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Gayrimenkul Piyasasında Sermayenin Artan Yoğunluğu

6.1 Gayrimenkul Projelerinin Dönemsel Dağılımı

6.1.2 Gayrimenkul Piyasasında Sermayenin Artan Yoğunluğu

Juarrero (1999, 2000) sugere uma perspectiva dinâmica para a ação humana. Para caracterizar ação humana, Juarrero (1999) distingue comportamento voluntário, ou intencional, de involuntário, ou não intencional. Segundo ela, ação só pode ser considerada voluntária desde que organismos, ou agentes, possuam consciência de seus atos. Ações voluntárias são, portanto, intencionais e adequadas à situação. Juarrero propõe que “o comportamento apropriado cujo princípio de movimento ou causa está dentro do agente, a/o qual tem consciência do que está fazendo, é paradigmaticamente “ação” (JUARRERO, 1999, p. 16, grifos da autora)36

. Quando a causa é a ignorância, o comportamento não pode ser considerado como voluntário, ou seja, ações pelas quais podemos ser responsabilizadas(os) exigem que estejamos minimamente conscientes do que estamos fazendo. Ação implica, portanto, intencionalidade e consciência.

Para ilustrar a distinção entre comportamento intencional e não intencional, a autora diferencia entre o ato de piscar os olhos (to blink) e o ato de dar uma piscadela (to wink), enfatizando que essa distinção é importante não apenas para os filósofos da mente, mas acarreta expressivas consequências morais e legais. Nossos julgamentos dependem de como respondemos à pergunta: “foi um piscar de olhos ou uma piscadela?”. Segundo Juarrero (1999), essa é a grande questão: aferir a intenção de forma que possamos discriminar entre graus de responsabilidade. Piscar os olhos, ao contrário de uma piscadela, é um comportamento não intencional, que não podemos controlar e que, portanto, não podemos ser responsabilizados por realizá-lo. Trata-se de um reflexo passivo. Uma piscadela, por sua vez, é algo que fazemos conscientemente e que, portanto, podemos ser responsabilizados. Nas palavras de Juarrero (1999, p. 2), “apenas o comportamento intencional qualifica-se como moral ou imoral; reflexos são amorais”. 37

Lembrando que atos de omissão ainda são considerados atos, mas somente se o agente está ciente da omissão. Se o agente não puder ao menos considerar lógica, cognitiva ou emocionalmente a alternativa, não se trata de algo que ela/ele poderia omitir (JUARRERO, 2000, p. 44).

36Tradução livre de: “Appropriate behavior whose principle of movement or cause is within the agent, who is aware of what he or she is doing, is paradigmatically “action” (JUARRERO, 1999, p. 16). 37

Tradução livre de: “Only intentional behavior qualifies as moral or immoral; reflexes are amoral” (JUARRERO, 1999, p. 2).

Dessa forma, Juarrero (1999, 249) propõe que agir conscientemente permite que se exercite o livre arbítrio nos seguintes sentidos: (1) quanto mais estruturada a entidade, mais complexa sua organização e seu comportamento, e, consequentemente, mais dissociada e independente de seu ambiente, ou seja, mais autônoma e autêntica. Sistemas auto-organizados selecionam o estímulo ao qual respondem e, assim, agem a partir de seu ponto de vista; (2) quanto mais complexo um organismo, mais livre ele é porque possui, simultaneamente, novos e diferentes estados para acessar; (3) a ação humana intencional é livre na medida em que as restrições contextuais mantêm os níveis mais complexos de sua organização neurológica, aqueles que regem o significado, os valores e morais, sob controle. Ainda que esses níveis regulem e fechem opções, eles, simultaneamente, liberam, qualitativamente, novas possibilidades para a expressão desses valores e morais.

Para ilustrar esse movimento, Juarrero (ibid.) faz uma comparação interessante entre a construção de um soneto e a emergência da ação. A estrutura de um soneto restringe as escolhas de um poeta, mas ao mesmo tempo abre novas possibilidades para uma expressão significativa e bela. O mesmo acontece com a ação. Nas palavras da autora,

agir conscientemente a partir de um nível significativo limita a gama de comportamento potencial: se você for se comportar eticamente, há algumas coisas que você simplesmente não pode fazer. Ao mesmo tempo, entretanto, juntamente com a decisão de ser ético, outras novas possibilidades aparecem, por conseguinte, tornando o agente mais livre dentro daquele contexto (JUARRERO, 1999, p. 248).38

A perspectiva de Juarrero concebe as restrições que emergem no sistema não apenas como impossibilidades ou circunstâncias inibitórias, mas também, simultaneamente, como propiciadores de comportamentos inovadores e significativos que acabam por manter o sistema vivo. Como questiona Juarrero (2000, p. 33), se todas as restrições limitassem os graus de liberdade das coisas, os organismos, seja filogeneticamente ou evolutivamente, fariam, progressivamente, menos e menos. No entanto, exatamente o oposto pode ser observado empiricamente. Algumas restrições

38Tradução livre de: “Acting consciously from a meaningful level limits the range of potential behavior: if you're going to behave ethically, there are some things you just can't do. At the same time, however, together with the decision to be ethical, other new possibilities appear, thus making the agent freer within

não apenas reduzem o número de alternativas, mas também, simultaneamente, criam novas possibilidades.

Juarrero (1999) pontua que uma grande vantagem de sistemas dinâmicos, incluindo as pessoas e suas ações, é o fato de que eles não são átomos isolados, mas estão sempre conectados, em rede, dentro do tempo e espaço. Dessa forma, SACs carregam consigo, o tempo todo, sua filogenética e sua história desenvovimental. Por isso,

não podemos começar de novo, no meio de nossas vidas, como se os anos passados nunca tivessem acontecido. Por outro lado nós não estamos, pela mesma razão, condenados a um futuro predeterminado. As escolhas de ontem afetam as opções de hoje, mas as escolhas feitas hoje também influenciam aquelas opções disponíveis amanhã (JUARRERO, 1999, p. 252).39

Isso porque o ambiente coevolui conosco. Nichos mudam em resposta aos organismos que os ocupam tanto quanto organismos adaptativos são selecionados por nichos existentes. As mudanças podem não ser perceptíveis no dia a dia, mas, com o tempo, elas fazem a diferença, para melhor ou para pior. Em um processo de reconfiguração constante do espaço de possibilidades, cada passo aumenta, ou diminui, as opções disponíveis ao organismo: cada escolha altera tanto a viabilidade quanto a probabilidade de passos futuros.

Assim, Juarrero coloca o agente como ser ativo no ambiente, e não passivo, determinado por sua história e interações no ambiente. Ao contrário, é o agente, através de decisões conscientes, quem determina o curso de sua história. Nas palavras de Juarrero (1999, p. 253), “nós não somos produtos passivos do ambiente ou de forças externas. Na realidade, nós contribuímos para as circunstâncias que, mais tarde, nos restringem”.40