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2. BÖLÜM

3.3. Etnik Kimlik ve Kürt Kimlii

Falar de pertinência, em educação superior, requer o conhecimento de alguns conceitos atribuídos a esse vocábulo. Para isso, recorremos a alguns autores, objetivando escolher, dentre as definições apresentadas, aquela cujo sentido será adequado para esta pesquisa.

Em espanhol, no Diccionario Ideológico (CASARES, 1977), o termo pertinência é definido como algo que vem a propósito ou é adequado e conveniente para um fim. No Dicionário da Língua Portuguesa (HOUAISS, 2001, p.), vamos encontrar pertinência como “algo que concerne ao assunto”. No Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (FERREIRA, 1986), pertinência diz respeito a uma qualidade ou condição de pertinente. Pertinente, considerando aquilo que é próprio, apropriado ou relevante, como por exemplo: Suas razões são muito pertinentes; Miranda disse cousas pertinentes acerca da música moderna e antiga (FERREIRA, 1986, p. 1317).

Considerando o contexto, a fotografia seguinte não pode ser um exemplo de pertinência, porquanto ela mostra um vaqueiro, em uma estação de metrô, vestindo uma camisa cujos detalhes são marcantes, calçando botas chamativas e com um chapéu de aba larga. Essa imagem seria pertinente em um rodeio. Mas,

Fonte: Tabularium. Carlos Salinas, Barcelona, 2001.

Assim, para que a educação seja pertinente, a contextualização é uma condição essencial. A pertinência nos remete a revisar o ensino ofertado e sua relação com a pesquisa e extensão, a fim de conseguirmos que esses conhecimentos e saberes resultem em benefícios para a sociedade (SJÖTRAND, 2006, tradução nossa).

Logo, entendemos que, por representar, entre outros, domínio, propriedade, na relação sociedade versus universidade, a pertinência é um conceito que nos obriga a pensar a capacidade de respostas das instituições de ensino superior aos projetos de mudanças nas comunidades locais e regionais, àqueles vinculados às organizações do conhecimento e de saberes e que exige dos próprios comunitários um pensar, em harmonia com o pensar das instituições de ensino universitário. Assim, a preocupação com essa interação comunidade versus universidade continua com Sjötrand (2006, p.8), quando afirma:

[...] la pertinencia se refiere a las respuestas que debe dar la educación superior, en cada momento histórico, a los distintos sectores de la sociedad. Por tal motivo, la discusión sobre la pertinencia hace posible preguntarse: ¿Educación para que? ¿ Para qué sociedad? ¿Para quiénes? ¿A quienes está favoreciendo la educación superior? (SJÖTRAND, 2006, p.8).

Fica, então, evidente que a preocupação de Sjötrand está centrada, como afirmamos acima, na interação entre comunidade e instituições. Como conseqüência, fica para o pesquisador o reconhecimento de que existe um distanciamento que precisa ser eliminado ou, no mínimo, reduzido. Daí, a importância de se trabalhar o público que permeia tal campo de ação, indagando- lhe sobre o papel que essas IES representam no contexto. Ao público interno, sua missão, objetivos e metas para com a sociedade; ao externo, qual a sua vinculação com as instituições.

Agora, o conceito de pertinência fica mais consistente. Convém, portanto, que as IES primem, sobretudo, pela qualidade do serviço que deve oferecer à sociedade e não, apenas, pela quantidade. Esse é um aspecto fundamental para o fortalecimento da conjuntura atual da sociedade, tão marcada pela competitividade. Essa assertiva pode ser confirmada através da seguinte fala de Sjötrand ((SJÖTRAND, 2006, p.8, tradução nossa):

[...] a pertinência também faz referência à capacidade da educação superior de dar respostas oportunas e significativas a cada problema para cuja solução seja convocada.

Alcançar uma maior pertinência social e elevar a qualidade das instituições, programas e processos da educação superior implica revisar sua adequação com o projeto de país que se quer construir. Significa analisar qual é o projeto de desenvolvimento nacional que se deseja, qual é o projeto educativo necessário e, em conseqüência, exigir, estabelecer critérios para criar e revisar as carreiras técnico-profissionais, os cursos de graduação e pós- graduação, as linhas de pesquisas e os projetos de extensão, de acordo com as necessidades sociais e produtivas e com as novas formas de criação e distribuição do conhecimento.

Como resultado disso, podemos afirmar que fazer uma educação superior pertinente e de qualidade implica, também, para o caso das nossas universidades, repensar sua organização acadêmica em relação à adoção de uma estrutura organizacional mais flexível e mais abrangente, que permita a criação de campos pluridisciplinares e um trabalho cooperativo entre as diversas ciências. Ou seja (Sjötrand, 2006), um campo que inclua o interdisciplinar e o transdisciplinar, impulsionando a integração e as funções das universidades, com um currículo que contribua, no possível, para a vinculação entre as ciências exatas e as humanas, em todos os campos do conhecimento.

Cabe observar que a pertinência e a qualidade da educação superior fazem parte de um sistema e, como tal, têm relação com os demais níveis escolares. A partir dessa lógica, a educação superior não é apenas reconhecida como responsável pela formação de formadores para esses níveis, mas suas responsabilidades são definidas para com as linhas de pesquisa e o que pesquisar no campo socio-educativo. Assim, o oferecimento de programas de formação para professores de educação do ensino básico e do médio, com propostas que tragam possíveis transformações nas estratégias de aprendizagem, nesses níveis do sistema escolar, passa a ser preponderante.

Entendemos que se deve incentivar a geração de tecnologias alternativas ou opcionais e o uso de saberes populares para a solução de problemas sociais. Assim, a universidade reforçará sua pertinência e a qualidade com relação a grupos sociais, pequenos produtores, associações não governamentais e entidades de governo.

A universidade que mantém suas portas abertas durante todo o ano, ofertando serviços e educação contínua para todos, demonstra uma mudança de comportamento, e isso possibilita uma estreita convivência com diferentes setores da sociedade, para os quais, de acordo com nosso entendimento, tem de transferir resultados sobre suas investigações, através de uma revalorização de sua função social, para contribuir com um processo permanente de enriquecimento mútuo. Isso é, também, prova da pertinência social dessas instituições.

Assim, por uma parte, o conceito de pertinência obriga a Universidade a responder, ante a sociedade, pelos resultados de suas ações. Desde esse ponto de vista, a pertinência, à medida que se situa no horizonte de uma resposta à sociedade, vincula-se ao princípio de responsabilidade social e, assim, permite

romper um cerco de auto-isolamento da universidade, incompatível com a tradição de uma universidade pública, em harmonia com as necessidades da sociedade civil.

Seguindo as idéias de Naishtat (2006), a tensão entre a pertinência, como fonte de responsabilidade social e como possível fonte de heteronomia, pode ser resolvida se assumirmos o aspecto político da Universidade. Nesse sentido, a instituição não deve responder acriticamente a parâmetros de pertinência estabelecidos como axiomas sistêmicos. Convém, pois, que assuma a discussão política desses parâmetros.

Brovetto (2003, p.155) expressa, de forma clara, a posição de pertinência da universidade:

A universidade é uma instituição que pertence à sociedade, a cujas demandas e necessidades deve responder. Não obstante, a pertinência não representa meramente uma resposta passiva, uma atitude receptiva e uma réplica mecânica às demandas. Se a universidade somente se limitasse a responder o que a sociedade declaradamente requer, em termos de conhecimento, formação técnica e acadêmica, se reduziria a uma expressão instrumental, deixaria de cumprir a primordial função crítica e transformadora da realidade - inerente ao conhecimento. Deixaria de gerar, a partir de uma oferta criativa e educativa, novas e diversas demandas sociais, novas e diversas alternativas de solução aos variados problemas da sociedade e dos distintos setores que a constituem.