BÖLÜM 1: AFRĠKA'DA ĠNGĠLĠZ SÖMÜRGECĠLĠĞĠ
1.2. Ġngiltere'nin Bölgesel Sömürgecilik Faaliyetleri
1.2.4. Doğu Afrika
A análise final pode ser entendida como um processo de busca e organização sistemática de transcrições de entrevistas, notas de campo, etc. que foram acumuladas, objetivando a compreensão desses materiais e a divulgação dos mesmos. Pode-se pensar que se trata de interpretar e tornar compreensíveis os dados (BOGDAN; BIKLEN, 1997)
Spink (1999) discute as questões relativas à interpretação nos estudos qualitativos, atentando para a complexidade do problema da objetividade e subjetividade nesses estudos. Para a autora: “o paradigma da complexidade ao mesmo tempo em que desmistifica o dogmatismo científico, abre possibilidades de reflexão acerca do fazer científico, do conhecimento e mesmo do critério de verdade/realidade” (SPINK; LIMA, 1999, p. 103).
De acordo com Spink (1999), o desafio da análise qualitativa constitui a possibilidade de não abandonar a objetividade, mas sim re-significá-la como visibilidade, que advém da explicitação do processo de interpretação, constituindo no pressuposto básico da intersubjetividade.
Além disso, para a análise das entrevistas é relevante considerar os aspectos econômicos, políticos e sociais do contexto em que os participantes estão envolvidos. Uma vez que em ciências humanas o homem é simultaneamente, “sujeito” e “objeto” de conhecimento (REZENDE, 1995) e que se considera o conteúdo da entrevista como “[...] algo em processo e não concepção estanque e definitiva” (ROMANELLI, 1998, p. 129).
Na abordagem qualitativa existem diferentes estilos de recolher, trabalhar e analisar os dados. Há abordagens em que a análise é concomitante com a coleta, há outras em que a coleta ocorre antes da realização da análise (BOGDAN; BIKLEN, 1997). Nesse estudo, a análise de dados teve início concomitantemente à coleta, prosseguindo durante as transcrições
e só terminando no momento final da redação, haja vista as possíveis reformulações que ocorreram no percurso do estudo (CALDANA, 1998).
Sendo assim, o tratamento dos dados no presente estudo, acordou com o que Spink (1999) discutiu em torno da análise, referente a seu início com a imersão do pesquisador nos dados coletados, deixando aflorar os sentidos, sem a necessidade prévia de categorizá-los, codificá-los ou tematizá-los. Segundo a autora, a partir de tal procedimento, emerge o confronto: entre os sentidos construídos no processo de pesquisa e interpretação e aqueles decorrentes da familiarização prévia com nosso campo de estudo, por meio da revisão bibliográfica. Nesse sentido foram semelhantes os procedimentos adotados para a análise do presente estudo.
Para a sistematização dos dados, optou-se por seguir os passos propostos por Biasoli- Alves e Dias da Silva (1992) dentro da perspectiva metodológica acima especificada. Foram eles:
realização de leituras sucessivas do material. Esse contato exaustivo possibilita o
pesquisador a aproximação com os diferentes temas que vão surgindo;
realização de anotações, decorrentes dessa leitura para apreensão das possíveis
interpretações, dos pontos críticos identificados e de seus significados no tópico em questão e no corpo da pesquisa;
compartilhamento dos dados com outros pesquisadores, para que se possa verificar
as formas de compreensão e interpretação, assim como enriquecer o trabalho;
revisões na literatura contribuem para o aperfeiçoamento e atualização do assunto
tratado;
busca de regularidades e diferenças nas respostas apontando suas diferentes nuances;
realização da análise final com o aprofundamento dos dados, afunilando-se o tema
em torno de questões centrais, vinculando-o com a realidade de modo que os indicativos da pesquisa possam contribuir para reflexões sobre a prática cotidiana. O foco de leitura no material de análise teve dois momentos; inicialmente, voltou-se o olhar para os dados entrevista a entrevista, e, depois se procurou olhar para o conjunto das entrevistas.
A sensação de compor a análise desse material foi semelhante à construção de uma colcha de retalhos com aplicações de “patch work”. Igualmente em tal confecção precisamos primeiramente selecionar os retalhos um a um, separando-os por cor, estampas e motivos, para depois pensarmos na combinação dos retalhos num conjunto. No entanto, os critérios de aproximação são muitos, possibilitando inúmeros padrões; a tarefa central foi procurar antever o resultado final concomitantemente à exploração de cada possibilidade de agrupamento.
Além disso, educadoras estão longe de ter uma visão ordenada e uniforme dos temas retratados nas entrevistas. Suas visões são permeadas por muitas contradições e ambigüidades, observadas na análise de cada entrevista. Assim sendo, a tarefa de compor um quadro desse material para a análise foi bastante trabalhosa, uma vez que as contradições permeavam tanto a mesma entrevista, quanto as entrevistas num conjunto
Vale ressaltar que o material coletado congregou informações muito ricas, cuja análise seria difícil de se esgotar. Assim, foram feitos alguns recortes priorizando-se alguns temas, em detrimento de outros. Cabe aqui retomar Rezende (1995) para explicitar que a seleção desses recortes adveio de uma leitura particular da pesquisadora, passando por sua óptica de ver e compreender o mundo e também por seu contexto social, uma vez que em Ciências Humanas não há neutralidade na relação entre o sujeito e seu objeto de estudo.
Os eixos temáticos definidos através das sucessivas leituras do material foram sistematizados em dois grandes agrupamentos, um referente à infância das participantes, e outro a concepções atuais, relacionadas a sua função junto às crianças.
É importante esclarecer que a análise dos conteúdos das entrevistas referentes à história de vida, obtidos por meio dos relatos espontâneos, priorizou os aspectos relacionados à infância das participantes. Em função tanto do nosso interesse em conhecer um ideário relacionado à socialização primária das educadoras, quanto do modo emocionado, entusiasmado e cheio de alegria com que essa etapa da vida foi descrita pela maioria das participantes ao contarem sua história.
Os aspectos trazidos por cada educadora referentes à sua história além da infância, embora menos extensiva e intensivamente abordados por elas, formariam um quadro bastante rico cuja composição poderia, por exemplo, ser feita através de um resumo da história de cada educadora, na perspectiva construída pela entrevistada. Entretanto, a fim de preservar suas identidades, optamos por não incluir esse tipo de descrição.
Assim, optamos por, inicialmente, apresentar o agrupamento que abrange conteúdos das entrevistas referentes ao que foi vivido na infância das participantes: as brincadeiras, o trabalho, os vínculos, relembrados como uma forte presença, ou remetidos às dificuldades e ausências de seus pais, e/ou algumas marcas negativas vivenciadas na relação com outros adultos. Além disso, há também comentários sobre a educação recebida: o modelo autoritário de família, as correções e as comunicações estabelecidas com as participantes enquanto crianças.
Num segundo momento, serão apresentados os dados relativos às concepções das participantes: suas visões a respeito de infância, criança ideal, criança abrigada, família, família da criança abrigada, abrigamento, educação, cuidado e desenvolvimento. E também como elas vêem as questões relativas ao seu trabalho no abrigo, tanto referente às diversas
situações vivenciadas no dia-a-dia como aos sentimentos despertados a partir dessas vivências e no contato com as crianças. Buscamos ainda, compreender como é exercer o papel de educadora nessa situação específica de cuidado, as preocupações, possibilidades e os desafios encontrados nessa experiência de trabalho. Por último, tentamos esboçar um quadro do que se tem feito no interior do abrigo, no sentido das práticas cotidianas que estão ou não sendo utilizadas com as crianças (correções, estímulos e outras).
A fim de ilustrar essas temáticas, procuramos selecionar recortes, considerados os mais relevantes para tal propósito.