BÖLÜM 3: SANCAĞIN EKONOMİK DURUMU
3.5. Fiyat Hareketleri
Para o desenvolvimento da pesquisa, a estratégia é a de estudo de caso, a qual, segundo YIN (2001), é “utilizada quando se deseja investigar um fenômeno contemporâneo dentro do seu contexto de vida real, apresentando um conjunto de acontecimentos sobre o qual o pesquisador tem pouco ou nenhum controle”.
O caso único a ser estudado é o Projeto Jaboticabal Sustentável. A escolha desse objeto empírico justifica-se por ser uma experiência-piloto em andamento no município de Jaboticabal, a qual, como já explicitado anteriormente, congrega questões de debate atuais e científica, histórica e socialmente relevantes. Além disso, a autora, como integrante da equipe de pesquisadores da UFSCar, acompanhou parte importante do processo, o que se por um lado facilita o acesso a informações, dados e pessoas relacionados ao Projeto, por outro vem a dificultar uma análise mais isenta da experiência em estudo.
Dentro da estratégia de estudo de caso, a pesquisa se caracteriza ainda como sendo exploratória, segundo seus objetivos de maior aproximação com o fenômeno apresentado (SANTOS, 1999), visando compreender, por meio do seu processo de implantação, os fenômenos recentes da pesquisa e intervenção lá desenvolvidas, que estão em constante construção e transformação.
Nesse caso, a observação é participante, o que demanda uma atenção maior na apuração dos resultados, exigindo grande equilíbrio
intelectual e capacidade para lidar com a ampla variedade de evidências obtidas dos dados coletados (YIN, 2001).
Segundo SELLTIZ et al (1971), o estudo exploratório visa ainda, além de aumentar o conhecimento dos pesquisadores acerca de um fenômeno, a “obtenção de informações sobre possibilidades práticas, numa situação de vida real”, e ainda um “recenseamento de problemas considerados importantes para investigação dessas situações”.
Ainda segundo esses autores, “uma vez que o problema de pesquisa tenha sido formulado de maneira suficientemente clara para que possa especificar os tipos de informações necessárias, o pesquisador precisa criar o seu planejamento de pesquisa”, que consiste na organização das condições para a coleta e análise dos dados, de maneira a se obter significação para o objeto de pesquisa e economia de processo (SELLTIZ et al, 1971:59).
2.3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS DE COLETA E ANÁLISE DOS DADOS
Pela estratégia de estudo de caso único exploratório adotada na pesquisa, segundo YIN (2001), duas fontes de evidência fundamentais para essa estratégia são a observação direta e a série sistemática de
entrevistas. Além destas, outra importante fonte de evidências escolhida foi a
de dados quantitativos, que permitirão a análise mais objetiva do processo.
Na observação direta e participante podem-se coletar dados a partir de uma visão de “dentro” do estudo de caso, tendo acesso a reuniões, eventos
e grupos importantes para a pesquisa, mas há que se ter o cuidado com os pontos de vista tendenciosos, e a possibilidade de manipular acontecimentos.
A realização de entrevistas permite a coleta de informações a partir de pessoas participantes, desde que haja flexibilidade nas perguntas e respostas, e possibilita ao entrevistador observar não apenas o que o entrevistado diz, mas também como o diz (SELLTIZ et al, 1971:272).
Os dados quantitativos do Projeto são importantes para confirmar ou não afirmações e percepções mais subjetivas, oferecendo parâmetros mais precisos para as discussões e conclusões a cerca do processo.
Além das entrevistas e observação direta participante, foram utilizados ainda como fontes de evidência relatórios científicos, registros dos pesquisadores, relatos de reuniões e eventos, mapas cognitivos obtidos partir da sistematização do Projeto dentre outros, a fim de fornecer os dados qualitativos (subjetivos) e quantitativos (mais objetivos) necessários à investigação da hipótese.
A partir de hipóteses secundárias da pesquisa (derivadas das perguntas intermediárias), foram definidas as informações necessárias à verificação dessas hipóteses, assim como as fontes de evidência a serem utilizadas, e os instrumentos necessários à coleta desses dados.
Um planejamento mais detalhado da coleta encontra-se sistematizado no Quadro 1:
Quadro 1-Planilha de Planejamento e Coleta de dados
HIPÓTESE TIPO DE INFORMAÇÃO FONTES DE
EVIDÊNCIA INSTRUMENTOS E PROCEDIMENTOS DE COLETA E ANÁLISE A escolha de estratégias interferiu no projeto com relação a: Tipo de estratégia
Grau de eficácia, eficiência Relevância
Contribuição Fragilidade
Há interferência da participação
dos atores nas
estratégias com relação a:
Grau de organização (indivíduos / grupos)
Cultura participativa (alta / baixa) Representatividade das ações (legítimas / não legítimas)
Formação (formal / informal) e atuação profissional (função que ocupa)
Motivação pessoal (acredita / não acredita)
Liberdade de opinião (incondicional / restrita)
Tipos de participantes (diversidades / uniformidade)
Interesses no Projeto (pessoais / coletivos)
Postura (Pro-atividade ou reatividade) Capacidade de relacionamento (conflito / negociação) Disseminação do conhecimento (centralizadora / multiplicadora) Há interferência do Poder Público nas estratégias em relação a:
Presença de processos participativos na gestão (efetivos ou não)
Centralidade dos interesses (político- partidários / comunidade-município)
Relação com o Projeto (apoio amplo /restrito)
Relação com os funcionários (estímulo- liberdade / cerceamento-restrição)
Relação com o Grupo Gestor (autoritarismo-domínio / respeito- democrático)
Incorporação dos conceitos (discurso / ações efetivas) Há interferência da atuação dos pesquisadores nas estratégias com relação à:
Motivação pessoal (acredita / não acredita)
Atuação profissional (relacionada à temática / não relacionada)
Grau de engajamento (reativo / proativo) Relação com os atores (dominação / facilitação)
Postura do “saber” (totalitário / aberto) Produção do conhecimento (multiplica / não avança) Há interferência dos fatores externos nas estratégias com relação à:
Disponibilidade de recursos (suficientes / restritos)
Distância entre o centro de pesquisa e o de intervenção (próximo-facilidades / distante-dificuldades)
Prazos estipulados pela Fapesp (favorecem / dificultam o processo)
Entrevistas dirigidas e Observação direta ligada à entrevista aos sujeitos da pesquisa Atores -GAJS -Outros Poder Público -Prefeitura -Autarquias Pesquisadores - Professores - Alunos de Pós - Alunos de Graduação Documentos escritos (oficiais / imprensa): - Registros de reuniões e eventos do GAJS - Mapas cognitivos - Boletins, informativos das entidades - Planos de governo, Programas, e Projetos da Prefeitura de Jaboticabal - Programas e projetos das autarquias - Relatos de reuniões do PPPJ - Relatórios de pesquisa (PPPJ); - Produção científica do Grupo (Dissertações, artigos, textos, trabalhos de i.c) - Relatórios PPPJ INSTRUMENTOS DE COLETA: Questionários para o grupo; Documentação existente; Tabela de freqüência dos participantes às reuniões; Literatura geral e específica. PROCEDIMENTOS DE COLETA: Entrevistas (espontânea, focal e levantamento formal); Análise da literatura geral e específica; Análise da documentação existente; Observação direta ligada à entrevista. PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE: Organização dos conteúdos dos dados coletados segundo as categorias de análise; Triangulação de dados; Encadeamento de evidências; Construção da explanação
• Realização de entrevistas
Nesta pesquisa, as entrevistas se classificam como do tipo “focal”, as quais, segundo YIN (2001:113), realizam-se num curto período de tempo (cerca de uma hora), assumindo um caráter de espontaneidade e informalidade, mas observando-se um roteiro de perguntas “semi-estruturadas” para cada grupo.
Para a coleta de dados por meio da realização das entrevistas, foram escolhidos participantes dos grupos envolvidos no Projeto, os quais estão representados no Quadro 2 por: SC - sociedade civil do grupo de ação local (Grupo de Ação Jaboticabal Sustentável-GAJS), representando entidades não governamentais ou indivíduos autônomos; PP - poder público, constituído por técnicos da prefeitura ou órgão público participante do Projeto; e PQ - pesquisadores, composto pela equipe de professores e alunos da UFSCar. Foram realizadas ao todo 16 entrevistas, sendo 7 participantes do GAJS, 5 do poder público e 4 pesquisadores.
O Quadro 2 apresenta uma relação mais detalhada dos entrevistados. A identificação do atores foi combinada pelas letras do grupo pelo qual foi entrevistado (Sociedade Civil - SC, Poder Público – PP, Pesquisadores - PQ) e número de acordo com a ordem de sua entrevista. São colocadas informações da área de formação, área de atividade (de maior predominância) e período de participação de cada entrevistado no Projeto.
O critério de escolha dos entrevistados foi o de selecionar um grupo representativo de pessoas que tiveram um envolvimento mais direto em atividades do Projeto por um período significativo, sendo capaz de responder
às questões abordadas com maior conhecimento de causa, ou pessoas estratégicas que, mesmo não tendo uma participação mais efetiva, tiveram influência sobre o processo. O Quadro 3 apresenta o percentual de participação de cada entrevistado.
Quadro 2- Relação de entrevistados.
IDENTIFICAÇÃO DO ENTREVISTADO ÁREA DE FORMAÇÃO ÁREA DE ATIVIDADE PERÍODO DE PARTICIPAÇÃO NO PROJETO (ENTRE 1999-2004) REALIZAÇÃO DA ENTREVISTA PQ-1 Ecologia Pesquisa 2001-2004 01/07/04 SC-1 Geografia Educação 2000-2004 28/07/04
PP-1 Engenharia Civil Assessoria Técnica
2001-2004 28/07/04 SC-2 Engenharia
Agronômica Ensino 2000-2004 21/10/04
PP-2 Serviço Social Assessoria
Técnica 2002-2004 21/10/04 SC-3 Engenharia
Agronômica Empresarial 2000-2004 21/10/04 SC-4 Engenharia
Agronômica Assessoria Técnica 2000-2004 21/10/04 PQ-2 Arquitetura e
Urbanismo Pesquisa 2001-2003
17/11/04
SC-5 Geografia Ensino 2002-2004 26/11/04
PP-3 Engenharia Civil Assessoria
Técnica 2000-2004
26/11/04 PP-4 Química Assessoria
Técnica 2000-2004 26/11/04 PP-5 Engenharia Civil Assessoria
Técnica / Política 1999-2004
26/11/04
SC-6 Pedagogia Educação 2003-2004 29/03/05
SC-7 Técnico
Ambiental Empresarial 2000-2004 29/03/05 PQ-3 Engenharia Civil Ensino/ Pesquisa 1999-2004 29/04/05 PQ-4 Engenharia
Elétrica Pesquisa Ensino / 1999-2004 29/04/05
PQ – Pesquisadores (UFSCar) SC – Sociedade Civil (GAJS)
Quadro 3 - Participações dos Entrevistados nas Reuniões do Projeto Jaboticabal Sustentável
Participações dos Entrevistados nas Reuniões do Projeto Jaboticabal Sustentável Ano 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Entrevistados Jaboticabal Reuniões Realizadas 2 8 2 21 36 29 Reuniões Sistematizadas 2 7 2 13 26 26 SC-1 * 100% 0% 54% 92% 100% SC-2 * 43% 100% 54% 27% 8% SC-3 * 14% 100% 31% 54% 42% SC-4 * 86% 100% 38% 42% 27% SC-5 * * * 46% 46% 31% SC-6 * * * * * 42% SC-7 * 29% 0% 8% 4% 62% PP-1 * * 100% 92% 69% 85% PP-2 * * * 23% 42% 23% PP-3 * * 100% 54% 62% 8% PP-4 * 57% 0% 38% 38% 42% PP-5 100% 71% 100% 38% 4% 8% Entrevistados UFSCar 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Reuniões Realizadas 9 17 8 47 50 36 Reuniões Sistematizadas 9 13 ? 28 43 23 PQ-1 * * * 14% 47% 9% PQ-2 * * * 64% 33% 0% PQ-3 89% 100% ? 89% 30% 48% PQ-4 67% 92% ? 89% 58% 26% Pesquisadora/Autora * * * * 100% 100%
Fonte: dados obtidos e compilados pela autora a partir das listas de presenças das reuniões do Projeto.
75-100% 50-75% 25-50% até 25%
( * ) - Ainda não era participante do Projeto Jaboticabal Sustentável ( ? ) - Dados não encontrados para compilação
Os roteiros de entrevistas foram baseados nos tipos de evidência buscados no Quadro 1, de acordo com cada grupo, e podem ser encontrados nos Apêndices 4, 5 e 6. Excepcionalmente, as entrevistas realizadas com PQ-3 e PQ-4 apresentaram um caráter e um roteiro distinto das demais, pela posição estratégica desses atores, sendo realizada como uma “reflexão coletiva” sobre o processo com a pesquisadora (ver roteiro de discussão no Apêndice 7)
De acordo com a estruturação inicial de coleta, a sistematização e análise das entrevistas observaram o seguinte processo:
1º) Transcrição das falas;
2º) Adequação das falas de cada entrevistado de acordo com as classes de variáveis e variáveis das estratégias e fatores interferentes (tipos de informações na Planilha de Coleta de Dados);
3º) Junção das falas do todos os entrevistados por estratégia e fatores interferentes em quadro único (encadeamento);
4º) Verificação das falas e construção da análise da pesquisadora sobre cada estratégia e cada variável dos fatores interferentes, separadamente;
5º) Verificação da análise das estratégias e adequação dos fatores interferentes sobre cada uma delas, construindo-se análise de cada uma delas.
O Apêndice 8 contém uma síntese desse processo apresentando os instrumentos utilizados em cada etapa.
Uma vez coletados os dados, o procedimento seguinte é o encadeamento das várias evidências, e o processo de triangulação pelo desenvolvimento de linhas convergentes para o fato a ser verificado, ou seja, de aproximação das evidências encontradas para que a partir disso possa se construir a explanação (YIN, 2001).
A partir de sistematização e análise das entrevistas, da observação direta e participante da autora, da sistematização de informações e dados quantitativos e qualitativos do Projeto, além da revisão da literatura apresentada, é possível fazer a análise da experiência, apresentando-se os resultados obtidos.
Para entendimento desses resultados, será apresentada no próximo capítulo uma descrição mais detalhada do processo, com seus objetivos, estratégias e ações implementadas nas suas duas Fases, 1 e 2, que compreendem o período de 1999-2004.
C
APÍTULO
3
D
ESCRIÇÃO DOP
ROJETOJ
ABOTICABALS
USTENTÁVELEste capítulo constará de uma apresentação mais descritiva do Projeto Jaboticabal Sustentável, seus objetivos, suas etapas, suas estratégias, e os resultados e produtos obtidos até então, de modo a introduzir o conhecimento sobre a experiência de forma clara e objetiva.