2.3. Demokrasi
2.3.1. Demokrasinin İçeriği
De uma maneira geral, registramos leve predominância dos estudantes qua nto à quantidade de evocação, pois, segundo a teoria sociocognitiva, melhor educação e variedade de fontes influem positivamente. Outra explicação é o hábito de leitura de textos
metalingüísticos e o ambiente de leitura em que o estudante est eja inserido, favorecendo a assimilação e acúmulo de informações a respeito de determinados assuntos objeto de
reportagem, como “Jornalista apresenta projeto de Educação Ambiental à CMV”, “Alzheimer pode ser evitado com proteína”, “Patrimônio histórico de Viçosa é tema de mostra”, “Aquecimento Global deve criar um bilhão de refugiados” e “Gêmea sofre hemorragia”
(ANEXO A).
“Webjornalismo” - O experimento demonstrou haver uma ligeira vantagem para
evocação de notícias entre aqueles usuários que têm hábito de ler jornais n a Internet. No entanto, esse resultado deve ser melhor explorado a fim de detectarmos se a qualidade da evocação não estaria mais (ou também) relacionada a outros fatores como poder aquisitivo e padrão cultural.
“Rádio” - Assim como nos itens anteriores, n ão podemos afirmar definitivamente
haver influência entre audiência a programas de Rádio e evocação de notícias.
“Televisão” – Dentre o grupo que leu as notícias do jornal TL: quanto mais tempo o
receptor despende com audiência televisiva, menor foi a evo cação de notícias lidas. Entre os que usuários que foram submetidos à leitura do jornal OP, tiveram pior desempenho evocativo aqueles que despendem mais tempo assistindo a programas de entretenimento . No entanto, para os demais usuá rios e mídias não houve alterações com a introdução des sa variável.
“Assuntos preferidos” - Entre os moradores, os que mais se lembraram corretamente
das notícias lidas no mês anterior foram aqueles que haviam declarado preferir assuntos como artes e cultura e esportes, enquanto os estudantes que tiveram melhor desempenho foram os que preferem assuntos locais. A matéria marcada através de MQI melhor evocada pelos estudantes foi a que se referia à greve dos servidores da UFV enquanto a que tratava de projeto ambiental se destacou e ntre as apenas lidas aleatoriamente. Nes se caso, o resultado demonstra que quanto maior o nível de interesse direto do leitor , maiores as chances de evocação, pois, exemplificando, a paralisação dos servidores (F M, N3) significa funcionamento parcial da b iblioteca, restaurantes, laboratórios, etc. No segundo caso, alguns conheciam pessoalmente o autor do projeto ambiental, o jornalista viçosense Geraldo Andrade.
“Autodefinição socioeconômica” – A pesquisa piloto não detectou significativas
mudanças na qualidade de evocação entre os dois grupos pesquisados quando introduzida a variável.
“Credibilidade e qualidade” – Apenas entre os entrevistados que leram as matérias
publicadas na TL houve alteração no resultado quando do cruzamento das lembranças com as variáveis credibilidade e qualidade do noticiário. Nes ses casos, os usuários que declararam ter maiores restrições à credibilidade dos jornais e os mais insatisfeitos com a qualidade do Jornalismo foram exatamente os que melhor evocaram as notícias lidas no mês anterior. Entre os usuários que leram notícias dos outros três jornais a pesquisa não apontou diferença significativa.
“Erros de informação” – Quando estimulados a se lembrarem livremente das notícias,
foram verificados erros de informação e outras fo ram acrescentadas ao material original. Em ambas as situações, o maior número e maior gravidade de equívocos fo ram cometidos por moradores e entre os usuários que apenas leram as notícias, sem marcá -las. O “quem” foi o elemento do lide mais sujeito a erros , com freqüente troca do sujeito da ação.
“Elementos do lide” - Entre os seis elementos do lide (quem, quando, onde, o quê, porquê e como), o “o quê” foi o mais lembrado pelos leitores dos quatro jornais, tanto entre
aqueles que leram espontaneamente as n otícias quanto os que marcaram o texto através da
técnica MQI. O “onde” também teve destaque provavelmente devido ao fato de 62% das
notícias se remeterem a Viçosa.
Os leitores da Folha da Mata que marcaram o jornal conseguiram recordar além de “o
quê” do lide a narração do acontecimento (como), as motivações desse (por que) e o espaço
temporal estabelecido (quando) . Os leitores da Tribuna Livre que marcaram os textos, além de
“o que” e “onde”, ampliaram a recordação com o elemento “por quê” enquanto os leitores
que marcaram O Popular recordaram -se “onde”, “quem” e “como”. Já as duas formas de leitura de o Estado de Minas não apontaram diferenças. Assim como os estudos de Van Dijk, não houve divergências significativas entre os três jornais e o EM em funçã o das propostas editoriais. Como resultado geral, parece haver indícios de que algumas diferenças de recordação entre os elementos do lide possam estar ligadas mais ao conteúdo das notícias que ao título.
O reduzido índice de evocação de notícias, mesmo e ntre aquelas lidas e marcadas através da MQI, nos leva a considerar se a singularidade de ser abordado na rua por uma pessoa estranha (o aluno -pesquisador) amplia ou reduz a possibilidade de registro na memória. Por outro lado, não dimensionamos se o acomp anhamento influencia o ato de leitura, constrangendo ou dificultando a compreensão do texto. No entanto, como esta pesquisa objetivou estabelecer padrões de evocação na comparação entre pares, es se ponto (a presença do pesquisador ao lado do entrevistado) torna-se, a nosso ver, pouco relevante e já
estão suficientemente presumíveis em pesquisas que tenta ram reproduzir situações e coleta de dados em laboratório.
A análise preliminar dos textos publicados pelos jornais de Viçosa revela que a abertura das notícias dos jornais locais não obedece a esquemas rígidos, sem a presença de todos os elementos do lide no primeiro e/ou segundo parágrafo ou a estrutura da Pirâmide Invertida, levando à evocação de informações importantes , mas na parte final do texto. Alguns leitores reclamaram que a qualidade do texto jornalístico os levariam à dispersão,
como a estudante E.K.O.: “a (notícia) do esporte foi a mais chata!”.
A reportagem sobre a abertura de uma mostra na Casa de Arthur Bernardes, por exemplo, foi pouco lembra da pela maioria dos leitores, mesmo que tivessem declarado apreciar matérias relacionadas à arte e àcultura. A matéria anuncia a abertura da “Mostra do
Patrimônio Público Edificado de Viçosa” , mas não informa em que consiste exatamente, se
painéis, maquetes, textos ou fotos, prejudicando a evocação(ANEXO A). Neste sentido, há uma diferença entre as investigações realizadas em jornais europeus (VAN DIJK, 1990) e estadunidenses (DERVIN, 2001), mostrando que o uso do lide favorece a evocação, o que nos obriga a maior rigor quanto à presença de todos os elementos do lide para futuros experimentos, utilizando a mesma técnica. Des sa forma, são admissíveis pequenas mudanças no resultado caso moradores e estudantes estivessem familiarizados com a estrutura rígida de lide, segundo os vários experimentos anteriormente realizados.
A pesquisa piloto comprovou outros postulados de Van Dijk e Dervin, como relação entre leitura desinteressada e leitura com marcação MQI , que o leitor com melhor formação evoca com maior quantidade e precisão. Des se modo, podemos inferir com algum grau de certeza a existência de relação entre a capacidade de rememoração das notícias e o ambiente informacional tanto dos estudantes quanto dos moradores.
O tempo despendido na aplicação d os questionários (cerca de 35 minutos, quando se previa 20) levou alguns entrevistados (basicamente moradores) a demonstrarem visível cansaço, quando do momento de leitura das quatro notícias, mesmo porque alguns estavam na rua ou em seu local de trabalho.
Quanto à escolha das matérias a serem lidas, além da presença do lide clássico, sugere - se uniformidade de assunto, grau de polêmica e de características entre as notícias, diminuindo-se assim a possibilidade de que interferências de questões intrínsecas nas matérias
(como o “o quê” do fato em si) predominem sobre as variáveis pesquisadas (envolvimento
social, credibilidade dos jornais e hábito de leitura). Em algumas situações, percebemos que a opinião do entrevistado sobre determinada notícia lida no mês anter ior pode ter sobrepujado
os próprios elementos intrínsecos do fato. O conhecimento prévio a respeito do assunto também interferiu nas respostas, levando o usuário a acrescentar informações não constantes na leitura original.
Observamos que para o experimento real, seria necessário aprimorar as técnicas de abordagem dos entrevistados , levando-os a uma postura cooperativa, retirar algumas perguntas que se mostraram ineficazes e refazer outras para que se configurassem mais
“neutras”, rever alguns procediment os e reformular questões dos formulários, dentre as quais
destacamos:
1) Moradores e estudantes tiveram dificuldade em mensurar o tempo total gasto com audiência midiática, o que nos remete à necessidade de reformular a questão, retirando o item
“freqüência” e substituindo “minutos” por “__horas e _ minutos” logo adiante ao nome dos
programas citados.
2) Avaliar a permanência de “igrejas, entidades religiosas” dentre as opções de grau de
interesse e participação social posto que es se item demonstrou ser o de maior pontuação e,
portanto, deixa de representar um diferencial entre o grupo; acrescentar a opção “agremiações esportivas”.
3) O item “local de moradia” não produziu alterações quanto à evocação.
4) A qualidade de impressão e valor jornalístico das fotos publicadas ao lado das notícias podem ter interferido em algumas evocações.
5) Como ocorre em pesquisas de investigação comportamental, torna-se necessária a atenção para as respostas a fim de se questionar em algumas contradições, como o ocorrido
com “AR”, estudante de Engenharia Ambiental. Ele declarou não ler absolutamente jornais ou
revistas impressas, mas avaliou como “excelente” a quantidade e “ra zoável” a qualidade das mesmas.
6) Reunir em um item, facilitando a resposta, a questão relativa à cred ibilidade e decodificação crítica (blocos 3 e 4); questionar apenas a avaliação do Jornalismo em geral (1) e do jornal específico objeto de análise (2).
Avaliamos que maior homogeneidade intragrupal, como o universo composto apenas por estudantes de Comuni cação Social, favoreceria a comparação de resultados decorrentes da introdução das variáveis definidas.
Consideramos que a “falta de tempo” como justificativa para a baixa leitura de jornais
é indicativa para futuras pesquisas qualitativas a fim de desven dar o real motivo do desinteresse. Nos parece que a resposta estaria localizada entre a qualidade do Jornalismo praticado nessas mídias, principalmente o jornalismo local, e a motivação do usuário para
notícias “sérias” pois vários entre aqueles que justif icaram por “falta de tempo” registraram
que despendem algumas horas por dia em audiência a programas de entretenimento na mídia eletrônica.
No próximo capítulo, descreveremos e analisaremos os dados específicos referentes aos estudantes de Comunicação Soci al.