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2.2. Tarım Ticaretinin Liberalleşmesinde Kurumsallaşma

2.2.4. Dünya Ticaret Örgütü

2.2.4.2. DTÖ’nün Bakanlar Konferansları

O constituinte de 1988 elencou como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil garantir o desenvolvimento nacional, nos termos do art. 3º, II do Texto Maior em vigor.

Os objetivos fundamentais constantes do art. 3º da CF/88 valem como base das prestações positivas que venham a concretizar a democracia econômica, social e cultural, com a finalidade de efetivar na prática a dignidade da pessoa humana175.

Sobre o desenvolvimento, vale destacar que este é enxergado, em princípio, apenas como o aumento das riquezas de determinado país ou grupos, expresso normalmente pela elevação do produto interno bruto, do aumento de receita fiscal, de rendas individuais e da renda per capita. No entanto, em uma visão mais vanguardista, a Organização das Nações Unidas, em sua Resolução 41/128 de 1986, caracterizou o desenvolvimento como um amplo processo econômico, social, cultural e político, que objetiva a melhoria constante do bem-estar de toda uma população e todos os indivíduos, na base da participação ativa, livre e consciente para alcançá-lo, com foco na justa distribuição dos benefícios dele resultantes. Nesse sentido, o art. 1º da referida declaração reza que o direito ao desenvolvimento é um direito humano inalienável, autorizando todas as pessoas e povos a participarem, contribuírem e fruírem do respectivo processo.

Portanto, o desenvolvimento é enxergado como um direito fundamental e que encerra preceitos orientadores aos três poderes constituídos, cabendo ao Estado brasileiro agir a fim de implementar ações e medidas de ordem política e jurídica que almejem a sua consecução.

175PIOVESAN, Flávia. Direitos Humanos e o Direito Constitucional Internacional. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 27.

Por conta disso, o direito ao desenvolvimento nacional deve ser visto, hodiernamente, como direito fundamental, integrante da esfera individual de cada ser humano, ligando-o as suas esferas político, jurídica e social de cidadão.176

Nesse diapasão, Carla Rister177 esclarece que, por meio do desenvolvimento, os direitos humanos e as liberdades fundamentais podem ser plenamente realizados, defendendo que o direito ao desenvolvimento é hoje visto como direito fundamental de terceira geração.178179

Nesse diapasão, o art. 10 da Declaração e Programa de Ação de Viena, das Nações Unidas, preceitua que a pessoa humana é o sujeito central do desenvolvimento, o qual deve ser entendido não apenas no seu aspecto econômico, mas também em seus elementos sociais, que se materializam pela aquisição da progressiva igualdade de condições básicas de vida, mediante a realização para todo o povo, dos direitos humanos de caráter econômico, social e cultural, como direito do trabalho, o direito á educação em todos os níveis, o direito á seguridade social, o direito á habitação e o direito á fruição de bens culturais.180

176SILVA, Guilherme Amorim Campos da. Direito ao desenvolvimento. São Paulo: Método, 2004. p. 69 177RISTER, Carla Abrantkoski. Direito ao desenvolvimento: antecedentes, significados e

conseqüências. Rio de Janeiro: Renovar, 2007. p. 62-63.

178Para Alexandre de Moraes, os direitos humanos de terceira geração são aqueles relacionados á solidariedade ou á fraternidade, que teriam abrangência coletiva ou difusa, alcançando os interesses de grupos menos determinados de pessoas, entre as quais não há vínculo jurídico ou fático muito preciso. Cf. MORAES, Alexandre de. Direitos Humanos Fundamentais. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003. p. 45.

179O entendimento de que o desenvolvimento consiste em direito fundamental, com o qual concordamos, encontra resistências entre teóricos e filósofos do Direito, como Norberto Bobbio. Cf. BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. Tradução de Carlos Nelson Coutinho. Rio de Janeiro: Elsevier, 1992. p. 12. Ricardo Lobo Torres prefere utilizar, ao invés de direito ao desenvolvimento, o termo “desenvolvimento humano”, embora reconheça que no denominado “direito ao desenvolvimento”, encontram-se aspectos essencialmente ligados aos direitos fundamentais, como o mínimo existencial (educação básica, saúde preventiva, água potável, etc) e o mínimo ecológico (meio ambiente saudável). Outros aspectos como o direito à moradia ou ao emprego, são entendidos pelo doutrinador em questão como subordinados à ideia de justiça, que não se confunde com os direitos fundamentais. No mais, utiliza-se da expressão “desenvolvimento humano”, no qual as pessoas estão no centro do desenvolvimento, devendo ser afastadas as desigualdades atuais, decorrentes do modelo predominante de desenvolvimento econômico. Cf. TORRES, 2000, p. 225.

180RISTER, Carla Abrantkoski. Direito ao desenvolvimento: antecedentes, significados e conseqüências. Rio de Janeiro: Renovar, 2007. p. 56.

Ou seja, sendo o desenvolvimento um direito fundamental inalienável, a pessoa humana deixa de ser vista como mero fator de produção e passa a ocupar posição central no processo de desenvolvimento.181

No mais, o desenvolvimento econômico, cultural e social, quando garantido aos indivíduos, é um dos elementos que caracterizam e solidificam o Estado Democrático de Direito, o qual deve se empenhar em assegurar aos seus cidadãos não somente o exercício efetivo dos direitos civis e políticos, mas também dos direitos econômicos, sociais e culturais.182

A afirmação dos direitos humanos como tema global, por conta dos tratados internacionais ora citados, e como tema nacional, visto que está posto como objetivo fundamental da República, vem ainda acenar para a relação de interdependência existente entre democracia, desenvolvimento e direitos humanos.

Merece destaque a acepção de desenvolvimento trazida por Amartya Sen, segundo a qual este é a eliminação de privações de liberdade que limitam a escolha e oportunidade das pessoas de exercerem ponderadamente sua condição de agente livre e sustentável na sociedade. Para o referido autor, a liberdade é o principal fim e o principal meio do desenvolvimento, sendo o último um processo de expansão das liberdades que as pessoas desfrutam. Por isso, fica evidenciado que o desenvolvimento, como expansão das liberdades, não se restringe apenas a aspectos econômicos, mas também se relaciona a disposições sociais, como educação, saúde e serviços públicos de qualidade e os direitos civis, como a participação pública e a democracia. Nesse sentido, o referido economista avança inferindo que muitas vezes a ausência de liberdades substantivas está relacionada com a pobreza econômica das pessoas, que lhes tira a liberdade de saciar a fome, de vestir-se e morar de forma adequada ou de ter acesso a água tratada ou saneamento básico. No entanto, alerta que as privações de liberdades frequentemente decorrem da carência de serviços públicos e assistência social, como programas epidemiológicos, de um sistema bem

181TEIXEIRA DELGADO, Ana Paula. O Direito ao desenvolvimento na perspectiva da globalização: paradoxos e desafios. Rio de Janeiro: Renovar, 2001. p. 51.

182MENDES, Gilmar Ferreira; COELHO, Inocêncio Mártires; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de

planejado de assistência médica e educação ou de instituições eficazes para a manutenção da paz e da ordem locais.183

Nesse contexto, o desenvolvimento, na visão de Amartya Sen184, deve ter em conta a expansão das capacidades das pessoas para levar o tipo de vida que valorizam. Dentre essas capacidades, encontram-se aquelas relacionadas às opções sociais que os indivíduos podem fazer e á qualidade de vida, além do direito de não ter seus direitos lesados ou se quando lesados, possam vir a ser reparados.

Tendo o desenvolvimento como fim maior o aumento das liberdades substantivas dos indivíduos, existem também as liberdades instrumentais, utilizadas como meios para alcançar a liberdade humana em geral, e, portanto, o desenvolvimento.

Os diferentes tipos de liberdade sejam elas, econômicas, políticas ou sociais são inter-relacionadas. Logo, pode-se afirmar que oportunidades sociais facilitam a participação econômica, assim como o crescimento econômico pode ajudar não somente a elevar as rendas privadas, mas também o Estado a financiar programas sociais do Estado.185

Portanto, o direito ao desenvolvimento não se limita a questões de aumento de renda e crescimento econômico, mas também pressupõe uma aproximação centrada nos direitos fundamentais e aumento das capacidades e liberdades.

Essa noção de desenvolvimento, centrada nos direitos fundamentais, deve pautar as ações e programas do Estado brasileiro, assim como as políticas fiscais, tanto no que concerne a imposição da carga fiscal, tanto para a concessão de benefícios fiscais, inclusive os de ICMS, conforme será detalhado a seguir.

183SEN, Amartya. Desenvolvimento como liberdade. São Paulo: Companhia de Bolso, 2010. p. 10 e s.s.

184Ibid., p. 33 185Ibid., p. 25-29.

4.4.2 O desenvolvimento e os incentivos fiscais: compatibilização com os direitos