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Neste trabalho, procuramos investigar como ocorrem as retomadas anafóricas na linguagem infantil em PB, a partir dos traços de animacidade, especificidade e gênero semântico, a fim de averiguar se o traço de gênero semântico é o fator fundamental e suficiente para o condicionamento de pronomes vs. objetos nulos, ou seja, se a partir desse único traço podemos explicar as retomadas anafóricas em PB. Seguimos o princípio lógico da Navalha de Occam (ou Princípio de Economia), procurando explicar a retomada anafórica do objeto direto em PB a partir de um único traço – e não dois ou três, como vinha acontecendo na literatura. Para tanto, analisamos dois corpora de fala infantil, e a partir das retomadas anafóricas categorizamos os referentes a partir dos traços de animacidade, especificidade e gênero semântico.

Acreditamos que nosso trabalho contribui para a explicação das retomadas anafóricas em PB, pois a partir dele é possível sustentar a ideia de que o traço de gênero semântico basta para explicar o condicionamento entre formas preenchidas e categoria vazia, e mais que isso, para descrever como funciona o uso dessas formas (nulas e preenchidas) como objetos diretos anafóricos de terceira pessoa em PB na linguagem infantil. Nossos dados apontam que as crianças generalizam o uso do objeto nulo, e apontamos que isso pode ocorrer devido ao fato de elas atribuírem gênero semântico ao gênero gramatical.

Além disso, nossos dados corroboram a ideia de que a categoria vazia (objeto nulo) é a forma não marcada de retomada anafórica em PB, sendo a forma default e muito mais recorrente na língua, enquanto que a forma preenchida (pronome) é a forma marcada, menos frequente.

Indubitavelmente, ainda há muito que descobrir sobre as retomadas anafóricas e a competição entre objetos nulos e pronomes, mas, esperamos ter contribuído um pouco para um melhor entendimento e descrição desses fenômenos.

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