Conforme mencionado anteriormente, para analisar o universo escolar abrangido pelo presente estudo foi construída uma tipologia, para a qual se usou como referência a noção de “tipo ideal” de Max Weber (1993). O método tipológico criado por este autor é um instrumento de análise científica que consiste na comparação de elementos da realidade e na construção de modelos simplificados
com base em similaridades, particularidades e aspectos essenciais neles identificados. Tais modelos ou tipos são ditos “ideais” por auxiliar o pesquisador na compreensão de fenômenos sociais complexos.
Na concepção de Weber, o tipo ideal é um valioso recurso analítico para o cientista social, uma vez que aponta o caminho para a formação de hipóteses e para a construção de relações “objetivamente possíveis” entre determinados elementos. O autor sustenta que tal recurso tem caráter abstrato, na medida em que os tipos ideais não se manifestam (ou apenas esporadicamente o fazem) em sua pureza conceitual; portanto, não consistem em uma exposição da realidade em seus aspectos mais gerais, mas em um instrumento de apreensão sociológica de fatos e eventos sociais em suas particularidades: “[...] a finalidade da formação de conceitos de tipo ideal consiste sempre em tomar rigorosamente consciência não do que é genérico, mas, muito pelo contrário, do que é específico a fenômenos culturais” (WEBER, 1993, p.145).
Em consonância com isso, ressalta-se que a tipologia elaborada a partir das análises preliminares dos sites escolares busca apresentar uma construção “típico- ideal” do universo escolar investigado, destacando os aspectos centrais de cada grupo, os quais derivam de suas particularidades e características comuns. Nesta classificação e na denominação de cada grupo foi considerado o teor dos discursos e das propostas de “responsabilidade social” das escolas pertencentes ao universo investigado. Ou seja, foram analisados, nos sites de cada estabelecimento de ensino, as expressões empregadas na definição dos valores que guiam sua ação educativa, suas propostas pedagógicas de cunho social, o desenvolvimento de projetos curriculares ou extracurriculares na área social, a existência de programas de inclusão e o recebimento de premiações ou certificações por sua atuação nessa esfera. Após a análise, as 32 escolas foram classificadas dentro dos três tipos descritos a seguir:
3.3.1 “Solidariedade instrumental”
Trata-se do grupo mais numeroso dentro do universo investigado, constituído por dezenove escolas, tanto laicas quanto confessionais, embora o termo “solidariedade” remeta a uma dimensão mais laica da “responsabilidade social” destas escolas, cuja atuação concentra-se majoritariamente em propostas e práticas
de voluntariado ditas “solidárias”. Tais propostas, bastante similares à perspectiva de RSE (Responsabilidade Social Empresarial) seguida pelo terceiro setor, concebem o “outro” como sujeito das ações de solidariedade, traçando uma importante diferença em relação à posição ocupada por aqueles que formulam, organizam e desenvolvem tais ações. Com efeito, este grupo de escolas caracteriza-se por desenvolver uma relação estratégica com as ações sociais, vislumbrando possibilidades de ganho para os educandos, que vão além da interação com indivíduos de outros universos socioculturais. Em especial, é incentivada uma relação “controlada” ou “vigiada” com esses indivíduos, com objetivos de caráter instrumental, como garantir uma utilização construtiva do tempo livre, enriquecer a aprendizagem dos alunos e, principalmente, contribuir para a formação de “líderes” capazes de atuar, intervir e promover transformações na realidade social.
A terminologia empregada por estas escolas na construção de seus discursos e de suas propostas pedagógicas de “responsabilidade social” apresenta, por um lado, semelhanças com os demais grupos: responsabilidade social, solidariedade, consciência (cristã), cidadania, inclusão, voluntariado, doação, transformação social, ações sociais, assistencialismo; por outro, destacam-se também termos e expressões que atestam o caráter mais instrumental das atividades de “responsabilidade social” neste grupo: aprendizagem e construção de habilidades na convivência com os “diferentes”, desenvolvimento de projetos de atuação e de intervenção na realidade social, uso construtivo do tempo livre, formação de lideranças socialmente responsáveis, empreendedorismo de cunho social.
A maior parte das propostas pedagógicas deste grupo refere-se a projetos extracurriculares e voluntários, como: Gincana da Solidariedade, Projeto Social Missionário, Escola na Rua, Geração de Renda, Campanha de Doação, Projeto Pastoral, Rede Solidária, entre tantos outros. São também promovidos alguns programas de assistência social que não contam com a participação do corpo discente: Projetos Sociais com Instituições Parceiras, Sistema de Educação Responsável, Casa da Acolhida, Programa Catarata tem Cura. Os projetos curriculares na área social, por outro lado, aparecem com menor frequência.
Em relação à inclusão social, uma das instituições concede uma “bolsa social” a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade socioeconômica, enquanto três aderiram ao Programa Bom Aluno, mas apenas uma menciona tal fato em seu site. Por fim, das dezenove instituições de ensino deste grupo, dez já
receberam o Selo Escola Solidária em uma ou mais edições, mas nem todas anunciam a obtenção do prêmio. Por outro lado, uma delas cita esta premiação como um dos motivos pelos quais a escola deveria ser escolhida por pais de alunos, o que mostra a importância diferenciada atribuída por esta instituição à abordagem de questões sociais. Os certificados Projeto Escola Irmã e Escola Voluntária também já foram recebidos por uma escola do grupo, e os troféus Solidariedade na Ponta dos Pés e Ação e Cidadania, por outra.
Este grupo parece reunir características identificadas por Tiramonti e Ziegler (2008), na Argentina, nos grupos por elas denominados “ayuda minimalista” e “filantropía, management y gratificación”.
O primeiro deles é caracterizado por projetos pedagógicos de caráter esporádico, de curto prazo e com objetivos limitados, que possibilitam contatos ocasionais com outras realidades socioculturais. Estes são marcados por ajudas efêmeras, as quais carregam uma visão do “outro” não como sujeito de direitos, mas como destinatário de assistência social. Neste caso, a ênfase está, sobretudo, na construção de habilidades e de conhecimentos por meio de eventuais contatos com outras realidades socioculturais, o que não exclui a busca secundária por uma sensibilização – de caráter cristão ou não – pelos problemas sociais. Em relação aos alunos, estes projetos serviriam, principalmente, para acentuar os vínculos existentes entre eles próprios, reforçando o sentimento de pertencimento a um grupo que compartilha estilos de vida bem específicos.
Seguem algumas declarações, extraídas dos sites de instituições pertencentes à tipologia desta pesquisa, que serviram para enquadrá-las neste grupo da “Solidariedade Instrumental”:
Formação Social visa a possibilitar aos alunos momentos de experiência, reflexão e ação que favoreçam a mudança de mentalidade, a conversão do coração e a capacitação teórica e prática, em vista da formação de agentes de transformação social [...].
O aluno é estimulado a questionar o meio em que vive, a interagir com o ambiente e com os outros e, por fim, a conhecer-se. Cada vivência, cada descoberta é transformada em aprendizado. Com a aplicação prática desta linha de pensamento, os alunos são motivados a utilizar a criatividade em seu sentido mais pleno e, assim, construir explicações para a realidade tornando-se pessoas autônomas, éticas, solidárias e com grande bagagem de conhecimento.
O engajamento em ações voluntárias auxilia enormemente o desenvolvimento social, cultural e humano dos estudantes, encoraja o uso construtivo do tempo livre, desenvolve o espírito de equipe, bem como a cooperação mútua, possibilita a oportunidade de trabalhos reais, de modo a ressaltar as habilidades específicas de cada um.
O segundo grupo identificado por Tiramonti e Ziegler (2008), mais próximo da abordagem tipicamente instrumental de RSE, apresenta uma visão ainda mais utilitária. O foco de suas atividades na esfera social é promover em seus alunos vantagens competitivas, como a capacidade de desenvolver atividades de intervenção sobre o social, colocando em prática habilidades de empreendedorismo, gestão e liderança indispensáveis à manutenção da posição de privilégio e de protagonismo de seu grupo social de pertencimento.
No levantamento feito para esta pesquisa, também foram encontrados estabelecimentos com discursos que revelam objetivos similares aos acima citados:
Educar e qualificar pessoas, a partir de valores cristãos, para serem cidadãos e cidadãs críticos(as), criativos(as), responsáveis e capazes de atuar na transformação da sociedade. Formar lideranças socialmente responsáveis sempre foi e sempre será nossa metodologia [...].
Objetivo da Rede Solidária: despertar o sentimento de solidariedade e cooperação entre as pessoas que constituem o universo acadêmico em que estamos inseridos, bem como a disposição para empreender ações que beneficiem outros grupos e/ou instituições necessitadas.
Nesta pesquisa, essa característica pode ser identificada, sobretudo, em estabelecimentos de ensino que já têm consolidada, entre as frações superiores da classe média e entre as elites dirigentes, uma tradição de excelência acadêmica e de formação de líderes.
Na presente tipologia, optou-se por reunir neste mesmo grupo todas as escolas cujas modalidades de intervenção sobre o social apresentam um caráter predominantemente instrumental. Com efeito, trata-se de instituições cujas propostas pedagógicas e ações educativas de “responsabilidade social” têm como principal finalidade a formação de líderes e a manutenção da posição social ocupada por seus alunos, fazendo do contato com outras realidades socioculturais um instrumento para o reforço e a construção de habilidades e de conhecimentos e para o estreitamento dos laços sociais dentro do próprio grupo de pertencimento.
3.3.2 “Caridade cristã”
O termo “caridade” é adotado na denominação deste grupo por remeter à dimensão mais estritamente religiosa de suas propostas e práticas de “responsabilidade social”, as quais se concretizam, na maioria dos casos, através de ações de caridade. Este tipo de responsabilidade é similar, resguardando-se as especificidades do campo educacional, à primeira fase da RSE. De fato, este grupo é formado por nove instituições de ensino confessionais, de orientação católica, cuja principal característica está no estímulo à prática do assistencialismo e da filantropia, apoiada em valores cristãos de fraternidade, solidariedade, compaixão e ajuda ao próximo.
Embora as ações sociais promovidas por estas escolas apresentem, na maior parte dos casos, um caráter esporádico e uma visão do “outro” como sujeito que necessita da assistência daqueles com melhores condições econômicas – assim como na já citada categoria da “ayuda minimalista” (TIRAMONTI; ZIEGLER, 2008) –, a busca pela sensibilização por causas sociais e pelo desenvolvimento de valores cristãos assume aqui um papel primordial. Por isso, considera-se que as instituições contempladas nesta categoria aproximam-se em maior medida do grupo denominado por Tiramonti e Ziegler (2008) como “caridad edulcorada”, o qual, ancorado no discurso cristão, faz referência ao altruísmo como um virtuoso ato de compaixão e de auxílio aos “mais necessitados”, proporcionando também, de acordo com as autoras, uma retribuição emocional aos alunos, uma vez que estes sentem- se enaltecidos por suas virtudes pessoais.
Outra questão que diferencia as escolas da “Caridade Cristã” daquelas confessionais da “Solidariedade Instrumental” é que trata-se, nesse caso, de estabelecimentos de ensino que, embora tradicionais em Belo Horizonte por sua longa atuação na área educacional, não costumam ser reconhecidos por sua excelência acadêmica e por uma ação pedagógica voltada para a formação de líderes.
Alguns termos frequentemente empregados por essas escolas são: responsabilidade social, fraternidade cristã, paz, justiça social, assistência social, solidariedade, transformação social, filantropia, ações solidárias e inclusivas, cidadania, doação, compromisso social.
Os trechos a seguir, extraídos dos sites institucionais, ajudam a compreender como questões relacionadas à “responsabilidade social” estão vinculadas às missões e aos valores de escolas deste grupo:
O ser humano deve ser percebido em três aspectos fundamentais: corpo, inteligência e espírito. Seu desenvolvimento integral só é alcançado trabalhando-se essas dimensões simultaneamente, sob uma ótica cristã e socialmente responsável. [...]. A ação educativa é pautada, portanto, na importância dada à educação de cada homem e de cada mulher de modo que os capacitem a construir seu próprio ser, a buscar relações de autonomia, a promover a convivência democrática, aprendendo a participar e realizar seus projetos de vida para o serviço à sociedade.
O Colégio [...] tem por finalidade promover uma educação evangelizadora, através de uma Comunidade Educativa, tendo por base o Evangelho que desperta para a fraternidade cristã e que leva cada pessoa a assumir o seu destino histórico e a empenhar-se na transformação da sociedade, tendo em vista o seu bem pessoal e o da Comunidade Humana.
A proposta pedagógica do Colégio [...] está pautada na formação humana inspirada no exemplo de Francisco de Assis, baseada nos princípios éticos da autonomia, da responsabilidade, da solidariedade e do respeito ao bem comum; [...] nos princípios humanos e cristão-franciscanos pautados pela paz e pela solidariedade. [...] A meta maior é envolver toda a comunidade escolar em projetos comuns, que contribuem para a construção de uma cultura de solidariedade e comunhão.
[Nossas atividades propiciam] o contato com a dura realidade de numerosas famílias que tiram seu sustento daquilo que muitas vezes descartamos... Essas vivências produzem efeitos muito eficazes na construção de indivíduos críticos, cônscios de suas responsabilidades e solidários.
Dentre os projetos propostos, prevalecem as campanhas de doação a populações carentes e as obras de assistência social. Alguns dos projetos extracurriculares voluntários desenvolvidos em escolas deste grupo são: Projeto Doação de Alimentos, Projeto Social Sorriso Solidário, Projeto Latinhas da Fraternidade, Projeto Partilha de Saberes e Projeto Alegria Partilhada. São também promovidas visitas a asilos, creches e comunidades carentes. Entre os projetos e as obras sociais que não contam com a participação direta dos alunos, podemos citar: Projeto Gratuidade Noturno, Casa Pequeno Cristo, Obra São José, Departamento de Serviço Social.
Apenas uma das escolas do grupo afirma, em seu site, desenvolver um projeto curricular de “responsabilidade social”, o qual, no entanto, é realizado somente uma vez por ano. Por fim, cabe citar que três instituições de ensino deste
grupo aderiram a programas de inclusão social reconhecidos – o Bom Aluno e a Incubadora de Talentos –, embora as demais possam contar com projetos não
citados em seus sites. Em relação aos certificados pela atuação na área social, uma escola sustenta já ter recebido o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, enquanto outras cinco receberam o Selo Escola Solidária em uma ou mais edições, segundo informações do Instituto Faça Parte (2010), ainda que este fato não seja mencionado nos sites de todas as escolas premiadas.
3.3.3 “Responsabilidade Crítica”
Trata-se do grupo que reúne a menor quantidade de escolas – apenas quatro. Três delas são cooperativas de ensino cujas entidades mantenedoras são formadas por pais de alunos e/ou educadores da própria instituição. São caracterizadas por um discurso voltado à busca de conscientização sobre as desigualdades sociais e de construção de atitudes tolerantes e livres de preconceitos na convivência com o “outro”. É enfatizado o comprometimento social e a necessidade de mudança de mentalidades e de construção de uma sociedade mais igualitária.
Além de uma terminologia similar àquela adotada por escolas dos grupos anteriores, são empregados termos e expressões que indicam, pelo menos nominalmente, o caráter mais crítico das propostas e atividades de “responsabilidade social” colocadas em prática pelas instituições de ensino deste grupo. Com efeito, aqui o principal propósito da formação para “responsabilidade social” parece ser, além da compreensão intelectual da realidade, a preparação dos alunos para a oposição às disparidades sociais. Dentre os termos utilizados, podemos citar: combate ao elitismo e ao preconceito em suas diversas manifestações, construção de uma sociedade igualitária, comprometimento com causas sociais, busca do “bem comum” aliada ao enfrentamento das desigualdades sociais, aceitação da diversidade, negação de privilégios e abertura da escola a todos.
Seguem algumas citações extraídas dos sites dessas instituições de ensino, as quais mostram algumas das características do grupo evidenciadas nesta seção:
Para quem almeja viver numa sociedade justa e igualitária, a necessidade de se lutar por uma economia solidária não deve ser motivo de espanto, na medida em que vivemos em um mundo não solidário no qual a economia
frequentemente é tida como um puro e simples sinônimo de competição. Assim, percorremos com os alunos um longo caminho para que pudéssemos entender o que configura nossa sociedade como não solidária.
Esta escola já surgiu com uma filosofia bem definida, [...] ela deveria repassar aos alunos os ideais de seus pais: liberdade de opinião, pensamento, credo e filosofia pessoal de vida; rejeição ao autoritarismo e ao preconceito em todas as suas formas [...]. Possibilitando o exercício da responsabilidade social da escola como um todo frente à comunidade, atuando em projetos e campanhas sociais para uma sociedade igualitária e justa, viabilizando o exercício da cidadania e da solidariedade, a formação de sujeitos sociais e éticos, que se comprometem com a humanidade e não apenas com interesses e necessidades pessoais, o contato do corpo discente com outras realidades sócio-econômicas.
[Esta escola] pretende ainda incentivar o compromisso com a redução das diferenças sociais e econômicas da nossa sociedade. [...] Esses valores são traduzidos num ideal de homem que seja participativo, cooperativo, que tenha o bem comum como fundamento de suas ações; num ideal de sociedade que seja igualitária, que não tolere as injustiças de qualquer natureza, que propicie aos seus integrantes possibilidades para a realização dos seus projetos de vida sem que o bem comum seja descuidado.
A ação educacional é orientada para o pleno desenvolvimento da personalidade humana, para o fortalecimento do respeito pelos direitos e liberdades fundamentais, para a construção de uma sociedade planetária fundada na igualdade, na solidariedade, na democracia, na justiça e na paz. [...] A diversidade e todos os processos inclusivos são valorizados, repudiando-se qualquer forma de preconceito, discriminação ou exclusão.
Apenas um dos estabelecimentos promove campanhas de doação a associações de diferentes tipos, e não é característica do grupo priorizar práticas assistencialistas e filantrópicas, uma vez que o propósito principal de suas propostas pedagógicas de “responsabilidade social” é a conscientização acerca das disparidades sociais e a busca pela formação de indivíduos capazes de conviver e atuar em uma sociedade mais justa. Tampouco está presente em seus discursos a proposta de desenvolvimento de projetos que não envolvam o corpo discente, nem de projetos extracurriculares voluntários de assistência, visitas e obras sociais. Pela análise dos sites institucionais depreende-se, portanto, que as questões relacionadas à “responsabilidade social” estão integradas ao currículo escolar, sendo privilegiado um contato constante com indivíduos provenientes de outros universos socioculturais, mediante a inserção de alunos bolsistas na própria escola ou o desenvolvimento de projetos de longa duração.
Por fim, é interessante notar que esse grupo é o único em que nenhuma das escolas divulga o recebimento de prêmios por sua atuação na esfera social.
Significaria tal fato uma atitude de recusa da premiação, representando a afirmação de um traço identitário típico destes estabelecimentos?
* * *
Uma vez apresentados os três grupos da tipologia construída para esta pesquisa, vale relembrar que, assim como na noção de tipo ideal de Weber (1993), também nesta investigação nem sempre uma escola apresenta todas as características de seu grupo. Em sentido similar, cabe observar que em alguns casos uma mesma instituição de ensino pode apresentar características consideradas “típicas” de mais de um grupo. Isso acontece, por exemplo, em escolas confessionais, que, embora estimulem a prática da caridade cristã, foram inseridas no grupo da “Solidariedade Instrumental”, posto que a ênfase de suas propostas de “responsabilidade social” recai, sobretudo, sobre a formação de futuros líderes empreendedores.
É também importante explicar que, assim como defende Weber (1993), as tipologias devem ser consideradas “ideais” apenas em seu sentido puramente lógico, não se confundindo, portanto, com a noção do “dever ser” ou do “exemplar”. Assim, os termos empregados para definir os grupos desta pesquisa (“Caridade Cristã”, “Solidariedade Instrumental” e “Responsabilidade Crítica”), definidos com base nos discursos das próprias escolas, são apenas meios auxiliares na caracterização dos tipos, não pretendendo guardar nenhuma conotação avaliadora das ações e práticas educativas efetivamente desenvolvidas por essas instituições de ensino.
Vale esclarecer, ainda, que essa tipologia necessitou ser aperfeiçoada no decorrer da pesquisa, de acordo com a realidade encontrada em campo. De todo