3.5. Araştırma Süreci
3.5.2. Deneysel Uygulama Süreci
3.5.2.4. Deneysel Uygulamanın Gerçekleştirilmesi
elaborados quando são articulados com os valores e funções que eles (vínculos) assumiram ou que continuam a assumir para um outro, para vários outros e, consequentemente, para o grupo, do qual o sujeito é parte constituinte e constituída. Assim, conforme já destacamos com os apontamentos sobre a etimologia da palavra vínculo, este se remete ao campo intersubjetivo, pois promove a ligação ou
as conexões entre dois ou mais componentes. Essa concepção agrega-se à forma direta por meio da qual o psiquismo humano se articula com a realidade psíquica externa. Os vínculos intrapsíquicos, de acordo com o pensamento freudiano, retomam, mesmo com modificações, os vínculos dos sujeitos com o pai/mãe internalizados, que se expressam no vínculo transferencial em diferentes dimensões das relações humanas, quer na modalidade dual pais e filhos, no par amoroso, no processo grupal, estendendo-se também para a interação paciente/terapeuta quando na busca por tratamento (MOGUILLANSKY, 2008).
2.4 O casal e a família na perspectiva vincular
Conforme vimos, o conceito de vínculo abrange tanto a noção de ego como a de objeto, trazendo consigo a difícil tarefa na identificação dos limites entre o mundo interno e o mundo externo como outra conceituação similar entre o intrasubjetivo e o intersubjetivo (PUGET; BERENSTEIN, 1994)
No que tange à dimensão da conjugalidade, vínculo e fusionalidade estão imbricados em uma direção simétrica, pois todo vínculo intersubjetivo estável forma- se ancorado na experiência fusional, quer pela via da fantasia com o idêntico, quer com o complementar. Nas palavras de Moguillansky (2008), do encontro com o ilusório resulta o um que se distancia por sua vez do ilusório. Em outras palavras,
poderíamos afirmar que é o ilusório que aproxima, perde lugar para a concretude da própria relação afetiva, e pode, ou não, permitir fusão, com a preservação da própria individualidade na díade relacional e ou/conjugal.
O casal, nessa perspectiva teórica, é uma estrutura vincular entre duas pessoas, nas quais se forma uma relação intersubjetiva estável entre um ego e outro ego, em que as representações psíquicas de cada um incidirão sobre o vínculo e promoverão uma área diferenciada da estrutura objetal.
Puget e Berenstein (1994) salientam que, embora concebida normalmente como fechada, a estrutura vincular de casal comporta uma zona dotada de uma capacidade virtual de abertura para o sociocultural. Esse processo ocorre, por exemplo, no desdobramento do vínculo com os filhos, ressignificando-se como um vínculo próprio da estrutura familiar. O vínculo comporta, assim, tanto uma relação de casal como de pais. Essa característica do vínculo que se produz na família tem levado alguns pesquisadores da atualidade a estudar a interpolação entre as dimensões da conjugalidade e da parentalidade que aparecem na clínica com casais. Desse modo, é frequente a demanda por tratamento psicoterápico se manifestar na criança, porém, os problemas emocionais vivenciados se localizarem em uma dinâmica conjugal disfuncional mantida pelos pais (GOMES, 2007).
De acordo com Puget e Berenstein (1994), na estrutura vincular matrimonial podem circular duas representações: do espaço do macrocontexto social e do complexo de Édipo, que se expressam de acordo com os desejos inconscientes que levam à formação do par amoroso. A representação social oferece modelos de estrutura e papéis calcados nos sistemas de parentesco conhecidos pela cultura e retroalimentados pela história. Portanto, são as influências sociais e de gênero, assim como as zonas psíquicas derivadas das relações primárias e edipianas, que estruturam as relações afetivas vivenciadas pelo par conjugal.
Desse modo, as designações que compõem um vínculo de conjugalidade tornam-se correspondentes a duas ordens de objetos: uma referente aos lugares, e, a outra, aos sujeitos que ocupam tais espaços. Nessa direção torna-se indispensável a denominação do lugar do esposo e da esposa ou, numa linguagem mais contemporânea, do companheiro/companheira, companheiro (a)/companheiro (a), em um vínculo conjugal que agrega todos os maridos e todas as esposas, ou, como citado acima, todos os companheiros (as) e companheiros (as) e as demais variações que daí decorram.
Puget e Berenstein (1994) salientam que um vínculo é constituído a partir de acordos inconscientes. O acordo ou pacto inconsciente é o resultado de um dos espaços mentais dos sujeitos e resulta do desdobramento da tendência a unificar seus funcionamentos mentais e vinculares. Salientam os autores que tal formação pode promover uma nova organização ou unidade mental e vincular, distinta da mera soma dos conteúdos psíquicos dos parceiros. Essa característica é requerida
para ser eficaz e para sustentar um crescimento vincular, pois, de outro modo, levará à repetição dos modelos primitivos.
Os vínculos de sangue e de aliança são dois modelos de vínculo que se desdobram na convivência conjugal e familiar. O vínculo de sangue compreende as relações nas quais a transmissão se opera por meio da realidade biológica. Ele liga a mãe, o pai e os filhos, ou os irmãos entre si. “O vínculo de aliança se baseia em compromissos recíprocos entre as pessoas, sendo seu paradigma a relação matrimonial” (PUGET; BERENSTEIN, 1994, p. 27).
Assim, a cultura parece ter entrecruzado os vínculos de sangue e de aliança, sendo este um campo de tensão que dá a tônica sempre presente entre a endogamia (relações no interior de um grupo entre seus iguais) e a exogamia (relações mantidas entre membros de grupos diferentes que ostentam culturas diferenciadas), que tocam sensivelmente as relações grupais e familiares A família na qual existe um vínculo de aliança poderá se constituir com autonomia frente às influências daqueles de quem se originou. A noção de legalidade transubjetiva que se constitui invariavelmente sobre as reedições de protótipos infantis deve ser superada, flexibilizada às certezas identificatórias dadas pela pertença à família de origem. Assim, a nova ordem intersubjetiva que se instala com o par conjugal implica nuanças criativas que levem a um novo ato psíquico, aqui entendido como
subjetividade própria do casal (PUGET; BERENSTEIN, 1994).
Desse modo, a noção de vínculo conjugal pressupõe a organização de uma relação entre duas pessoas em um campo de vivências e sentimentos, no qual cada membro da díade impõe ao outro sua alteridade. Tal alteridade é mantida por meio das características subjetivas de cada um, que se expressam na trama das relações de poder ocorridas no interior da estrutura familiar atual.
Consequentemente, os pares conjugais comportam entre si uma relação de autonomia e determinações recíprocas, de cunho consciente ou inconsciente (ARAÚJO, 2008).
O conceito de vínculo pode ser utilizado como ferramenta de análise frente ao rompimento de uma relação conjugal. Quando se interrompe uma união conjugal, os egos que saem da estrutura conjugal recuperam um lugar virtual no macrocontexto social em sua representação mental, até que pelo menos um dos dois volte a constituir uma nova matriz conjugal. A passagem para o lugar virtual leva um tempo
considerável que pode ser influenciado pela persistência do grupo social em continuar vendo-os como casal (PUGET; BERENSTEIN, 1994).
Segundo esses autores, o problema desencadeado pelo rompimento do vínculo conjugal limita a possibilidade para ambos os egos de continuar tendo uma relação emocional compatível com a manutenção desse vínculo conjugal. Quando os casais separados contam com filhos, é preciso pensar na evolução mental da criança, que recebe a inscrição do modelo do casal parental.
Encontramos uma interessante análise em Puget e Berenstein (1994) para pensarmos as convergências entre o social e o psíquico que incidem sobre o casal e a família, tarefa que empreendemos neste capítulo. Segundo os autores, a necessidade dos sujeitos de se constituírem como casal é a de ser incorporados em um determinado grupo social, fazendo com que predomine a prescrição social sobre o desejo libidinal. Quando ambos se conjugam (social e libidinal), é possível supor a constituição de um casal, pois estarão incluídos no contexto do micro e do macrogrupo social no qual interagem. Mas, se as dimensões do social e do libidinal não se articularem devidamente, poderão formar uma estrutura esvaziada de conteúdos emocionais, mesmo que contraditoriamente obtenham o estatuto social e o reconhecimento do entorno social. Portanto, “as duas inscrições, social e libidinal, estarão em todos os sujeitos e em todos os casais, em diferentes formas de fusão e desfusão” (PUGET; BERENSTEIN, 1994, p. 32). Esses aspectos podem auxiliar na construção de uma importante ferramenta que se destine à compreensão da conjugalidade homoafetiva, sem que se corram maiores riscos de apenas estereotipar sua estrutura e funcionamento, dado o caráter dinâmico e circular do modelo interpretativo proposto pela psicanálise vincular de casal tal como proposto por Puget e Berenstein (1994), Moguillansky (2008), entre outros autores.