4. YAZILI VE GÖRSEL KAYNAKLARIN ÜST ÜSTE DÜŞÜRÜLMESĐ
4.3 Vakfiyelerde Betimlenen Sivil Mimarlık Birimleri
4.3.1 Đskân Edilmeyen Birimler
Ao chegarmos ao fim desta pesquisa, é importante pensarmos sobre os motivos que nos fizeram lançar olhares atentos à Revolta de Jeú e, consequentemente aos eventos que aconteceram por detrás, nas entrelinhas, que fizeram com que este fosse um dos episódios mais marcantes da história bíblica.
Perguntamos, no início da pesquisa, sobre qual teria sido a avaliação do redator deuteronomista sobre o reinado de Jeú em uma perspectiva que abrangia o culto a Baal em Israel, a relação de Javé com Baal, além do formato do culto ao bezerro de ouro, presente na perícope de 2 Reis. Também questionamos sobre o tipo de influência que Israel teria sofrido por parte de Hazael, incluindo na discussão a perca dos territórios da Transjordânia, mencionados na Estela de Dã. De igual modo, trabalhamos com questão da importância da cidade de Dã para Damasco, bem como sobre o nível da influência dos assírios sobre Hazael e Jeú.
Nossas hipóteses eram três e consideravam o fato de que Hazael teria matado os reis de Israel e Judá e, que consequentemente tenha sido responsável por estabelecer Jeú no poder, além da possibilidade de que a Revolta de Jeú, não se tratou de um ato revolucionário vindo de dentro, mas sim de uma articulação político-militar, orquestrada por Damasco. E por fim, a ideia de que muito provavelmente tenha sido Jeú aquele que introduziu o Javismo em Judá.
No primeiro capítulo, procuramos demonstrar a maneira pela qual a redação deuteronomista apresenta a tradição de Jeú. Para tal abordamos o estudo exegético da perícope de 2 Reis 10,28-36. A perícope em questão, apresenta uma estrutura bem dividida e coesa, no entanto, foi possível percebermos a presença de algumas camadas sobre o texto, que nos mostraram diferentes características redacionais sobre o reinado de Jeú.
Foi possível entender que o texto possui características tanto da redação deuteronomista, quanto da redação pós-exílica. Isto se demonstrou primeiramente pelo fato de que os versos 28 e 30, tecem elogios as ações de Jeú, que teria feito desaparecer a Baal de Israel, eliminando a Casa de Omri, o que lhe teria rendido a promessa da extensão de sua dinastia até a quarta geração. Somado a isso, os versos 29 e 31, de possível origem, pós- exílica, demonstram desaprovação do reinado de Jeú, pois o mesmo não se preocupou em seguir a lei de Javé quando não se desviou dos pecados de Jeroboão.
Também constatamos que há uma redação de teor histórico no relado sobre o reinado de Jeú, que faz menção a tomada da região da Transjordânia por parte de Hazael, rei de Damasco.
Tais fatos nos fizeram entender que a função da narrativa sobre Jeú, do ponto de vista da redação deuteronomista é muito importante, pelo fato de ser ele, o disseminador do Javismo, que chegaria até Judá, por onde a sua Revolta se expandiu. Também pudemos entender que o fato de Hazael ser um elemento presente na redação do reinado de Jeú, mostra que sua influência neste período foi notável e, que a Estela de Dã, trabalhada em nosso segundo capítulo, se aproxima desta história ao expor um conteúdo que remonta a este contexto, revelando algo cuja à redação bíblica parece não interessar, uma vez que o seu interesse aparente seja apenas observar os desdobramentos históricos do ponto de vista religioso.
A partir destas constatações iniciais, em nosso segundo capítulo, procuramos apresentar e analisar o conteúdo da Estela de Dã. Seguimos a partir de uma breve abordagem sobre o sítio arqueológico de Tell Dã, seu histórico de escavações e, uma breve apresentação dos principais achados arqueológicos descobertos ao longo dos anos de trabalho.
Apontamos que o Tell Dã era uma importante localidade, no que diz respeito a questão comercial, pelo fato de estar estabelecida por entre a estrada denominada “Caminho do Mar”, ou conforme nos apresenta a Vulgata, “via maris”. Além deste fato, juntamente com Betel, Dã era uma das fronteiras em Israel Norte, que também era conhecida pela questão religiosa, devido ao fato de abrigar um dos bezerros de ouro edificados por Jeroboão I.
A Estela de Dã é um dos achados arqueológicos mais importantes de que se tem notícia, no que diz respeito a pesquisa bíblica. Primeiramente, destaca-se o fato de ser a primeira fonte extra bíblica a fazer menção a Casa de Davi, além de ser um grande documento que nos permite observar os desdobramentos em Israel norte, entre os séculos XIX e VIII a.C. O artefato lança novos olhares sobre o evento da Revolta de Jeú, passando a contar a história a partir da ótica do conquistador, Hazael de Damasco.
Com isso, aprendemos que à medida que a história vai sendo narrada, mais vai ficando claro que antes de qualquer coisa a Revolta de Jeú foi produto de um golpe militar, orquestrado nada mais nada menos, do que por Hazael que estava em guerra contra Israel e Judá, entre os séculos XIX e VIII. O rei de Damasco assume a responsabilidade pelo fato das
mortes dos reis Jorão e Ocozias, além de confirmar que Jeú fora colocado no trono mediante a sua intervenção direta.
Como conclusão deste capítulo, destacamos a Estela de Dã como um elemento fundamental para a história da Revolta de Jeú, bem como para a compreensão de quão grande era o império da Síria durante os séculos XIX/VIII a.C, a ponto de subjulgar, Israel e Judá, quase que simultaneamente. A redação deuteronomista estabelece uma ligação sutil com os eventos descritos na Estela de Dã, ao mencionar a perda dos territórios da Transjordânia, no entanto, como um ponto positivo a ser ressaltado, destaca-se o fato da importância arqueologia na perspectiva da pesquisa bíblica que, passa a contar a história, considerando outra faceta que melhor elucida os eventos descritos no texto bíblico.
A partir destas constatações, em nosso terceiro capítulo, estabelecemos uma abordagem que objetivou uma aproximação maior do reino da Síria, como sendo uma personagem de destaque, conforme os capítulos anteriores nos mostraram, no evento da Revolta de Jeú. Para tal, traçamos uma abordagem que compreendeu uma breve apresentação das origens da Síria, sua relação com Israel e, com um enfoque mais direto, uma análise direcionada a Hazael, a luz da Estela de Dã.
A pesquisa nos apresentou que o histórico de batalhas entre a Síria e Israel é extenso, tendo vários reis, tais como: Asa, Baasa, Ben-Haddad, Acab, dentre outros, como personagens desta longa trajetória de batalhas. Hazael é mais um deles. Como um usurpador, ele ascende ao trono da Síria após assassinar Ben-Haddad, vindo a ser um dos reis mais poderosos deste império, que sempre teve de uma forma muito evidente, a sombra da Assíria, como uma constante ameaça.
A Estela de Dã, como um documento de teor biográfico, possui como finalidade trazer legitimidade ao trono de Hazael em Damasco. O reino da Síria, de acordo com os apontamentos traçados, teria sido um reino que existiu em conjunto com grupos tribais menores, e Hazael, ao eliminar Ben-Haddad, que seria o chefe do reino patrimonial, bem como os demais líderes das outras tribos, fato este que se dá mediante a menção de setenta reis assassinados, na Estela de Dã, teria assumido o controle total do reino da Síria, que gozaria de notável desenvolvimento.
Com isso, chegamos à conclusão de que o século XIX foi muito importante para o desenvolvimento de Damasco, sobre o comando de Hazael. As políticas expansionistas de Hazael foram muito intensas, sendo até mesmo testemunhadas em diferentes tipos de
documentos, inclusive em inscrições Neo-assírias do século VIII, sendo a Estela de Dã um importante relato acerca de caminho de conquistas empreendidas pela Síria. Contudo, a grande notabilidade alcançada por este reino, não foi o suficiente para impedir que Tiglate- Pileser III, rei da assíria em 732 a.C. viesse a subjulgar Damasco.
Por fim, destacamos que ainda há muito em que se avançar nesta pesquisa. O reino de Israel Norte cada vez mais tem se mostrado um reino de proporções notáveis, munido de uma história e de uma tradição própria, que durante muito tempo, passaram despercebidos aos olhos das pesquisas. A presente pesquisa procurou adentrar a este universo e contribuir com a rica história deste reino, através da releitura de um de seus eventos mais significativos, a Revolta de Jeú. A partir destas considerações, convidamos outros pesquisadores a nos acompanharem nesta tarefa deveras estimulante. Dito isto, declaramos nossa intenção de prosseguir na pesquisa para a compreensão das diferentes tradições do norte, em conjunto com a arqueologia, ampliando assim as perspectivas sobre este reino.