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Filmde Müzik ve Zaman-Mekan Etkisi

3. Filmde Görsel Zaman-Mekan Kurgusu

3.4.4. Filmde Ses-Müzik ve Zaman-Mekan Etkisi

3.4.4.2. Filmde Müzik ve Zaman-Mekan Etkisi

O Morhan inicia a década de 1990 dando prosseguimento a sua política de parcerias. Seguindo essa ideia, o movimento participou, em 1990, da 1ª. Plenária Nacional

dos Movimentos Populares, em Brasília. A possibilidade de criação de uma central de

movimentos sociais foi bastante discutida no VI Encontro Nacional do movimento, realizado no Espírito Santo, em 1991. Bacurau atua no Conselho Nacional de Saúde, onde estabelece contatos com várias entidades.

É nesse contexto que, em 1991, um grupo de profissionais de saúde e ex-pacientes bolivianos pede ao Morhan para filiá-los como um núcleo internacional. A AIFO estabelece parcerias com diversos núcleos, financiando projetos em todo o país. A ALM (American

Leprosy Mission) estreita relações com o movimento. A participação na DEF’RIO 92 (Encontro Ibero-Americano de Portadores de Deficiência) também evidencia uma inserção em fóruns

internacionais. Em 1994, é realizado, em Petrópolis, o Seminário Internacional para a

Integração das Organizações de Pessoas Atingidas pela Hanseníase, com representantes de

seis países. Nesse encontro, surge a IDEA (International Association for Integration, Dignity

and Economic Advancement), sendo que Bacurau fazia parte da primeira chapa a presidi-la.

Apesar das parcerias, e de sua inserção em redes de movimentos sociais19, os problemas financeiros se fazem constantes no Morhan. A escassez de recursos é agravada com o Plano Collor, que imobiliza o dinheiro do movimento por vários meses. A crise econômica deixa suas marcas no jornal da entidade, que tem o número de páginas reduzido e perde a sua periodicidade. Essas dificuldades financeiras são um dos possíveis fatores que explicam a

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progressiva aproximação entre o movimento e instâncias governamentais da área de saúde. O Morhan adota, cada vez mais, o discurso da eliminação da hanseníase, fazendo coro a pressões mundiais. Nessa época, o Brasil ocupava a vice-liderança mundial no número de casos20, e o discurso da saúde desponta como forma de obter aceitação pública e financiamentos, além de contribuir para a desmistificação da enfermidade.

Nesse contexto, o movimento parece sustentar seus discursos sobre quatro pilares que atuam de forma imbricada: eliminação-parcerias-descentralização-informação. Argumenta-se que a eliminação, só poderia ser alcançada por meio de uma parceria entre estado e sociedade civil, capaz de descentralizar o atendimento de saúde e difundir informações acerca da doença. Ainda que a questão da saúde seja enquadrada pelo movimento como uma questão de cidadania, demandas antigas do Morhan, como a questão indenizatória e as reivindicações pela transformação dos hospitais-colônia, perdem espaço.

O foco na eliminação faz com que o Morhan se aproxime mais e mais dos órgãos governamentais de combate à enfermidade. Como a própria coordenação afirma através de uma carta: “Nossos parceiros são todos os que, como o governo, têm a obrigação de promover a saúde” (Jornal do Morhan, n. 20, 1993, p. 2). A entidade passa a integrar o comitê que assessora a área de dermatologia sanitária do Ministério da Saúde. O movimento concentra suas ações em práticas institucionalizadas e reformistas.

Em 1993, o VII Encontro, realizado em Curitiba, é marcado, uma vez mais, por grandes conflitos internos, com o fortalecimento da oposição a Bacurau. Sua vitória nas eleições não foi desprovida de críticas. Nesse mandato, Bacurau abre o caminho de seu sucessor, Artur Custódio de Sousa, que assume a coordenação do Morhan em 1995, no VIII Encontro Nacional (Ceará). Voluntário da entidade desde meados da década de 1980, Artur Custódio se interessou pela hanseníase por motivos religiosos e por seu trabalho na área de saúde. Ele fundou o atuante núcleo de Nova Iguaçu e tinha uma relação de muita proximidade com Bacurau. Sua eleição foi marcada por ampla controvérsia sobre a legitimidade de uma pessoa não acometida pela enfermidade dirigir a entidade. Segundo o próprio Artur:

Havia um grupo muito desconfiado: “o que que esse cara quer?” [...] Uma pessoa que se aproxima de uma liderança de um movimento, né? Que não teve parente, não teve a doença e tal e defende com afinco: “tem alguma coisa por trás disso”. Teoria da conspiração. “Tá querendo cargo. Tá ganhando dinheiro”.21

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No ano de 1990, havia, no Brasil, cerca de 277 mil pacientes de hanseníase em registro ativo, o que correspondia a uma taxa de prevalência de 18,5/10 mil habitantes. Vale lembrar que a OMS considera taxas superiores a 1,0/10 mil como endêmicas.

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Sob a coordenação de Artur Custódio, o Morhan fortalece a estratégia das articulações políticas e o foco no esforço para a eliminação da hanseníase. Em 1997, ano de realização do IX Encontro Nacional em Belém (PA), o movimento comemora a produção de uma campanha educativa nacional, com a participação do então Ministro Extraordinário dos Esportes: Édson Arantes do Nascimento, o Pelé. Também nessa fase, estreita a parceria com o Conasems (Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde), que criou, em 1998, o Grupo Tarefa para a Eliminação da Hanseníase no Brasil. O Morhan apoia o programa

Avança Brasil, lançado pelo governo federal, em 1998, para ampliar e descentralizar as ações

contra a hanseníase (VELLOSO; ANDRADE, 2002). O foco na eliminação também gera uma aproximação com instâncias científicas. A entidade passa a integrar a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, o Comitê de Ética da Fiocruz e o Comitê Tecnológico Científico de Assessoramento à Área Técnica de Hanseníase.

Artur Custódio aposta na educação como estratégia de luta contra a hanseníase. O telefone é visto como importante instrumento para disponibilizar informações sobre a enfermidade. Desde meados dos anos 90, implantam-se centrais telefônicas nas cidades do Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF) e Salvador (BA), sendo que elas foram, posteriormente, unificadas em um número gratuito: o Telehansen® (0800-262001). O serviço “tira dúvidas sobre a doença, encaminha as pessoas para os postos de tratamento em todo país, e recebe denúncias de falta de medicamentos, preconceito, falta de atendimento, maus tratos etc.” (VIEIRA, 2007, P. 39). A proposta tem êxito e permanece ativa através do financiamento de parceiros, como a Fundação Novartis e a Fundação Sasakawa.

Esse foco do Morhan na questão da eliminação e no estabelecimento de parcerias não significa que o movimento seja inteiramente favorável ao governo e a todas as políticas implantadas. Notam-se insatisfações com algumas medidas e certos atritos, sobretudo, no governo Fernando Henrique Cardoso. Este é caracterizado pelo coordenador do Morhan como particularmente avesso às críticas e aos movimentos sociais, chegando a fazer retaliações.22 Essa dificuldade de uma interlocução mais aberta com os atores do núcleo do sistema político acaba por contribuir para que o movimento concentre seus esforços na eliminação e evite o confronto direto e massivo.

Faz sentido, assim, a proposta de Artur Custódio, ao longo de toda a sua gestão, para que o movimento tenha uma estruturação reticular, não apenas em relação aos parceiros, mas também internamente. Reconhecendo que o movimento é uma “organização de

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heterogeneidades”, realizada por meio de “sucessivos vínculos”, o coordenador do Morhan ressalta que a “rede é feita por sujeitos ativos que se articulam horizontalmente”.23 A ideia é a de um movimento que não age em bloco, mas através de ações capilarizadas. À coordenação nacional, caberia fomentar a conectividade. Em vez de uma revolução maximalista, a proposta é a de ações reticulares e difusas que instauram rupturas e microrrevoluções cotidianas (MELUCCI, 1996; SCHERER-WARREN, 1996).

Isso não quer dizer, contudo, que não haja uma preocupação com a unificação do movimento. No período, Artur Custódio frisa, frequentemente, a necessidade de superar os conflitos internos e buscar uma identidade coletiva. A ideia defendida é a de que a “busca de identidade é uma larga passada para a conquista da liberdade” (Jornal do Morhan, n. 32, 2000, p. 5). Nota-se, por exemplo, que o Morhan promove alguns debates internos para buscar consensos importantes. Também merece menção a atuação da Comissão de Ética do Morhan ao longo dos anos 1990, a qual se encarrega de analisar as atividades dos núcleos e desligar alguns deles diante da constatação de irregularidades.

Essa progressiva institucionalização do movimento vem acompanhada por certa burocratização. De acordo com Melucci (1996), esse processo envolve três questões: a alteração de objetivos, a formação de lideranças oligárquicas e a tendência da organização à autopreservação. A trajetória que vimos explorando explicita a concentração de metas na eliminação da hanseníase e mostra que duas pessoas foram responsáveis por doze dos treze mandatos de coordenação.24 Já no que concerne à autopreservação, observa-se não apenas a já citada prática de parcerias, mas também o início de uma espécie de “limpeza” interna do Morhan, com a atuação do conselho de ética.