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2. BİLİŞİM TEKNOLOJİLERİ VE TÜRKİYE’DE BİLİŞİM ALTYAPISI

2.4. E-Devlet, E-Avrupa ve E-Avrupa+

Com quantas ave-marias se faz uma santa?

Finalizar um trabalho com uma interrogação-chave parece ser uma forma interessante. A pergunta que fica cimentada aqui se instala como os rastros de uma trilha outrora percorrida pelos que abriram caminho até o cume do Monte das Graças, nos idos de 1947. Não é fácil encontrar respostas.

Uma vez pronunciada, imediatamente a interrogação traz consigo outras questões pertinentes como, por exemplo, o que é necessário para que uma santa faça parte da vida de tanta gente como na cidade de Florânia e até mesmo da infinidade de pessoas que para lá acodem? Uma santa? Duas? Quantas?

Quando iniciamos nossos estudos não idealizávamos o quão capciosa seria nossa tarefa. Ao nos defrontarmos com os percalços, tivemos a certeza que acabávamos de adentrar num território de incertezas e descobertas.

Todavia, esse caminhar inicial embora se assemelhasse com os primeiros passos de uma criança que acaba de descobrir que poderá chegar à algum lugar com os próprios pés, fez-nos crer que esse percurso poderia ser coroado de êxito.

Chegamos.

Estamos até onde nos foi permitido chegar. E, já que abordamos a memória como matriz de uma gama de acontecimentos vivenciados por nossos sujeitos, usamos um trecho da fala de Antônia Duarte Robson. Juntamente com seus irmãos, a pequena estudante de catecismo abria a porteira dando passagem aos que buscavam a história da santa.

Logo após a saída desse padre, especialmente da chegada dessa santa que a população tomou conhecimento, o movimento no Monte não parou não Albery. Você acredita que nessa época, [...] a gente abria porteira, a porteira que era em frente a casa da gente onde passava a cerca que cita que dividia as terras de Chico Amaral da de João Damata e ali o Jucuri (Antônia Duarte Robson).

Pois bem, assim como aquelas crianças das cercanias do Monte, damos passagem aos que, a partir de agora, buscarão novos caminhos para conhecer o que ali se passava. Vislumbramos possíveis respostas para novos questionamentos, impossíveis, talvez, de terem fim.

Do lugar que estamos, contemplamos uma paisagem repleta de imagens extasiantes, mas sabemos que ainda há subidas. Há ainda, uma montanha de conhecimentos a ser escalada. Até aqui, escutamos o sussurrar de memórias que são verdadeiras histórias de devoção. Um relicário de vozes sobre a Santa Menina que ecoam no saber narrativo de bocas que perpetuam ao sabor do vento suas trajetórias de fé e mistério.

Buscamos respostas para perguntas que, de certo modo, limitaram a identidade e a cultura de uma população. Mas não havíamos como, nesse trabalho, não fazê-lo.

Preocupamo-nos com a materialidade linguageira capaz de sustentar e legitimar uma história/mito.

Os mistérios envolvidos nessa sustentação simetrizam-se com os mistérios de uma trindade fundamental. Três aparentemente simples pronomes, usados, no cotidiano sem que o homem se dê conta do que eles são capazes de profetizar. Desde a História remota dos homens, é a história dessa fisionomia trina que se perpetua. Se um “eu” vai sempre contar a um “tu” sobre um “ele”. Se todos ocuparemos esse espaço é sinal de que nossa primeira morte, fora da instância de um discurso, anuncia a segunda morte, cuja marca é a impossibilidade de alçar-se ao posto do “eu”.

História Oral e Memória, em nosso trabalho, são dois “eles” que não podem ser opostos. São dois lados de uma moeda estranha amarrada no fio discursivo. Nesse fio, o nosso, a história da Santa Menina se sustenta, é memória; enquanto houver um vivente, possivelmente ele alimentará, que ela seja verdadeira ou não, posto que vai falar, contar, narrar, relatar.

Sempre vai haver um EU querendo ouvir a história.

Essa história, agora, depois de aqui contada, arquitetada, precisará falar dos sujeitos, do que lhes prende a essa necessidade de trazer à tona a Santa Menina.

Um “eu” fala disso, mas foi necessário saber como linguisticamente estaria preso a este “ELE”. O que o “tu” escuta desse “eu” sobre o “ELE”. Em que momento do discurso identificar/desidentificar o “ele” desse “ELE”. E, por fim, como a Santa Menina (ELE) entra nas contas do rosário da pragmática do saber narrativo. Tentamos, no trabalho, mobilizar esse movimento e esperamos ter tocado nele, pelo menos, minimamente. Se não, sabemos que devemos prosseguir.

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