2. İŞLEVSEL KURAM
1.2. TASAVVUF GELENEĞİNDE KADIN
2.1.2. Eski Türk İnançlarında Dişil Unsurlar
Os idiomatismos relacionados à Bíblia tendem a permanecer iguais (mesmo traço comparativo), pois envolvem um outro tipo universal definido e que é passado de geração para geração, o que dificilmente as farão mudar de significado ou desaparecer completamente.
A expressão “fruto proibido”, por exemplo, significa “qualquer coisa que, por ser proibida, se mostra mais cobiçada e tentadora”, e nos remete à tentação sofrida por Adão no Éden. Essa EI mantém a imagem do fruto nas duas línguas: “fruto proibido” nas duas variantes do português e fruit défendu nas duas variantes do francês.
O mesmo ocorre com a EI “ser como São Tomé”, que quer dizer “não acreditar em algo antes de ver as provas”, pois na Bíblia está escrito que São Tomé só acreditaria na existência de Deus se visse Jesus. As EIs do português do Brasil e de Portugal, então, seguem iguais e as francesas também: être comme Saint Thomas. Lembrando que os nomes bíblicos, normalmente, são traduzidos, adaptando-se à fonética de cada língua.
Já a expressão “paciência de Jó”, que significa “resignação extrema”, não possui uma EI semelhante no francês tanto da França quanto do Canadá. As equivalentes à essa EI no
francês é patience d’ange (“paciência de anjo” seria a tradução literal) e aproximam-se apenas de uma das equivalentes lusitanas: “paciência de santo”. Em Portugal, essa EI possui mais duas variantes: “paciência de Jó”, como no Brasil, e “paciência de Job”. A título de curiosidade o nome Job também é utilizado na expressão espanhola (paciência de Job) e na inglesa (patience of Job), o que podemos deduzir que seja uma das traduções do nome Jó.
Além da Bíblia, outro tipo de universal presente nas EIs é a mitologia. Com suas histórias peculiares, muitas delas base para a cultura grega, a mitologia é um campo que, ainda hoje, desperta interesse e que, assim como as histórias da Bíblia, nunca serão esquecidas.
Pergunte a qualquer pessoa sobre o “calcanhar de Aquiles” ou talon d’Achille, em francês, que logo chegaremos a uma resposta: refere-se a um “ponto fraco, vulnerável”. Assim como o “fio de Ariadne”, no francês fil d’Ariane, que em várias línguas representa “aquilo que orienta uma conduta, uma busca”.
No próximo item, continuamos com as comparações das semelhanças das duas línguas e suas variantes.
4.2. Expressões semelhantes: traços quase universais
Por serem heranças do latim, o francês e o português possuem muitas características em comum: radicais de palavras, estruturas gramaticais e sintáticas parecidas, além de partilharem várias expressões idiomáticas. Muitos idiomatismos vieram da língua latina e se adaptaram às novas línguas que foram surgindo a partir dela, portanto podemos dizer que algumas EIs são quase que traduções literais do latim, ou seja, possuem a mesma imagem, utilizam os mesmos elementos de comparação, etc. A EI “abrir fogo”, por exemplo, que
significa “começar a atirar”, no francês é ouvrir le feu. Assim como “as paredes têm ouvidos” e sua equivalente em francês les murs ont des oreilles, que utilizam a mesma imagem (a de uma parede com ouvidos) para remeter à possibilidade de alguém ouvir um segredo.
São inúmeros os casos de EIs semelhantes nessas duas línguas, afinal possuem uma relação de “parentesco” que não pode ser ignorada. Além disso, notamos uma relação muito interessante entre as EIs de Portugal e as da França, provavelmente devido à proximidade geográfica entre os dois países.
Durante nossas buscas por equivalentes lusitanos, quando não os encontrávamos partindo das EIs brasileiras, traduzíamos literalmente a EI francesa e procurávamos no site português. Em algumas ocasiões, esse procedimento mostrou-se muito útil, como no caso da EI brasileira “andar com as próprias pernas”, que em Portugal diz-se “voar com a próprias asas”, muito mais próxima da EI francesa voler de ses propres ailes.
O mesmo foi feito com a EI “nascer sob uma boa estrela”, equivalente lusitana da EI brasileira “nascer virado para lua”, que foi encontrada a partir da tradução da EI francesa naître sous une (bonne) étoile.
Também resaltamos o caso da EI do Brasil “com os pés em duas canoas”, ou seja, estar entre dois partidos opostos, sem se engajar de fato nem em um nem em outro, e que em Portugal fala-se “entre duas águas”, assim como na França diz-se entre deux eaux.
4.3. Expressões diferentes: traços não universais
Em capítulos anteriores, detalhamos alguns dos motivos para as diferenças entre as EIs das duas línguas e o por que das visões de mundo de cada país e suas variantes
determinarem as imagens e os traços comparativos diferentes. Apresentamos, então, alguns exemplos dessas EIs.
A EI brasileira para caracterizar uma pessoa que vê apenas os aspectos positivos das coisas é “ver tudo azul”. Já no francês, a cor escolhida é o rosa, voir tout rose, a mesma cor utilizada em Portugal, “ver tudo cor-de-rosa”.
Quando retomamos um assunto inicial após uma digressão, brasileiros e lusitanos dizem “voltar à vaca fria”. Porém, os franceses e os quebequenses valem-se de outro animal, o carneiro, para representar essa imagem: retourner (revenir) à ses moutons.
Ainda no campo dos animais, os equivalentes da EI brasileira “feio de doer”, que significa “pessoa muito feia”, utilizam-se da imagem de diversos animais para a caracterização: em Portugal, é “feio como um bode”, no Quebec, laid comme un singe (literalmente, “feio como um macaco”), e na França, laid comme un pou (“feio como um piolho”).