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IV. BÖLÜM: ÖRNEK OLAY İNCELEMESİ (ABD-G. KORE ve AB-G.KORE

4.3. GÜNEY KORE PERSPEKTİFİNDEN ABD VE AB İLE STA’LARI

Aristótelese AsuperAçãodopArAdigmAdA AcAdemiA

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chegou à Academia com uma inclinação forte para o estudo dos animais e plantas.

Ingressava, assim, na escola de Platão, dominada pelo paradigma da matemática, a qual frequentara por vinte anos, um jovem estudante com clara tendência para o observação empírica, a classificação dos con- ceitos e a sua hierarquização. Sustenta-se que, após a morte de Platão, por se sentir preterido pela escolha de Espeusipo para suceder ao mestre, Aristóteles, vai para Assos, onde Hérmias, que estudara com Platão e fora escravo, se tornara arconte. Ainda que se aceite essa eventual dife- rença entre os dois, a verdade é que havia afinidade entre o pensamento do estagirita e o de Espeusipo.

Espeusipo, sobrinho de Platão e que vai sucedê-lo à frente da Aca- demia, também já mostrara pendor para estudo do empírico e para as classificações, de tal sorte que Theodor Gomperz o coloca como um pre- cursor de Aristóteles. Todavia, há que se ver entre eles mais contempo- raneidade do que propriamente antecedência do primeiro em relação a Aristóteles.

De todo modo, quando se consideram os dez livros de Espeusipo2 , que receberam o nome de Homóia (as coisas similares), o que se pode concluir é que, no interior da escola de Platão estava em gestação uma nova escola filosófica que se oporia ao modelo matemático e geométrico que iluminou o genial sucessor de Sócrates. O mundo das ideias, das formas incorruptíveis recebia nos seu coração, a Academia, aqueles que seriam os seus mais ferrenhos opositores.

Não é difícil concluir que Aristóteles, depois de tanto tempo es- tudando na escola de Platão, tivesse chamado a atenção do seu mestre. Platão dera-lhe o epíteto de “leitor” e aqui há que registrar a revolução que essa simples designação parece signficar. Até o estagirita, o grego que se dedicava aos estudos não lia os textos, mas se reclinava “3 passiva- mente para saborear, como uma representação teatral, as frases que um

2 GOMPERZ, T. Pensadores Griegos. Buenos Aires: Editorial Guarania, 1955.v. 3, p. 12.

3 MESQUITA, A. P. Aristóteles: Introdução Geral. Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da

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servo educado recitava. A novidade introduzida por Aristóteles foi a de acumular numa só pessoa a dupla função de recitador e de ouvinte, fa- zendo assim evoluir a noção arcaica de leitor como aquele que lê alto para

outrem e fundando a partir dela a noção moderna de leitor como aquele

que lê baixo, ou em pensamento, para si mesmo.4”

Pode-se reconhecer que essa atitude ativa, que Aristóteles de- monstrou com sua relação com a leitura, fosse também uma qualidade necessária para as monumentais pesquisas empíricas, tanto no campo dos animais e quanto das plantas, que empreendeu. Em tais pesquisas, ele não apenas recolhia os dados, mas os “lia”. Ao colocar a mão na mas- sa, ao valorizar os dados concretos, recolhidos pela experiência, Aristó- teles em seu desejo de saber, despojou-se de muitos preconceitos aristo- cráticos que permeiam as sociedades escravagistas.

O distanciamento de Aristóteles de Platão aconteceu, portanto, ainda na Academia5. Das obras que nos chegaram, as

Categorias consti-

tuem um exemplo de antiplatonismo militante, onde o estagirita ence- ta decididamente os seus passos na construção de seu universo próprio universo filosófico. Demais, esse texto é a porta para a lógica, a ciência e a metafísica em Aristóteles. Nele, o ser é apresentado segundo o esquema categorial, onde essas representariam o ser objetivo, distinto do ser pen- sado. Aqui aparecem a substância, a espécie, o gênero e a sua estrutura de predicados (qualidade, quantidade, relação, quando, onde, ter, fazer, sofrer, estar-em-uma-posição). A tábua das categorias será imprescindí- vel para a implantação e explicitação dos outros lugares fundamentais de sua filosofia: o ser segundo a falsidade e verdade (De Interpretatione e

Metafísica), essencial ao desenvolvimento da lógica; o ser segundo a po- tência e o ato (De Interpretatione e Metafísica); e o ser segundo a essência e o acidente (Metafísica), onde as coisas e os fenômenos são sempre identi- ficados sob a ótica do que lhes pertence como essência e do lhes pertence como acidente.

4 É de se supor que os ex-escravos que frequentavam a Academia não tenham tido o

servo-leitor. No caso de Aristóteles, isso foi uma escolha intelectual.

5 MAGALHÃES-VILHENA, V. O Problema de Sócrates. Lisboa: Calouste Gulbenkian,

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Aristóteles deixou marcas profundas na história do pensamento. Organizou de forma sistemática a lógica da antiguidade, fundamentou e desenvolveu a teoria das proposições e dos silogismos, introduziu o uso de letras para representação das proposições, enunciou o princípio da não-contradição, criou a lógica modal, a biologia, fundamentou teorica- mente a troca de trabalhos distintos (teoria do valor), explicou o sentido do dinheiro (Livro V da Ética a Nicômaco), fez a primeira história consti- tucional, em seu livro AConstituição de Atenas, e fundou uma das escolas

filosóficas mais importantes do pensamento da antiguidade, ao lado da platônica e da filosofia de Epicuro. Legou noções importantes à filosofia e marcou profundamente o léxico filosófico.

Sua filosofia constitui um diálogo com as outras filosofias de Gré- cia antiga, mas principalmente com a grande filosofia de Platão. A esse propósito, vale ouvir o condensado comentário de Magalhães-Vilhena, esse notável historiador do pensamento que Portugal nos deu: “(...) toda a sua concepção da ciência e do espírito do investigador o opõe à do seu mestre.” Considerando o “ser” como distinto do “ser pensado”, compre- ende o conhecimento como uma apreensão das “essências” que as quali- dades empíricas das coisas cercam com um invólucro”. Subordinando as ideias à linguagem, ao passo que Platão subordinava o mundo às ideias (como diz Bacon), Aristóteles edifica sobre as bases da representação sensível (...) e da linguagem(...) uma lógica, uma metafísica, uma ciência: uma lógica do discurso na qual as operações do intelecto consistem em classificar e hierarquizar conceitos, em debater-se com uma pirâmide de vocábulos de extensão decrescente”, em atribuir predicados a sujeitos, em ordenar as qualidades em cascatas de silogismos; uma metafísica na qual se explica o real pelas qualidades das substâncias; uma ciência do universo que consiste em hierarquizar e ordenar as qualidades.”

Poucos pensadores terão influenciado a história do pensamento como o estagirita. Seu pensamento fascinou muçulmanos e cristãos, como Averróis ou São Tomás de Aquino, idealistas ou materialistas, como He- gel ou Marx. Uma das linhas mais contínuas em sua obra vasta é a ten- tativa de dar conta do real, admitindo que esse em seu trânsito para cor- ruptibilidade, em seu movimento incessante, possui estados de relativa

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permanência que permitem o pensar e a racionalidade, por oposição a seu mestre Platão, que separa o mundo corruptível do mundo das ideias. Em Aristóteles, o pensamento, os enunciados, ainda que constituam uma or- dem própria, podem dizer como as coisas são de fato. Dar conta do sensí- vel é a divisa permanente de seu esforço gigante para explicar o mundo.