2. Avrupa Birliği’nde En Çok Göç Alan Devletler
1.2. Göç Eylem Planı
A bimembridade da norma jurídica restou evidenciada no item anterior, já que composta, obrigatoriamente, por um antecedente e um consequente (aquele
33 Clarice von Oertzen de Araujo, ao prefaciar a 5ª edição da obra Teoria da Norma Jurídica, de Paulo de Barros Carvalho, afirma: “Esta obra, produzida nos primeiros anos da década de 1970,
foi apresentada por Barros Carvalho à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo para a obtenção do título de doutor em direito tributário (...) O arranjo e propósito desta pesquisa refletiu claramente o momento histórico que deu início à concepção do diagrama lógico-semântico denominado “Regra-Matriz de Incidência Tributária” e delineou, desde o momento de sua divulgação, os principais traços do percurso de ideias que sucederiam seus estudos jurídicos no andamento de longa e consistente produção. Ao dispor dos meios oferecidos por seu projeto matricial, o autor procedeu à desarticulação e superveniente reconstrução analítica da norma jurídica tributária.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Teoria da Norma Jurídica. 5ª Ed., São Paulo :
implicando este em razão da existência de uma causalidade jurídica). Diante disso, é possível classificar a norma jurídica de acordo as características destes elementos que a compõem (sendo certo que tal classificação será empregada, neste trabalho, com muita frequência).
Sendo assim, o antecedente normativo poderá ser abstrato ou concreto e o consequente geral ou individual. Logo, compõem o conjunto das normas jurídicas, por esse prisma classificatório, quatro espécies distintas: (i) abstratas e gerais; (ii) abstrata e individuais; (iii) concretas e gerais; e (iv) concretas e individuais.
A norma jurídica terá o seu antecedente classificado como abstrato quando estivermos diante de uma conotação, ou seja, quando a hipótese fáctica34 apresentar os aspectos que um fato social deve ter para, uma vez presentes (devidamente relatados em linguagem competente) se tornar um fato jurídico. Por conseguinte, o antecedente será tido por concreto quando se tratar exatamente daquele relato (denotativo35) que descreve (concretiza) o fato jurídico subsumível a um antecedente abstrato.
Assim, quando do antecedente tido por abstrato, em que pese o verbo constante (critério material juntamente com seu complemento) estar no infinitivo (auferir renda, ser proprietário de imóvel urbano, prestar serviço de qualquer natureza, etc.), a proposição estará voltada para o futuro. Em contrapartida, o antecedente tido por concreto volta-se, obrigatoriamente, para o passado (auferiu renda, prestou serviço, etc.).
34 “Usamos a expressão ‘hipótese fáctica’ para indicar a parte da norma que descreve um possível
estado-de-coisas do universo social (o universo físico ingressa nesse universo social por meio de seletores sociais). O termo ‘hipótese’ é um termo sintático: denomina o antecedente de uma relação-de-implicação.” (VILANOVA, Lourival. Analítica do Dever-ser. in: Escritos Jurídicos e Filosóficos. Vol. 2. São Paulo : Axis Mundi e IBET, 2003, p. 67/68).
35 “A pesquisa pela denotação de um conceito seria aquela que busca perceber que elementos se
ajustam às palavras. Já aquela que põe no centro dos seus interesses as características do conceito, seria o campo da chamada semiótica conotativa.” (GAMA, Tácio Lacerda. Competência Tributária: fundamentos para uma teoria da nulidade. São Paulo : Noeses, 2009, p. 166).
O consequente é tido por geral quando a mensagem jurídica volta-se a uma classe indeterminada de sujeitos e, por conseguinte, é denominado de individual, quando é possível determiná-los. Independentemente da classificação, se geral ou individual, o consequente volta-se sempre para o futuro.
Exemplificando as quatro espécies de normas, ensina Fabiana Del Padre Tomé36:
As regras-matrizes de incidência são exemplos de normas gerais e abstratas, enquanto que as sentenças são casos de normas individuais e concretas. Os veículos introdutores são típicas normas gerais e concretas, ao passo que as normas individuais e abstratas podem ser identificadas nos contratos firmados entre pessoas determinadas, objetivando ao cumprimento de prestações se e quando se concretizar uma situação futura.
Essa classificação será de suma importância ao estudo do conflito de competência em matéria tributária pelo prisma comunicacional do direito, posto que o recorte metodológico feito para tanto, atinge não só as normas que outorgam competência (gerais e abstratas) como as que instituem os tributos (também gerais e abstratas) e que aplicam tais tributos instituídos (individuais e concretas), sendo certo que em todas elas é possível construir uma nova norma (geral e concreta), para identificar o respectivo veículo introdutor37.
Explicitado o alcance semântico do termo “norma jurídica”, seus aspectos lógicos, necessários ao mínimo deôntico para sua imperatividade e, também, suas espécies ligadas à generalidade ou concretude do comando, em conjunto com a individualização, ou não, dos partícipes da obrigação jurídica a ela
36 TOMÉ, Fabiana Del Padre. O direito como linguagem criadora da realidade jurídica: A
importância das provas no sistema comunicacional do direito. In: ROBLES, Gregório e
CARVALHO, Paulo de Barros [Orgs.]. Teoria Comunicacional do Direito: Diálogo entre Brasil e
Espanha. São Paulo : Noeses, 2011,p. 112 (nota de rodapé n. 19).
37 “Ensina Paulo de Barros Carvalho que as normas andam aos pares. Há as normas introdutoras
e as normas introduzidas. As últimas não ingressam no direito, sem as primeiras. A norma introdutora - também chamada de veículo introdutor - apresenta uma estrutura hipotético- condicional deôntica (deve ser que, se a, então b) que exprime, em seu antecedente (a), o fato da consecução de um procedimento e, em seu consequente (b), o dever de se observarem as normas por ela introduzidas, tais como as leis, os contratos, as sentenças, decretos etc.”
(MCNAUGHTON, Charles William. Hierarquia e Sistema Tributário. São Paulo : Quartier Latin, 2011, p. 70).
inerente, passamos a demonstrar como os enunciados prescritivos (forma que possibilita o aparecimento daquele conteúdo - norma jurídica) se relacionam e, assim, preenchem o conjunto “sistema jurídico”38. Vejamos: