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Edebi Faaliyetler

Belgede Adana Halkevi (1933-1951) (sayfa 147-153)

3.1. DĠL, TARĠH VE EDEBĠYAT ġUBESĠ

3.1.2. Edebi Faaliyetler

Uma vez estabelecidas as bases teórico-metodológicas do estudo, urge, a partir deste ponto, realizar as análises necessárias à criação da necessária inteligibilidade do fenômeno de linguagem sobre o qual decidi me debruçar, qual seja, a construção estilística em José Bezerra Gomes, mais especificamente, em seu romance A porta e o vento. Antes disso, porém, três questões impõem-se à boa compreensão deste Capítulo. Elas servirão para situar o leitor acerca da natureza das discussões aqui promovidas bem como para orientá-lo na tomada de suas conclusões acerca do que se terá discutido.

A primeira dessas questões diz respeito à natureza do objetivo que se pretende alcançar com a análise aqui intentada. Se em outras épocas, a Linguística Aplicada foi concebida como área do conhecimento que pretendia buscar “soluções” para os problemas de linguagem que se lhe impunham, atualmente, ela encontra-se muito mais no afã de buscar inteligibilidades sobre esses problemas, que, em comum, apresentam a característica de ter a linguagem como questão fundamental. No dizer de Moita Lopes (2009), a LA hoje incorpora uma diferença fundamental em relação àquela que se produziu por muito tempo: o abandono do caráter solucionista (a LA era tida como uma área que buscava encontrar soluções para os

problemas de uso real da língua) e a assunção de uma perspectiva de estudos cujo objetivo central é o de criar inteligibilidade (ou inteligibilidades) sobre esses mesmos problemas sociais em que a linguagem tem um papel central, mas com um cunho antiobjetivista e antipositivista.

É na esteira dessa natureza compreensivista (antissolucionista, antiobjetivista e antipositivista) que se põe o objetivo desta análise. Isso importa dizer que todos os achados da pesquisa, todas as interpretações e todas as inter-relações estabelecidas são no sentido de imprimir ao fenômeno analisado (a construção estilística no romance em tela) uma compreensibilidade, isto é, inteligibilidades, e não soluções que se pareçam definitivas ou científicas no sentido positivista do termo. Tampouco se poderá esperar que as discussões girem em torno de questões meramente literárias. Não custa lembrar, esta é uma pesquisa situada no campo da Linguística Aplicada. É preciso sempre ter isso em mente.

A segunda questão que se impõe discutir antes de iniciar as análises diz respeito a uma retomada: o texto de José Bezerra Gomes selecionado para análise, qual seja, o romance A porta e o vento, é aqui considerado como um enunciado concreto, singular e irrepetível, tal qual preconiza o pensamento bakhtiniano exposto no Capítulo teórico. Isso tem muitas implicações para este trabalho de análise: uma delas é o fato de que tal romance é concebido como um evento de linguagem envolvido pelo caráter histórico, social, mas também individual em que se insere a sua produção, representando, naquele momento, uma verdade para seu produtor, um posicionamento seu, um partido ideológico particular (mas não isolado) diante dos fatos da vida que o precederam, que lhe foram contemporâneos ou até mesmo que lhe seriam subsequentes.

É, portanto, revestido desses cuidados e com tais considerações em mente que devo iniciar a análise do romance, com vistas na consecução dos objetivos desta pesquisa. Chega a ser desnecessário, mas não custoso, lembrar que dezenas de leituras foram e devem ser realizadas para a compreensão do texto em análise. Só assim, pode-se, num movimento eminentemente dialógico, escutar o que o texto tem a dizer. Além disso, foi preciso o estabelecimento de uma rede de interconexões com outras leituras, com outros enunciados, a fim de que se pudessem estabelecer sentidos relativamente ao que chamo de “estilo bezerriano”. Vale lembrar que, para Bakhtin, estilo é necessariamente diálogo, portanto, não se pode vislumbrar a possibilidade de se defini-lo a partir tão-somente da leitura do texto de José Bezerra Gomes, sem relacioná-lo com outros discursos circulantes à época.

A terceira e última, mas não menos importante, questão diz respeito à limitação deste trabalho. A proposta de análise aqui intentada não contempla esgotar todas as possibilidades oferecidas pelo romance A porta e o vento, até mesmo porque considero esta uma empresa, virtualmente, irrealizável. Neste Capítulo, proponho-me a erigir alguns dos achados, não necessariamente os que parecem mais importantes ou os que são mais evidentes, mas aqueles que meu olhar de pesquisador me permitiu enxergar, em decorrência das leituras da obra, considerando, inclusive, minha experiência particular de vida e de pesquisador.

Ver-se-á, mais adiante, que o principal traço estilístico presente na obra diz respeito à ocorrência de relações dialógicas. Nesse sentido, diversos são os tipos dessas relações presentes no romance, dentre as quais destaco: 1) as relações entre as vozes da tradição e a posição do personagem Santos, no que respeita à instituição do casamento; 2) as relações que se podem estabelecer entre a imagem estereotipada de sertão, presente no imaginário popular, no senso comum, e a imagem de sertão criada pelo autor na obra analisada; 3) os possíveis diálogos entre o título (A porta e o vento) e os fatos narrados no romance, bem como a relação (dialógica) de tensão que se estabelece entre as imagens poéticas da “porta” e do “vento”, quando vistas conjuntamente; 4) as relações dialógicas travadas entre a obra analisada e os demais romances do autor, bem como com romances de outros autores produzidos em épocas próximas. Essa última relação dialógica demanda um esforço muito superior à envergadura da presente dissertação, motivo pelo qual não será objeto de análise e discussão.

Nesse desiderato, a seguir, são apresentadas e discutidas as categorias construídas no decorrer das inúmeras leituras realizadas no romance A porta e o vento, do qual saíram os dados6 que ilustram todas as discussões. A seleção desses dados, como preconizado no Capítulo metodológico, não ocorreu previamente, mas foi uma decorrência, uma imposição dos próprios achados da pesquisa.

6 Neste capítulo de análise, quando falo em capítulo, estou me referindo aos capítulos de A porta e o vento, obra

analisada. Quando a menção se referir ao Capítulo da dissertação, tal fato será posto explicitamente. Exemplo: Capítulo X deste trabalho, Capítulo Y desta pesquisa, Capítulo Z da dissertação, Capítulo metodológico etc.. Nas demais Seções, a palavra capítulo se refere ao capítulo da dissertação. Cumpre ressaltar, ainda, que todos os grifos presentes nos dados analisados (trechos do romance A porta e o vento) foram postos por mim e não pelo autor da obra literária.

6.2 DIÁLOGOS ENTRE VOZES SOCIAIS: A VOZ DA TRADIÇÃO VERSUS A POSIÇÃO

Belgede Adana Halkevi (1933-1951) (sayfa 147-153)