Mesmo considerando que a maioria das empresas busca relações com o mercado externo com o intuito de se desenvolver e aumentar suas vendas e lucros, ainda existem empresas que possuem receio em expandir-se internacionalmente. É necessário que as empresas analisem os riscos e os desafios de um processo de internacionalização previamente à tomada de decisão de internacionalizar-se. Segundo Kotabe e Helsen (2000), quanto maior o fator risco, menos as empresas estão dispostas a assumir grande comprometimento de recursos em relação ao país ou região.
Weinstein (1995) explica que algumas empresas evitam oportunidades internacionais potencialmente rentáveis em virtude de uma falta de conhecimento dos consumidores, informações limitadas quanto à prática de negócios no exterior e às variáveis incontroláveis (ambientes políticos, econômico, tecnológico e competitivo), executivos internacionais despreparados ou relutantes e despesas iniciais consideráveis.
“Vencer as fronteiras entre países e reduzir suas forças negativas em relação ao comércio internacional não é uma tarefa fácil” (PÉPECE, 2000, p.9). São vários os riscos e dificuldades encontrados num processo de internacionalização: normas técnicas, obtenção de informações confiáveis, localização geográfica (custos elevados de transporte), excessivo protecionismo na indústria local, poder de pressão dos sindicatos, excesso de regulamentações, nível tecnológico, instabilidade econômica, moedas não conversíveis, custos elevados da promoção do produto, falta de estrutura, alterações tributárias, pirataria tecnológica, formas de comercialização diferentes daquelas praticadas no mercado do exportador, entre outros. Estudos ainda têm buscado identificar as principais barreiras enfrentadas pelas empresas em seus processos de exportação (LEONIDOU, 1995; SHOHAM; ALBAUM, 1995; MOINI, 1997; LEONIDOU, 2004), inclusive no Brasil (ROCHA; CHRISTENSEN; CUNHA, 1990; ROCHA; CHRISTENSEN, 1994; SILVA; ROCHA, 2001; MACHADO; SCORSATTO, 2005).
O estudo realizado por Machado e Scorsatto (2005) apontou como principais obstáculos enfrentados na exportação de pedras preciosas: greves na Receita Federal e nos portos, fretes e armazenagem com altos custos, exigências de embalagens padrão, necessidade de certificado de fumigação, desvalorização cambial, concorrência interna e barreiras culturais.
O estudo desenvolvido por Leonidou (2004) oferece uma análise de 39 barreiras à exportação para pequenas empresas extraídas de uma revisão de 32 estudos empíricos (meta- análise), abordando as barreiras internas (informacionais, funcionais, de marketing) e as barreiras externas (de procedimentos, governamentais, de tarefas, ambientais) à exportação. O autor menciona que o impacto das barreiras depende das situações específicas, das idiossincrasias administrativas, organizacionais e ambientais em que as empresas operam. Entretanto, certas barreiras como ineficiência de informações, preço competitivo, hábitos de clientes estrangeiros e ambiente político-econômico parecem ter um efeito obstrutivo forte e sistemático sobre o comportamento das exportações.
Para Pride e Ferrel (2001) as diferenças econômicas entre as nações – diferenças em padrão de vida, crédito, poder de compra, distribuição de renda, recursos nacionais, taxa de câmbio, entre outras – ditam muito dos ajustes que precisam ser feitos no marketing no exterior. Os autores complementam que nos últimos anos vários países, inclusive Rússia, Japão, Coréia do Sul, Tailândia e Cingapura, experimentaram problemas econômicos tão graves, como depressão, alto nível de desemprego, falências, instabilidade no mercado financeiro, desequilíbrios financeiros e comerciais, que necessitaram de reformas significativas.
As incertezas políticas do novo mercado devem ser enfrentadas quando do processo de internacionalização. A política internacional se encontra entre as mais incontroláveis das variáveis, e as empresas devem estar preparadas para enfrentar qualquer situação ou emergência política (SCHEWE; SMITH, 1982). O risco político pode até arruinar com o processo de internacionalização de uma empresa. Na medida em que diminui o risco político de um país, aumentam as possibilidades de se entrar nele (KEEGAN; GREEN, 2000).
Os aspectos legais no exterior diferem-se dos existentes num país de origem. As empresas exportadoras devem estar muito sensíveis aos regulamentos dos países que estão mantendo negócios para não serem surpreendidas com más notícias. Foi o caso dos produtos Pringle vendidos no Japão que foram convertidos de uma classificação com uma tarifa de importação de 15,5% para uma classificação sujeita a uma tributação de 35% (SCHEWE; SMITH, 1982). No caso da Volkswagen, embora muitos veículos sejam fabricados na Alemanha, muitos visam ao mercado americano e precisam atender aos padrões de segurança segundo as leis americanas (SCHEWE; SMITH, 1982).
Segundo o estudo realizado por Roth e Alberici (2005, p.11) existe uma barreira expressiva sobre a exportação de vinhos para o Reino Unido:
Toda bebida alcoólica exportada para o Reino Unido está sujeita à incidência do Excise Duty (imposto do governo para importações de mercadorias). Incide sobre os vinhos uma tarifa que varia de acordo com o teor alcoólico da bebida. O Brasil é um dos países excluídos dos anexos do regulamento comunitário que contém as listas dos países autorizados a exportar vinhos varietais para a União Européia. Atualmente, o vinho brasileiro pode ser comercializado no Reino Unido somente como vinho de mesa, não podendo constar o nome do varietal na embalagem, pois a barreira impede a penetração do produto brasileiro com esta descrição.
Existem pesos máximos permitidos para o container circular em determinados países no exterior. Segundo Machado e Scorsatto (2005), a empresa Bortoluzzi identifica no peso do seu produto exportado (pedras preciosas) uma barreira de entrada para países como Inglaterra, Alemanha e Austrália. Os autores ainda acrescentam que mesmo que sobre espaço no container não é possível preenchê-lo em virtude do limite de peso.
Nas decisões pertinentes ao processo de internacionalização, Hofstede et al. (2002) comentam que as empresas devem considerar os perfis de diferentes arquétipos de liderança existentes em cada país cuja empresa manterá negócios, estimando os riscos associados a este aspecto.
A pesquisa realizada por Cyrino e Oliveira (2002) concluiu que quanto maior o tempo de atuação em negócios internacionais das maiores empresas brasileiras, mais dispostas a assumir riscos e comprometer recursos em suas estratégias de internacionalização elas estarão.
Para reduzir o risco de falha de alguma variável básica que pode ajudar a afastar uma oportunidade de risco, é necessária que as empresas realizem uma análise detalhada do ambiente e do mercado que estão considerando entrar (McCARTHY; PERREAULT, 1997).