2. FETĐH ÖNCESĐ SĐVĐL MĐMARLIK GĐRDĐLERĐ
2.2 Fetih Öncesi Türk sivil mimarlığı birikimi
É durante o reinado de Adadezer46, rei da cidade de Soba, que era uma das pequenas
cidades estado de Aram no século XI a.C. (THOMPSON, 2007, p.110), que os arameus aparecem pela primeira vez na história bíblica como um reino consolidado.
Somado a Soba, compunham o território arameu naquele tempo: as cidades de Betá, Berotai471e, não menos importante - Damasco - que veio a ser nos tempos de Hazael, uma das
principais cidades do reino da Síria, sendo inclusive sua capital.
Antes do rei Adadezer, os arameus apresentavam registros biográficos paralelos com os da história de Israel, em sua formação. No terceiro milênio a.C., encontravam-se divididos entre Sírios482e Caldeus49, habitando respectivamente na Alta e Baixa Mesopotâmia
(HARRISON, 2010 p.32-50).
Dentre os arameus orientais, tem-se como um dos mais notáveis - Abraão - que surge da cidade de Ur dos Caldeus50, que mesmo sendo uma cidade de origem suméria, tinha as
portas abertas para os caldeus/arameus (MERRIL, 2007, p.12).
A linhagem de Abraão51 mostra que os caldeus eram semitas, assim como todos os
arameus523. Sua migração juntamente com a família para Padã-Aram, terra dos arameus
ocidentais, coincide com o a invasão e domínio gutiano (2180-2070 a.C.) na Baixa Mesopotâmia (HARRISON, 2010, p.52).
Os relatos sobre a origem dos patriarcas, em sua maioria, conduzem o leitor para uma concepção de que os mesmos sempre são classificados - em sua ascendência - como arameus. Mesmo que tenham habitado por longos períodos em cidades que permitiriam a eles serem identificados a partir das mesmas, tais como Canaã, Padã-Aram e até mesmo Ur (ALBRIGHT, 1941, p.181).
Na bíblia temos alguns exemplos: Jacó - neto de Abraão - foi reconhecido como sendo um arameu, que desceu ao Egito, vindo a ser uma grande nação53.4Mesmo tendo
passado boa parte de sua vida em Canaã, além do fato de ter ido para Padã-Aram ao fugir de Esaú e ter se hospedando na casa de Labão - seu tio - vindo a se casar posteriormente com Lia
46 Cf. 1 Crônicas 18,3-8 47 Cf. 1 Samuel 8,1-18 48 Arameus Ocidentais 49 Arameus Orientais 50 Cf. Gênesis 11,27-31 51 Cf. Gênesis 11,10-24 52 Cf. Gênesis 10,21-22 53 Cf. Deuteronômio 26,5
e Raquel54; também temos o exemplo de Isaque que se casou com Rebeca - filha do arameu
Betuel55 - que era filho de Naor56, irmão de Abraão.
Desse modo, se pode concluir que Aram se relaciona intrinsecamente com Israel na construção de sua história e na formação de seu povo, ou seja, segundo esses textos bíblicos, as origens de Israel, seus patriarcas e suas matriarcas, estão em Aram, sendo por sua vez arameia.
O contexto religioso dos arameus é indicado em diferentes trechos do antigo testamento. O livro de Josué 24,2 - diz que o pai de Abraão e Naor - Terá, servia a outros deuses, prática essa que não lhe era exclusiva, uma vez que Labão também tinha seus deuses domésticos (ter pîm), conforme Gênesis 31,19 nos traz.
Hadade-Rimom era o principal deus do panteão arameu. Era o deus do trovão, vento e chuva - sempre acompanhando por sua consorte Astarte. Seus adoradores acreditavam que quando ele morria, as plantas secavam e por isso deveriam chorar a sua morte (KASCHEL, ZIMMER, 2005, p.57), segundo Zacarias 12,11.
Ele também aparece no panteão semita oriental no período babilônico antigo, estando entre os deuses acadianos sob o nome Adad (GREENFIELD, 2001, p.284).
Durante o século X enquanto Sheshonq I estava subjugando Judá, a dinastia aramaica de Damasco crescia exponencialmente, tornando-se um poder dominante na região da Síria (HARRISON, 2010, p.216).
A estela de Zakkir575, descoberta em 1940 ao norte da Síria, fez uma confirmação
geral à lista dos primeiros governantes sírios (1 Reis 15,18), embora a posição de Rezim, fundador do estado damasceno, ainda seja incerta.
O crescimento do poder sírio foi estimulado pelas hostilidades que havia entre Judá e Israel e pela perturbação que caracterizava a própria dinastia israelita. Quando Jeroboão I morreu por volta de 910/909 a.C., seu filho Nadabe o sucedeu por dois anos, mas foi assassinado por Baasa de Issacar na cidade filistéia de Gibetom.
54 Cf. Gênesis 28,5 e 31,20-24 55 Cf. Gênesis 25,20
56 Cf. Gênesis 22,20-23
57 Estela erigida por Zakkir, rei de Hamat, em gratidão ao deus Baal Shamin por livrá-lo da coalizão
Isso ocorreu por volta do terceiro ano do reinado de Asa - rei de Judá - que se tornou monarca após a morte de Abias, o sucessor de Roboão.
Baasa fortificou a cidade de Ramá, há oito quilômetros de Jerusalém, transformando- a em um posto militar avançado, ameaçando a fronteira de Judá58,6e em desespero Asa apelou
pelo auxílio de Ben-Haddad da Síria, enviando como suborno parte dos tesouros que restaram do templo.
Ben-Haddad respondeu a este pedido enviando Baasa de volta à sua capital, Tirza - enquanto Asa marchou para Ramá e a demoliu. Ele resgatou o material das ruínas de Ramá e com ele construiu duas outras fortalezas em Judá, ato este que rendeu a Ben-Haddad benefícios políticos.
Sua intervenção fez com que ele ganhasse o controle das prósperas rotas de caravanas para os portos fenícios, permitindo com que viesse a aumentar a sua riqueza e fizesse próspera a sua principal cidade – Damasco - assim como fez Salomão em Judá. Sobre as rotas comerciais - os livros de Reis e Crônicas - trazem narrativas de guerras ocorridas nos territórios de Ramote de Gileade e na região de Basã, entre os arameus e os israelitas - tanto de Israel - quanto de Judá.
A região era cortada pelo chamado “Caminho do deserto de Edom”597, que ligava o
Egito à Mesopotâmia, passando por: Cades-Barnéia, ao sul de Canaã; continuava a leste por Edom e subia a Transjordânia; atravessando os territórios de Amom; Moabe; Gileade; Damasco e por fim à Mesopotâmia (ANDREW, WALTON, 2007, p.47).
O auge do poderio arameu se deu por volta dos anos 950 - 800 a.C. com a retomada das regiões ao sul do Eufrates, o que coincidiu com o declínio da dominação israelita - da dinastia Omrida - como relata (2 Reis 10,32-33) e as Estelas de Dã e Mesha. Damasco vem a se tornar centro do estado arameu - já com Hazael - além de se tornar uma potência do oeste, liderando os povos da região e coligações militares contra a Assíria - e também Israel - no tempo dos Omridas (ANDREW, WALTON, 2007, p.172).
O fim da hegemonia dos sírios acontece por volta de 732 a.C., com a invasão dos Assírios - promovida por Tiglate-Pileser III - quando este recebeu ouro e prata da parte de
58 Cf. 1 Reis 15,17 59 Cf. 2 Reis 3,8
Acaz, rei de Judá - para que fosse liberto da ameaça de Resim de Damasco e Peca de Israel60.
Tiglate-Pileser matou Rezim, dez anos depois Salmaneser III, destruiu Samaria61.
3.1.1 Damasco
Damasco está situada sob a encosta leste da cordilheira Antilíbano62, nos confins da
estepe Síria. Ergue-se no canal principal do Rio Barada, na borda noroeste do oásis de Gutah, sendo cercada por uma vasta área de pastagens (PITTARD, 1987, p.7-10). Também foi chamada de “Sa-emari-su” pelos assírios, que significa "terra do burro" (HONIGMANN, 1983, p.104).
A imagem abaixo apresenta uma noção das condições geográficas, nas quais se localiza a cidade de Damasco, bem como, uma ideia da extensão do território pertencente à Síria:
Mapa da Síria. Imagem obtida em: http://resistir.info/chossudovsky/siria_09ago11.html. Acesso em 09/09/2015
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60 Cf. 2 Reis 16,5-9 61 Cf. 2 Reis 18,9-10
Ainda falando sobre a “terra do burro” destacamos o seguinte: o sufixo pronominal
“su”, da expressão “Sa-emari-su”, pode ser entendido como um dispositivo de determinação
de idade (LIPINSKI, 2001, p.33). Ele implica que seja uma raça particular de burros (LEWY, 1961, p.31-71) ou, o mais provável, simplesmente um elemento de identificação de espécies (LIPINSKI, 2001, p.36).
Essa denominação pode facilmente ser explicada pelo fato de que o oásis de Damasco foi ponto de convergência das caravanas de burros - advindas das várias rotas de comércio - antes da domesticação do dromedário. Isso também pode ser atestado anteriormente em textos neoassírios, que usam frases como "hurasu sa abni-su" "Recife de Ouro" e "hurasu sa ma i-su" “Lugar de Ouro". Porém, nenhum texto neoassírio publicado menciona Damasco ou o seu oásis (LIPINSKI, 2001,37).
O nome da cidade aparece assim, pela primeira vez como "t-m-q-s" na lista geográfica do tempo de Tutmés III638(AHARONI, 1967, p.147). As fontes escritas a partir da
idade do bronze tardio e da idade do ferro I, não transmitiram nenhuma informação sobre Damasco (WILL, 1944, p.1-44).
Assim, nada se sabe sobre as origens da presença arameia que possam retomar o período anterior ao século XI a.C., já (I Reis 11,23-25) é uma das únicas informações explícitas sobre os eventos que levaram à criação do estado de Aram-Damasco (LIPINSKI, 2000, p.348). Damasco foi um poderoso reino ao longo dos séculos IX e VIII a.C. durante os reinados de Hezion, Tabremon - seu filho - e seguido por Rezim.
Os Registros dos anais assírios relatam que Adadezer (assírio "Adad-Idri") de Damasco liderou uma coalizão de doze estados, que incluiu Acabe, de Israel, contra Salmanassar III em Qarqar em 853 a.C. (LUND, 2005, p.44). Este Adadezer nunca fora mencionado na Bíblia, embora Lipínski (2000, p.337-38, p. 374-75) pense diferente. Salmanassar levou três campanhas subsequentes contra Adadezer em 849, 848 e 845 a.C..
A identidade do Ben-Haddad (1 Reis 20 e 22) continua a ser uma questão de debate. Alguns acreditam que ele era o neto ou filho de Ben-Haddad I e assim o rotularam como sendo Ben-Haddad II. Outros afirmam que "Ben-Haddad" serviu como um nome de trono para o Adadezer relatado nos anais assírios (LUND, 2005, p.44).
Com a morte de Ben-Haddad II - Hazael - que foi quem o matou (2 Reis 8,15), assumiu o trono de Damasco em 843 a.C.. Jorão, o rei de Judá (841 a.C.) e Ocozias, seu filho - neto de Acaz - rei de Israel (852-841 a.C.), travaram uma guerra contra Hazael em Ramote de Gileade. Ele fora ferido (2 Reis 8,28-29) e juntamente com seu filho, retornam à Jezrael para tratar dos ferimentos, onde ambos acabam sendo mortos por Jeú (2 Reis 9,14-29).
A Estela de Dã reconta esse episódio. Seu texto está creditando a Hazael essa vitória sobre "o rei de Israel" e "o rei da casa de Davi" - isso é - Judá (LIPINSKI, 2000, p.378), no evento conhecido como “A Revolta de Jeú”. Tempos mais tarde, Hazael empreenderia uma batalha contra Salmanassar III, rei da Assíria, sendo forçado a retirar-se do norte de Israel (YAMADA, 2000, p.192).
Ben-Haddad III governou Damasco após a morte de seu pai, Hazael. Ele cedeu território para Jeoás (798-782 / 781 a.C.) de Israel, de acordo com 2 Reis 13,25. Além disso, teve Zakkir de Hamat e Luash como inimigos, e fora atacado pelo rei assírio Adad-Nirari III (810-783 a.C.), a quem prestou homenagem.
Nos dias do profeta Isaías, o rei Rezim da Síria em Damasco e o rei Peca, filho de Remalias de Israel (740 - 731 a.C.) tentaram coagir o rei Acaz de Judá (732 - 715 a.C.) em uma aliança antiassíria (2 Reis 16,5). Mesmo tentando substituí-lo com o seu fantoche Ben Tabeal (Isaías 7,6) - Tiglate-Pileser III da Assíria (744-727 a.C.) termina por derrotar Damasco em suas campanhas de 733 e 732 a.C., dividindo o reino em um número de províncias assírias (LUND, 2005, p.45-46).