2. BİLİŞİM TEKNOLOJİLERİ VE TÜRKİYE’DE BİLİŞİM ALTYAPISI
4.2. Engellilerin İstihdamı
4.2.1. Engellilerin Çalışma Yaşamına Girme Gereği
Outro conceito utilizado para fundamentar teoricamente este estudo foi o de território. As discussões em torno desse conceito também são amplas, já que este pode ser focalizado sob diversas concepções paradigmáticas e conforme a postura teórica e metodológica daqueles que se dedicaram a estudá-lo e melhor compreendê-lo. Na Geografia, a expressão território vem sendo utilizada desde o século XIX, quando geógrafos como Frederico Ratzel, Max Sorre, Elisée Reclus, em épocas e concepções teóricas distintas, desenvolveram estudos geográficos que o colocaram como um dos conceitos chave desta ciência.
Como salientamos anteriormente, o processo de formação histórica da região do Cariri Paraibano é importante para a construção de sua própria identidade. Por meio de sua história, suas vivências, seus conflitos e harmonias, isto é, das práticas sociais, forma-se também o seu território. No entanto, para entender a região do Cariri faz-se mister compreender como suas partes, no caso os territórios municipais, foram sendo construídas. Isso porque, de acordo com esse ponto de vista, que se coaduna com os objetivos do nosso estudo, fica evidente que o território resulta do processo histórico, uma vez que é nele que as práticas políticas e as relações de poder são exercidas de forma mais evidente. Como salienta Santos (1999, p. 07), ao discutir a relação entre dinheiro e território, “é no território que desembocam todas as ações, todas as paixões, todos os poderes, todas as forças, todas as fraquezas, isto é, onde a história do homem plenamente se realiza a partir das manifestações da sua existência”.
Entretanto, é conveniente ressaltar que a importância do território, como categoria conceitual, não é algo restrito ao pensamento geográfico. Nas
ciências naturais, “o território seria a área de influência e predomínio de uma espécie animal que exerce o domínio dela, de forma mais intensa no centro, perdendo esta intensidade ao aproximar-se da periferia, onde passa a concorrer com domínios de outras espécies” (BRUNET apud ANDRADE, 1994, p.19).
Na Ciência Política, teóricos que se debruçam sobre a teoria do Estado enfatizam que esse se caracteriza por possuir três elementos essenciais: o povo, o governo e o território. Nesse sentido, o estudo do território no que concerne à sua formação, organização e controle é mediado pelo entendimento de que “mesmo o Estado mais simples [...] só existe se tiver o seu território [...], assim também a sociedade mais simples só pode ser concebida junto com o território que lhe pertence” (MORAES; FERNANDES, 1990, p. 73).
Essa concepção organicista de Estado proposta por Ratzel, fundamentada nas teorias de Charles Darwin, colocou a necessidade do domínio territorial, por parte do Estado, no centro de suas análises. Para Ratzel, o Estado jamais existiria sem o território. Como podemos perceber nas palavras desse autor, o território era o “espaço vital”, a condição fundamental para a existência de uma dada sociedade, na medida em que este permite o estabelecimento de relações entre a sociedade e os bens naturais disponíveis para atender as suas necessidades. Dessa maneira, o território pode ser visto como um conceito político, uma vez que a concepção ratzeliana estava vinculada ao projeto expansionista alemão.
A partir das concepções de Ratzel, novas concepções e estudos foram desenvolvidos, em função da importância que o território passou a ter como elemento fundamental para o Estado. Estas fizeram parte, sob interpretações diferentes, das diversas escolas de pensamento geográfico. Em alguns casos, como
na Geografia Possibilista, em face dos interesses da França em ignorar o conteúdo político do espaço, o conceito de território foi, de certa forma, negligenciado. Em outros, como na Geografia Crítica, foi (re)valorizado e passou a ser entendido como uma produção social resultante da apropriação de uma porção do espaço geográfico, o que implica o estabelecimento de relações entre os homens e a natureza.
Embora reconheçamos a existência de inúmeras concepções de território, que perpassam a dimensão política (enfatizada por Frederico Ratzel na obra Geografia Política); a dimensão do planejamento territorial (da Nova Geografia) e a dimensão do vivido (da Geografia Humanista), a nossa discussão sobre relações de poder, gestão e fragmentação do território foi processada tendo em mira aquela concepção que o considera como sendo uma porção do “espaço definido e delimitado por e a partir das relações de poder” (SOUZA, 1995, p. 78). Consideramos ainda que o seu conceito “não deve ser confundido com o de espaço ou de lugar, estando muito ligado à idéia de domínio ou de gestão de uma determinada área. Assim, deve-se ligar sempre a idéia de território à idéia de poder [...]” (ANDRADE, 1994, p. 213).
Raffestin (1993) referenda esse pensamento ao explicitar que espaço e território são distintos. Para esse teórico,
o território se forma a partir do espaço [...]. Ao se apropriar de um espaço, concreta ou abstratamente (por exemplo, pela representação), o ator ‘territorializa’ o espaço. [...] o território, nessa perspectiva, é um espaço onde se projetou um trabalho, seja energia e informação, e que, por conseqüência, revela relações marcadas pelo poder (p. 143,).
Como podemos perceber nas citações precedentes, há um elo estreito entre poder e território, vez que este último pode ser entendido como uma expressão
espacial de relações de poder, que resultam de contextos históricos, econômicos, ideológicos etc. Desse modo, é possível definir que o território é, de um lado, “um produto da prática social”, na medida em que “inclui a apropriação de um espaço, implica a noção de limite – um componente qualquer da prática –, manifestando a intenção de poder sobre uma porção do espaço”; de outro lado, o território também é “um produto usado, vivido pelos atores, utilizado como meio para a sua prática” (BECKER, 1988, p. 108).
Assim compreendido, o território é uma das aderências que unem o indivíduo e os grupos sociais ao espaço. Contudo, como nos adverte Santos (1999, p. 08), “o território não é apenas o conjunto dos sistemas naturais e de sistemas de coisas superpostas. O território tem que ser entendido como território usado, não o território em si”. Isso permite que se possa vê-lo sob diversos olhares, uma vez que ele se coloca em várias escalas: regional, local, global, nacional, microterritorial.
Aplicando essa reflexão ao Cariri Paraibano, temos a compreensão de que a essência de seu território reside na apropriação do espaço, pois desde o início de seu processo de ocupação foi socialmente produzido tornando-se base material indispensável ao estabelecimento e à reprodução do poder. Como conseqüência, foram estabelecidas relações sociais fundamentadas em dimensões políticas (poder e dominação) e culturais (crenças, tradições, religiões etc.), que se reproduziram ao longo do tempo como marcas de uma territorialidade, isto é, de um “conjunto de práticas e expressões materiais e simbólicas capazes de garantirem a apropriação e a permanência de um dado território por um agente social, o Estado, os diferentes grupos sociais e as empresas” (CORRÊA, 1994, p. 251-252).
Nessa linha de raciocínio, é no município, como fragmento de uma região, que as estratégias de dominação são mais nítidas e o poder se exercita de
vários modos: controle da gestão pública, captação e distribuição de recursos, práticas assistencialistas, leis orgânicas, planos e diretrizes. Todavia, essa fragmentação na sua negação, isto é, no processo dialético, produz o território do Cariri Paraibano. Isso se explica pela existência de grupos que dominam, que se apropriam desse espaço e, dessa forma, constroem o território, embora também fragmentado como ficou claro por meio do quadro apresentado anteriormente, o qual nos mostra as famílias que exercem o poder no Cariri Paraibano, mesmo com base municipal.
Penetrar em territórios que apresentam tais características é se expor às conseqüências da luta no e pelo poder7; é estar frente-a-frente com antagonismos e práticas políticas conservadoras e arcaicas, além de descasos na gestão municipal. Este foi um dos desafios assumidos ao escolhermos como temática de estudo relações de poder, fragmentação e gestão do território.