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BÖLÜM 3: ADLĐ MUHASEBECĐNĐN MESLEKĐ FAALĐYETLERĐ

3.1. Adli Muhasebe Uygulamaları

3.1.1.5. Elektronik Đletişim ve Avukat-Müşteri Đmtiyazı

A aplicação do Método de Rorschach foi realizada na terceira sessão a que o paciente compareceu. Houve uma primeira sessão, depois uma falta, mais uma sessão para que o contato pudesse ser restabelecido, fortalecendo o vínculo e, finalmente, a técnica foi aplicada. O paciente era interno da FEBEM e a falta se deveu a um problema na escolta que o acompanhava ao atendimento. W.F. mostrou-se bem disposto para a realização do teste e mencionava a todo momento que era uma de suas brincadeiras prediletas olhar manchas de tinta nas paredes, ou nuvens no céu para pensar no que lhe faziam lembrar. Parece que ele se engajou na atividade como se fosse uma brincadeira.

A devolutiva foi recebida com interesse. Quando foi apresentada a hipótese de que poderia haver muitos aspectos dentro dele que ele tentava conter, mas que às vezes vinham à tona, apesar de seus esforços, como alguns elementos agressivos, o paciente concordou e começou a falar de sua tentativa de não pensar em “coisas ruins” – designação que usava para mencionar atitudes fora da lei como roubar e traficar. Então, encadeou outros assuntos, como sua permanência na FEBEM.

1.1.2 Protocolo / Folha de Localização / Psicograma / Análise do Método de Rorschach (ANEXO C).

Síntese Interpretativa dos Aspectos Intelectuais, Afetivos e de Socialização: É possível verificar uma capacidade de ligação ao real e de socialização. No entanto, há elementos internos, decorrentes de dificuldades no plano emocional, que dificultam o rendimento do sujeito, cuja produção encontra-se desorganizada e mal sucedida em alguns momentos. Por outro lado, ele procura usar diversos recursos para tentar conter suas emoções, mas essa tentativa não tem sucesso, principalmente quando os impulsos internos assumem o primeiro plano. O rendimento é intensamente prejudicado, principalmente quando vem à tona sua agressividade, que se faz presente ao longo de todo protocolo. A dinâmica parece localizar-se no interjogo entre as pulsões e o exercício do controle, em que, ora um, ora outro aspecto se sobressai. Parece haver muitas pulsões em ação, principalmente ligadas à agressividade e um custo muito alto para contê-las e integrá-las, o que nem sempre é conseguindo, chegando a afetar outras dimensões de sua conduta.

1.1.3 Aspectos relacionados aos processos de identificação

Imagem do corpo:

- As pranchas com manchas compactas (I, IV, V e VI) são as que mais privilegiam a projeção do corpo. Chama a atenção que, nesse caso, só foi dada uma resposta global na prancha V, referindo-se à banalidade da borboleta. Nessa mesma prancha, é negada uma segunda resposta que, de acordo com a fala espontânea, referia-se provavelmente a um casulo “É um tipo de borboleta, só que antes dela nascer”. Suas dificuldades podem estar ligadas, portanto, a um momento muito primitivo, anterior ao próprio nascimento. À prancha I são dadas apenas respostas Dd, as duas primeiras significativamente reduzidas e arbitrárias. Além

disso, aparece um “corpo” desvitalizado, além de animais de boca aberta e um lobo voador. Na prancha IV aparece outro “corpo”, também, a princípio, desvitalizado, e que é penetrado por um tronco, sem, no entanto, que se configure uma resposta global, pela separação, na fala espontânea, entre os dois perceptos, que só se articulam no inquérito. E, finalmente, na prancha VI, aparece novamente um corpo desvitalizado, em Dd, que não pode nem ser assumido como tal “Por causa desse corpo, não dá para saber o que significa”. Essa primeira análise já denota um importante prejuízo na constituição da imagem de si. São vistos apenas “corpos” desvitalizados e dois deles muito mal delimitados, sem que o paciente conseguisse explicar sua percepção claramente. A imagem humana mais bem delimitada é penetrada por um tronco, parecendo não haver salvaguarda dos contornos corporais, que podem ser invadidos.

- As pranchas de configuração bilateral (II, III e VII) podem levar, de acordo com Chabert (2003), ao aparecimento de uma angústia de desintegração, pondo à prova as capacidades de unificação do sujeito. Na prancha II, aparece como primeira resposta uma emergência de afeto agressivo sem controle. Essa é uma prancha que, de acordo com Rausch de Traubenberg (1998), tende a incitar, de uma forma geral, uma carga emocional fortemente vivenciada. Pode tanto refletir pulsões agressivas mais evoluídas, advindas de uma disputa, quanto de nível mais primário, com explosão ou dispersão. Aqui, apesar de poder haver uma disputa subjacente e velada, o que aparece no discurso é que as cabeças “foram arrancadas”. Não se conhece o agente da ação. Há uma primeira percepção que se trata de sangue, sem qualquer menção à forma, ou seja, a um possível controle. E não há também qualquer expressão de desagrado frente à percepção. O paciente diz ser sangue e continua a examinar a prancha para, então, dar uma resposta que se configura como uma formação reativa “Parece dois gorilas dando a mão para o outro”. A agressividade e o ódio trazidos à tona devem tê-lo perturbado, de modo que desse uma resposta de sentido contrário à inicial. Depois, no mesmo

tom, o sujeito volta a falar nas “cabeças” que foram arrancadas “Parece a cabeça dos dois. Eles tão sem cabeça”. Ocorre inclusive uma confusão, pois as cabeças localizam-se acima do corpo do gorila, apesar de serem vistas como “arrancadas”, no mesmo lugar onde localizou os gorilas inteiros. Parece haver um excesso de pulsão agressiva, que tenta ser controlado – pela resposta positiva dos gorilas dando as mãos – mas que volta a emergir. A intensidade parece impedir que o controle seja bem sucedido, causando ainda uma desorganização do pensamento. Essa reação frente à cor vermelha pode evidenciar a vivência destrutiva de um corpo danificado em seu interior. Na prancha III, há apenas uma resposta, em Dd, que se refere a um outro “corpo”, a princípio desvitalizado, mas que se define por um canguru, de quem sai um rato. Ou seja, mais uma vez aparece uma vivência corporal, cujos contornos não estão suficientemente estabelecidos de forma a proteger de invasões. Esse tipo de percepção, além disso, incomoda-o: “Posso ver outra? Essa tá difícil”. Na prancha VII aparecem também apenas imagens parciais que, exceto por um rabo, são todas referentes a imagens nas quais destacam-se os olhos e a boca, inclusive nas respostas adicionais, que são muito arbitrárias e ocorrem em Dds muito pequenos. Ad1: “Parece um esquilo também. Aqui, ó. Por causa do olho dele, olha aqui o focinho”. Ad2: “E tem um rosto embaixo do esquilo. Ó, dá pra ver também a boca, o olho”. Ad3: “E tem um tigre aqui, ó. O nariz, a boca, o olho, e é pintado de preto e de cor branca amarelada, e a boca”. Aparecem elementos orais e de persecutoriedade.

- As pranchas de cores pastéis podem evocar associações que emanam de preocupações de angústia de fragmentação (CHABERT, 2003). Cabe notar que nessas pranchas também ocorrem indícios de que esses problemas tenham origem em uma época muito primitiva, pois ocorrem, nas pranchas VIII e IX, respostas que incluem o elemento água (resposta 17, prancha VIII “(...) E aqui tem água, ó. Ele tá até pondo o pé. Por causa da cor e porque tem um peixinho aqui, ó (...)”, resposta 18, prancha IX “(...) Ele tá molhando a mão

na cachoeira (...)”, resposta 19, prancha IX “Aqui parece uma cachoeira, mas tá bem fininha” e, no inquérito “Por causa da cor da água (...)”). Duas dessas respostas aparecem na prancha IX, que pode evocar as vivências intra-uterinas, permeadas de intensa agressividade (resposta 18, prancha IX “Parece um duende com um negócio na boca. Eu queria saber o que é. Não é uma faca... (...)”), que continua na prancha X (resposta 22 “Isso é uma lança”, resposta 25 “Tem um grilo querendo pular pra lança, mas tem outro bicho que não deixa. (...) Ele quer pular de raiva (...)”).

A identidade e o investimento da imagem de si:

- O esperado, de acordo com Chabert (2003), é a ocorrência de uma imagem unificada nas pranchas de manchas compactas. No caso, ocorrem respostas globais apenas nas pranchas IV e V, enquanto na prancha I e na prancha VI ocorrem somente respostas em detalhes. Destaca-se que a resposta dada à prancha IV trata-se de um “corpo” penetrado por um tronco, ou seja, cujos limites não estão bem definidos, nem são suficientes para proteger a imagem. E à prancha V é dada apenas a resposta da banalidade da borboleta, pois a segunda resposta é negada. Esta se refere a uma percepção mais primitiva, que diz respeito à borboleta antes de nascer. Mas, no inquérito, o sujeito afirma que vê apenas uma borboleta mesmo. Talvez a percepção ligada provavelmente ao casulo, ou à vida uterina, tenha suscitado algum conteúdo profundo, não elaborado e, portanto, perturbador. A forma de lidar com a perturbação ocorreu pela negação da resposta. O recurso apenas à banalidade, nessa prancha, pode também, de acordo com Anzieu (1986), servir como uma maneira de fugir à representação de si, por uma resposta impessoal.

- Nas pranchas de configuração bilateral, Chabert (2003) menciona a importância da análise das relações estabelecidas entre os perceptos que, no caso, aparecem muito pouco ao longo de todo o protocolo. Na prancha III aparecem dois gorilas dando as mãos, mas essa é

uma resposta muito confusa, em que apesar de os gorilas estarem inteiros, suas cabeças foram arrancadas nas respostas anterior e posterior.

- As pranchas pastéis, segundo a autora, solicitam intensamente o narcisismo pela regressão que provocam. Aqui aparece o elemento água nas respostas 17, da prancha VIII e 18, da prancha IX, seguidas por uma cachoeira que “tá descendo, caindo pra baixo”, também na prancha IX. A recorrência de conteúdos que envolvem água, dentre eles essa imagem mais depressiva da cachoeira, pode indicar que a problemática do indivíduo encontra-se em um nível precoce do desenvolvimento, hipótese que estaria em acordo com as dificuldades acima mencionadas com relação à delimitação dos contornos e ao sentimento de unidade.

O reconhecimento da diferença entre os sexos:

Parece que as dificuldades desse sujeito encontram-se em um momento evolutivo anterior ao reconhecimento das diferenças sexuais, ainda no processo de individuação, uma vez que, em se tratando de “corpos”, suas percepções nem chegam a ser vitalizadas e, menos ainda, sexualizadas. No inquérito, apenas umas dessas três respostas “corpo” é definida como masculina “um gigante”, mas é uma imagem cujos contornos são rompidos por um tronco. A única percepção “humana” inteira, espontaneamente sexualizada, refere-se a um duende, cuja pertença de gênero é pouco investida. Para assumir uma posição sexual, portanto, ocorre uma fuga para o mundo de fantasia infantil. Destaca-se também que as pranchas IV e VI trazem fortes implicações sexuais e, no caso, juntamente com a prancha I, são aquelas cujas latências são as maiores da prova. Na prancha IV, parece haver uma oscilação entre a possibilidade de assunção da potência fálica da figura e sua passividade. A princípio, aparece “um corpo” e, depois “um tronco de árvore”. No inquérito, articula essas percepções “(...) O corpo é tudo menos isso. Isso é um tronco, entrando no corpo dele (...).” Depois de muito ensaiar, o sujeito define que o “corpo” é de um gigante “(...) É um corpo tipo de filme, como é o nome? Tipo

filme de monstro. Esse corpo é isso. Pelo jeito, o pé, principalmente. É um gigante. Isso, um gigante”. Parece haver uma dificuldade em assumir a “potência” do percepto. A princípio, ele está desvitalizado, é “um corpo”, que sofre inclusive a intrusão por um tronco que está com “tocos saindo” e que está todo “cortado”. Talvez essa resposta possa ilustrar uma dificuldade com a lei e a aceitação da autoridade, bem como a angústia de castração e o conseqüente temor de retaliação. Essa suposição baseia-se não na crença em um superego inoperante, mas, pelo contrário, pode estar em ação um superego primitivo, severo, que promove mais angústia do que culpa (SOUZA, 1995). O sujeito exibe muita dificuldade em assumir que se trata de um gigante, que se define principalmente pelos pés – símbolo fálico – e não de um corpo sem vida. Na prancha VI também aparece uma dificuldade em assumir a percepção, que ocorre por meio de uma negação “(...) Não tem significado não, senhora. Por causa desse corpo, não dá pra saber o que é”. Então, na resposta seguinte, pede ajuda para a examinadora. Talvez por não ter agüentado a solicitação da mancha, tenha tentado inverter os papéis, naquele momento: “Um lagarto aqui. Só se for um corpo grande. O que a senhora acha? (...)”. O recorte feito pelo sujeito nessa prancha engloba exatamente a porção fálica superior, ignorando a maior parte da mancha, cuja evocação é mais ligada ao sexo feminino. Além disso, depois de dirigir a pergunta à examinadora, tem dificuldade de definir sua resposta, oscilando entre três animais “Isso aqui parece um morcego, um lagarto, uma cobra com asa”. E, no inquérito, explica sua oscilação “(...) Parece um bicho assim, com asa”.

As representações de relações:

- Com a imago materna: Para Rausch de Traubenberg (1998), a implicação simbólica da prancha VII é claramente feminina e/ou materna. Ela entende que essa prancha impele o indivíduo a se situar frente ao sexo feminino ou à imagem materna. Nesse caso, pode-se depreender a existência de dificuldades nesse sentido, uma vez que aparece a percepção de

um “porco espinho que morde” – resposta 15. Depois, são vistos 4 bichos e “Esse porco tá com cara de mau”. No inquérito, não se lembrava mais dessa percepção. Aparecem ainda, nessa prancha, três respostas adicionais, todas mal vistas, com localização muito imprecisa, além de mal delimitadas. Nelas, são enfatizados os olhos e a boca, ou focinho, ou seja, revelam-se imagens agressivas e com elementos de oralidade e de persecutoriedade. A prancha IX denota dificuldades ainda no ambiente intra-uterino. Aparece uma cachoeira, com ênfase em sua queda “por causa da cor da água e porque tá descendo, caindo pra baixo”. Há três palavras similares para ilustrar sua percepção: descendo, caindo e para baixo. Pode-se pensar em aspectos mais depressivos subjacentes às vivências primitivas. É uma imagem tanto regressiva quanto depressiva, sugerindo vivências precoces perturbadoras. Aparece ainda o já mencionado duende que tem que esconder sua agressividade – resposta 18. A prancha I, de acordo com Chabert (2003) pode fazer um apelo à relação com o primeiro objeto tanto por ser a primeira prancha apresentada, quanto pela sugestão ao corpo feminino na parte central. Esta porção da mancha é identificada como um “corpo” desvitalizado, quase humano. E o sujeito ainda exclui uma parte da imagem, onde comumente é vista uma figura feminina. As outras percepções trazem um elemento mais agressivo, são leões e cachorros de boca aberta e um lobo voador. A boca aberta dos animais também pode indicar uma reivindicação oral. Assim, parece haver perturbações nas primeiras relações de objeto.

- Relações de objeto de amor e de ódio: As relações mais explícitas aparecem nas pranchas II, resposta 6 (“parece dois gorilas dando a mão para o outro”), VIII, resposta 17 (“Isso é um tamanduá subindo no galho de uma árvore. Ele tá em cima de uma pedra. Tá agarrado na árvore. Ela tá até dando a mão para ele”) e na X, resposta 25 (“Tem um grilo querendo pular pra lança, mas tem outro bicho que não deixa”). As duas primeiras relações são positivas e amigáveis. A última resposta demonstra um cuidado de um “bicho” com outro, que está descontrolado. Existe uma possibilidade de contato positivo, portanto, mas também

um exercício intenso de pulsões agressivas que têm que ser controladas (na prancha II a relação aparece depois de uma percepção bastante violenta, como uma tentativa de defesa frente a ela e na prancha X há uma clara necessidade da ação de um controle externo, para conter a agressividade interna). O montante de pulsões agressivas parece prejudicar o estabelecimento de relações. Pode-se pensar também que na prancha III há dois bichos relacionados, mas um deles parece estar passivo ao outro, que sai de dentro de seu corpo. Uma relação cujas barreiras entre o eu e o outro não estão bem delimitadas, portanto.

Síntese Interpretativa dos Processos de Identificação Primária e Secundária: Podem ser verificadas dificuldades no que diz respeito à construção da imagem corporal e da imagem de si, bem como evidências de fragilidade na delimitação eu-outro e sujeito-objeto, além de ameaça de fragmentação. As dificuldades, nesse sentido, parecem ter origem em um momento primitivo do desenvolvimento, envolvendo até mesmo vivências intra-uterinas. Sua problemática parece se situar, portanto, em uma fase anterior ao reconhecimento das diferenças sexuais, ainda no processo de individuação, da construção de uma imagem de si mais integrada, o que compromete o acesso ao processo de identificação secundária ou sexual.