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Güzelin Peşindeki Ruh: Ölümsüzlük Arayışı

3.2. Platon’un Şölen Diyaloğu ve Kanbur

3.2.1 Güzelin Peşindeki Ruh: Ölümsüzlük Arayışı

O que diz respeito ao ser, ao ser que se colocaria como absoluto, não é jamais senão a fratura, a rachadura, a interrupção da fórmula ser sexuado, no que este ser sexuado está interessado no gozo (LACAN, 1972-73, p.20).

O conceito de gozo se definiu, ganhou corpo e espaço durante o ensino de Lacan, até se valer do estatuto do próprio ser em sua obra. Miller (2005) consegue nos oferecer os caminhos do gozo pelo ensino de Lacan sem perder seu alicerce na teoria freudiana. Para este autor, em resumo, houve uma tentativa operada por Lacan para traduzir a libido freudiana, no conceito de gozo.

No começo de seu ensino, mais exatamente formalizado no Seminário IV ‘As relações

de objeto’, Lacan acreditava poder tratar o gozo – que, para ele, pertencia ao imaginário, ou

seja, à instância do eu freudiano – pelo significante do falo, um significante capaz de reduzir em si tudo que é do gozo. Nesta seqüência, o gozo passaria ao simbólico e ali seria tratado e relançado aos percalços do desejo, o que levou Lacan a apontar o sujeito da fala como vazio: vazio de libido.

No entanto, em determinado momento – Seminário VII ‘A ética da psicanálise’ – Lacan percebe que o gozo não é saturável pela instância significante do falo e tal percepção, qual seja, a percepção de que há sempre um resto que ao próprio corpo teórico não é permitido significantizar, relança seu ensino. Para Miller (2005, p.121) a mola – ou a causa como quiser, – do ensino de Lacan é justamente, neste sentido, a noção de gozo. Então, neste momento, Lacan vai valorizar a inovação freudiana, o qual apontou para uma ultrapassagem dos limites do prazer para o mais além do princípio do prazer e, decididamente, vai chamar esta ultrapassagem de gozo, pois reconhece que “o conceito de falo e de desejo não bastam para esgotar o que a pulsão e a satisfação em Freud comportam” (MILLER, 2005, p. 121).

Assim, no Seminário VII, Lacan liga o gozo à transgressão, pois que o considera essencialmente ligado ao excesso e, desta forma, somente parte deste gozo poderá ser moderada pelo significante uma vez que haverá sempre, irremovível, um resto que resiste. Em seguida, no Seminário XI “Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise”, este resíduo de libido irredutível ao falo se chamará ‘objeto a’, sendo elevado a um objeto da psicanálise, enquanto o falo desce de seu pedestal e se torna “nada mais que um semblante” (Ibidem, p. 123).

Desta forma, Lacan afinou o conceito de gozo ao não tratá-lo mais como transgressão, mas reconhecendo como fixo seu traço de excesso e qualificando o objeto a como resíduo libidinal, pois o falo não satura a questão do gozo.

Ainda segundo Miller (2005), contemporaneamente ao Seminário XVII, “O avesso da psicanálise”, ao elaborar os matemas dos discursos, Lacan dá um novo salto que consiste em três traços principais:

1. Ele qualifica o objeto a como “mais-de-gozar”. Aqui Lacan vai falar de uma anulação do gozo pelo significante do falo, mas esta operação não é sem resto. Assim, o objeto a enquanto “mais-de-gozar” é o excesso de gozo que insiste depois de passar por alguma anulação pelo significante fálico.

2. Acentua o aspecto lógico do objeto a na medida em que este se faz termo, um elemento, na estrutura do próprio discurso. O discurso seria ele mesmo uma forma de logicizar o objeto não absorvido pelo significante fálico.

3. E, talvez o aspecto mais importante para nosso tema, é quando Lacan faz do gozo uma instância primária a partir da qual se situa o significante e o sujeito. Assim:

Esse seminário introduz a relação primitiva do saber ao gozo, saber entendido como a relação de S1 a S2. Essa relação primitiva é feita para dar conta do que, sendo da ordem simbólica, o significante, a articulação significante, surge na junção com o gozo (MILLER, 2005, p. 124).

Neste sentido, o sujeito é um “rebento” que se constitui a partir de uma relação particular: a do significante com o gozo. O caráter real do gozo se afirma e, no mesmo golpe em que afirmamos seu caráter primário reduzimos o significante a um semblante. Este salto teórico desembocará ainda em nosso seminário chave – o XX – onde Lacan vai reafirmar o gozo enquanto primário e o simbólico, com suas “categorias significantes”, como sendo sempre da ordem de um semblante.

Bem entendido: “o gozo é uma instância primária e o sujeito está sob seu primado” (Ibidem, p.125). Aqui o objeto a que, uma vez tratado como positivo do gozo, é insuficiente para “designar a dimensão positiva não eliminável do gozo, como uma espécie de gozo primário, a partir da qual ressitua o conjunto dos significantes” (Ibidem, p.142). O gozo não pode mais ser visto como um elemento tal como aparece na forma de objeto a onde se situa em um discurso. O gozo é diferente de um elemento e foi por isto que neste seminário ele introduz a teoria dos nós, tentativa de, mais uma vez, formalizar algo do gozo (Ibidem, p.247). Assim, para Lacan (1972-73), o que funda o ser é o gozo, pois “a linguagem não é o

ser falante” (ibidem, p. 10), repitamos esta frase. Na seqüência, Lacan nos aponta o Direito como local de manifestação da linguagem em sua utilidade própria: fazer existir um código que possibilita “repartir, distribuir, retribuir o que diz respeito ao gozo” (Ibidem, p. 11). O direito, com seus códigos, essencialmente com a lei do usufruto, instituem as formas possíveis de se gozar com seus próprios meios, mas não permite “enxovalhá-los”. Desta forma, ao lado do gozo “que não serve pra nada”, encontramos a linguagem com um certo “valor de uso, ou seja, o estatuto de utensílio” (Ibidem, p.11-12).