfação na escolha da oficina e a realização pessoal no conteúdo oferecido. As expressões e gestos, durante a entrevista, demonstraram que esses alunos estavam
felizes com suas escolhas e, com isso, durante o período de aula, tornaram-se mais participativos e empenhados na resolução do desafio proposto pela temática da oficina. Paiva (2006) enfatiza a importância da autoconfiança e motivação no desenvolvimento da autonomia, fatores que a opção de escolha pela Oficina parece proporcionar. Tal característica da autonomia fica evidente quando o aluno A33, no turno de fala (23), deixa transparecer o desejo de satisfação por ter realizado a sua escolha. Demonstrou ser autoconfiante e que sabe gerenciar sua própria aprendizagem, seja na escolha de uma oficina, na escolha de uma problemática a ser trabalhada, na apresentação de um novo desafio e, assim, desenvolver autonomia e confiança, fundamentais ao profissional do futuro.
Ainda relacionado ao turno de fala (19), o aluno relata o envolvimento nas aulas de História, transparece a motivação e o desejo de aprender mitologia Grega. Segundo Martinez (2008), a autonomia do aluno não surge espontaneamente; mas, do desenvolvimento da relação que o aluno tem com o meio a que ele pertence, as necessidades que ele tem de comunicação.
Martinez (2008) assegura que motivação e autonomia estão unidas. Relembra que, quando há motivação inicial pode-se controlar tanto o processo de aprendizagem quanto a própria motivação no processo. Observamos tanto no turno (19) como no turno (23), sucesso na escolha das temáticas das Oficinas de Aprendizagem e, consequentemente, aumento da motivação e disposição para aceitar a responsabilidade por sua própria aprendizagem.
Passamos, agora, a analisar os turnos de fala pertencentes ao parâmetro oitavo, que trata das estratégias metacognitivas. A seguir, o depoimento do aluno A36:
(43) A36: Ah! O Eduardo e Mônica eu já tinha uma expectativa muito
grande logo quando eu entrei, porque assim, eu tinha amigos que tinha entrado antes que eu e diziam: faz Eduardo e Mônica! Aí eu pensei... Será que é boa mesmo? Será que realmente vale a pena? Fui, fiz e valeu a pena porque eles me aconselhavam. E, realmente valeu a pena. Foi uma das melhores oficinas que eu fiz! A equipe foi excelente, uma das melhores da sala... Acho que a única também não?
A Oficina escolhida pelo aluno A36 apresenta temática sobre a sexualidade e a necessidade de compreender sentimentos, pensamentos e comportamentos associados ao ser homem e mulher. Por ser um assunto bastante comum e curioso entre os adolescentes e jovens, a oficina é sempre sucesso em suas edições. É
comum, na metodologia, os alunos que já estudaram o assunto, recomendar aos demais colegas.
No turno (43), o aluno A36 demonstra a preocupação na escolha da temática da Oficina de Aprendizagem. Ele busca informações com os demais alunos que frequentaram a mesma temática em anos anteriores e, então, decide-se por fazê-la. Seu comportamento autônomo o ajudou na escolha e na satisfação da mesma. No turno (43), ficam claras as estratégias metacognitivas relacionadas à tomada de decisões e avaliação.
O depoimento a seguir também está relacionado ao oitavo parâmetro proposto por Paiva (2006):
(48) A37: [...] Quando eu entrei aqui eu era muito aquela fase... era muito
infantil ainda.... me ajudou a ter amadurecimento. [...] Problemas que aconteceu dentro da oficina... Eu não sabia como se resolvia entendeu?
Paiva (opus cit) cita que a autonomia está intimamente relacionada às estratégias metacognitivas: planejar/tomar decisões, monitorar e avaliar. O aluno A37 demonstrou em seu depoimento certa fragilidade ao ter que lidar com algumas situações, porém, assume estar menos passivo e incentivado a modificar sua postura, a pensar diferente, a ver novas possibilidades a serem usadas, a reorganizar as situações diferentes.
Ainda relacionado ao depoimento do aluno A37, Paiva (2006) aponta como características de autonomia, o reconhecimento das necessidades. A nosso ver o aluno A37 reconhece, no turno (48), as dificuldades que tinha diante dos problemas vivenciados. Esse aluno sempre apresentou fragilidade e dificuldades de relacionamentos, principalmente em fazer amizades, demonstrando certas carências emocionais e com necessidade de fantasiar histórias engraçadas ou fatos curiosos para chamar a atenção dos demais alunos da sala. Com essa atitude, a de contar vantagens, e ele se sentia menos excluído. Relacionamos, ainda, a esse depoimento, conceitos de Rubin (2001 apud NICOLAIDES 2007) que, ao apresentar as cinco etapas da metacognição, aborda sobre a etapa do monitoramento, que é uma fase pertinente ao depoimento analisado, pois o aprendiz é capaz de identificar suas dificuldades no foco de atenção, emoções, estratégias cognitivas ou socioafetivas.
Em relação ao nono parâmetro, sobre as dimensões sociais, destacamos dois turnos de fala, onde fica bastante evidente a relação de amizade que se inicia no trabalho em equipe, durante as oficinas.
(36) A35: Eu acho que... O pão! Que foi uma oficina que eu conheci muitos
dos meus amigos que eu sou muito unida até hoje! Ih... vamos sendo para mim... aprendi bastante e eu dei muita risada. Acho que a gente mais se divertiu do que estudou.
(54) A38: O Pão também!
(55) Mediadora: Por que o Pão A38?
(56) A38: Por que foi onde eu, igual à aluna A35, eu conheci a maioria dos
meus amigos, que eu sou até hoje, então marcou bastante!
Percebemos, nos depoimentos, que ambas as alunas A35 e A38 optaram pela mesma Oficina de Aprendizagem. A oficina Pão é reeditada todos os anos e possui uma temática empreendedora e dinâmica. É considerada uma oficina prática e, durante as aulas, os alunos literalmente colocam “a mão na massa”. Nela, trabalham a interpretação de receitas, medidas e tabelas nutricionais. A finalização dos trabalhos são preparos de bolos e pães. Há, ainda, participação em concursos nacionais de sanduíches e todo um preparo com a postura e o modo de falar do aluno. As características da oficina parecem favorecer a dimensão social destacada no resgate das memórias das alunas A35 e A38. No turno de fala (56), a aluna cita inclusive, a mesma condição da aluna A35 no turno de fala (36), a preocupação de fazer amizades, de pertencer de fato à equipe, deixando clara a importância das relações sociais, uma das características do processo de autonomia.
Ao perguntar ao Aluno A31 sobre qual oficina escolher, prontamente responde:
(7) Mediadora: [...] eu gostaria que você escolhesse uma oficina... (9): A31: O X do tostão ! (responde em seguida a pergunta) (10) Mediadora: O X do tostão? Então pode pegar um. (11): A32: hã...
(12) Mediadora: A31, por que você escolheu O X do tostão? fala sobre ela.
(13) A31: Ahh... por que é uma oficina muito bacana de se fazer... Assim..
Ai pra falar bem... Bem, bem a verdade escolhi ela por causa que foi o colégio X estava passando momentos difíceis pela perda?? Perrrrrda? Perca do L. e todo mundo se uniu muito nessa época. Então eu escolhi essa oficina por causa disso! Que foi onde fez um elo maior com a turma (silêncio de todos).
No turno (13), a aluna A31 apresenta seu depoimento com indícios de sentimentos de respeito, atenção pelo outro, representando valores para a vida. Ela
trata a respeito da morte de um colega (aluno L.) que ocorreu no ano letivo da Oficina de Aprendizagem. Essa situação marcou a lembrança da aluna e a dos demais colegas que, ao ouvirem esse relato, emocionaram-se, o que nos remeteu aos traços apresentados por Paiva (opus cit), já que de acordo com ela, na promoção da autonomia do aprendiz, é necessário levar em consideração as dimensões psicológicas e sociais. Assim, a nosso ver, esse é um indício de que as metodologias das Oficinas de Aprendizagem estão vinculadas a tais dimensões psicológicas e sociais.
O turno a seguir, também está relacionado a escolha da Oficina de Aprendizagem. Entre os turnos (25) a (34), o aluno A34 aponta a primeira oficina cursada no Colégio, como a mais marcante em sua lembrança. Nos turnos (29) e (34), a escolha é evidente.
(24) Mediadora: A34...
(25) A34: Acho que a voz do coração. (26) Mediadora: A voz do coração? por quê? (27) A31: the first...
(28):Turma: risos
(29) A34: Por causa que foi onde tudo começou né? Primeiro bimestre...
Primeiro ano... onde a dureza foi chegando...
(30) A32: conhecendo a metodologia...
(34) A34: É! Porque daí que a gente foi aprendendo de verdade como é
que é, eu acho!
Ao falar da sua escolha, o aluno lembra-se de momentos que, a nosso ver, representaram dificuldades com as Oficinas e é complementado pelo aluno A32. Os primeiros contatos costumam gerar medo da nova proposta, insegurança quanto à incapacidade de se trabalhar em equipe e quanto à escolha dos demais membros. Além de conhecer as mudanças, é preciso entendê-las, saber conviver com elas, acreditar e implementá-las. Vencer os paradigmas sobre o ensino tradicional, que estavam acostumados até aquele momento, e saber liderar as mudanças necessárias para o trabalho nas Oficinas, tendo, na maioria das vezes, que mudar a própria postura para vivenciar estas novas experiências.
As características de autonomia, apresentadas nos turnos de fala do aluno A34, parece-nos envolver o décimo segundo parâmetro, “ promoção da autonomia do aprendiz deve levar em consideração as dimensões psicológicas, técnicas, sociais e políticas”. Especificamente, na dimensão psicológica proposta por Benson (2008), a qual trata da construção das atitudes e habilidades que contribuem para
tornar o aprendiz responsável pela aprendizagem. Nesta perspectiva, a autonomia é considerada como subjacente e pode ser desenvolvida ou suprimida pela educação institucional.